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Morte em salto de rope jump em SP: entenda diferença de negligência e dolo

16 June 2026 at 19:31

A Justiça de São Paulo converteu em preventiva a prisão dos três instrutores envolvidos na morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, ocorrida no último sábado (13) em Limeira (SP). A jovem faleceu após ser lançada da Ponte do Esqueleto sem a corda de segurança.

O inquérito policial tipifica o caso como homicídio com dolo eventual, o que gera discussões jurídicas sobre a distinção entre a falha técnica (negligência) e a assunção do risco de matar.

Negligência ou dolo eventual?

No direito penal, a negligência ocorre quando há uma omissão ou falta de cuidado por parte do agente que não prevê um resultado que era previsível.

Já o dolo eventual caracteriza-se quando o indivíduo, embora não deseje diretamente o resultado morte, age de forma a assumir o risco de que ele ocorra, demonstrando indiferença.

A decisão judicial destaca que, por se tratar de uma atividade de elevado risco, a ausência da dupla checagem e o arremesso da vítima sem qualquer equipamento essencial configuram uma conduta que vai além do mero erro.

Segundo os autos, o local possui histórico de acidentes graves, o que reforça a previsibilidade do dano.

A visão das especialistas

Para a advogada criminalista Ana Krasovic, a irregularidade administrativa da empresa Entre Cordas, que não possuía CNPJ nem autorização municipal, é um agravante na análise do caso.

“A situação irregular de uma empresa não gera automaticamente responsabilidade criminal, mas pode influenciar significativamente a análise de culpa ou dolo a depender do caso concreto”, explica a especialista.

Beatriz Alaia Colin, especialista em Processo Penal, alerta que a responsabilização pode se estender à cadeia de comando da empresa.

“A responsabilidade jurídica pode alcançar não apenas quem executou o salto, mas também quem exercia poder de gestão e decisão sobre a atividade”, afirma.

Colin ressalta que a investigação deve focar se os responsáveis “criaram, fiscalizaram e exigiram o cumprimento de protocolos de segurança capazes de evitar o acidente”.

Falhas nos protocolos de segurança

Os depoimentos colhidos apontam que os operadores não conseguiram explicar a omissão da corda, alegando lapsos de memória.

Testemunhas relataram que o procedimento de segurança — que exigiria fixação no peitoral e verificação verbal em voz alta — foi ignorado no salto de Maria Eduarda.

Além disso, a tentativa de alguns envolvidos em deixar o local após o acidente foi citada como um fator que demonstra o “desprezo pelas consequências do fato”, conforme análise técnica de Colin.

Obstruções e ocultações

Uma testemunha presencial relatou às autoridades ter visto um funcionário da empresa Entre Cordas retirar uma câmera GoPro que estava acoplada ao corpo da jovem logo após a queda de aproximadamente 40 metros na Ponte do Esqueleto.

O equipamento, que capturava as imagens do salto, não foi localizado pela polícia.

De acordo com o depoimento de uma testemunha, o dispositivo foi removido antes da chegada do socorro. Os investigadores consideram o desaparecimento da câmera um fator crítico, pois o vídeo poderia detalhar as falhas nos protocolos de segurança.

Além do sumiço do equipamento, o boletim de ocorrência registra que instrutores tentaram deixar o local e trocaram de roupa após o acidente, permanecendo em silêncio quando questionados sobre a motivação da troca.

Morte em rope jump em SP: especialistas explicam obstrução e ocultação

A dinâmica do acidente

A investigação aponta que Maria Eduarda realizaria o primeiro salto da modalidade “aviãozinho” do dia, na qual o praticante é erguido e lançado pelos instrutores.

A delegada responsável pelo caso considerou que os envolvidos assumiram o risco de produzir a morte ao não adotarem cautelas indispensáveis em uma atividade de alto risco.

A Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva, fundamentada na periculosidade da conduta e na necessidade de garantir a ordem pública.

O caso segue sob investigação da Delegacia Seccional de Limeira.

“Filmou a própria morte”, diz testemunha de acidente com ‘rope jump’ em SP

Morte em salto de rope jump: suspeito diz que grupo saltava há meses em SP

16 June 2026 at 17:54

Os três instrutores presos pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, em Limeira (SP), revelaram em depoimento que o grupo operava na região há aproximadamente um ano.

A jovem morreu no último sábado (13) após ser lançada da estrutura em queda livre, sem que a corda de segurança estivesse acoplada ao seu corpo.

Atuação sem regulamentação

Segundo Luis Felipe, um dos instrutores responsáveis pela operação técnica, a equipe realizava eventos frequentes no local, utilizando as redes sociais para atrair clientes.

Apesar do tempo de atuação e da estrutura comercial, os suspeitos admitiram que o grupo não possuía CNPJ ou alvará da prefeitura para explorar a atividade na Ponte do Esqueleto.

Eles alegaram à autoridade policial que o rope jump não possui federação ou regulamentação específica no Brasil.

Alto faturamento

No dia do acidente que vitimou Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), o grupo organizador planejava realizar aproximadamente 100 saltos.

Com taxas fixas de R$ 180 por salto e cobrança adicional de R$ 110 por gravações com câmeras GoPro, a arrecadação bruta estimada para a data superaria os R$ 15 mil.

A atividade era promovida pela empresa Entre Cordas, que utilizava o Instagram para atrair clientes, acumulando mais de 80 mil seguidores.

Apesar do volume financeiro e da estrutura comercial, os responsáveis admitiram à Polícia Civil que o grupo não possuía CNPJ, alvará municipal ou qualquer autorização formal para operar na ponte.

Comprovantes de transações bancárias foram apreendidos, reforçando a natureza lucrativa do evento.

A dinâmica do acidente

A investigação aponta que Maria Eduarda realizaria o primeiro salto da modalidade “aviãozinho” do dia, na qual o praticante é erguido e lançado pelos instrutores.

Registros audiovisuais entregues por testemunhas confirmam que a jovem foi lançada em queda livre de uma altura de aproximadamente 30 metros, sem qualquer conexão com o sistema de cordas.

A delegada responsável pelo caso considerou que os envolvidos assumiram o risco de produzir a morte ao não adotarem cautelas indispensáveis em uma atividade de alto risco.

A Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva, fundamentada na periculosidade da conduta e na necessidade de garantir a ordem pública.

O caso segue sob investigação da Delegacia Seccional de Limeira.

“Filmou a própria morte”, diz testemunha de acidente com ‘rope jump’ em SP

Veja depoimento de enfermeira que filmou morte em salto de rope jump em SP

16 June 2026 at 16:35

Uma enfermeira identificada que presenciou o acidente fatal de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), prestou depoimento à Polícia Civil detalhando o ocorrido no último sábado (13).

Ela registrou em vídeo o momento em que Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, foi lançada da estrutura sem a corda de segurança acoplada ao corpo.

Morte em salto de rope jump em SP: veja o que disseram instrutores presos

Após a queda de aproximadamente 40 metros, a testemunha desceu até a base da ponte e realizou manobras de reanimação na tentativa de salvar a vítima.

O registro do acidente e o socorro

A mulher relatou que estava no local para realizar seu próprio salto e começou a filmar Maria Eduarda para enviar as imagens a uma tia. No depoimento, a enfermeira explicou que, no momento do arremesso, estava focada na gravação e não percebeu imediatamente a ausência do equipamento.

Ela só notou a gravidade da situação quando ouviu gritos de outras pessoas e o barulho do impacto. O vídeo, entregue às autoridades, mostra o momento em que três instrutores erguem a jovem e a lançam em queda livre.

Ao constatar o acidente, a testemunha identificou-se como profissional de saúde e solicitou ajuda para descer até a margem do rio onde a vítima estava caída.

“Eu comecei a gritar que era enfermeira para me levarem para baixo”, afirmou em sua oitiva.

Segundo o relato, Maria Eduarda ainda apresentava sinais vitais mínimos ao ser encontrada, mas entrou em óbito por politraumatismo antes da chegada do SAMU.

Alto faturamento

No dia do acidente que vitimou Maria Eduarda, o grupo organizador planejava realizar entre 80 e 100 saltos. Com taxas fixas de R$ 180 por salto e cobrança adicional de R$ 110 por gravações com câmeras GoPro, a arrecadação bruta estimada para a data seria de no mínimo R$ 15 mil.

A atividade era promovida pela empresa Entre Cordas, que utilizava o Instagram para atrair clientes, acumulando mais de 80 mil seguidores.

Apesar do volume financeiro e da estrutura comercial, os responsáveis admitiram à Polícia Civil que o grupo não possuía CNPJ, alvará municipal ou qualquer autorização formal para operar na ponte.

Comprovantes de transações bancárias foram apreendidos, reforçando a natureza lucrativa do evento.

A dinâmica do acidente

A investigação aponta que Maria Eduarda realizaria o primeiro salto da modalidade “aviãozinho” do dia, na qual o praticante é erguido e lançado pelos instrutores.

Registros audiovisuais entregues por testemunhas confirmam que a jovem foi lançada em queda livre de uma altura de aproximadamente 30 metros, sem qualquer conexão com o sistema de cordas.

A delegada responsável pelo caso considerou que os envolvidos assumiram o risco de produzir a morte ao não adotarem cautelas indispensáveis em uma atividade de alto risco.

A Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva, fundamentada na periculosidade da conduta e na necessidade de garantir a ordem pública.

O caso segue sob investigação da Delegacia Seccional de Limeira.

“Filmou a própria morte”, diz testemunha de acidente com ‘rope jump’ em SP

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