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La investigación a Zapatero por posible delito fiscal con las joyas limita cualquier regularización ante Hacienda
La apertura de una pieza separada para investigar un posible delito fiscal relacionado con las joyas halladas en el despacho de José Luis Rodríguez Zapatero cambia por completo el escenario tributario del caso. Hasta ahora, el debate se centraba en determinar el origen de las piezas, tasadas en alrededor de 1,3 millones de euros, y en las consecuencias fiscales que podría tener una falta de justificación ante la Agencia Tributaria. Sin embargo, la decisión del juez José Luis Calama introduce un elemento nuevo y determinante: la vía de regularización que habría permitido evitar la responsabilidad penal parece haberse esfumado tras la apertura formal de diligencias por posibles delitos contra la Hacienda Pública, que todavía tienen que esclarecerse.

Cerca de 30.000 ricos en España declaran joyas y bienes de lujo, con un valor medio de 41.500 euros
El hallazgo de unas joyas en la caja fuerte del despacho de José Luis Rodríguez Zapatero, tasadas en alrededor de 1,3 millones de euros, ha puesto el foco sobre un tipo de patrimonio que suele permanecer alejado de los grandes debates económicos y financieros. Las joyas, los relojes y otros bienes de lujo representan una porción relativamente reducida de la riqueza declarada por los españoles más acaudalados, pero su distribución está fuertemente concentrada en las grandes fortunas.

© Álvaro García
Governo federal e Caixa lançam fundo de R$ 1,1 bilhão para gestão de imóveis da União
Em iniciativa voltada para modernizar a gestão do patrimônio imobiliário federal e ampliar seu aproveitamento econômico, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), por meio da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), finalizou a modelagem do Fundo de Investimento Imobiliário Imóveis da União (FII Imóveis da União). Desenvolvido em parceria com a Caixa Econômica Federal,
O aporte inicial do fundo será composto pela integralização de 55 bens da União localizados no Distrito Federal, incluindo terrenos em áreas valorizadas, prédios destinados a reforma e lotes para desenvolvimento imobiliário, segundo o governo. Avaliado em R$ 1,1 bilhão, esse patrimônio inicial não demandará recursos do Tesouro Nacional, uma vez que a operação consiste na troca dos imóveis por cotas do fundo. O governo federal figurará como cotista único, o que garante o controle estratégico sobre a carteira de ativos e as decisões de investimento.
De acordo com o Ministério da Gestão, o fundo não concorrerá com o programa Imóvel da Gente — voltado para habitação, educação, saúde e assistência social —, pois é composto exclusivamente por imóveis sem vocação para políticas públicas sociais ou de infraestrutura. A ministra Esther Dweck destacou que os ativos selecionados para este primeiro momento atualmente não geram receitas e geram custos de conservação para os cofres públicos. Segundo ela, a criação do FII trará mais eficiência administrativa e permitirá reverter os resultados financeiros para políticas públicas prioritárias.
MENOS ALUGUÉIS E MANUTENÇÕES
O principal objetivo do FII Imóveis da União é qualificar os ativos imobiliários federais para atender as demandas da própria administração pública, reduzindo despesas com aluguéis e manutenção. A operação terá três frentes principais de atuação: a venda de imóveis sem vocação pública; a reforma e requalificação de prédios com potencial de uso administrativo; e o desenvolvimento imobiliário em grandes áreas para o benefício do Estado.
A secretária de Patrimônio da União, Carolina Stuchi, ressaltou que o fundo otimizará a venda do patrimônio inoperante, permitindo que a receita obtida com imóveis sem utilidade administrativa ou social seja reinvestida na própria qualificação patrimonial. Atualmente, a União possui mais de 3 mil imóveis sem uso e desprovidos de características para atender políticas públicas ou funções administrativas. Stuchi explicou que o projeto começa como uma experiência controlada e com segurança jurídica, visando ganhar escala e replicar o modelo para outros estados no futuro.
GESTÃO DA CARTEIRA
A administração do fundo e a gestão da carteira imobiliária ficarão a cargo da Caixa, seguindo o regulamento do FII e as normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O presidente da instituição, Carlos Vieira, afirmou que o modelo combina a expertise de mercado do banco com uma visão de política pública para gerar desenvolvimento e benefícios à sociedade.
O modelo de operação já foi apresentado ao Tribunal de Contas da União (TCU) em reunião entre a ministra Esther Dweck e o presidente da corte de contas, ministro Vital do Rêgo Filho. Por se tratar de uma operação puramente patrimonial, a constituição do fundo não exige dotação orçamentária, em conformidade com um acórdão do próprio TCU de 2022. Autorizado por lei desde 2015, o fundo agora será regulamentado por uma portaria da SPU, etapa que precede a assinatura do contrato com a Caixa, a aprovação do regulamento e a formação do Comitê de Investimento.


© FABIO RODRIGUEZ POZZEBOM
Museu da Abolição reabre após reforma com duas exposições sobre memória, resistência e herança afro-brasileira
Um dos equipamentos culturais mais relevantes do Recife vai reabrir ao público nesta segunda-feira (15). O Museu da Abolição (MAB), na Madalena, Zona Oeste da capital pernambucana, inaugura duas exposições concebidas especialmente para seu espaço e acervo.
A reabertura ocorre após a restauração do sobrado que abriga a instituição, realizada entre 2020 e 2022, e um período de retomada gradual das atividades. As mostras “Que herança você vai poder?” e “Restituir o Possível” integram um novo projeto museográfico que reúne o trabalho de 29 artistas e múltiplas narrativas.
Com entrada gratuita, a visitação poderá ser feita a partir de 16 de junho, de segunda a sexta, das 9h às 17h, e sábado, das 13h às 17h.
“Este novo momento do MAB marca não apenas a abertura física, mas a retomada de nosso diálogo com os públicos e o fortalecimento do compromisso com a participação social e com a valorização das memórias, histórias e culturas afro-brasileiras”, destaca a museóloga Daiane Silva Carvalho.
O projeto foi financiado com recursos do FDD (Fundo de Defesa de Direitos Difusos, vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e gerido pela Secretaria Nacional do Consumidor), e recursos do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) para firmar parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que realizou o trabalho curatorial.
Legados da abolição

Ocupando o primeiro piso do sobrado, “Que herança você vai poder?”, com curadoria de Alex de Jesus, reúne 29 artistas em torno de uma questão central: “o que restou, de fato, após 1888?”.
No texto curatorial, Alex argumenta que a abolição da escravatura, formalizada pela Lei Áurea, teve caráter mais simbólico do que efetivo, diante da ausência de políticas de reparação, inclusão social ou acesso à terra, educação e trabalho para a população negra libertada.
“O que parte da arte brasileira escancara é o fracasso da abolição como projeto de cidadania. Através de performances, instalações, vídeos e objetos, artistas contemporâneos reencenam essa história inacabada, convidando o espectador a uma tomada de consciência crítica. Uma libertação na qual o gozo seja possível”, escreve o curador.
A exposição é organizada em três eixos: passado, presente e futuro. O primeiro evidencia que a abolição não representou uma ruptura, mas uma transformação das formas de violência. O segundo aborda a persistência do racismo estrutural. Já o terceiro apresenta a abolição como um processo ainda em construção.
Entre os participantes estão Gê Viana, biarritzzz, Tiago Sant’Ana, Jeff Alan, Caetano Dias, Yane Mendes, Trojany, Tiganá Santana e o coletivo Frente 3 de Fevereiro, entre outros artistas que questionam narrativas tradicionais sobre a abolição e a experiência negra no Brasil contemporâneo.
O vídeo é um suporte central na mostra, presente em trabalhos de Izidoro Cavalcanti, Bisoro, Rodrigo Ribeiro Andrade, Samuel Brasileiro e Natália Maia, que exploram as fronteiras entre arte e cinema, entre a galeria e o espaço urbano.
Na música, os maracatus captados por Lula Cardoso Ayres e as cosmologias africanas de Tiganá Santana se unem ao funk do Baile da Paz, pelo Dynamite Som, por Nekinho e pelo Lamento Negro, e aos arquivos fotográficos e documentais de personalidades negras do Recife.
Acervo africano

No térreo, nas salas destinadas às exposições temporárias, o museu apresenta “Restituir o Possível”, com curadoria de Isabelle de Oliveira Ferreira e Wellington Ricardo da Silva, do coletivo Mandume Cultural.
A mostra reúne uma seleção do Acervo de Cultura Material Africana, formada por 109 peças — entre esculturas, máscaras e regalias — provenientes de 12 países africanos e mais de 20 grupos étnicos.
Restituídos por meio de legislação federal, os objetos propõem reconhecer que aquilo que foi deslocado e ressignificado pelo colonialismo permanece vivo nas práticas culturais, nos corpos e nas produções negras contemporâneas.
Cada peça é apresentada não apenas como objeto estético, mas como testemunho de cosmologias, saberes e tecnologias que o olhar colonial procurou enquadrar em categorias fixas.
Patrimônio restaurado
As obras de restauração do Museu da Abolição incluíram a recuperação estrutural do casarão tombado como patrimônio nacional em 1966, a implantação de um novo projeto paisagístico e a construção de um anexo destinado a lojas e café.
“O museu, desde sua reabertura após a reforma, seguiu ativo, sendo palco de diversas mostras e atividades diversas. O que celebramos agora é um momento em que lançamos o nosso novo projeto museográfico pensado e trabalhado especialmente para a instituição, com um olhar atento para o seu acervo e para a sua missão enquanto equipamento cultural”, pontua a diretora substituta do MAB, Fabiana de Lima Sales.
A trajetória do sobrado que abriga o museu e a criação da instituição estão apresentados em um novo espaço do equipamento, a sala memorial.
O Museu da Abolição foi criado em 1957 pelo então presidente Juscelino Kubitschek em homenagem aos abolicionistas João Alfredo e Joaquim Nabuco. A inauguração oficial ocorreu em 13 de maio de 1983.
Conhecido como Sobrado Grande da Madalena, o imóvel tombado possui uma história diretamente relacionada ao movimento abolicionista. A residência pertenceu a João Alfredo Corrêa, primeiro-ministro de Dom Pedro II, responsável por conduzir a aprovação parlamentar da Lei Áurea e por sua atuação na promulgação da Lei do Ventre Livre.
Serviço
Que herança você vai poder? | Restituir o possível
Abertura: 15 de junho, 18h
Visitação: a partir de 16 de junho; segunda a sexta, das 9h às 17h, e sábado, das 13h às 17h
Entrada gratuita
Local: Museu da Abolição – Rua Benfica, 1150 - Madalena, Recife


© Divulgação
Mais de 5 mil itens do acervo de Capiba são tombados pelo Governo de Pernambuco
Documentos, partituras, fotografias, pinturas, discos de vinil, livros, gravações e instrumentos de um dos maiores compositores de Pernambuco são oficialmente tombados pelo Governo do Estado.
O acervo de Lourenço da Fonseca Barbosa, Capiba (1904–1997), será preservado como patrimônio cultural de Pernambuco após aprovação de tombamento pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC), da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe).
O processo para a proteção do bem teve início em 2013 e foi finalizado apenas na última quinta-feira (11), após 13 anos. Desde 2015, a preservação da obra do compositor foi feita pelo Instituto Capiba, formado por musicólogos, restauradores, antropólogos, advogados e produtores culturais.
Ao todo, são mais de 5.400 itens que, com o tombamento, devem continuar acessíveis, valorizados e preservados pelo Governo de Pernambuco. Além disso, as coleções não poderão ser comercializadas e devem ser difundidas por meio de pesquisas, exposições e iniciativas educativas.
A presidente da Fundarpe, Renata Borba, destacou a importância do músico para a música popular e falou sobre a preservação de sua memória.
“Capiba é um símbolo da música pernambucana e brasileira. Ao reconhecer oficialmente seu acervo como patrimônio do Estado, garantimos não apenas a proteção de documentos e registros, mas também a preservação da obra de um artista que ajudou a definir nossa identidade cultural”, disse.
Natural de Surubim, no Agreste, Capiba foi um dos mestres da música brasileira e referência pernambucana, com composições em frevos, maracatus, sambas, valsas, cirandas e choros. Ele integrou o movimento Armorial, transitando entre o popular e o erudito.
O parecer técnico elaborado pela DPPC/Fundarpe concluiu que o acervo de Capiba constitui patrimônio de inestimável valor cultural para o Brasil, e em especial para Pernambuco.
“O acervo de Capiba é um verdadeiro tesouro. Ele não se limita a partituras ou fotografias, é um testemunho vivo da formação do nosso cancioneiro e de como o frevo e outros gêneros se consolidaram como símbolos da nossa cultura. Preservá-lo significa garantir que futuras gerações possam compreender e se inspirar nessa trajetória”, pontuou a superintendente de Patrimônio Material da Fundarpe, Cristiane Feitosa.
Casa Capiba

Em 2025, a Casa Capiba, onde viveu o músico pernambucano, no bairro do Espinheiro, Zona Norte do Recife, foi reinaugurada como novo espaço do Conservatório Pernambucano de Música (CPM), após reformas realizadas pelo Governo do Estado.
O equipamento enfrentava anos de abandono e promessas. Construída em 1948, a casa foi herdada após a morte de Capiba pela viúva, Maria José Barbosa, a "Dona Zezita", que voltou a morar em Surubim. Na época, ela alugou o imóvel à empresa de consultoria TGI, que o transformou em uma espécie de memorial.
Em 2017, o imóvel foi desapropriado pelo Governo de Pernambuco para ser destinado à preservação e conservação da memória artística estadual.
Mas, em 2021, a residência foi fechada por tapumes após apresentar janelas quebradas, infiltrações e ter a porta arrancada. Em 2024, o espaço foi ocupado pelo Movimento Casarão de Mulheres (MTCM/PE), em um ato que reuniu mais de 50 famílias de diversas regiões do Estado.


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Blocos do templo romano de Milreu vão ser deslocados após 40 anos
Ruínas Romanas de Milreu, em Estoi, recebem obras financiadas pelo PRR para melhorar acessos, percurso e valorizar elementos do templo.
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Visitas guiadas dão a conhecer a “Silves Subterrânea” no sábado
Visitas guiadas vão dar a conhecer, no sábado, 13 de Junho, alguns dos mais importantes espaços arqueológicos e estruturas históricas existentes sob a cidade de Silves.
Trata-se de uma iniciativa da autarquia local, no âmbito das Jornadas Europeias de Arqueologia 2026, que pretende proporcionar ao público «uma perspetiva única sobre o património escondido de Silves».
«Reconhecida pela riqueza do seu legado histórico e arqueológico, Silves guarda sob as suas ruas edifícios e monumentos testemunhos de diferentes épocas que ajudam a compreender a evolução da cidade ao longo dos séculos», assinala o município, em comunicado.
Através desta iniciativa, residentes e visitantes terão a oportunidade de explorar locais habitualmente inacessíveis ou pouco conhecidos, acompanhados por técnicos especializados.
O programa inclui visitas guiadas às ruínas arqueológicas localizadas sob a Biblioteca Municipal de Silves, à Couraça Islâmica, ao Poço-Cisterna, à Cisterna da Rua do Castelo e às Ruínas Arqueológicas da Arrochela.
Estas visitas terão lugar às 10h00 e às 16h00, com ponto de encontro na Biblioteca Municipal de Silves.
Ao longo do dia, será ainda possível visitar o Poço-Cisterna, integrado no Museu Municipal de Arqueologia, e a Cisterna da Rua do Castelo, situada a norte da Sé Catedral, entre as 10h00 e as 13h00 e das 15h00 às 18h00, através de visitas acompanhadas.

A iniciativa pretende aproximar a comunidade do património arqueológico local, «sensibilizando para a sua importância histórica, científica e cultural», ao mesmo tempo que promove a valorização e salvaguarda deste legado para as gerações futuras.
Integradas nas Jornadas Europeias de Arqueologia, estas atividades associam Silves a uma rede de centenas de cidades europeias que, anualmente, abrem as portas dos seus sítios arqueológicos e promovem o conhecimento da arqueologia junto do grande público.
A participação é gratuita. Para mais informações, pode contactar o sector de Património/Arqueologia através do número 282440800 ou pelo email arqueologia@cm-silves.pt.
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Paços do Concelho de Tavira são tema do próximo «Passeios na História»
Paços do Concelho de Tavira são o tema da próxima visita do programa «Passeios na História».
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Ministra da Gestão anuncia lançamento de fundo imobiliário da União, administrado pela Caixa
A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, anunciou nesta quinta-feira, 11, o lançamento de um fundo imobiliário da União. O fundo será administrado pela Caixa Econômica Federal. A ideia é que imóveis públicos sem potencial de uso para políticas públicas possam alavancar investimentos.
"Vai ter um potencial enorme", não só para a venda de patrimônio da União como para a modernização nos prédios, disse a ministra, durante um evento no Palácio do Planalto com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Dweck deu poucos detalhes sobre o funcionamento do novo fundo.
Segundo a ministra, na fase inicial, serão usados apenas imóveis da União localizados no Distrito Federal (DF).
Depois, quando o fundo estiver em plena operação, vai ser possível estudar o uso de propriedades em outras áreas do País.
A ministra aproveitou, ainda, para criticar o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, ao dizer que administrações anteriores prometeram montar um fundo com até R$ 1 trilhão em imóveis da União - uma ideia que foi mencionada diversas vezes pelo ex-ministro da Economia Paulo Guedes.
"Esse fundo tem como objetivo valorizar o patrimônio, não vender a qualquer custo", disse a ministra da Gestão.


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Alcalá de Henares se queda sin su mural cervantino por decisión del ayuntamiento: “Lo estaban dejando deteriorar a propósito”

Hasta hace unos días, Alcalá de Henares y Azul, una ciudad argentina a casi 10.500 kilómetros de distancia, eran localidades hermanas cuya unión se consumaba en dos pinturas murales a un lado y otro del océano. El dibujante y caricaturista argentino Miguel Rep fue el responsable de materializar el vínculo entre estas dos tierras lejanas que se habían acercado, por casualidad, a través de la figura de Miguel de Cervantes: la primera vio nacer al escritor y en la segunda se conserva una de las colecciones de ejemplares de El Quijote más importantes de América y la más grande de Argentina. En julio de 2011 se inauguró el primero de los murales, el de Alcalá, que Rep pintó durante semanas bajo el sol del verano en la pared lateral de la Casa Tapón y pocos meses después, en noviembre, hizo lo mismo bajo el cielo encapotado de la primavera argentina. Mientras el de Azul se conserva, el de Alcalá ya no existe por decisión del ayuntamiento.
Vela votiva usada por mordomas de Viana já é Património Cultural Imaterial
A Vela Votiva de Santa Marta de Portuzelo, em Viana do Castelo, foi inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial face à sua “importância enquanto símbolo identitário da população”, foi hoje revelado.
Segundo o anúncio hoje publicado em Diário da República, consultado pela agência Lusa, a Vela Votiva é importante, “em particular para os grupos de mordomas que a utilizam em contextos festivos e religiosos, transcendendo atualmente o contexto da romaria de Santa Marta de Portuzelo”.
“Os processos sociais e culturais nos quais teve origem, destacando-se o papel do artesão e armador Álvaro do Rego Sales na sua criação na década de 1950, detentor e herdeiro de um saber-fazer das artes decorativas em papel, transmitido no seio familiar desde o século XIX”, lê-se no documento.
O despacho do presidente do conselho diretivo Departamento de Bens Culturais do Património Cultural, I. P. destaca ainda “os modos em que se processa a transmissão intergeracional do saber-fazer associado à produção da Vela Votiva de Santa Marta de Portuzelo, a qual se tem centrado na família Sales, indo já na terceira geração de artesãos”.
A inscrição da Vela Votiva de Santa Marta de Portuzelo no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial esteve em consulta pública durante 30 dias, desde 16 de fevereiro.
Segundo a página na Internet Vela Votiva de Santa Marta (VVSM), aquele adereço empunhado pelas mordomas foi criado na década de 50 do século passado, por Álvaro Sales Gomes.
O artesão, natural de Santa Marta de Portuzelo, criou a vela votiva de Santa Marta para figurar no cortejo da Mordomia da Romaria de Santa Marta.
A vela “tem cera, mede 55 centímetros (cm) de comprimento e 1,5 cm de diâmetro, rondando os 200 gramas de peso”.
É “constituída por uma armação de madeira para manter direita e segura a fim de engrinaldar. A armação de madeira dá mais cinco centímetros à altura da vela. Desta forma fica com 60 cm de comprimento, dos quais 15 cm pertencem à cera nua, 35 cm às grinaldas e, por fim, os restantes 10 cm à base ou punho da vela”.
“As grinaldas são de papel metalizado prateado e vermelho. De papel prateado são as flores de imitação de malmequeres e vermelho são os botões de rosa, símbolos que caracterizam a freguesia como uma sociedade agrícola. Os botões são azuis para a vela empunhada pela mordoma que de luto esteja. As grinaldas são colocadas de forma a criar um tronco de cone com aproximadamente 15 cm de diâmetro, prendem-se na base com galão e forra-se com papel metalizado prateado. Seguidamente, cobre-se as grinaldas com trena [fita decorativa] e coloca-se a bobeche [peça do castiçal que apara a cera derretida] sobre as grinaldas. Na base, dá-se um laço em fita de seda com 5 cm de largo e 200 cm de comprimento”, lê-se na publicação.
Há ainda uma lenda associada à vela votiva, segundo a página criada para divulgar esta peça de artesanato tradicional, que versa que “as mordomas são raparigas que, formando grupos, têm a responsabilidade de ajudar e promover a romaria da festa do Santo venerado na terra em que vivem”.
São “solteiras e a condição exige que sejam donzelas”. “O tempo de duração da missa é para elas angustiante pelo receio de que a vela se possa apagar”, refere, acrescentando que, “se por alguma corrente de ar ou sopro maldoso a vela se apaga durante a missa, tal acontecimento dava azo a uma interpretação que em nada abonava a mordoma portadora de tal vela”.
“Apagá-la é castigo de Santo que não aceita o embuste de quem já não sendo virgem por ela quer passar”, reza a lenda.
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"Parece que o Sousa Tavares vem antes do Martim"

Lagos recupera tradição da Arte Xávega na Meia Praia
Dezenas de pessoas acompanharam o regresso da Arte Xávega à Meia Praia, numa homenagem a Zé Bala, no domingo, 6 de junho de 2026.
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Evento em Aracelis junta cultura, inovação e património de Alentejo e Andaluzia
A cultura, tradição e inovação territorial de Alentejo e Andaluzia vão estar em destaque num evento marcado para a Ermida de Nossa Senhora de Aracelis, na fronteira entre os concelhos de Castro Verde e Mértola, na quarta-feira, dia 10 de Junho.
O evento “O Que Move as Pessoas – Aracelis | Evento Satélite NEB Festival 2026” é promovido pela Incubadora de Inovação Social do Baixo Alentejo (IISBA) e pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo.
Integra também a programação oficial do New European Bauhaus Festival 2026, organizado pela Comissão Europeia.
Em comunicado, a IISBA explicou que o evento «convida a refletir sobre aquilo que (…) faz partir, regressar, permanecer, cuidar e criar pertença aos territórios».
Também em comunicado, a Câmara de Castro Verde, parceira da iniciativa, juntamente com o município de Mértola, frisou que esta «procura lançar uma reflexão contemporânea sobre os territórios do interior».
Nesse âmbito, o programa do evento vai cruzar «três grandes dimensões», incluindo uma feira para dar «a conhecer projetos, artesãos, produtores e iniciativas territoriais do Alentejo e da Andaluzia».
Estão igualmente previstos os colóquios “Territórios Vivos”, às 11:00, e “T(i)erras de Futuro”, às 15:30, «dedicados aos desafios dos territórios rurais, à sustentabilidade, à inovação, à cooperação e às novas formas de habitar e valorizar estes lugares», acrescentou a IISB.
O programa inclui também a performance “(L)Leva Aracelis no Coração”, que reunirá artistas, comunidades e expressões culturais do território, e um espetáculo do grupo Bandidos do Cante, ambos com transmissão em direto no âmbito do NEB Festival, em Bruxelas, na Bélgica.
«Esta ligação internacional levará a identidade, a paisagem e a energia de Aracelis até ao palco europeu», lê-se no comunicado da IISBA.
A programação cultural do evento contará também com a atuação de grupos tradicionais de Puebla de Guzmán (Espanha), assim como do grupo coral Os Ganhões de Castro Verde e de alunos dos agrupamentos de escolas de Castro Verde e Mértola que frequentam aulas de cante alentejano.
«Mais do que um evento, ‘O Que Move as Pessoas’ afirma Aracelis como um laboratório vivo de celebração, reflexão e cooperação sobre o futuro dos territórios de baixa densidade», concluiu a IISBA.
Foto de destaque: Elisabete Rodrigues | Sul Informação
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21h. Lista de clientes da Spinumviva já pode ser consultada

Município condena atos de vandalismo contra sinais de trânsito
VTM
Foi através das redes sociais que a Câmara de Santa Marta de Penaguião, liderada por Sílvia Silva, deu conta dos atos de vandalismo que aconteceram esta noite.
De acordo com a publicação, “vários sinais de trânsito na ligação entre São João de Lobrigos e Santa Marta de Penaguião foram danificados, entortados e até arrancados”.
Na mesma nota, a autarquia condena este tipo de comportamentos, sublinhando que a destruição de equipamentos públicos “revela uma profunda falta de respeito pela comunidade e pelo património que pertence a todos”, lembrando que “os sinais de trânsito existem para garantir a segurança das pessoas. Quando são destruídos, colocam em risco condutores, peões e todos os que utilizam as nossas estradas”.
“Uma sociedade evoluída constrói, preserva e respeita os bens comuns. Não os destrói. Estes comportamentos não são dignos de quem vive em comunidade nem de quem valoriza a sua terra”, vinca a autarquia, revelando que “os serviços municipais já estão a proceder ao levantamento dos danos para repor a normalidade o mais rapidamente possível”.
Entretanto, e em articulação com as autoridades competentes, “serão desenvolvidas todas as diligências possíveis para identificar os responsáveis e apurar as respetivas responsabilidades”, informa a autarquia.
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Terras sem Sombra em Viana do Alentejo: «Sob as Estrelas», com um dos melhores coros europeus
O Festival Terras sem Sombra ruma a Viana do Alentejo e Alcáçovas, no fim de semana de 13 e 14 de Junho. No sábado, dia 13, às 21h30, apresenta o concerto «Sob as Estrelas: Confluências Musicais entre o Leste e o Oeste», pelo coro feminino romeno-italiano Arpeggio, sob a direção musical de Gian Luigi Zampieri, com Irene Corgnale na flauta e Sofia Cocco no clarinete.
A tarde de sábado, 13 de junho, será marcada pela atividade de Património, que tem como tema «Ligar o Céu e a Terra: Os Embrechados da Capela e do Jardim do Paço Real».
Será uma tarde em busca de um dos mais singulares conjuntos decorativos do Alentejo e uma das expressões mais raras das artes decorativas portuguesas do Maneirismo e do Barroco.
A manhã de domingo, 14 de junho, dedicada à salvaguarda da biodiversidade, como é hábito. Com o lema «Tesouros Discretos: A Flora e a Fauna da Bacia do Rio Xarrama», será possível conhecer a riqueza ecológica de um dos principais afluentes do Sado, num território onde agricultura, pecuária e conservação ambiental coexistem há séculos.
Todas as atividades são de acesso livre e gratuito.
Fundado em Roma por um excecional conjunto de músicas profissionais romenas, o coro Arpeggio percorreu mais de 150 palcos europeus, de Itália à Áustria, de Espanha à Roménia, da Cripta de Gaudí em Barcelona à Expo Milano 2015.
A 13 de junho, este ensemble, já senhor de um percurso notável, assina um novo capítulo da sua história, desta feita no concelho de Viana do Alentejo.
A igreja matriz de São Salvador, em Alcáçovas, recebe um concerto que junta o madrigal renascentista italiano e a música romena dos séculos XX e XXI, num encontro de geografias e tempos distintos, em mais um fim de semana de atividades do Festival Terras sem Sombra.
À componente musical junta-se uma leitura do património de embrechados do jardim do Paço Real, em Alcáçovas, e uma incursão pela ecologia da bacia do rio Xarrama. Recorde-se que as atividades em Alcáçovas integram a Semana Cultural desta freguesia.
Na sua presença em Viana do Alentejo, a 13 e 14 de junho, o Terras sem Sombra conta com a parceria do Município local, da Junta de Freguesia de Alcáçovas, do Instituto Cultural Italiano e do Instituto Cultural Romeno em Lisboa.
Conta também com o apoio sustentado da Direção-Geral das Artes, do BPI-Fundação «La Caixa» e da CCDR-Alentejo.

Do madrigal renascentista à identidade musical romena: confluências de Leste a Oeste
«Sob as Estrelas: Confluências Musicais entre o Leste e o Oeste», assim se intitula o concerto da noite de sábado, 13 de junho (21h30).
O cenário é sublime: a igreja matriz de São Salvador guarda no seu interior, entre outras obras raras, o panteão dos Henriques de Trastâmara, senhores de Alcáçovas. A acústica das três naves de proporções excecionais é o garante de um concerto memorável.
Em palco, o Coro Arpeggio conta com a direção musical de Simona Moldoveanu, o acompanhamento ao piano de Gian Luigi Zampieri e as participações da flautista Irene Corgnale e da clarinetista Sofia Cocco.
O programa percorre vários séculos da música europeia, entretecendo o repertório renascentista italiano com composições romenas dos séculos XX e XXI.
Fundado em Roma em 2014, o ensemble Arpeggio dedica-se à divulgação da música coral romena e italiana no panorama europeu, com um percurso marcado pelo intercâmbio cultural e pela circulação internacional.
O coro mantém estreita ligação às comunidades da diáspora, colaborando regularmente com a Academia da Roménia em Roma, e organiza o Roots Fest – Festival Internacional de Coros.

Os embrechados do Paço Real: onde a natureza se faz arquitetura e símbolo
A tarde de sábado, dia 13 (15h00), propõe a visita guiada «Ligar o Céu e a Terra: Os Embrechados da Capela e do Jardim do Paço Real», com ponto de encontro no Paço dos Henriques e orientação de Aurora Carapinha, arquiteta paisagista, professora emérita da Universidade de Évora e investigadora do CHAIA – Centro de História de Arte e Investigação Artística.
Os embrechados – composições ornamentais executadas com conchas, seixos, vidro, cerâmica e outros materiais naturais – afirmaram-se entre os séculos XVII e XVIII como uma das linguagens estéticas mais singulares do barroco ibérico, presente em jardins, fontes, grutas artificiais e espaços de devoção, onde criava ambientes de forte dimensão cénica e espiritual.
No Paço Real de Alcáçovas, estes revestimentos atingem uma rara fusão entre natureza, arquitetura e transcendência: a capela e o jardim, também denominado Jardim das Conchinhas, com as suas 28 espécies distintas de conchas identificadas.
Destaque também para a assinatura do protocolo de colaboração entre a Pedra Angular, entidade organizadora do Festival Terras sem Sombra, e a Associação Portuguesa dos Jardins Históricos, a que preside Fernando Guedes.
O acordo abre caminho ao desenvolvimento de iniciativas conjuntas em jardins históricos e outros espaços de elevado interesse paisagístico, acolhendo concertos, atividades culturais e ações de sensibilização.

A bacia do Xarrama: ecologia, paisagem e a urgência de preservar
Na manhã de domingo, 14 de junho (09h30), a atividade «Tesouros Discretos: A Flora e a Fauna da Bacia do Rio Xarrama» convida ao conhecimento de um dos principais afluentes do Sado. O périplo, que decorre nas freguesias de Aguiar, Alcáçovas e Viana do Alentejo, conta com ponto de encontro no Jardim Público de Alcáçovas.
A visita é guiada pelos biólogos Miguel Porto, investigador do CIBIO – Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Universidade do Porto), e Sara Lobo Dias, investigadora do CE3C – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (Universidade de Lisboa).
O Xarrama atravessa zonas de montado, áreas agrícolas, galerias ripícolas e barragens, criando habitats diversificados para aves, peixes, anfíbios e mamíferos e albergando espécies características do ecossistema mediterrânico, como sobreiros, azinheiras, freixos e outras espécies de vegetação ribeirinha, fundamentais para o equilíbrio hídrico e climático da região.
A sua bacia é igualmente um espaço onde agricultura, pecuária e conservação ambiental coexistem há séculos.
As zonas húmidas e as margens do rio funcionam como corredores ecológicos essenciais para espécies vulneráveis e é precisamente nessa articulação entre ciência, conhecimento empírico e conhecimento de base científica que a atividade do TSS se funda.
Sublinhe-se que, pela primeira vez, o festival promove também um bioblitz, iniciativa de ciência cidadã que desafia os participantes a registar fotograficamente a fauna e a flora observadas ao longo do percurso.
A informação recolhida dará origem a um inventário-relâmpago da biodiversidade local, num contributo para um melhor conhecimento dos valores ecológicos deste espaço.
A programação da 22.ª edição do TSS prossegue a 27 e 28 de junho em Gavião, com um concerto pela mão do italiano Duo Baldo-Consonni, no concerto intitulado «Do Romantismo ao Âmago da Modernidade: Essências e Ruturas».
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O turista que se apaixonou por Faro lança livro sobre património modernista da cidade
Quando chegou a Faro pela primeira vez como um mero turista, Richard Walker desconhecia o legado modernista na arquitetura local. Apaixonou-se pela capital algarvia e agora, 20 anos depois, publica um livro para dar a conhecer esta faceta da cidade, mas que também espreita outras localidades da região.
“Faro Modernism”, obra com chancela da Batsford Books, com 240 páginas e que inclui cerca de 300 fotografias tiradas durante todo este período de duas décadas, foi apresentado no dia 21 de Maio, no AP Eva Senses.
Richard Walker, pintor e artista plástico que já expôs em todo o mundo, chegou a Faro, «há cerca de 20 anos», como apenas mais um dos muitos turistas ingleses que passam pela capital algarvia.
Foi «uma surpresa» para o artista multidisciplinar quando, nos primeiros passeios pela cidade, se começou a aperceber do património modernista existente.
«Tudo foi uma surpresa, o que era ótimo. E acho que o livro é sobre isso. É sobre esta surpresa de ver as coisas pela primeira vez e entusiasmar-se com o que se vê pela primeira vez», afirma, em declarações ao Sul Informação.
Ao aprofundar o conhecimento sobre «a arquitetura e o legado modernista que se vê por toda a cidade», Walker questionava-se por que razão ainda «não havia nada publicado a retratar o que existia».
«Eu pensava: “Esta arquitetura parece interessante”, e não conseguia perceber porque é que ninguém estava a prestar atenção a isto», frisa.
A partir daí, começou a registar o que via através da máquina fotográfica e acabou por conhecer «outras pessoas que pensavam da mesma forma».
Duas dessas pessoas foram Christophe e Angélique de Oliveira, proprietários do alojamento local The Modernist e fundadores do The Modernist Weekend.

Desde então, tem colaborado na organização desse evento – que este ano avança para a sua 5ª edição –, não só com a realização de visitas guiadas, mas também participando em exposições com pinturas de sua autoria.
Depois, «no meio disto tudo», a Batsford Books, editora sediada em Londres, lançou-lhe um desafio.
«“Estamos muito interessados na arquitetura que está a fotografar. Talvez possamos fazer um livro”, disseram-me. Este trabalho veio ter comigo, eu não estava à procura dele. Tudo o que fiz desde que cheguei a Portugal aconteceu por acaso. Não estava em busca de nada. Portanto, tenho muita sorte nesse aspeto», revelou o artista.
A obra de Richard Walker retrata e explica o contexto histórico de muitos edifícios, especialmente os de Manuel Gomes da Costa, que «é o principal arquiteto» e deixou «uma grande marca» na cidade e na região.
«Mas também me interessou muito o contexto, todos os outros arquitetos que trabalharam na mesma época, toda a história do Algarve desde os anos 20. Portanto, o livro abrange todo este período. Foi um trabalho árduo», enquadra.
E o que torna Faro e o Algarve tão singular no modernismo do sul da Europa?
«Bem, acho que é porque permaneceu desconhecido até agora e, de repente, está a ser revelado. E fico muito feliz por fazer parte deste processo, porque ninguém o conhecia. Regresso a Inglaterra e, quando falo de Faro e deste legado, dizem-me: “Não, não tínhamos a mínima ideia disso”, responde.
Apesar de abordar o passado, através do património modernista em Faro e na região, Richard Walker sente que os seus textos e ensaios, bem como os das pessoas que convidou para escrever, «estão virados para o futuro». «Portanto, não se trata apenas do passado, mas do presente e do futuro, são estas três coisas em conjunto», sublinha.

Questionado se a capital algarvia ainda não aproveita este legado da melhor maneira, o artista observa que «está a tornar-se mais ciente» do que tem.
Além de destacar o contributo do The Modernist Weekend (Fim de Semana Modernista), aponta ter reparado nas suas últimas visitas que há «cada vez mais casas a serem restauradas, o que não acontecia antes».
«E há outras cidades com um certo passado modernista, como Olhão e Loulé. Isto vai atrair cada vez mais pessoas. Lancei o livro para que as pessoas comecem a observar esta arquitetura, para que vejam Faro de uma forma diferente. Em quase todas as ruas de Faro – às vezes podemos ter de caminhar um bocadinho mais e olhar com atenção, mas vamos sempre descobrir qualquer coisa interessante, algo com inspiração modernista», concluiu.
Em paralelo, Richard Walker inaugurou uma exposição com obras de inspiração modernista, que ficará patente no AP Eva Senses até final de Julho.
O livro “Faro Modernism” pode ser adquirido no site da editora Batsford Books.
Fotos: Edgar Pires | Sul Informação
Autor ladeado por Christophe e Angélique de Oliveira
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São Brás de Alportel inaugura praça que é homenagem à cortiça, a João Beatriz Rosa e à República
É «um três em um», que permitiu dar nova vida e um futuro a um antigo espaço industrial que faz parte da história do concelho. A Praça 1914 foi inaugurada na segunda-feira, dia 1 de Junho, no coração da vila de São Brás de Alportel, e, para além de um espaço de fruição pública, presta homenagem a João Beatriz Rosa, considerado o “pai” do concelho, à indústria corticeira e à República.
No dia em que celebrou os 112 anos da elevação a concelho, São Brás de Alportel deu o nome 1914 à sua mais recente praça, que veio dar nova vida à antiga Fábrica de Cortiça Louro, um espaço que há muito estava inutilizado.
Nas últimas décadas, o município procurou chegar a acordo com os descendentes do fundador da fábrica, entretanto encerrada, mas as negociações demoraram a chegar a bom porto.
No passado dia 1 de Junho, este espaço foi devolvido ao público, já não em forma de edifício, mas mantendo, ainda assim, vários elementos da infraestrutura original, como os caraterísticos arcos, bem como equipamentos que faziam parte da fábrica, nomeadamente a prensa, a nora e a caldeira, entre outros.
«Eu sinto-me imensamente honrada por estar aqui a protagonizar este dia que, no fundo, não é meu, é do João Rosa Beatriz, é do seu legado, é de todos aqueles que representam estes 112 anos de história: todos os autarcas, todos os homens e mulheres que trabalharam, que se empenharam, para que São Brás de Alportel seja hoje o concelho que é, um concelho de respeito, de referência no Algarve e no país, um concelho de gente humilde, trabalhadora, muito honrosa da sua terra e muito honesta também», disse ao Sul Informação Marlene Guerreiro, presidente da Câmara de São Brás de Alportel, à margem da cerimónia.
«Quisemos aqui homenagear as origens do concelho. Nós só somos concelho desde 1 de Junho de 1914 porque tivemos um chão fértil, o chão da cortiça, da sustentabilidade económica, que nos deu o sustento, o rendimento, mas também porque houve homens com visão e com ideias, a ideia de liberdade que foi semeada por João Rosa Beatriz, naturalmente acompanhado por um conjunto de amigos, de adeptos deste movimento, mas também adubada pela República», acrescentou.

Na nova Praça 1914, a Câmara de São Brás homenageou a cortiça, através da criação de um espaço museológico ao ar livre a ela dedicado, imortalizou a figura de João Rosa Beatriz, «enquanto livre pensador, homem de ideias», através da inauguração de uma estátua e enalteceu «também a República, que foi a mãe do nosso concelho».
«Não seríamos concelho sem a República, nem sem João Rosa Beatriz, nem sem a cortiça. (…) Aquilo que somos hoje também devemos a estes homens e mulheres que ao longo de 112 anos de história têm sido valorosos. Eu sou profundamente grata a todos eles e a poder estar aqui» a inaugurar a nova praça, reforçou Marlene Guerreiro.
Uma das caraterísticas mais diferenciadoras da praça é mesmo a sua vocação museológica.
«Nós há muito tempo gostávamos de ter um verdadeiro museu da cortiça, é uma aspiração do município e também é uma aspiração dos visitantes, dos turistas, que nos pedem sempre um museu da cortiça. Nós temos um bom setor dedicado à cortiça no Museu do Trajo, mas gostávamos de ter realmente mais um lugar para contar a história» desta matéria prima e da indústria à sua volta, revelou.
«Podíamos, de facto, ter um museu fechado, como tantos outros polos museológicos que temos. No entanto, pensámos que seria interessante, inovador e talvez mais eficaz, ter um espaço sem portas, onde todas as pessoas pudessem visitar, de forma autónoma, mas que, naturalmente, também vai ter espaço para visitas guiadas, interpretadas e um conjunto de dinâmicas promovidas pelo município e com agentes turísticos com quem vamos estabelecer parcerias», revelou a presidente da Câmara de São Brás de Alportel.
O que é certo é que «aqui não é preciso marcar ou reservar visita, aqui todos, a todas as horas do dia e da noite, todos os dias de semana, feriados, dias santos, no Verão e no Inverno, podem visitar».

Este «museu diferente» vai interagir com as pessoas e ter «muitas dinâmicas interessantes que não começam hoje [dia 1 de Junho], vão começar daqui a dias. Esperamos que seja, talvez não a cereja em cima do bolo, mas o fardo [de cortiça] em cima da rota da memória que nós já temos implementada no concelho».
São Brás já conta com a Casa Memória, «um dos ex-libris dessa rota da memória. A gora a visita aqui à Praça 1914, acho que é o elemento que nos faltava para consolidar a oferta turística, que é tão importante para o concelho e para a economia local».
No futuro, a Câmara de São Brás de Alportel pretende tornar este espaço «ainda mais interativo», embora, para já Marlene Guerreiro não possa «revelar tudo».
«Nós já temos painéis informativos, mas vamos ter mais interatividade, para que as pessoas consigam sentir-se dentro da fábrica João Viegas Louro, (…) usando as tecnologias de hoje para recriar, dentro do possível, o espírito da antiga fábrica e o espírito de 1914», adiantou, ainda assim, Marlene Guerreiro.
No Dia do Município, que se celebrou na segunda-feira, também foram homenageadas diversas personalidades que se distinguiram em diversas áreas, bem como funcionários da autarquia.
Da parte da tarde teve lugar a Festa da Criança e à noite houve um concerto de Vizinhos, onde foram sopradas 112 velas.
Fotos: Hugo Rodrigues e Nelson Ferreira | Sul Informação
Foto: Hugo Rodrigues | Sul Informação
Foto: Hugo Rodrigues | Sul Informação
Foto: Hugo Rodrigues | Sul Informação
Foto: Hugo Rodrigues | Sul Informação
Foto: Hugo Rodrigues | Sul Informação
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Foto: Hugo Rodrigues | Sul Informação
Foto: Hugo Rodrigues | Sul Informação
Foto: Hugo Rodrigues | Sul Informação
Foto: Hugo Rodrigues | Sul Informação
Foto: Hugo Rodrigues | Sul Informação
Foto: Hugo Rodrigues | Sul Informação
Foto: Hugo Rodrigues | Sul Informação
Foto: Hugo Rodrigues | Sul Informação
Foto: Hugo Rodrigues | Sul Informação
Foto: Hugo Rodrigues | Sul Informação
Foto: Hugo Rodrigues | Sul Informação
Foto: Hugo Rodrigues | Sul Informação
Foto: Hugo Rodrigues | Sul Informação
Foto: Hugo Rodrigues | Sul Informação
Foto: Hugo Rodrigues | Sul Informação
Foto: Hugo Rodrigues | Sul Informação
Foto: Hugo Rodrigues | Sul Informação
Foto: Hugo Rodrigues | Sul Informação
Foto: Nelson Ferreira | Sul Informação
Foto: Nelson Ferreira | Sul Informação
Foto: Nelson Ferreira | Sul Informação
Foto: Nelson Ferreira | Sul Informação
Foto: Nelson Ferreira | Sul Informação
Foto: Nelson Ferreira | Sul Informação
Foto: Nelson Ferreira | Sul Informação
Foto: Nelson Ferreira | Sul Informação
Foto: Nelson Ferreira | Sul Informação
Foto: Nelson Ferreira | Sul Informação
Foto: Nelson Ferreira | Sul Informação
Foto: Nelson Ferreira | Sul Informação
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Foto: Nelson Ferreira | Sul Informação
Foto: Nelson Ferreira | Sul Informação
Foto: Nelson Ferreira | Sul Informação
Foto: Nelson Ferreira | Sul Informação
Foto: Nelson Ferreira | Sul Informação
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