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Fitch mantém nota do Brasil em “BB” e alerta para incerteza fiscal

16 June 2026 at 20:52

A Fitch Ratings reafirmou nesta terça-feira (16) a nota de crédito soberano do Brasil em “BB”, com perspectiva estável, mas voltou a destacar a deterioração das contas públicas e a incerteza fiscal como os principais entraves para uma eventual melhora da avaliação do país.

A nota mantém o país dois degraus abaixo do chamado grau de investimento, concedido a países vistos como tendo baixo risco de inadimplência.

Segundo a agência de classificação de risco, a categorização reflete o tamanho e a diversificação da economia brasileira, além da solidez das contas externas, do elevado volume de reservas internacionais e da flexibilidade cambial, fatores que ajudam o país a absorver choques econômicos.

Por outro lado, a Fitch avalia que a trajetória crescente da dívida pública, a rigidez orçamentária, o baixo potencial de crescimento e os desafios de governança continuam limitando a nota do Brasil.

“A incerteza fiscal continua sendo um risco macroeconômico mais amplo”, afirmou a agência em relatório divulgado nesta terça-feira.

Em nota, a Fitch ainda disse que as perspectivas de reformas estruturais que possam lidar com os desequilíbrios fiscais do Brasil só devem ficar mais claras a partir das eleições presidenciais de outubro, para as quais prevê uma corrida apertada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Para a agência de risco, em um eventual novo mandato, Lula possivelmente teria pouco apetite por tocar reformas de despesas públicas, enquanto um governo Flávio Bolsonaro provavelmente focaria em uma agenda centrada em corte de impostos, eficiência de gastos e privatização, ainda que sua implementação siga “altamente incerta”.

A agência projeta que o déficit do setor público geral aumente de 8,1% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2025 para 8,6% em 2026, patamar bem acima da mediana de 3,5% observada entre países com classificação semelhante.

A dívida bruta do setor público, que equivalia a 76,3% do PIB em 2024, subiu para 78,6% em 2025 e deve superar 80% em 2026, segundo as estimativas da Fitch. O avanço do endividamento é atribuído, principalmente, ao elevado custo dos juros e aos déficits fiscais persistentes.

No cenário macroeconômico, a agência prevê crescimento de 2,1% para a economia brasileira em 2026, após expansão de 2,3% em 2025. A atividade deve continuar sustentada pelo mercado de trabalho aquecido, pela alta dos salários reais e pelos efeitos da reforma do Imposto de Renda aprovada no ano passado.

*Com informações da Reuters.

El Niño eleva risco de choques para países mais vulneráveis, diz Fitch

16 June 2026 at 00:05

A ocorrência do fenômeno climático El Niño, com perspectiva de persistir até o início de 2027, aumenta o risco de choques econômicos em diversos países soberanos, especialmente aqueles com classificações de crédito mais baixas e maior dependência da agricultura, avaliou a Fitch Ratings nesta segunda-feira, 15.

Segundo a agência, embora seja improvável que ações de rating sejam vinculadas diretamente ao fenômeno, os efeitos climáticos podem intensificar pressões sobre crescimento econômico, contas fiscais, inflação e liquidez externa em economias mais vulneráveis.

A Fitch destaca que os países com rating na categoria B ou inferior, acesso limitado aos mercados e histórico de aumento do endividamento em períodos de crise estão entre os mais expostos.

A avaliação ocorre após a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) informar, em 11 de junho, que as condições de El Niño já se desenvolveram no Pacífico tropical.

Segundo a entidade, há 63% de probabilidade de que as temperaturas da superfície do mar ultrapassem o limiar de um episódio considerado “muito forte”.

Além disso, projeções do Centro de Previsão Climática dos EUA apontam 96% de chance de o fenômeno permanecer ativo entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.

O El Niño costuma provocar secas em algumas regiões e chuvas acima da média em outras, afetando a produção agrícola e a atividade econômica.

A Fitch ressalta, contudo, que determinados países podem ser beneficiados caso o aumento das precipitações favoreça as colheitas.

A agência também alerta para possíveis impactos globais sobre os preços dos alimentos. De acordo com o relatório, a produção agrícola mundial já enfrenta incertezas devido à alta dos preços dos fertilizantes e às interrupções de oferta associadas à guerra entre Estados Unidos e Irã.

Nesse contexto, um El Niño prolongado pode ampliar os riscos de alta das commodities alimentícias negociadas globalmente, com reflexos inflacionários inclusive em países de elevada qualidade de crédito.

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