Carmo Oliveira: "Repetir o exame não faz sentido"




O Ministério da Educação reconheceu hoje uma «falha objetiva» da equipa que realizou o exame nacional do secundário de Português, tendo pedido ao EduQA que analise se ficou em causa a equidade entre alunos.
A decisão hoje tornada pública em comunicado surge depois de ter sido divulgado o enunciado do exame nacional de Português, que tinha um item de desenvolvimento praticamente igual ao publicado num caderno de exercícios de apoio da editora Leya.
O ministro Fernando Alexandre pediu à Inspeção Geral da Educação e Ciência (IGEC) que realize uma «auditoria aos procedimentos internos do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) no âmbito da elaboração dos enunciados dos Exames Nacionais do Ensino Secundário, designadamente ao nível da verificação de itens previamente publicados».
A tutela considerou que houve «uma falha objetiva da equipa responsável pela elaboração do exame na verificação de questões/itens já disponibilizados por editoras» e por isso pediu ao EduQA «um parecer técnico sobre os eventuais efeitos desta situação na equidade entre os alunos que realizaram a prova».
O ministério da Educação afirmou que a utilização da imagem em questão «deveria ter sido evitada pelo EduQA», tendo em conta a «prática habitual de verificação exaustiva – no âmbito da elaboração de enunciados – de cadernos de preparação disponibilizados pelas editoras, o que evitaria situações semelhantes à ocorrida este ano».
Após a conclusão do relatório da IGEC, «do qual deverão constar eventuais propostas de medidas corretivas», o ministério «tirará as devidas consequências», referiu ainda o comunicado.
O ministério esclareceu também que afinal os itens do exame nacional foram feitos depois da publicação do livro de exercícios da Leya: «Ao contrário da informação reportada inicialmente pelo EduQA ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação, aquele caderno de exercícios foi disponibilizado em Agosto de 2025, tendo a prova sido elaborada no início de 2026».
Nos últimos anos, o Grupo III do exame de Português é constituído por um item idêntico, variando apenas o objeto das questões, que pode ser uma imagem, uma frase ou um texto.
A quase repetição de uma pergunta que estava num manual de estudo motivou críticas de professores, que se queixaram de desigualdade entre os alunos.
A pergunta contempla uma análise crítica em relação a um cartoon do artista iraniano Takjoo, que tem como título “trabalho infantil” e inclui uma criança a costurar num cavalo de madeira.
A mesma imagem foi utilizada num manual deste ano e continha a legenda “e se o teu lápis fosse uma ferramenta contra o trabalho forçado?”. O exame não indicava essa legenda, mas pedia, igualmente, um comentário crítico à imagem.
Já a Associação de Professores de Português (APP) considerou que se tratou de «uma coincidência infeliz», salientando que a autora do manual, que integra a direção da APP, «não é autora de provas de avaliação externa, não é nem nunca foi nomeada como auditora de provas e não forneceu nem teve acesso a informação privilegiada».
O exame de português foi realizado na terça-feira por cerca de 76 mil alunos.
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© Missão Escola Pública

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© ETIENNE LAURENT/EPA

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© NUNO VEIGA/LUSA

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© dpa/picture alliance via Getty I

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