O que são “Hip dips” e será que é possível eliminá-las?
Além de ser o maior produtor e exportador de carne no mundo, o Brasil se consolidou como uma superpotência biotecnológica no campo.
A produção e comercialização de embriões bovinos por Fertilização In Vitro, chamada de FIV, é uma técnica que encurta gerações e redesenha, em laboratório, os ganhos produtivos do rebanho que dará origem à carne consumida nos mercados mais exigentes do planeta.
De acordo com dados da Asbia (Associação Brasileira de Inseminação Artificial) o Brasil responde hoje por mais de um terço de toda a produção global de embriões in vitro, consolidando-se como líder também nessa área.
Fundada em 2021, a CPEX Embriões é uma empresa brasileira especializada em projetos de multiplicação genética em larga escala. Em maio a empresa inaugurou na cidade de Mogi Mirim (SP) um laboratório de biotecnologia com objetivo de ampliar os controles de todo o processo da produção in vitro de embriões. Investimento que chega em um momento de expansão do mercado de embriões no país.
Matheus Oliveira, sócio e fundador da CPEX, explica que o volume de embriões produzidos no Brasil com a “Fertilização In Vitro” dobrou nos últimos 10 anos.
“A FIV, que inicialmente ganhou escala dentro dos projetos de genética de elite, passou a fazer parte também da rotina de propriedades focadas alta produtividade com eficiência. O novo laboratório foi projetado para esse novo momento do mercado, ressalta Matheus. A projeção de faturamento da CPEX Embriões é de R$ 40 milhões em 2026 e R$ 50 milhões em 2027.
O método tradicional de reprodução bovina limita o ganho genético, no ciclo natural de uma fêmea, gera apenas um bezerro por ano. Com o avanço da Aspiração Folicular (OPU) combinada com a FIV, uma única vaca, chama da de matriz, pode produzir centenas de descendentes em poucos meses. Vacas receptoras, chamadas de “barrigas de aluguel”, recebem esses embriões e dão à luz a um bezerro de melhor qualidade genética.
O avanço no uso FIV, com a tecnologia de transferência direta dos embriões (Direct Transfer ou DT), permite que pequenos e médios pecuaristas tenham acesso a materiais congelados e elevem o nível genético e produtivo de seus rebanhos. O impacto do uso da tecnologia é imediato. Características que levariam várias gerações para se fixarem, no cruzamento convencional, são consolidadas em apenas uma geração de embriões.
No campo esses ganhos são vistos na terminação, o tempo entre o nascimento e o abate, que vem caindo gradualmente encurtando o ciclo produtivo da pecuária de corte nacional.
A nova estrutura em Mogi Mirim faz parte de um plano de integrar biotecnologias no desenvolvimento da atividade pecuária, mais sustentável do ponto de vista produtivo e financeiro.
Há também a expansão para regiões estratégicas do país, buscando maior proximidade logística com pecuaristas. O próximo laboratório da CPEX será instalado em Campo Grande (MS) e a perspectiva é começar a operar ainda em 2026.
Com capacidade para produzir até 30 mil embriões mensais, o laboratório de Mogi Mirim foi projetado com protocolos de biossegurança semelhantes aos adotados em ambientes de pesquisa de alta complexidade. As salas operam com pressão positiva e renovação de ar com mais de 99% de pureza, impedindo qualquer contato do ar externo com o ambiente interno, garantindo um diferencial estratégico para maior eficiência na produção de embriões, explica Matheus.
Com mais de 2 milhões de oócitos coletados em 5 anos, a CPEX já produziu mais de 410 mil embriões, além de 180 mil embriões transferidos e diagnosticados. A taxa média de concepção, incluindo embriões a fresco e congelados, é de quase 50% atualmente. Esses números colocam a empresa entre as principais referências do setor.

© JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

© JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Há um organismo marinho pouco estudado, mas com presença relevante nas águas costeiras nacionais, nomeadamente no estuário do rio Mira, que, pela sua atividade biológica (atividades antioxidante e anti-inflamatória), pode ser alvo de valorização e aplicações futuras em domínios como o nutracêutico, o cosmético ou mesmo o farmacêutico.
Trata-se do vermetídeo Vermetus triquetrus, que foi alvo de investigação por parte de uma equipa de investigadores do IPMA, no âmbito do projeto MAR2030 Genemare_Portugal, que visa a implementação de um repositório biológico da biodiversidade marinha das águas portuguesas, um bio-banco azul para o futuro.
Os André Breves, Carlos Cardoso, Cláudia Afonso, Joana Matos, Jorge Lobo-Arteaga, Cátia Bartilotti, Sabrina Sales, Sónia Pedro e Narcisa M. Bandarra publicaram um artigo pioneiro sobre o vermetídeo Vermetus triquetrus, «um gastrópode séssil que forma recifes e tem uma presença relevante na costa nacional (no presente artigo foram estudados espécimes do Estuário do Mira), mas negligenciado pela comunidade científica», salienta o IPMA.
O artigo visou aspetos da composição bioquímica do organismo e da sua atividade biológica (atividades antioxidante e anti-inflamatória) e diferenciou entre as duas principais unidades anatómicas do organismo, a massa visceral e o manto (head-foot).

O artigo intitulado “Unveiling the Hidden Biotechnological Potential of the Vermetid Gastropod Vermetus triquetrus: Insights into an Unexplored Marine Resource” foi publicado no passado dia 28 de maio na prestigiada revista científica da área, Marine Biotechnology, e, segundo o IPMA, «suscitou grande interesse e significativa repercussão dada a novidade de um estudo sobre este organismo».
O interesse pelo estudo foi também reforçado pelos resultados obtidos, «que mostraram elevados níveis de atividade biológica e permitiram identificar o V. triquetrus como uma fonte de compostos polifenólicos, especialmente no caso da massa visceral».
O artigo é de acesso livre e pode ser encontrado aqui: https://link.springer.com/article/10.1007/s10126-026-10632-3
Os investigadores do IPMA concluíram que, «dados os níveis de atividade biológica quantificados e os componentes presentes, não só se justifica um estudo mais aprofundado sobre a composição bioquímica e o refinamento das frações obtidas da biomassa, como também se pode procurar uma valorização e aplicações futuras destas frações em domínios como o nutracêutico, o cosmético ou mesmo o farmacêutico».
Este estudo «faz parte de um esforço de investigação mais amplo e de longo prazo, almejando a expansão das fronteiras do saber sobre a grande biodiversidade nas nossas águas e o aprofundamento do conhecimento sobre os diferentes grupos de organismos marinhos, indo dos microorganismos aos animais vertebrados e compreendendo as dimensões genómica, metabolómica e biotecnológica aplicada», explica o IPMA.
Tal esforço e desafio para o futuro só é possível no âmbito do projeto Genemare_Portugal “Biobanco Azul – Banco Nacional dos Recursos Vivos Marinhos” – Projeto MAR2030 que financiou e suportou a todos os níveis a realização do estudo sobre o vermetídeo V. triquetrus.

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