Reading view

O touro bravo, um aliado da biodiversidade e da agricultura regenerativa

Nos últimos anos, o debate em torno da Tauromaquia tem sido frequentemente reduzido ao que acontece dentro de uma praça de toiros. No entanto, quem pretenda compreender verdadeiramente a importância do touro bravo para Portugal deve olhar muito para além da arena.

A verdadeira questão não é apenas cultural. É também ambiental, económica, social e territorial. O futuro do touro bravo está intimamente ligado ao futuro do montado português, um dos ecossistemas mais ricos, mais sustentáveis e mais valiosos da Europa.

Portugal possui cerca de um milhão de hectares de montado, um sistema agro-silvo-pastoril único no mundo, moldado ao longo de séculos pela interacção harmoniosa entre a actividade humana e a natureza. Reconhecido internacionalmente como um sistema agrícola de Alto Valor Natural, o montado alberga uma biodiversidade extraordinária, contribui para o combate às alterações climáticas, protege os solos da erosão e ajuda a fixar populações em territórios rurais cada vez mais ameaçados pelo abandono. É neste contexto que o touro bravo desempenha um papel absolutamente singular.

Em Portugal, a criação do touro bravo está associada a cerca de 100 mil hectares de montado e pastagens extensivas, integrando uma fileira económica que gera milhares de postos de trabalho directos e indirectos. Para além da sua dimensão cultural, representa um instrumento efectivo de gestão territorial, combate ao abandono rural e preservação da biodiversidade. Num contexto em que a União Europeia procura reforçar a sustentabilidade da pecuária através da futura Estratégia Europeia para a Pecuária e dos mecanismos de remuneração dos serviços dos ecossistemas, o modelo produtivo associado ao touro bravo surge como um exemplo particularmente relevante de compatibilização entre actividade económica, conservação da natureza e coesão territorial.

Os estudos mais recentes sobre agricultura regenerativa, serviços dos ecossistemas e paisagens agro-silvo-pastoris mediterrânicas apontam precisamente o montado e a dehesa como modelos de referência para o futuro da pecuária europeia. Não por acaso, várias contribuições científicas apresentadas no âmbito da preparação da futura Estratégia Europeia para a Pecuária defendem explicitamente o reconhecimento e valorização destes sistemas, incluindo as explorações de touro bravo, pelo seu contributo para a biodiversidade, para o armazenamento de carbono, para a prevenção dos incêndios rurais e para a sustentabilidade económica das regiões de baixa densidade populacional.

Em paralelo, a crescente valorização dos serviços dos ecossistemas no âmbito das políticas europeias, incluindo os mecanismos de Pagamentos por Serviços dos Ecossistemas e os objectivos da Missão Solos da União Europeia, reforça a importância estratégica destas explorações enquanto produtoras de bens públicos ambientais que beneficiam toda a sociedade.

Esta realidade assume particular relevância num momento em que a União Europeia prepara a sua nova Estratégia para a Pecuária e reforça os instrumentos de remuneração dos chamados serviços dos ecossistemas. A própria Comissão Europeia tem vindo a reconhecer que os sistemas pecuários extensivos e agro-silvo-pastoris desempenham um papel fundamental na conservação dos solos, no sequestro de carbono, na prevenção da desertificação, na preservação da biodiversidade e na coesão das comunidades rurais. O montado português constitui um exemplo paradigmático dessa visão europeia, sendo simultaneamente sistema produtivo, património natural e reservatório de biodiversidade.

Ao contrário da esmagadora maioria das produções pecuárias modernas, o touro bravo vive entre quatro e cinco anos em regime extensivo, percorrendo grandes áreas de pastagem natural e montado. Cresce em liberdade, com reduzida intervenção humana, integrado num ecossistema complexo e equilibrado.

Aquilo que hoje Bruxelas designa por agricultura regenerativa é, em muitos aspectos, aquilo que os criadores de touro bravo praticam há gerações. A agricultura regenerativa procura restaurar solos, promover a biodiversidade, aumentar a capacidade de retenção de água, sequestrar carbono e reforçar a resiliência dos ecossistemas. São precisamente estes princípios que encontramos nas herdades de bravo espalhadas por Portugal. Por isso, não será exagerado afirmar que as ganadarias de touros bravos constituem um dos mais antigos e bem-sucedidos exemplos de agricultura regenerativa da Península Ibérica.

Num tempo em que tanto se fala de sustentabilidade, importa reconhecer que a criação do touro bravo representa um modelo produtivo profundamente alinhado com muitos dos objectivos ambientais definidos pela União Europeia.

Os benefícios ecológicos são evidentes. As áreas ocupadas pelas ganadarias de bravo funcionam como importantes refúgios para inúmeras espécies de fauna e flora. Em muitas destas propriedades encontram-se algumas das espécies mais emblemáticas da conservação da natureza na Península Ibérica, como o lince-ibérico, a águia-imperial-ibérica, a águia-de-Bonelli, a cegonha-preta, o abutre-preto ou a lontra-europeia. Não é por acaso. A manutenção destes habitats depende da existência de actividades económicas compatíveis com a conservação da natureza. O touro bravo é uma dessas actividades. Sem a gestão proporcionada pelas ganadarias, muitos destes territórios correriam o risco de abandono, degradação ou conversão para utilizações menos favoráveis à biodiversidade.

O montado presta ainda serviços ambientais de enorme valor para toda a sociedade. As suas árvores armazenam carbono atmosférico, contribuindo para mitigar os efeitos das alterações climáticas. Os seus solos funcionam como importantes reservatórios de matéria orgânica. A vegetação permanente reduz a erosão, protege os recursos hídricos e ajuda a prevenir incêndios rurais através do pastoreio extensivo. São benefícios que aproveitam a todos os portugueses, embora raramente sejam reconhecidos ou remunerados pelo mercado.

É por isso que a União Europeia discute cada vez mais mecanismos de pagamento pelos serviços dos ecossistemas. Quem protege biodiversidade, captura carbono, preserva paisagens e contribui para a saúde ambiental do território presta um serviço público que merece reconhecimento. As ganadarias de bravo enquadram-se plenamente nesta lógica.

Existe ainda uma outra dimensão frequentemente ignorada. O bem-estar animal. O debate público tende a concentrar-se exclusivamente nos momentos da vida do touro em praça. Porém, qualquer avaliação séria e cientificamente fundamentada do bem-estar animal deve considerar a totalidade do ciclo de vida do animal. O touro bravo vive durante vários anos em liberdade, em grandes extensões de terreno, com reduzida intervenção humana e em condições naturais que dificilmente encontram paralelo noutras produções pecuárias contemporâneas. Acresce que toda a actividade taurina se encontra rigorosamente enquadrada por legislação nacional e europeia, sendo sujeita a fiscalização veterinária permanente, desde a criação e transporte dos animais até à sua participação em espectáculos taurinos. Isto não significa que todos tenham de ser aficionados. Significa apenas que o debate deve assentar numa análise completa, informada e honesta da realidade.

Importa igualmente recordar que a criação do touro bravo sustenta uma vasta rede de actividades económicas no mundo rural. Criadores, trabalhadores agrícolas, veterinários, transportadores, fornecedores de serviços, turismo rural, hotelaria, restauração e comércio local integram uma cadeia de valor que gera riqueza, cria emprego e contribui para a fixação de população em regiões onde as oportunidades económicas são frequentemente escassas. Num país confrontado com o despovoamento do interior, a desertificação e o abandono agrícola, estas actividades não podem ser ignoradas.

A discussão sobre os gostos continuará certamente a existir. Faz parte da pluralidade de uma sociedade democrática. Mas há uma realidade que não pode ser esquecida. Sem a actividade associada ao touro bravo, muitas explorações agro-silvo-pastoris perderiam uma parte importante da sua viabilidade económica, aumentando o risco de abandono, alteração do uso do solo e degradação de habitats de elevado valor ecológico. Quando se fala do touro bravo, fala-se de muito mais do que um espectáculo. Fala-se de biodiversidade. Fala-se de agricultura regenerativa. Fala-se de captura de carbono. Fala-se de coesão territorial. Fala-se de emprego rural. Fala-se da preservação de um património natural e cultural que atravessou séculos e chegou até nós.

É por isso que a preservação das ganadarias de bravo não deve ser encarada apenas como uma questão cultural ou sectorial, mas também como uma questão de política agrícola, ambiental e territorial, plenamente alinhada com os objectivos europeus de sustentabilidade, resiliência climática, valorização dos serviços dos ecossistemas e desenvolvimento equilibrado das zonas rurais.

Convém ainda não ignorar uma realidade elementar. O touro bravo não é uma espécie selvagem. Existe porque existe uma actividade económica, cultural e social que justifica a sua criação. Sem Tauromaquia, desapareceriam gradualmente as ganadarias de bravo, reduzindo-se drasticamente a viabilidade económica de cerca de 100 mil hectares de montado directamente associados à sua criação. O resultado não seria uma maior protecção do animal. Seria, paradoxalmente, o desaparecimento da própria população de touros bravos e a perda de um dos sistemas agro-silvo-pastoris mais ricos da Europa.

Defender o touro bravo não é apenas defender uma tradição. É defender a natureza. É defender o território. É defender Portugal.

  •  

Fezes congeladas de esquilo ajudam a desvendar a vida antiga de diferentes espécies

Um ecossistema composto por mamutes, bisontes, cavalos e grandes felinos foi revelado através do estudo dos excrementos de pequenos roedores que provavelmente se alimentavam desses animais. Os esquilos do Ártico (Urocitellus parryii) são roedores com cerca de 40 centímetros de comprimento, encontrados em regiões frias da América do Norte e da Sibéria. “Os esquilos hibernam durante cerca de oito meses do ano e, nos quatro meses em que estão acordados, precisam de sair, comer e trazer o máximo de recursos possível para a sua toca”, afirmou o primeiro autor do estudo, Tyler Murchie. Segundo a New Scientist, isto significa que

  •  

Autarquia reforça combate à vespa asiática

VTM

Os números foram divulgados durante uma reunião de trabalho, que juntou responsáveis municipais, presidentes de junta e apicultores do concelho para avaliar os resultados alcançados e definir novas medidas de intervenção.

Além das armadilhas distribuídas pelo território, foram produzidos cerca de dois mil litros de atrativo utilizado na captura da espécie. Para a autarquia, estes resultados “refletem o envolvimento das entidades locais e da população” no esforço de controlo da vespa asiática.

Durante o encontro foram analisados os desafios encontrados no terreno e discutidas novas estratégias para reforçar a eficácia da campanha. Entre as medidas previstas destaca-se a construção de armadilhas artesanais de maior capacidade, uma iniciativa que envolverá os idosos participantes no projeto Afectos.

As novas armadilhas serão posteriormente distribuídas pelos apicultores e pela comunidade, numa tentativa de aumentar a capacidade de captura e reduzir o impacto desta espécie invasora nos ecossistemas locais.

Em comunicado, a Câmara Municipal de Valpaços sublinha que o combate à vespa velutina continua a ser uma prioridade, apelando à colaboração da população na identificação e sinalização de ninhos, contribuindo assim para a proteção das abelhas e da biodiversidade do concelho.

The post Autarquia reforça combate à vespa asiática appeared first on A Voz de Trás-os-Montes.

  •  

Descoberta nova espécie de aranha que se disfarça de fungo

Uma equipa de cientistas descobriu uma nova espécie de aranha na floresta amazónica do Equador que usa uma forma de camuflagem nunca antes observada. Num novo estudo, publicado em fevereiro na Zootaxa, os investigadores encontraram o que parecia ser um cogumelo comum agarrado à face inferior de uma folha. Ao observarem mais de perto verificaram que o suposto crescimento era, na realidade, algo muito mais inesperado — uma espécie de aranha até então desconhecida. A aranha foi encontrada durante um levantamento noturno no Corredor Llanganates-Sangay, uma região considerada um dos locais com maior biodiversidade do mundo. Segundo o SciTechDaily, a

  •  

FIIN regressa para “a edição mais especial de sempre”

VTM

O presidente da Câmara Municipal de Vila Real, Alexandre Favaios, destacou que a décima edição do Festival Internacional de Imagem de Natureza representa um marco importante na afirmação do evento. “Quem diria que, ao fim de dez anos, estaríamos tão maduros, tão consistentes e, principalmente, com tanta vontade de continuar a inovar em defesa do nosso património natural e da nossa biodiversidade”, afirmou, recordando a evolução de um projeto que começou em Vila Real e que hoje assume dimensão internacional.

O autarca sublinhou que a renovação da imagem do festival simboliza essa evolução e a ambição para o futuro. “Esta 10.ª edição apresenta uma imagem renovada, refletindo o crescimento do festival e a sua vontade de continuar a afirmar-se como uma referência na promoção da imagem de natureza, através da fotografia, do desenho científico e da cinematografia”, referiu.

Artigo exclusivo PREMIUM

Tenha acesso ilimitado a todos os conteúdos do site e à edição semanal em formato digital.

ou compre apenas este artigo:

Comprar este artigo — 1,00€
Se já é PREMIUM, Aceda à sua conta em Entrar

The post FIIN regressa para “a edição mais especial de sempre” appeared first on A Voz de Trás-os-Montes.

  •  

Os corais têm um relógio hormonal semelhante ao nosso para se reproduzirem

Um estudo de três anos desvendou novos detalhes sobre a reprodução dos corais, revelando ciclos hormonais semelhantes aos dos seres humanos e de outros animais, bem como uma nova forma de detetar o sofrimento dos recifes antes que seja tarde demais. Os corais libertam simultaneamente, uma vez por ano, os seus óvulos e espermatozoides no mar. No entanto, o que acontece nos meses que antecedem esse momento tem permanecido, em grande parte, um mistério. Num novo estudo, publicado na iScience, os investigadores descobriram evidências de que os corais podem depender de ciclos hormonais semelhantes aos utilizados por muitos animais. incluindo

  •  

Situação dos oceanos é grave e demanda ação global urgente, diz ONU

Logo Agência Brasil

Relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado nessa segunda-feira (8), concluiu que a situação dos oceanos é grave e demanda respostas urgentes e coordenadas entre governos, pesquisadores, setor privado, organismos multilaterais e comunidades costeiras.

O terceiro ciclo da Avaliação Mundial dos Oceanos (WOA-3, na sigla em inglês), principal análise multidisciplinar sobre o estado dos oceanos, reuniu mais de 550 cientistas e outros especialistas de 86 países. Os dados do WOA-3 referem-se principalmente ao período entre 2018 e 2023.

Notícias relacionadas:

O documento alerta que diversos indicadores críticos da saúde do oceano pioraram significativamente desde a última edição do estudo, publicada em 2022, incluindo aquecimento, elevação do nível do mar, perda de gelo polar, biodiversidade, pesca e poluição marinha. Essa é a versão mais extensa desde que a série de relatórios foi lançada em 2017.

O relatório destaca deslocamento de espécies marinhas para águas mais frias; impactos crescentes das ondas de calor marinhas sobre a pesca; e vulnerabilidade crescente de comunidades costeiras dependentes do oceano.

“O oceano é o principal amortecedor da crise climática, mas os sinais de estresse estão se tornando cada vez mais evidentes prejudicando sua atuação na regulação climática”, afirmou o professor Ronaldo Christofoletti, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), um dos coautores brasileiros do relatório.

Os impactos para o Brasil incluem maior vulnerabilidade costeira, riscos para cidades litorâneas, pressão sobre pesca e aumento de eventos extremos associados ao Atlântico tropical.

“O que vemos no novo relatório é que fenômenos antes considerados excepcionais estão se tornando recorrentes, inclusive com impactos potenciais para o litoral brasileiro, para a pesca, para os recifes de coral e para as populações costeiras”, explicou o professor.

O WOA-3 mostrou que o oceano entrou em uma fase de aquecimento acelerado e que fenômenos climáticos extremos passaram a acontecer em ritmo maior em ambiente marinho nos últimos anos.

Segundo o relatório, a taxa de elevação do nível médio global do mar atingiu 4,3 milímetro (mm) por ano no período entre 2013 e 2023. No relatório anterior, que tinha como base o período entre 1993 e 2018, a taxa de elevação era de aproximadamente 3,2 mm/ano.

Houve ainda agravamento das mudanças nos oceanos polares, com queda acelerada após 2016, atingindo níveis recordes de degelo nos anos de 2022, 2023, 2024 e 2025. Os especialistas alertam que mudanças no gelo polar têm impactos globais sobre circulação oceânica, clima, biodiversidade e elevação do nível do mar.

O documento apontou forte expansão dos impactos da poluição plástica sobre a biodiversidade marinha. Enquanto o relatório anterior registrava cerca de 1,4 mil espécies afetadas por plástico, o novo estudo aponta mais de 4 mil espécies impactadas.

Os especialistas alertam que a poluição plástica deixou de ser apenas um problema costeiro ou visual e passou a representar ameaça crescente para a biodiversidade, alimentação e saúde ambiental global. Segundo Ronaldo Christofoletti, no Brasil, o problema tem relação direta com saneamento insuficiente, resíduos urbanos, poluição costeira e contaminação de praias e rios.

Além disso, a pesca e a segurança alimentar continuam sob pressão crescente. O relatório anterior apontava que cerca de 64,6% dos estoques pesqueiros permaneciam biologicamente sustentáveis em 2019. O documento mais recente mostra queda para 62,3% em 2021.

  •  

Situação dos oceanos é grave e demanda ação global urgente, diz ONU

Logo Agência Brasil

Relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado nessa segunda-feira (8), concluiu que a situação dos oceanos é grave e demanda respostas urgentes e coordenadas entre governos, pesquisadores, setor privado, organismos multilaterais e comunidades costeiras.

O terceiro ciclo da Avaliação Mundial dos Oceanos (WOA-3, na sigla em inglês), principal análise multidisciplinar sobre o estado dos oceanos, reuniu mais de 550 cientistas e outros especialistas de 86 países. Os dados do WOA-3 referem-se principalmente ao período entre 2018 e 2023.

Notícias relacionadas:

O documento alerta que diversos indicadores críticos da saúde do oceano pioraram significativamente desde a última edição do estudo, publicada em 2022, incluindo aquecimento, elevação do nível do mar, perda de gelo polar, biodiversidade, pesca e poluição marinha. Essa é a versão mais extensa desde que a série de relatórios foi lançada em 2017.

O relatório destaca deslocamento de espécies marinhas para águas mais frias; impactos crescentes das ondas de calor marinhas sobre a pesca; e vulnerabilidade crescente de comunidades costeiras dependentes do oceano.

“O oceano é o principal amortecedor da crise climática, mas os sinais de estresse estão se tornando cada vez mais evidentes prejudicando sua atuação na regulação climática”, afirmou o professor Ronaldo Christofoletti, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), um dos coautores brasileiros do relatório.

Os impactos para o Brasil incluem maior vulnerabilidade costeira, riscos para cidades litorâneas, pressão sobre pesca e aumento de eventos extremos associados ao Atlântico tropical.

“O que vemos no novo relatório é que fenômenos antes considerados excepcionais estão se tornando recorrentes, inclusive com impactos potenciais para o litoral brasileiro, para a pesca, para os recifes de coral e para as populações costeiras”, explicou o professor.

O WOA-3 mostrou que o oceano entrou em uma fase de aquecimento acelerado e que fenômenos climáticos extremos passaram a acontecer em ritmo maior em ambiente marinho nos últimos anos.

Segundo o relatório, a taxa de elevação do nível médio global do mar atingiu 4,3 milímetro (mm) por ano no período entre 2013 e 2023. No relatório anterior, que tinha como base o período entre 1993 e 2018, a taxa de elevação era de aproximadamente 3,2 mm/ano.

Houve ainda agravamento das mudanças nos oceanos polares, com queda acelerada após 2016, atingindo níveis recordes de degelo nos anos de 2022, 2023, 2024 e 2025. Os especialistas alertam que mudanças no gelo polar têm impactos globais sobre circulação oceânica, clima, biodiversidade e elevação do nível do mar.

O documento apontou forte expansão dos impactos da poluição plástica sobre a biodiversidade marinha. Enquanto o relatório anterior registrava cerca de 1,4 mil espécies afetadas por plástico, o novo estudo aponta mais de 4 mil espécies impactadas.

Os especialistas alertam que a poluição plástica deixou de ser apenas um problema costeiro ou visual e passou a representar ameaça crescente para a biodiversidade, alimentação e saúde ambiental global. Segundo Ronaldo Christofoletti, no Brasil, o problema tem relação direta com saneamento insuficiente, resíduos urbanos, poluição costeira e contaminação de praias e rios.

Além disso, a pesca e a segurança alimentar continuam sob pressão crescente. O relatório anterior apontava que cerca de 64,6% dos estoques pesqueiros permaneciam biologicamente sustentáveis em 2019. O documento mais recente mostra queda para 62,3% em 2021.

  •  

Exposição “Sobre a flora do Baixo Alentejo” pode ser vista em Moura

A exposição “Sobre a flora do Baixo Alentejo”, do Museu Botânico do Instituto Politécnico de Beja, está patente na Galeria do Espírito Santo, em Moura, até 30 de junho.

Esta exposição apresenta algumas das mais emblemáticas plantas alentejanas, que na Primavera e no Verão dão cor agroecossistemas alentejanos.

Os registos fotográficos foram feitos durante levantamentos florísticos realizados por João Portugal, no Baixo Alentejo.

A investigação científica associada a este trabalho é da autoria de Paula Nozes e Luís Mendonça de Carvalho.

A exposição “Sobre a flora do Baixo Alentejo” pode ser visitada de terça-feira a domingo, entre as 09h00 e as 12h30 e as 14h00 e as 17h30.

O conteúdo Exposição “Sobre a flora do Baixo Alentejo” pode ser vista em Moura aparece primeiro em Sul Informação.

  •  

Cromossoma de um rato congelado foi “ressuscitado”. A seguir… mamutes

Cientistas criaram ratinhos que contêm células com um cromossoma adicional de rato. A equipa de investigadores vai agora tentar repetir o processo com tecido de elefante congelado — e, se resultar, fazê-lo também com mamutes. A controversa empresa de “desextinção” Colossal Biosciences, que tenta há anos trazer lobos gigantes, dodós e mamutes de volta ao mundo dos vivos, com resultados questionáveis, pode estar prestes a ser ultrapassada. Num novo estudo, uma equipa de cientistas da Universidade de Yamanashi, no Japão, transferiu para células vivas de ratinho um cromossoma de um rato que tinha estado ultracongelado durante mais de um ano

  •  

Terras sem Sombra em Viana do Alentejo: «Sob as Estrelas», com um dos melhores coros europeus

O Festival Terras sem Sombra ruma a Viana do Alentejo e Alcáçovas, no fim de semana de 13 e 14 de Junho. No sábado, dia 13, às 21h30, apresenta o concerto «Sob as Estrelas: Confluências Musicais entre o Leste e o Oeste», pelo coro feminino romeno-italiano Arpeggio, sob a direção musical de Gian Luigi Zampieri, com Irene Corgnale na flauta e Sofia Cocco no clarinete.

A tarde de sábado, 13 de junho, será marcada pela atividade de Património, que tem como tema «Ligar o Céu e a Terra: Os Embrechados da Capela e do Jardim do Paço Real».

Será uma tarde em busca de um dos mais singulares conjuntos decorativos do Alentejo e uma das expressões mais raras das artes decorativas portuguesas do Maneirismo e do Barroco.

A manhã de domingo, 14 de junho, dedicada à salvaguarda da biodiversidade, como é hábito. Com o lema «Tesouros Discretos: A Flora e a Fauna da Bacia do Rio Xarrama», será possível conhecer a riqueza ecológica de um dos principais afluentes do Sado, num território onde agricultura, pecuária e conservação ambiental coexistem há séculos.

Todas as atividades são de acesso livre e gratuito.

Fundado em Roma por um excecional conjunto de músicas profissionais romenas, o coro Arpeggio percorreu mais de 150 palcos europeus, de Itália à Áustria, de Espanha à Roménia, da Cripta de Gaudí em Barcelona à Expo Milano 2015.

A 13 de junho, este ensemble, já senhor de um percurso notável, assina um novo capítulo da sua história, desta feita no concelho de Viana do Alentejo.

A igreja matriz de São Salvador, em Alcáçovas, recebe um concerto que junta o madrigal renascentista italiano e a música romena dos séculos XX e XXI, num encontro de geografias e tempos distintos, em mais um fim de semana de atividades do Festival Terras sem Sombra. 

À componente musical junta-se uma leitura do património de embrechados do jardim do Paço Real, em Alcáçovas, e uma incursão pela ecologia da bacia do rio Xarrama. Recorde-se que as atividades em Alcáçovas integram a Semana Cultural desta freguesia.

Na sua presença em Viana do Alentejo, a 13 e 14 de junho, o Terras sem Sombra conta com a parceria do Município local, da Junta de Freguesia de Alcáçovas, do Instituto Cultural Italiano e do Instituto Cultural Romeno em Lisboa.

Conta também com o apoio sustentado da Direção-Geral das Artes, do BPI-Fundação «La Caixa» e da CCDR-Alentejo.

Sul Informação

Do madrigal renascentista à identidade musical romena: confluências de Leste a Oeste

«Sob as Estrelas: Confluências Musicais entre o Leste e o Oeste», assim se intitula o concerto da noite de sábado, 13 de junho (21h30).

O cenário é sublime: a igreja matriz de São Salvador guarda no seu interior, entre outras obras raras, o panteão dos Henriques de Trastâmara, senhores de Alcáçovas. A acústica das três naves de proporções excecionais é o garante de um concerto memorável.

Em palco, o Coro Arpeggio conta com a direção musical de Simona Moldoveanu, o acompanhamento ao piano de Gian Luigi Zampieri e as participações da flautista Irene Corgnale e da clarinetista Sofia Cocco.

O programa percorre vários séculos da música europeia, entretecendo o repertório renascentista italiano com composições romenas dos séculos XX e XXI.

Fundado em Roma em 2014, o ensemble Arpeggio dedica-se à divulgação da música coral romena e italiana no panorama europeu, com um percurso marcado pelo intercâmbio cultural e pela circulação internacional.

O coro mantém estreita ligação às comunidades da diáspora, colaborando regularmente com a Academia da Roménia em Roma, e organiza o Roots Fest – Festival Internacional de Coros.

Sul Informação

Os embrechados do Paço Real: onde a natureza se faz arquitetura e símbolo

A tarde de sábado, dia 13 (15h00), propõe a visita guiada «Ligar o Céu e a Terra: Os Embrechados da Capela e do Jardim do Paço Real», com ponto de encontro no Paço dos Henriques e orientação de Aurora Carapinha, arquiteta paisagista, professora emérita da Universidade de Évora e investigadora do CHAIA – Centro de História de Arte e Investigação Artística.

Os embrechados – composições ornamentais executadas com conchas, seixos, vidro, cerâmica e outros materiais naturais – afirmaram-se entre os séculos XVII e XVIII como uma das linguagens estéticas mais singulares do barroco ibérico, presente em jardins, fontes, grutas artificiais e espaços de devoção, onde criava ambientes de forte dimensão cénica e espiritual.

No Paço Real de Alcáçovas, estes revestimentos atingem uma rara fusão entre natureza, arquitetura e transcendência: a capela e o jardim, também denominado Jardim das Conchinhas, com as suas 28 espécies distintas de conchas identificadas.

Destaque também para a assinatura do protocolo de colaboração entre a Pedra Angular, entidade organizadora do Festival Terras sem Sombra, e a Associação Portuguesa dos Jardins Históricos, a que preside Fernando Guedes.

O acordo abre caminho ao desenvolvimento de iniciativas conjuntas em jardins históricos e outros espaços de elevado interesse paisagístico, acolhendo concertos, atividades culturais e ações de sensibilização.

Sul Informação
Rio Xarrama – Por Xuaxo – Obra do próprio, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=8939794

A bacia do Xarrama: ecologia, paisagem e a urgência de preservar

Na manhã de domingo, 14 de junho (09h30), a atividade «Tesouros Discretos: A Flora e a Fauna da Bacia do Rio Xarrama» convida ao conhecimento de um dos principais afluentes do Sado. O périplo, que decorre nas freguesias de Aguiar, Alcáçovas e Viana do Alentejo, conta com ponto de encontro no Jardim Público de Alcáçovas.

A visita é guiada pelos biólogos Miguel Porto, investigador do CIBIO – Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Universidade do Porto), e Sara Lobo Dias, investigadora do CE3C – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (Universidade de Lisboa).

O Xarrama atravessa zonas de montado, áreas agrícolas, galerias ripícolas e barragens, criando habitats diversificados para aves, peixes, anfíbios e mamíferos e albergando espécies características do ecossistema mediterrânico, como sobreiros, azinheiras, freixos e outras espécies de vegetação ribeirinha, fundamentais para o equilíbrio hídrico e climático da região.

A sua bacia é igualmente um espaço onde agricultura, pecuária e conservação ambiental coexistem há séculos.

As zonas húmidas e as margens do rio funcionam como corredores ecológicos essenciais para espécies vulneráveis e é precisamente nessa articulação entre ciência, conhecimento empírico e conhecimento de base científica que a atividade do TSS se funda.

Sublinhe-se que, pela primeira vez, o festival promove também um bioblitz, iniciativa de ciência cidadã que desafia os participantes a registar fotograficamente a fauna e a flora observadas ao longo do percurso.

A informação recolhida dará origem a um inventário-relâmpago da biodiversidade local, num contributo para um melhor conhecimento dos valores ecológicos deste espaço.

A programação da 22.ª edição do TSS prossegue a 27 e 28 de junho em Gavião, com um concerto pela mão do italiano Duo Baldo-Consonni, no concerto intitulado «Do Romantismo ao Âmago da Modernidade: Essências e Ruturas».

Gostou do que leu? Ajude-nos a continuar!
 
O nosso compromisso é levar até si notícias rigorosas, relevantes e próximas da sua comunidade. Para continuarmos a fazer o que fazemos, precisamos do seu apoio. Qualquer donativo, por mais pequeno que seja, faz a diferença e ajuda a garantir a continuidade deste projeto. Juntos, mantemos a informação viva no Algarve e no Alentejo.
Obrigado por fazer parte desta missão!
Contribua aqui!

O conteúdo Terras sem Sombra em Viana do Alentejo: «Sob as Estrelas», com um dos melhores coros europeus aparece primeiro em Sul Informação.

  •  

Dia Mundial do Ambiente | Estudo português – O paradoxo da biodiversidade – quando mais passa a ser menos 

Porque é que ecossistemas muito abundantes podem acabar com menos espécies? Estudo português revela como a competição extrema e a disponibilidade de água moldam a estrutura das comunidades vegetais. Um novo estudo liderado por Vasco Vieira, investigador do MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente/ARNET (Universidade NOVA de Lisboa), ajuda a esclarecer […]

  •  

Há vida nas Poças da Maré por Almargem

No próximo dia 31 de maio, convidamo-lo a participar numa manhã dedicada à descoberta da incrível biodiversidade das poças de maré!Estas pequenas piscinas naturais formadas nas zonas rochosas escondem um verdadeiro mundo marinho, onde podemos observar:anémonascaranguejosalgasbivalvespoliquetas…e, com alguma sorte, até polvos e nudibrânquios!
 Hora: 09h30 – 11h30
 Ponto de encontro: Monumento Duarte Pacheco (Loulé) – 8h45 / Praia de Olhos de Água (Albufeira) – 9h30
Participação gratuita para sócios com quotas em dia

O conteúdo Há vida nas Poças da Maré por Almargem aparece primeiro em Sempre à Mão.

  •  

Plano nacional prevê 500 milhões por ano até 2030 para restaurar natureza

Portugal vai investir até 2030 uma média de 500 milhões de euros por ano em restauro da natureza, tendo identificado necessidades de restauro em todos os setores, para os quais são propostas mais de 400 medidas. Em Beja e Évora, avançam projetos-piloto na área dos ecossistemas urbanos.

Os números fazem parte do Plano Nacional de Restauro da Natureza (PNRN), que é hoje apresentado pelo Governo e que prevê intervenções para restaurar ecossistemas terrestres, marinhos, fluviais, urbanos, agrícolas e florestais.

Portugal, com a apresentação de hoje, é um dos cinco Estados-Membros da União Europeia (UE) que já está na fase final da elaboração do seu PNRN, indica o Governo num comunicado.

No documento do PNRN, a que a Lusa teve acesso, Portugal compromete-se com a plantação de três milhões de árvores por ano até 2030, criando-se para tal uma rede de viveiros para o restauro, incluindo viveiros municipais e privados.

Nos ecossistemas terrestres, costeiros e de água doce há 260 quilómetros quadrados a precisar de restauro (a 0,3% do território nacional), segundo o documento.

Os grupos mais críticos em termos de necessidade de restauro são as zonas húmidas, os sistemas fluviais, lacustres, aluviais e ripícolas, e os habitats costeiros e dunares.

Segundo o documento a ser hoje apresentado, nos ecossistemas marinhos há uma grande falta de conhecimento, pelo que é preciso combinar restauro com cartografia e avaliação. Há quase 33 mil quilómetros quadrados em estado desconhecido.

Nos ecossistemas urbanos pretende-se chegar a 2030 sem perdas líquidas de espaços verdes e árvores nas cidades e a partir daí começar a crescer, tendo nomeadamente em conta os aumentos de temperatura e a forma como se fazem sentir nas cidades.

Numa primeira fase, como o Governo já tinha anunciado, Beja, Évora, Leiria, São João da Madeira e Vila Real vão avançar com projetos-piloto, em parques e corredores verdes, em coberturas e fachadas verdes, em arborização de ruas e praças, e também redes de abrigos climáticos para proteção das pessoas.

O PNRN engloba ainda programas já em curso, como o PRO-RIOS, que até 2030 tem o objetivo de recuperar 1.500 quilómetros de linhas de agua, incluindo remoção de barreiras.

Está também contemplado o restauro das populações de polinizadores e o restauro agrícola, a par de um programa de restauro em matas nacionais, e um programa de apoio para o montado, relevante como barreira à desertificação.

Nos ecossistemas florestais o PNRN propõe o restauro de 44.000 hectares até 2030.

Citada num comunicado, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, diz que o PNRN é, «mais do que uma obrigação» que vincula com metas e prazos concretos, «uma oportunidade» que permite repensar a gestão do território «e colocar Portugal na vanguarda de uma nova política ambiental europeia».

Segundo o documento a ser apresentado, o PNRN assenta em quatro princípios orientadores: restaurar funções ecológicas, atuar de forma territorialmente diferenciada, combinar restauro ativo com gestão adaptativa, e articular políticas públicas, financiamento a atores.

Contempla 407 medidas especificas: 152 para os ecossistemas terrestres, costeiros e de água doce, 84 para os agrícolas, 83 para os rios, 28 para os polinizadores, 27 para os ecossistemas marinhos, 25 para os florestais e 8 para os urbanos.

O PNRN, que segue agora para consulta pública durante um mês e que até final de Agosto deverá estar pronto, é essencial, diz o Governo, para reverter a perda de biodiversidade e para o combate e adaptação às alterações climáticas.

Resulta de um trabalho de várias equipas de quase dois anos. A lei europeia do Restauro da Natureza, frisa ainda o Governo, é um dos pilares fundamentais do desenvolvimento do próximo quadro financeiro plurianual (2028-2034).

O conteúdo Plano nacional prevê 500 milhões por ano até 2030 para restaurar natureza aparece primeiro em Sul Informação.

  •  
❌