O desejo de conquistar um inédito título norteia o recorde de seis presenças de Cristiano Ronaldo por Portugal em Mundiais de futebol, avalia o ex-internacional Ricardo Costa, companheiro do avançado nas fases finais de 2006, 2010 e 2014.
“É um marco muito importante para a carreira dele. São seis Mundiais e vai querer fazer um brilharete, marcar golos, lutar por Portugal e continuar a demonstrar o que fez quando tinha 17 anos e começámos a jogar juntos nos sub-21. É um excelente profissional e jogador, um fora de série e defende Portugal como ninguém. Penso que não vai fugir à regra”, projetou à agência Lusa o antigo defesa central, de 45 anos, que atuou pela seleção nacional em três Campeonatos do Mundo, em 2006, 2010 e 2014, e é o novo treinador do Tondela, recém-despromovido à II Liga, após ter deixado o também secundário Feirense.
Avançado e capitão de Portugal, ao serviço do qual se tornou recordista de internacionalizações (227) e golos (143), Cristiano Ronaldo prepara-se para disputar a principal prova internacional de seleções pela sexta vez.
O madeirense, único a marcar em cinco Mundiais, deverá partilhar essa marca de participações com o também dianteiro argentino Lionel Messi, campeão do mundo em 2022, e o mexicano Guillermo Ochoa, guarda-redes do AVS em 2024/25, numa altura em que tem 41 anos e mais de duas décadas como sénior “ao mais alto nível e a ganhar títulos atrás de títulos”.
“Já passaram tantos anos e nota-se que continua com uma fome de vencer enorme. A sua liderança dentro e fora de campo será muito importante para ter todos metidos e para que o país esteja com a equipa, sabendo que ele vai dar o máximo para que Portugal consiga ir o mais longe possível”, salientou Ricardo Costa, com 22 jogos e um golo pela seleção principal.
Recém-campeão saudita Al Nassr, orientado pelo compatriota Jorge Jesus e cujo plantel integra João Félix, outros dos 26 convocados pelo técnico espanhol Roberto Martínez para o Campeonato do Mundo, Cristiano Ronaldo visa o quarto troféu por Portugal, após as conquistas do Europeu, em 2016, e de duas Ligas das Nações, em 2019, no Porto, e em 2025.
“É um atleta ambicioso e que nunca fica saciado. Vai ser muito complicado saber o que pretende, porque quererá sempre muito mais. Caso se sinta capaz, vai querer jogar mais um, dois ou três anos. Só quando acabar o fogo que tem dentro de si é que decidirá acabar a excelente carreira que está a fazer. Até lá, acho que não existe um prazo na cabeça dele, mas paixão por querer marcar, vencer e ser melhor do que ontem”, observou, sobre o segundo melhor ‘artilheiro’ de Portugal na prova, com oito golos, contra nove de Eusébio, todos em 1966, quando os lusos foram terceiros classificados na estreia.
Destacando o “profissionalismo fora do normal” de Cristiano Ronaldo, “que se trata como ninguém e tenta rodear-se das melhores pessoas e ciência para estar no topo dos topos”, Ricardo Costa vinca a influência de Roberto Martínez na forma como vai gerir o avançado e promover a coesão grupal.
“Podemos pensar que está cansado e não está num bom momento, mas a bola chega à área e ele faz golo. É um fora de série e esses têm de estar em campo. Quantos minutos? O tempo que esteja disponível para ajudar. Neste momento, Ronaldo sente e sabe quando está e não está bem. Se sentir que precisa de descansar para estar mais fresco no duelo seguinte, seguramente que o fará. Para Martínez, é uma sorte e um privilégio ter um jogador como este”, notou o ex-futebolista de FC Porto, Boavista, dos espanhóis do Valência ou dos alemães do Wolfsburgo, entre outros clubes.
Ricardo Costa reconhece que Portugal “sempre teve grandes grupos” nos três primeiros Mundiais de Cristiano Ronaldo, mas os “contextos diferentes” ditaram desempenhos contrastantes, desde o quarto lugar em 2006, na Alemanha – volvida a derrota frente à Grécia na final do Euro2004 (1-0), em Lisboa – à eliminação na primeira fase em 2014, no Brasil, passando pelo desaire nos ‘oitavos’ em 2010, diante da futura campeã Espanha, na África do Sul.
“Houve uma montagem de projetos, de jogadores e de equipa [em 2010 e 2014] que não existiu em 2006, porque já havia a seleção de 2004 e, a partir daí, foi muito mais coerente a forma de jogar, além de o torneio ser realizado na Europa. São fatores que, do meu ponto de vista, faziam com que a equipa de Luiz Felipe Scolari mostrasse mais coesão”, rememorou.
Grato por ter alinhado em três Mundiais – só Cristiano Ronaldo e Pepe têm mais presenças pelos lusos -, Ricardo Costa foi orientado pelo brasileiro Luiz Felipe Scolari, Carlos Queiroz e Paulo Bento, com quem coincidiu ainda no Campeonato da Europa de 2012 e fez o último encontro na seleção.
Questionado sobre a situação de Roberto Martínez, que rendeu em 2023 Fernando Santos, antecessor de Paulo Bento, o ex-defesa descarta que o espanhol esteja a pensar no contrato extensível até ao fim do Mundial2026.
“Se Portugal fizer um bom torneio, a renovação automática acontecerá. Quanto mais estabilidade existir, melhores resultados surgirão. Por isso, Martínez está tranquilo, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol [Pedro Proença] também e tudo se conjuga para que seja uma união para continuar”, concluiu.
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