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GoParity prepara entrada no capital de startups com rondas de 300 mil a 1 milhão de euros

A empresa, que liga pequenos investidores a projetos com impacto ambiental e social, prepara agora um novo capítulo: a entrada no financiamento através de capital (equity), após a aquisição de uma concorrente espanhola.

Durante a apresentação Blue Finance Pitch, no Oeiras Bluetech Ocean Forum 2026, Francisco Silva, representante da GoParity, plataforma de investimento sustentável destacou o percurso de crescimento da empresa, sublinhando a aceleração registada a partir de 2020. “O nosso objetivo é democratizar o acesso ao investimento sustentável, permitindo que qualquer cidadão possa participar no financiamento de projetos com impacto real”, afirmou.

A plataforma tem centrado a sua atividade na concessão de empréstimos conectando investidores individuais a pequenas e médias empresas com projetos já em operação. Entre as áreas prioritárias de investimento destacam-se a economia azul, verde e social, bem como sistemas híbridos que cruzam diferentes dimensões de sustentabilidade.

Entre os exemplos mais recentes de financiamento está a empresa portuguesa Seaforester, que recebeu um empréstimo de cerca de meio milhão de euros para expandir as suas atividades de restauração marinha. A empresa dedica-se à monitorização de carbono e recuperação de ecossistemas oceânicos.

Outro caso relevante é o da Valciano, um dos maiores parceiros da plataforma, que já beneficiou de mais de quatro milhões de euros em financiamento. A britânica Exacotec surge também como exemplo de inovação apoiada, desenvolvendo soluções tecnológicas para reduzir a mortalidade na produção agrícola.

Apesar do foco histórico na dívida, a GoParity prepara-se agora para diversificar a sua oferta. Com a aquisição em 2025 da plataforma espanhola Bolsa Social, plataforma espanhola de equity crowdfunding especializada em PME com missão social e ambiental, a fintech portuguesa passa assim a oferecer aquilo que descreve como um “financing full stack” para empresas em diferentes estágios de maturidade — permitindo-lhe entrar no segmento de equity crowdfunding, possibilitando o investimento direto em capital de startups. “Trata-se de um passo estratégico que poderá ter um impacto significativo no ecossistema empreendedor português”, referiu Silva.

“No novo modelo, a GoParity prevê participar em rondas de investimento entre 300 mil e um milhão de euros com a Goparity a assumir tickets entre 75 mil e 300 mil euros, normalmente representando cerca de 20% do total”, explica na apresentação.

A estrutura é montada através de um Special Purpose Vehicle (SPV), sem calendário de reembolso, e exige a presença de um investidor líder que assegure mais de 30% da ronda antes do lançamento da campanha. Esta abordagem visa mitigar riscos e assegurar uma maior robustez na seleção dos projetos.

Mas a ambição da plataforma não se esgota na expansão do portefólio. A Goparity introduziu também um conjunto de critérios de elegibilidade que pretende trazer rigor e previsibilidade ao processo de seleção. Entre os requisitos obrigatórios estão capital próprio positivo, contabilidade organizada, ausência de dívidas fiscais ou à Segurança Social e pelo menos um exercício fiscal completo. A empresa reforça ainda a necessidade de um modelo de negócio com impacto social ou ambiental positivo, alinhado com a sua missão fundacional.

Do ponto de vista financeiro, a análise segue métricas clássicas: equity/ativos acima de 20%, current ratio igual ou superior a 1, EBITDA positivo (resultados antes de juros e impostos, depreciações e amortizações) e dívida líquida/EBITDA até 5 vezes. Para empresas em fase inicial, onde o EBITDA tende a ser negativo, a Goparity flexibiliza a grelha, mas exige runway mínimo de seis meses, prova de conceito, autonomia financeira acima de 30% e um horizonte de tesouraria compatível com a maturidade do financiamento.

Com esta dupla abordagem — dívida para projetos consolidados e capital para empresas emergentes — a Goparity posiciona-se como um ator híbrido num mercado onde a fragmentação das fontes de financiamento continua a ser um dos principais entraves ao crescimento. A aquisição da Bolsa Social não só reforça a presença ibérica da empresa, como também a aproxima de um ecossistema europeu onde o investimento de impacto ganha tração e escala.

Com uma comunidade de cerca de mil utilizadores ativos e uma base alargada de apoiantes, a GoParity procura reforçar o seu papel como ponte entre o investimento cidadão e a sustentabilidade. A entrada no capital de empresas representa, assim, uma evolução natural do seu modelo de negócio, num contexto em que o financiamento alternativo ganha cada vez mais relevância.

A empresa acredita que esta nova fase poderá contribuir para impulsionar o crescimento de startups portuguesas e europeias, ao mesmo tempo que oferece aos investidores novas oportunidades de participação em projetos de impacto.

 

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Tourism Advance abre candidaturas para startups com soluções para a hotelaria

A Fábrica de Startups, com o apoio do Turismo de Portugal, abriu as candidaturas para a 3ª edição do Tourism Advance, um programa de inovação aberta que liga startups a empresas do setor da hotelaria e do alojamento turístico em Portugal.

A iniciativa dirige-se a startups com produto, MVP ou solução já validada, capazes de ajudar hotéis e outros operadores a tornarem-se mais eficientes, sustentáveis, inteligentes e centrados na experiência do cliente.

Segundo a informação divulgada, a edição de 2026 conta já com a participação do Sheraton Lisboa Hotel & Spa, do grupo Marriott International, do Vilalara Grand Hotel Algarve e da Eurosol Hotels, entre outras empresas do setor.

O programa promete aproximar as equipas selecionadas de desafios concretos do mercado, com possibilidade de evoluir para pilotos, parcerias, contratos ou outras formas de colaboração.

A iniciativa inclui bootcamps, mentoria e acompanhamento da Fábrica de Startups, com apoio na definição prática das soluções e na preparação de pilotos com maior potencial de implementação.

Nas edições anteriores, o Tourism Advance envolveu mais de 30 empresas, promoveu mais de 130 sessões de matchmaking e gerou mais de 50 ligações entre startups e empresas.

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ANJE e Município de Olhão assinam protocolo para dinamizar ecossistema empresarial e empreendedor do concelho

A parceria prevê o lançamento do Startup Olhão e a criação de um ANJE Hub no concelho, reforçando a ligação de Olhão à rede nacional de empreendedorismo e inovação da ANJE

A ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários e o Município de Olhão assinaram esta terça-feira, 16 de junho, um protocolo de cooperação com vista à promoção do desenvolvimento económico local, ao reforço do ecossistema empresarial do concelho e ao estímulo da inovação e do empreendedorismo.

A assinatura decorreu no âmbito das Cerimónias Oficiais do Dia da Cidade de Olhão, durante a Sessão Solene realizada no Auditório Municipal Maria Barroso, pelas 12h30, cujo protocolo foi formalizado pelo presidente da Câmara Municipal de Olhão, Ricardo Calé, e pelo presidente da ANJE, Carlos Carvalho.

Com uma duração de três anos, esta parceria permitirá lançar o Startup Olhão e criar um ANJE Hub no concelho. Este novo equipamento será um espaço de última geração para instalação, acompanhamento e capacitação de empresas e empreendedores, funcionando de forma integrada com a rede nacional de hubs da ANJE. A iniciativa permitirá posicionar Olhão numa rede alargada de espaços dedicados ao empreendedorismo, à inovação e à criação de valor económico.

O protocolo prevê ainda o desenvolvimento de ações de apoio aos setores estratégicos para o concelho, com especial enfoque na economia do mar, bem como iniciativas de sensibilização e formação para o empreendedorismo e literacia financeira nas escolas de Olhão. Estão igualmente previstas ações de capacitação dirigidas a empreendedores, profissionais e líderes empresariais, assim como eventos de networking e promoção de redes de cooperação.

Com esta parceria, a ANJE e o Município de Olhão pretendem criar condições para uma economia local mais dinâmica, competitiva e preparada para responder aos desafios da inovação, da transição económica e da valorização dos recursos endógenos do território.

A ANJE reforça, desta forma, o seu compromisso com o desenvolvimento económico de base local, colocando ao serviço do concelho de Olhão a sua experiência na conceção e implementação de projetos de apoio ao empreendedorismo, incubação, aceleração, capacitação empresarial e criação de redes colaborativas. Ao longo da sua história, a associação tem desempenhado um papel ativo na promoção da agenda do empreendedorismo em Portugal, apoiando empreendedores e empresas em diferentes fases de desenvolvimento e contribuindo para a afirmação de ecossistemas empresariais mais inovadores e competitivos.

Para Carlos Carvalho, presidente da ANJE, “este protocolo representa uma aposta muito relevante do Município de Olhão na criação de condições para que empreendedores, empresas e talento local possam crescer, inovar e gerar valor a partir do território. Olhão tem características únicas, setores estratégicos com enorme potencial, como a economia do mar, e uma identidade económica que pode ser reforçada através de novas ferramentas de apoio ao empreendedorismo e à inovação”.

O presidente da ANJE acrescenta que “a ANJE assume este compromisso com grande sentido de responsabilidade. Queremos colocar a nossa experiência, a nossa rede nacional de hubs e o nosso conhecimento na área do desenvolvimento económico local ao serviço de Olhão e do Algarve. Esta parceria é mais um passo no reforço da presença da ANJE na região e na construção de respostas concretas para os empreendedores, para as empresas e para as novas gerações”.

Carlos Carvalho sublinha ainda que “promover o empreendedorismo não é apenas apoiar a criação de empresas. É criar cultura empresarial, capacitar pessoas, aproximar escolas, empresas e instituições, estimular redes de cooperação e ajudar os territórios a transformar potencial em crescimento económico sustentável. É esse o trabalho que queremos desenvolver em Olhão, em conjunto com o Município”.

Sobre a ANJE

A ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários é uma associação de direito privado e utilidade pública que tem como missão promover o empreendedorismo, apoiar a atividade empresarial e estimular a inovação em Portugal. Com uma intervenção nacional e uma rede de infraestruturas dedicadas ao apoio a empreendedores e empresas, a ANJE desenvolve projetos nas áreas da incubação, aceleração, capacitação, networking, internacionalização e promoção de ecossistemas empresariais competitivos.

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Startup usa IA, cruza câmeras e dados para reduzir crimes e elucidar casos

A startup brasileira Pax levantou cerca de R$ 200 milhões, ou US$ 40 milhões, em uma rodada seed (primeira etapa formal para captar recursos) liderada pelos fundos Greenoaks e Benchmark, considerada uma das maiores já realizadas nesse estágio na América Latina.

A empresa desenvolve uma plataforma de IA (inteligência artificial) voltada às forças de segurança pública e pretende usar os recursos para ampliar sua atuação no Brasil.

A captação ocorre em um momento de maior seletividade no mercado de venture capital, mas, para Fernando Czapski, cofundador da Pax, o tamanho do aporte reflete a dimensão do problema que a empresa busca enfrentar.

“A inteligência artificial é uma tecnologia poderosa e deveria ser usada para nos ajudar a resolver os grandes problemas da humanidade. No Brasil, segurança pública é o maior deles”, afirmou em entrevista ao CNN Money.

Segundo Czapski, os investidores apostaram na combinação entre a missão da empresa e a capacidade técnica do time.

“Os investidores entenderam o tamanho desta missão, combinada com a qualidade dos engenheiros brasileiros que fazem parte da Pax, muitos voltando ao Brasil depois de passarem por empresas como Google, Meta e Uber. O investimento foi expressivo porque o impacto é gigante e, onde existe impacto desse tamanho, também há uma grande oportunidade de negócio”, afirmou.

Em sua primeira implantação em larga escala, realizada em Luziânia (GO), a plataforma esteve associada à redução de 27% dos crimes prioritários, como homicídios, roubos e furtos, em seis meses.

No mesmo período, a taxa de elucidação de crimes dobrou e a sensação de segurança da população aumentou 59%, segundo levantamento citado pela empresa.

Ao longo do último ano, as forças de segurança que utilizam a tecnologia da Pax esclareceram mais de 2 mil casos criminais em mais de 30 cidades brasileiras, entre homicídios, roubos à mão armada e furtos de veículos, segundo a empresa.

“Se existem 10 milhões de crimes por ano no Brasil e nós conseguirmos reduzi-los em 27%, como aconteceu em Luziânia, seriam 2,7 milhões de crimes a menos. É um impacto massivo que pode ser alcançado”, disse o executivo.

A plataforma integra câmeras, registros policiais e bases criminais em um único sistema de inteligência. Utilizando IA, a tecnologia cruza informações sobre pessoas, veículos, locais e ocorrências para gerar alertas e pistas investigativas em tempo real.

“Hoje, as forças de segurança ainda trabalham com dados fragmentados, sistemas pouco integrados e uma infraestrutura tecnológica que não acompanha a complexidade da investigação. A Pax nasceu justamente para atacar esse gargalo: conectar informações do mundo real e torná-las úteis em tempo real para apoiar o trabalho policial. É o ChatGPT da polícia”, afirmou Czapski.

A empresa trabalha com governos estaduais e municipais e afirma que o crescimento dependerá da capacidade de gerar resultados concretos em cada nova implementação.

“A Pax não nasceu para crescer a qualquer custo. Nasceu para ajudar forças de segurança a resolverem casos mais rápido e reduzirem crimes com apoio de inteligência artificial. Crescer de forma sustentável significa fazer bem feito em cada implantação e trazer resultados claros”, disse.

Segundo dados citados pela empresa, o custo total do crime e da violência no Brasil equivale a cerca de 6% do PIB (Produto Interno Bruto), ou mais de R$ 760 bilhões por ano, de acordo com o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

Para Czapski, a principal oportunidade no setor está na integração de dados. “O processo de investigação policial é, acima de tudo, um problema de análise de dados e organização da informação. A IA é a tecnologia perfeita para resolver isso.”

A startup, fundada por David Peixoto, ex-executivo da Arco e cofundador da isaac, reúne profissionais formados em instituições como Stanford, Harvard, MIT, ITA e USP, além de ex-funcionários de empresas globais de tecnologia.

Sem divulgar metas financeiras para os próximos anos, a empresa afirma que pretende ampliar sua presença no país e, futuramente, levar a tecnologia para outros mercados.

“Queremos ser a melhor empresa de IA para segurança pública do mundo. Se conseguirmos ajudar a resolver o problema de segurança pública no Brasil, conseguiremos escalar essa tecnologia para qualquer lugar do mundo”, concluiu o cofundador.

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Projeto português Fruta Feia vence Prémios Fundação Moeve para “transição ecológica justa”

O projeto português Fruta Feia foi um dos três vencedores dos Prémios Fundação Moeve, que distinguem soluções para uma transição ecológica justa, foi hoje anunciado.

A terceira edição da iniciativa atribuiu um total de 120 mil euros aos projetos vencedores, selecionados entre 340 candidaturas de Portugal e Espanha. A cerimónia decorreu no auditório da Torre Moeve, em Madrid, onde dez finalistas — seis espanhóis e quatro portugueses — apresentaram as propostas num “pitch” de três minutos.

Além da Fruta Feia, foram também distinguidos os projetos espanhóis DesaLIFE, um sistema offshore de dessalinização sem emissões que usa energia das ondas, e Fortalece, da Universidade de Granada, que valoriza sistemas de regadio tradicional para melhor gestão da água.

A Fruta Feia é uma cooperativa que liga diretamente agricultores e consumidores para escoar produtos descartados por critérios estéticos. O projeto transforma o desperdício na origem em consumo consciente, através de uma rede logística de proximidade escalável.

Portugal esteve representado por mais três finalistas: Refood, Guardiãs do Mar e Novonovo. As candidaturas abordaram desafios como acesso à água, regeneração de ecossistemas, economia circular, empregabilidade verde e redução do desperdício alimentar.

O presidente da Fundação Moeve, Maarten Wetselaar, afirmou que “a transição ecológica justa e sustentável só é possível graças ao talento, à criatividade e ao empenho de pessoas como as que os galardoados representam”. “Estas iniciativas são uma fonte de inspiração que reforça a confiança no futuro”, acrescentou.

Já a vice-presidente, Bettina Karsch, destacou que a iniciativa coloca “no centro as pessoas que estão a tornar possível a transição ecológica, não como um conceito abstrato, mas através de projetos reais com um impacto tangível”. “Por trás de cada iniciativa há horas de trabalho, riscos e decisões difíceis, mas também entusiasmo, coragem e a convicção de que é possível avançar de outra forma”, referiu.

Os três projetos vencedores, todos já em curso e replicáveis, vão receber acompanhamento da Fundação Moeve através de sessões de mentoria e apoio de especialistas para ampliar o impacto.

A Fundação Moeve é uma entidade sem fins lucrativos que atua nas áreas de pessoas, biodiversidade e inovação social nas comunidades onde a empresa Moeve desenvolve atividade. Esta edição registou um aumento de candidaturas face aos anos anteriores, consolidando os prémios como plataforma ibérica de referência em inovação social e ambiental.

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Nvidia e Amazon participam em ronda de investimento de 1,4 mil milhões da Neura Robotics

A Nvidia e a Amazon, que estão no top 5 das cotadas mais valiosas do mundo, estão entre os participantes da última ronda de financiamento da Neura Robotics, fechada a 10 de junho, que atingiu os 1,4 mil milhões de dólares (1,2 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual).

Entre os participantes nesta ronda estiveram também: Tether, Qualcomm Technologies, imec.xpand, Bosch, Schaeffler, Banco Europeu de Investimento, Lingotto Horizon, InterAlpen Partners.

“A Neura está a construir uma nova categoria de infraestrutura de inteligência artificial (IA) onde os robôs cognitivos aprendem, colaboram e operam continuamente em ambientes do mundo real através de um ecossistema de inteligência partilhada chamado Neuraverse. Ao contrário das empresas de robótica tradicionais focadas em máquinas isoladas ou automação industrial restrita, a Neura combina robótica, IA, sensores, computação de bordo e infraestruturas de aprendizagem em larga escala numa arquitetura de plataforma unificada, concebida para uma implementação global”, descreve a empresa.

A empresa salienta que está a construir uma “nova categoria” de infraestrutura de IA onde os robôs cognitivos “aprendem, colaboram e operam continuamente” em ambientes do mundo real através de um ecossistema de inteligência partilhada chamado Neuraverse.

“O futuro da IA ​​não se limitará aos ecrãs. Ela vai mover-se, interagir, aprender e trabalhar ao nosso lado no mundo real. Acreditamos que a IA física e a robótica cognitiva se tornarão uma das maiores transformações tecnológicas das próximas décadas, impactando setores que vão desde a indústria transformadora e logística à saúde, serviços e robótica doméstica”, disse o fundador e CEO da Neura Robotics, David Reger.

A empresa robótica salienta que o dinheiro levantada nesta última ronda de investimento vai acelerar: a implantação global de robôs cognitivos e humanoides; a expansão da plataforma Neuraverse; o lançamento dos NEURA Gyms, ambientes de treino em larga escala para robôs cognitivos; a ampliação da infraestrutura de fabrico e implantação,
e o desenvolvimento de sistemas de IA Física de nova geração.

A empresa refere que possui uma carteira de encomenda que ultrapassa os mil milhões de dólares (860 milhões de euros).

A Neura salienta que está a construir um dos primeiros ecossistemas abertos de IA física do mundo, o Neuraverse, onde os robôs “trocam continuamente competências, capacidades e aprendizagem” do mundo real em diferentes implementações. “Estamos também a expandir a nossa rede global de Neura Gyms, ambientes de treino especializados em larga escala que combinam a interação com sensores do mundo real, simulação e fluxos de aprendizagem multimodal para criar uma das maiores infraestruturas de dados de robótica do mundo real”, acrescentou.

“Muitos acreditavam que as empresas de infraestruturas de IA relevantes a nível global só poderiam surgir de Silicon Valley. Acreditamos que a próxima geração de líderes em IA pode surgir em qualquer parte do mundo onde haja visão, talento de engenharia e velocidade de execução suficientes. Com este financiamento, a Neura consolida-se entre os líderes globais na corrida da robótica, ao lado dos melhores dos Estados Unidos e da China. No final, não se trata apenas de robótica. Trata-se de construir tecnologias das quais o mundo dependerá”, disse o CEO da empresa de robótica.

Faz também parte da sua estratégia “moldar arquiteturas de IA descentralizadas, inteligência de ponta e sistemas económicos nativos de máquina, juntamente com parceiros estratégicos de infraestrutura”, sublinhando que “acredita que ecossistemas de robótica fiáveis, abertos e interoperáveis ​​se tornarão cada vez mais importantes à medida que os sistemas de IA se expandirem para fábricas, centros de logística, ambientes de saúde e residências”.

O CEO da Tether, Paolo Ardoino, considerou que à medida que a robótica evolui da automação programada para a verdadeira autonomia, a infraestrutura por trás dela “também precisa de evoluir”.

Para Paolo Ardoino as máquinas autónomas “precisam da capacidade de processar informações localmente, tomar decisões e realizar transações sem depender” de intermediários centralizados. “A QVAC traz essa inteligência de ponta para a plataforma, enquanto a WDK cuida da camada financeira segura, permitindo que as máquinas executem tarefas, contabilizem os resultados e operem de forma independente. A Neura Robotics partilha desta visão, e este investimento reflete a nossa confiança no potencial da robótica autónoma”, adiantou.

“A IA física representa a próxima grande evolução da computação, estendendo a inteligência a ambientes do mundo real. A robótica é um dos casos de utilização de IA de ponta mais exigentes, onde os sistemas devem perceber, raciocinar e agir instantaneamente, de forma fiável e no próprio dispositivo para aplicações críticas de segurança. A Qualcomm Technologies orgulha-se de apoiar a Neura Robotics na sua expansão de um ecossistema global e aberto para a robótica cognitiva. Ao combinar as nossas capacidades de IA de ponta, computação de alto desempenho e conectividade com a plataforma Neuraverse da Neura, estamos a ajudar a acelerar a implementação de máquinas inteligentes que podem operar de forma segura e eficiente ao lado dos humanos em diversos setores”, disse o Vice-Presidente Executivo e Director Geral do Grupo de Automóvel, IoT Industrial e Embarcada e Robótica da Qualcomm Technologies, Nakul Duggal, outra empresa participante na ronda de financiamento.

Já a vice-presidente de Engenheira Distinta da Amazon, Nafea Bshara, referiu que o investimento que a tecnológica faz na Neura Robotics é uma “extensão natural” da parceria estratégica que possui com a Neura Robotics e da “convicção partilhada no potencial transformador” da IA ​​Física.

“A Amazon oferece a infraestrutura global de cloud e o conjunto de tecnologias de IA que a IA Física exige em escala – incluindo o Amazon Bedrock, o Amazon SageMaker, chips de IA desenvolvidos especificamente para este fim, como o AWS Trainium e a sua plataforma Neuron. Orgulhamo-nos de apoiar a missão da Neura com capital e a tecnologia de infraestruturas necessária para a concretizar”, adiantou Nafea Bshara.

“Como um dos principais fundos de capital de risco globais em semicondutores, com acesso exclusivo à expertise e ao ecossistema da imec, investimos em toda a cadeia de valor de semicondutores, desde as tecnologias fundamentais até à camada de aplicação. A plataforma da Neura Robotics combina a IA Física com o hardware de semicondutores necessário, como sensores e computação de bordo. Acreditamos fortemente na visão apresentada por David Reger e vemos a Neura como a principal empresa de IA Física e robótica na Europa”, disse o partner da imec.xpand, Cyril Vancura.

Da parte do Diretor de Programas de I&D e Portfólio do imec, Thomas Piliszczuk, foi dito que o imec a missão passa por “impulsionar a inovação” baseada em chips que molda o mundo do futuro. “A NEURA Robotics representa exatamente o tipo de empresa onde a investigação avançada encontra o impacto no mundo real: combinando IA, sensores avançados e inteligência de ponta numa plataforma com o potencial de redefinir a forma como as máquinas interagem com o mundo físico. O imec e o fundo de capital de risco imec.xpand orgulham-se de contribuir para o que acreditamos ser um capítulo decisivo na tecnologia de ponta europeia”, sublinhou.

O CEO Robert Bosch GmbH, Stefan Hartung, disse, justificando a presença da empresa na ronda de investimento, que vê “oportunidades significativas” de crescimento no campo da robótica humanoide. “Através da nossa parceria com a Neura, queremos aproveitar melhor as possibilidades que esta apresenta. Com a nossa tecnologia de sensores e o nosso conhecimento em software e conversão de energia elétrica em movimento, a Bosch está no centro desta tecnologia crucial”, afirmou.

O CEO da Schaeffler AG, Klaus Rosenfeld, considerou que para além do negócio principal tradicional, a Schaeffler está a “focar-se estrategicamente” em novas áreas de crescimento, incluindo o campo da robótica humanoide. “As nossas oito famílias de produtos e as nossas décadas de excelência de fabrico posicionam-nos excecionalmente bem neste segmento. Orgulhamo-nos de apoiar a Neura como parceiro tecnológico e investidor na sua jornada de sucesso. Juntamente com um forte ecossistema de parceiros, iremos revolucionar fundamentalmente o desenvolvimento e a implementação de robôs humanoides na indústria do futuro”, esclareceu.

Da parte da Vice-Presidente do Banco Europeu de Investimento, Nicola Beer, foi dito que ao apoiar a Neura Robotics, o Banco Europeu de Investimento está a “investir fortemente” na próxima geração de IA física e robótica cognitiva. “Através do TechEU, as empresas de média dimensão mais inovadoras da Europa podem aceder ao capital paciente necessário para transformar a investigação de ponta em produtos globalmente competitivos e empregos qualificados aqui na Europa. Desde fábricas mais seguras e logística mais inteligente a serviços totalmente novos, a plataforma aberta Neuraverse da Neura ajudará milhares de robôs a aprenderem uns com os outros em tempo real – acelerando a inovação, reforçando a autonomia tecnológica da Europa e transformando a IA em benefícios tangíveis para os trabalhadores e para as empresas”, acrescentou.

O Managing Partner e CIO da Lingotto Horizon, Nikhil Srinivasan, disse que a empresa acredita na Neura Robotics  desde o início, “convencidos de que David Reger [CEO da Neura] possuía a rara combinação de profundo conhecimento técnico e instinto comercial para construir uma plataforma que definiria a categoria. Esta ronda de financiamento confirma aquilo em que sempre acreditámos: que a Neura não é apenas uma empresa de robótica, mas a espinha dorsal da infraestrutura da era da IA ​​física. David Reger e a sua equipa construíram algo extraordinário em Metzingen, e estamos orgulhosos de continuar a apoiar a sua jornada” enquanto se expandem globalmente.

“A Neura Robotics é uma ‘joia escondida’ notável na robótica global, preparada para causar um impacto transformador nos negócios, nos consumidores e na humanidade. A Neura é liderada por uma equipa fundadora empreendedora e visionária que criou uma plataforma de robótica avançada e completa, construiu uma carteira de encomendas crescente de milhares de milhões de euros com clientes globais líderes e tem parcerias com investidores e empresas de classe mundial para alcançar a sua Visão”, adiantou o sócio fundador da InterAlpen Parners, Stephen George, outra entidade participante na ronda de investimento.

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