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Urbanismo deve incorporar florestas às cidades, defendem pesquisadores

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As grandes cidades não podem mais dar as costas para as florestas e devem incorporá-las ao urbanismo atual. Presente em civilizações antigas que habitaram a Amazônia, por exemplo, essa é uma ideia resgatada e defendida por pesquisadores e ativistas, como o escritor italiano Stefano Mancuso, referência internacional nos estudos sobre a inteligência das plantas.

Mancuso foi um dos participantes da 3ª edição do Seminário Internacional Transmutar, realizado pelo Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG), no último final de semana.

Notícias relacionadas:

O escritor e pesquisador apresentou o conceito das fitópolis, que se inspira na organização das plantas para propor uma transformação radical na forma como são concebidas as cidades.

A proposta é pensar as cidades como organismos urbanos dotados de inteligência, resiliência e capacidade de adaptação ─ uma estratégia concreta para combater a crise climática e reduzir o abismo que se criou entre humanos e plantas nos últimos séculos.⁠

Mancuso sugere que a verdadeira evolução urbana não vem de soluções arquitetônicas voltadas para o bem-estar humano, mas de uma interação mais fluida e orgânica com a natureza, que reconheça o ser humano como parte de ecossistema mais amplo.⁠

“As plantas são sistemas altamente complexos, sofisticados, mas não são seres superiores a outros seres viventes. Hoje, a gente considera um pouco mais as plantas”, disse o neurobiólogo italiano.

Considerando as mudanças climáticas e o aquecimento global, as fitópolis podem ser parte da solução, já que 70% da população mundial vive em cidades. A redução de 20% do asfalto e sua substituição por áreas arborizadas já ajudaria muito na qualidade de vida, defendeu o pesquisador. Mancuso acrescenta que as plantas também devem estar dentro dos edifícios.

Fundador do Laboratório Internacional de Neurobiologia Vegetal da Universidade de Florença, ele avalia que uma fitópolis ideal teria uma cobertura vegetal de pelo menos 60%. Essa cidade também deveria ter uma rede de transporte público muito eficiente, além de nenhum veículo movido à combustão.

 

Brumadinho (MG), 06/06/2026 - O escritor e pesquisador italiano Stefano Mancuso participa do Seminário Internacional Transmutar, com o tema Transfluências, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil Brumadinho (MG), 06/06/2026 - O escritor e pesquisador italiano Stefano Mancuso participa do Seminário Internacional Transmutar, com o tema Transfluências, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
O escritor e pesquisador italiano Stefano Mancuso participa do Seminário Internacional Transmutar,  realizado pelo Instituto Inhotim, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O ecólogo e curador do Museu do Amanhã, Fabio Scarano, destacou que tudo que é vivo é inteligente, não apenas o ser humano. Para ele, o trabalho do professor Mancuso tem um efeito político, porque, ao se reconhecer a inteligência dos seres não humanos, talvez seja possível mudar de atitude e vê-los como irmãos, como defendia São Francisco.

“Eles não são só paisagem, não são só recursos para a gente consumir, 90% do planeta é composto por cobertura vegetal. Ela colabora com oxigênio e alimentos. A obra do professor [Mancuso] populariza um conhecimento que é científico e pouco discutido nas escolas”, disse Scarano.

Cidades amazônicas

O arqueólogo e antropólogo Eduardo Góes Neves apresentou manifestações de urbanismo indígena de 2,5 mil anos atrás no Acre. Depois, entre 1,5 mil anos e 1 mil anos atrás, a urbanização indígena se espalhou em diversas áreas da Amazônia.

“A principal lição desse urbanismo antigo é que ele não coloca a natureza para fora. Em São Paulo, matamos os rios, se tornaram depósitos de lixo. A gente excluiu muito a natureza”, critica ele.

O professor titular da Universidade de São Paulo (USP) ainda apontou que os bairros mais arborizados são mais ricos, enquanto o urbanismo atual dá as costas para as populações mais desassistidas. 

“A gente tem que pensar o futuro com a ideia de cidades jardins. Essas cidades antigas da Amazônia eram cidades jardins. Elas estavam entremeadas com as áreas de bosque. A gente tem que trazer a floresta de volta”, disse o professor titular .

 

Brumadinho (MG), 07/06/2026 - O arqueólogo e antropólogo Eduardo Góes participa do Seminário Internacional Transmutar, com o tema Transfluências, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente Inhotim, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil Brumadinho (MG), 07/06/2026 - O arqueólogo e antropólogo Eduardo Góes participa do Seminário Internacional Transmutar, com o tema Transfluências, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente Inhotim, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
O arqueólogo e antropólogo Eduardo Góes participa do Seminário Internacional Transmutar, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente Inhotim, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Nêgo Bispo

O tema deste ano do seminário foi Transfluências, inspirado na obra do pensador quilombola Antônio Bispo dos Santos, conhecido como Nêgo Bispo, que morreu em 2023 aos 63 anos.

A programação celebrou a 22ª Semana do Meio Ambiente no Inhotim, maior museu a céu aberto de arte contemporânea da América Latina.

A diretora de Natureza, Operações e Infraestrutura do museu, Alitah Mariah, explica que Nêgo Bispo tem dois conceitos, a confluência e a transfluência. Segundo ela, a transfluência tem tudo a ver com o que o instituto pensou para o seminário, porque diz que todo pensamento e ação humana é circular ─ não só humano mas também dos não humanos.

“Para tudo que vai, alguma coisa fica, que é um pouco isso que a gente está tentando descobrir com esses pensadores. O que a gente pode se alimentar, trocar e transformar, e o que fica disso”, disse a diretora.

 

Brumadinho (MG), 06/06/2026 - A diretora de Natureza, Operações e Infraestrutura do Instituto Inhotim, Alita Mariah, participa do Seminário Internacional Transmutar, com o tema Transfluências, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil Brumadinho (MG), 06/06/2026 - A diretora de Natureza, Operações e Infraestrutura do Instituto Inhotim, Alita Mariah, participa do Seminário Internacional Transmutar, com o tema Transfluências, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
A diretora de Natureza, Operações e Infraestrutura do Instituto Inhotim, Alita Mariah, participa do Seminário Internacional Transmutar, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A líder quilombola Joana Maria, filha de Nêgo Bispo e moradora do quilombo Saco Cortume, no interior do Piauí, explica que o conceito de confluência vem do encontro dos rios. Já a transfluência é o movimento e o encontro, mas ultrapassando barreiras.

“Achei muito interessante o tema do evento ser a transfluência, porque a gente vive numa situação hoje em que há muitas barreiras no cuidar do meio ambiente, no se relacionar com a natureza. A transfluência tem o propósito de que é possível, sim, pensar os nossos modos de vida, a forma como a gente cuida da natureza”. 

 

Brumadinho (MG), 06/06/2026 - A pesquisadora Joana Maria, filha de Nêgo Bispo, participa do Seminário Internacional Transmutar, com o tema Transfluências, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil Brumadinho (MG), 06/06/2026 - A pesquisadora Joana Maria, filha de Nêgo Bispo, participa do Seminário Internacional Transmutar, com o tema Transfluências, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
A pesquisadora Joana Maria, filha de Nêgo Bispo, participa do Seminário Internacional Transmutar, com o tema Transfluências, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

 

“A gente tem que pensar a natureza como o lugar do afeto, do lugar do cuidado, do se relacionar. O rio tem que estar limpo para que eu possa tomar banho nele, comer o peixe”, disse Joana.

Tecnologia e natureza

Para a gestora cultural colombiana Ana Ochoa Acosta, fundadora do departamento de cultura e comunicação do Parque Explora, em Medellín, na Colômbia, a natureza também inclui o que produzimos com a tecnologia.

“Regressar ao paraíso arcaico é impossível atualmente. Somos uma combinação de mundos orgânicos com inorgânicos, de tecnologias que nos fazem distintos. Isso também é natureza. A sabedoria é aprender a conviver com essa complexidade da qual não podemos escapar”, disse Ana.

A bióloga do Museu Emílio Goeldi, no Pará, Sue Anne Costa, contribuiu com o conceito de re-encantamento, para ajudar a ganhar outra perspectiva no processo decisório.

“O que os povos ancestrais tinham era esse encantamento com o território e o sagrado. Boa parte das decisões atuais têm lógicas produtivas, financeiras, de um suposto desenvolvimento. Essa lógica precisa mudar”, disse a pesquisadora.

 

Brumadinho (MG), 07/06/2026 - A coordenadora de comunicação do Museu Emílio Goeldi e professora da Universidade Federal do Pará, Sue Anne Costa, Seminário Internacional Transmutar, com o tema Transfluências, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente Inhotim, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil Brumadinho (MG), 07/06/2026 - A coordenadora de comunicação do Museu Emílio Goeldi e professora da Universidade Federal do Pará, Sue Anne Costa, Seminário Internacional Transmutar, com o tema Transfluências, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente Inhotim, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
A coordenadora de comunicação do Museu Emílio Goeldi e professora da Universidade Federal do Pará, Sue Anne Costa Rovena Rosa/Agência Brasil

Jardim Botânico

Reconhecido por seu acervo de arte contemporânea, Inhotim também é um jardim botânico que conserva mais de 1 mil espécies de plantas, regenera florestas nativas, protege a fauna silvestre e mantém pesquisa científica voltada à conservação da biodiversidade brasileira.

Com 140 hectares de visitação, está localizado em uma área de transição entre Mata Atlântica e Cerrado, dois dos biomas mais diversos e ameaçados do país. A instituição já regenerou 75 hectares de floresta nativa e mantém um estoque de 34.215,13 toneladas de carbono, quantidade que exigiria cerca de 1,26 milhão de árvores urbanas para ser armazenada.

 

Brumadinho, (MG), 24/04/2026 – Jardins do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil Brumadinho, (MG), 24/04/2026 – Jardins do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Jardins do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

*A reportagem viajou a convite do Instituto Inhotim.

Urbanismo deve incorporar florestas às cidades, defendem pesquisadores

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As grandes cidades não podem mais dar as costas para as florestas e devem incorporá-las ao urbanismo atual. Presente em civilizações antigas que habitaram a Amazônia, por exemplo, essa é uma ideia resgatada e defendida por pesquisadores e ativistas, como o escritor italiano Stefano Mancuso, referência internacional nos estudos sobre a inteligência das plantas.

Mancuso foi um dos participantes da 3ª edição do Seminário Internacional Transmutar, realizado pelo Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG), no último final de semana.

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O escritor e pesquisador apresentou o conceito das fitópolis, que se inspira na organização das plantas para propor uma transformação radical na forma como são concebidas as cidades.

A proposta é pensar as cidades como organismos urbanos dotados de inteligência, resiliência e capacidade de adaptação ─ uma estratégia concreta para combater a crise climática e reduzir o abismo que se criou entre humanos e plantas nos últimos séculos.⁠

Mancuso sugere que a verdadeira evolução urbana não vem de soluções arquitetônicas voltadas para o bem-estar humano, mas de uma interação mais fluida e orgânica com a natureza, que reconheça o ser humano como parte de ecossistema mais amplo.⁠

“As plantas são sistemas altamente complexos, sofisticados, mas não são seres superiores a outros seres viventes. Hoje, a gente considera um pouco mais as plantas”, disse o neurobiólogo italiano.

Considerando as mudanças climáticas e o aquecimento global, as fitópolis podem ser parte da solução, já que 70% da população mundial vive em cidades. A redução de 20% do asfalto e sua substituição por áreas arborizadas já ajudaria muito na qualidade de vida, defendeu o pesquisador. Mancuso acrescenta que as plantas também devem estar dentro dos edifícios.

Fundador do Laboratório Internacional de Neurobiologia Vegetal da Universidade de Florença, ele avalia que uma fitópolis ideal teria uma cobertura vegetal de pelo menos 60%. Essa cidade também deveria ter uma rede de transporte público muito eficiente, além de nenhum veículo movido à combustão.

 

Brumadinho (MG), 06/06/2026 - O escritor e pesquisador italiano Stefano Mancuso participa do Seminário Internacional Transmutar, com o tema Transfluências, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil Brumadinho (MG), 06/06/2026 - O escritor e pesquisador italiano Stefano Mancuso participa do Seminário Internacional Transmutar, com o tema Transfluências, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
O escritor e pesquisador italiano Stefano Mancuso participa do Seminário Internacional Transmutar,  realizado pelo Instituto Inhotim, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O ecólogo e curador do Museu do Amanhã, Fabio Scarano, destacou que tudo que é vivo é inteligente, não apenas o ser humano. Para ele, o trabalho do professor Mancuso tem um efeito político, porque, ao se reconhecer a inteligência dos seres não humanos, talvez seja possível mudar de atitude e vê-los como irmãos, como defendia São Francisco.

“Eles não são só paisagem, não são só recursos para a gente consumir, 90% do planeta é composto por cobertura vegetal. Ela colabora com oxigênio e alimentos. A obra do professor [Mancuso] populariza um conhecimento que é científico e pouco discutido nas escolas”, disse Scarano.

Cidades amazônicas

O arqueólogo e antropólogo Eduardo Góes Neves apresentou manifestações de urbanismo indígena de 2,5 mil anos atrás no Acre. Depois, entre 1,5 mil anos e 1 mil anos atrás, a urbanização indígena se espalhou em diversas áreas da Amazônia.

“A principal lição desse urbanismo antigo é que ele não coloca a natureza para fora. Em São Paulo, matamos os rios, se tornaram depósitos de lixo. A gente excluiu muito a natureza”, critica ele.

O professor titular da Universidade de São Paulo (USP) ainda apontou que os bairros mais arborizados são mais ricos, enquanto o urbanismo atual dá as costas para as populações mais desassistidas. 

“A gente tem que pensar o futuro com a ideia de cidades jardins. Essas cidades antigas da Amazônia eram cidades jardins. Elas estavam entremeadas com as áreas de bosque. A gente tem que trazer a floresta de volta”, disse o professor titular .

 

Brumadinho (MG), 07/06/2026 - O arqueólogo e antropólogo Eduardo Góes participa do Seminário Internacional Transmutar, com o tema Transfluências, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente Inhotim, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil Brumadinho (MG), 07/06/2026 - O arqueólogo e antropólogo Eduardo Góes participa do Seminário Internacional Transmutar, com o tema Transfluências, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente Inhotim, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
O arqueólogo e antropólogo Eduardo Góes participa do Seminário Internacional Transmutar, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente Inhotim, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Nêgo Bispo

O tema deste ano do seminário foi Transfluências, inspirado na obra do pensador quilombola Antônio Bispo dos Santos, conhecido como Nêgo Bispo, que morreu em 2023 aos 63 anos.

A programação celebrou a 22ª Semana do Meio Ambiente no Inhotim, maior museu a céu aberto de arte contemporânea da América Latina.

A diretora de Natureza, Operações e Infraestrutura do museu, Alitah Mariah, explica que Nêgo Bispo tem dois conceitos, a confluência e a transfluência. Segundo ela, a transfluência tem tudo a ver com o que o instituto pensou para o seminário, porque diz que todo pensamento e ação humana é circular ─ não só humano mas também dos não humanos.

“Para tudo que vai, alguma coisa fica, que é um pouco isso que a gente está tentando descobrir com esses pensadores. O que a gente pode se alimentar, trocar e transformar, e o que fica disso”, disse a diretora.

 

Brumadinho (MG), 06/06/2026 - A diretora de Natureza, Operações e Infraestrutura do Instituto Inhotim, Alita Mariah, participa do Seminário Internacional Transmutar, com o tema Transfluências, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil Brumadinho (MG), 06/06/2026 - A diretora de Natureza, Operações e Infraestrutura do Instituto Inhotim, Alita Mariah, participa do Seminário Internacional Transmutar, com o tema Transfluências, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
A diretora de Natureza, Operações e Infraestrutura do Instituto Inhotim, Alita Mariah, participa do Seminário Internacional Transmutar, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A líder quilombola Joana Maria, filha de Nêgo Bispo e moradora do quilombo Saco Cortume, no interior do Piauí, explica que o conceito de confluência vem do encontro dos rios. Já a transfluência é o movimento e o encontro, mas ultrapassando barreiras.

“Achei muito interessante o tema do evento ser a transfluência, porque a gente vive numa situação hoje em que há muitas barreiras no cuidar do meio ambiente, no se relacionar com a natureza. A transfluência tem o propósito de que é possível, sim, pensar os nossos modos de vida, a forma como a gente cuida da natureza”. 

 

Brumadinho (MG), 06/06/2026 - A pesquisadora Joana Maria, filha de Nêgo Bispo, participa do Seminário Internacional Transmutar, com o tema Transfluências, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil Brumadinho (MG), 06/06/2026 - A pesquisadora Joana Maria, filha de Nêgo Bispo, participa do Seminário Internacional Transmutar, com o tema Transfluências, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
A pesquisadora Joana Maria, filha de Nêgo Bispo, participa do Seminário Internacional Transmutar, com o tema Transfluências, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

 

“A gente tem que pensar a natureza como o lugar do afeto, do lugar do cuidado, do se relacionar. O rio tem que estar limpo para que eu possa tomar banho nele, comer o peixe”, disse Joana.

Tecnologia e natureza

Para a gestora cultural colombiana Ana Ochoa Acosta, fundadora do departamento de cultura e comunicação do Parque Explora, em Medellín, na Colômbia, a natureza também inclui o que produzimos com a tecnologia.

“Regressar ao paraíso arcaico é impossível atualmente. Somos uma combinação de mundos orgânicos com inorgânicos, de tecnologias que nos fazem distintos. Isso também é natureza. A sabedoria é aprender a conviver com essa complexidade da qual não podemos escapar”, disse Ana.

A bióloga do Museu Emílio Goeldi, no Pará, Sue Anne Costa, contribuiu com o conceito de re-encantamento, para ajudar a ganhar outra perspectiva no processo decisório.

“O que os povos ancestrais tinham era esse encantamento com o território e o sagrado. Boa parte das decisões atuais têm lógicas produtivas, financeiras, de um suposto desenvolvimento. Essa lógica precisa mudar”, disse a pesquisadora.

 

Brumadinho (MG), 07/06/2026 - A coordenadora de comunicação do Museu Emílio Goeldi e professora da Universidade Federal do Pará, Sue Anne Costa, Seminário Internacional Transmutar, com o tema Transfluências, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente Inhotim, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil Brumadinho (MG), 07/06/2026 - A coordenadora de comunicação do Museu Emílio Goeldi e professora da Universidade Federal do Pará, Sue Anne Costa, Seminário Internacional Transmutar, com o tema Transfluências, realizado pelo Instituto Inhotim durante a Semana do Meio Ambiente Inhotim, em Brumadinho. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
A coordenadora de comunicação do Museu Emílio Goeldi e professora da Universidade Federal do Pará, Sue Anne Costa Rovena Rosa/Agência Brasil

Jardim Botânico

Reconhecido por seu acervo de arte contemporânea, Inhotim também é um jardim botânico que conserva mais de 1 mil espécies de plantas, regenera florestas nativas, protege a fauna silvestre e mantém pesquisa científica voltada à conservação da biodiversidade brasileira.

Com 140 hectares de visitação, está localizado em uma área de transição entre Mata Atlântica e Cerrado, dois dos biomas mais diversos e ameaçados do país. A instituição já regenerou 75 hectares de floresta nativa e mantém um estoque de 34.215,13 toneladas de carbono, quantidade que exigiria cerca de 1,26 milhão de árvores urbanas para ser armazenada.

 

Brumadinho, (MG), 24/04/2026 – Jardins do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil Brumadinho, (MG), 24/04/2026 – Jardins do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Jardins do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

*A reportagem viajou a convite do Instituto Inhotim.

Governo amplia proteção ambiental e prepara recuperação de florestas

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quarta-feira (10), no Palácio do Planalto, em Brasília, um pacote de iniciativas para a preservação e proteção dos biomas brasileiros e enfrentamento dos impactos causados pelas mudanças climáticas. A cerimônia marca a passagem do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho.

Entre as medidas, o presidente da República assinou decreto criando novas unidades de conservação e ampliando antigas áreas protegidas; sancionou a Lei da Política Nacional para Recuperação da Caatinga; e o decreto que simplifica e agiliza os repasses do Fundo Nacional do Meio Ambiente para estados e municípios, tendo em perspectiva a prevenção e combate a incêndios florestais.

Brasília (DF), 10/06/2026 - O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de anuncio do conjunto de ações para fortalecer a preservação e proteção dos biomas e o enfrentamento das mudanças climáticas e seus impactos, em alusão do Dia Mundial do Meio Ambiente (celebrado em 5 de junho), no Palácio do Planalto. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil Brasília (DF), 10/06/2026 - O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de anuncio do conjunto de ações para fortalecer a preservação e proteção dos biomas e o enfrentamento das mudanças climáticas e seus impactos, em alusão do Dia Mundial do Meio Ambiente (celebrado em 5 de junho), no Palácio do Planalto. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em cerimônia no Dia Mundial do Meio Ambiente, no Palácio do Planalto. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Notícias relacionadas:

“Pela primeira vez, a gente está saindo na frente, na luta para combater as possíveis queimadas que virão, porque a perspectiva é de que o El Niño vai ser muito violento, e de que a gente pode ter mais desastres climáticos. Pela primeira vez, nós estamos preparados antecipadamente para enfrentar essa situação”, frisou Lula.

Para o presidente, o evento no Palácio do Planalto mostra que “o Brasil passa a ser um país com mais credibilidade no mundo para cuidar da questão ambiental.”

O Relatório Anual do Desmatamento no Brasil, produzido pelo MapBiomas, registrou que, em 2025, o país conseguiu ficar abaixo da marca de 1 milhão de hectares desmatados (984,7 mil hectares), fato também inédito.

Novas unidades de conservação poderão ajudar a conter o desmatamento. Lula assinou decretos para a criação de como o Parque Nacional do Tanaru, em Rondônia, e a Área de Proteção Ambiental do Paleocanal do Rio Tocantins, no Pará.

Além das novas unidades, foram ampliados os parques Nacionais da Serra das Confusões e de Sete Cidades, no Piauí. As medidas ampliam a proteção de ecossistemas estratégicos e fortalecem o Sistema Nacional de Unidades de Conservação.

Queda no desmatamento

De acordo com o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, a queda no desmatamento ocorreu em diferentes biomas. Segundo ele, “na Amazônia, a diminuição foi de 50% e segue caindo. No Cerrado, foi de 32%; e no Pantanal, 63%.”

O ministro avalia que, desde 2023, “o Brasil retomou a governança ambiental e colocou a questão climática e ambiental no centro das políticas públicas nacionais.”

“Saímos de um período de desestruturação institucional para reconstruir as capacidades do Estado, fortalecer os órgãos ambientais, recuperar instrumentos de planejamento e restabelecer a coordenação entre o Governo Federal, os estados, os municípios e a sociedade. Mas fizemos mais do que reconstruir a estrutura do Estado. Consolidamos a compreensão de que a política ambiental não pode ser tratada como tema do lado”, disse Capobianco.

Mais investimentos

Durante o evento, foram anunciados investimentos de R$ 2 bilhões para ações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Também foram assinados atos que destinam o financiamento de R$ 834 milhões do Fundo Clima para empresas e organizações da sociedade civil que propuseram projetos de restauração da vegetação nativa. Os recursos reembolsáveis são administrados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Para a diretora socioambiental do banco, Tereza Campello, o financiamento é um marco.

“Além de enfrentar o desmatamento, nós estamos reconstruindo as nossas florestas. E isso é uma coisa que ninguém está fazendo no mundo como nós estamos fazendo. Esses R$ 834 milhões vão gerar R$ 3 bilhões, porque tem dinheiro das empresas que está entrando também para restaurar, para reconstruir nossas florestas”, assinalou a diretora.

O Dia Mundial do Meio Ambiente foi instituído em 1972 pela Organização das Nações Unidas durante a Conferência de Estocolmo (Suécia), considerado o primeiro grande evento da ONU sobre o meio ambiente.

Governo amplia proteção ambiental e prepara recuperação de florestas

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quarta-feira (10), no Palácio do Planalto, em Brasília, um pacote de iniciativas para a preservação e proteção dos biomas brasileiros e enfrentamento dos impactos causados pelas mudanças climáticas. A cerimônia marca a passagem do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho.

Entre as medidas, o presidente da República assinou decreto criando novas unidades de conservação e ampliando antigas áreas protegidas; sancionou a Lei da Política Nacional para Recuperação da Caatinga; e o decreto que simplifica e agiliza os repasses do Fundo Nacional do Meio Ambiente para estados e municípios, tendo em perspectiva a prevenção e combate a incêndios florestais.

Brasília (DF), 10/06/2026 - O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de anuncio do conjunto de ações para fortalecer a preservação e proteção dos biomas e o enfrentamento das mudanças climáticas e seus impactos, em alusão do Dia Mundial do Meio Ambiente (celebrado em 5 de junho), no Palácio do Planalto. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil Brasília (DF), 10/06/2026 - O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de anuncio do conjunto de ações para fortalecer a preservação e proteção dos biomas e o enfrentamento das mudanças climáticas e seus impactos, em alusão do Dia Mundial do Meio Ambiente (celebrado em 5 de junho), no Palácio do Planalto. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em cerimônia no Dia Mundial do Meio Ambiente, no Palácio do Planalto. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

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“Pela primeira vez, a gente está saindo na frente, na luta para combater as possíveis queimadas que virão, porque a perspectiva é de que o El Niño vai ser muito violento, e de que a gente pode ter mais desastres climáticos. Pela primeira vez, nós estamos preparados antecipadamente para enfrentar essa situação”, frisou Lula.

Para o presidente, o evento no Palácio do Planalto mostra que “o Brasil passa a ser um país com mais credibilidade no mundo para cuidar da questão ambiental.”

O Relatório Anual do Desmatamento no Brasil, produzido pelo MapBiomas, registrou que, em 2025, o país conseguiu ficar abaixo da marca de 1 milhão de hectares desmatados (984,7 mil hectares), fato também inédito.

Novas unidades de conservação poderão ajudar a conter o desmatamento. Lula assinou decretos para a criação de como o Parque Nacional do Tanaru, em Rondônia, e a Área de Proteção Ambiental do Paleocanal do Rio Tocantins, no Pará.

Além das novas unidades, foram ampliados os parques Nacionais da Serra das Confusões e de Sete Cidades, no Piauí. As medidas ampliam a proteção de ecossistemas estratégicos e fortalecem o Sistema Nacional de Unidades de Conservação.

Queda no desmatamento

De acordo com o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, a queda no desmatamento ocorreu em diferentes biomas. Segundo ele, “na Amazônia, a diminuição foi de 50% e segue caindo. No Cerrado, foi de 32%; e no Pantanal, 63%.”

O ministro avalia que, desde 2023, “o Brasil retomou a governança ambiental e colocou a questão climática e ambiental no centro das políticas públicas nacionais.”

“Saímos de um período de desestruturação institucional para reconstruir as capacidades do Estado, fortalecer os órgãos ambientais, recuperar instrumentos de planejamento e restabelecer a coordenação entre o Governo Federal, os estados, os municípios e a sociedade. Mas fizemos mais do que reconstruir a estrutura do Estado. Consolidamos a compreensão de que a política ambiental não pode ser tratada como tema do lado”, disse Capobianco.

Mais investimentos

Durante o evento, foram anunciados investimentos de R$ 2 bilhões para ações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Também foram assinados atos que destinam o financiamento de R$ 834 milhões do Fundo Clima para empresas e organizações da sociedade civil que propuseram projetos de restauração da vegetação nativa. Os recursos reembolsáveis são administrados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Para a diretora socioambiental do banco, Tereza Campello, o financiamento é um marco.

“Além de enfrentar o desmatamento, nós estamos reconstruindo as nossas florestas. E isso é uma coisa que ninguém está fazendo no mundo como nós estamos fazendo. Esses R$ 834 milhões vão gerar R$ 3 bilhões, porque tem dinheiro das empresas que está entrando também para restaurar, para reconstruir nossas florestas”, assinalou a diretora.

O Dia Mundial do Meio Ambiente foi instituído em 1972 pela Organização das Nações Unidas durante a Conferência de Estocolmo (Suécia), considerado o primeiro grande evento da ONU sobre o meio ambiente.

Mais de 100 câmaras para vigiar floresta num investimento de 32 mil euros

VTM

O projeto contempla a colocação de 125 câmaras, distribuídas por zonas estratégicas do território, permitindo a monitorização em simultâneo de áreas florestais consideradas mais sensíveis.

São 25 locais que estarão sob vigilância destes novos equipamentos que foram entregues à Polícia Judiciária (PJ), após a assinatura do protocolo de cooperação no âmbito do Programa de Redução do Número de Ignições em Espaço Rural.

Segundo o presidente da Câmara Municipal, a medida resulta de um desafio lançado pela PJ no âmbito do grupo de trabalho dedicado à investigação das ignições em espaço rural, em articulação com a Guarda Nacional Republicana e o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF). “Fomos interpelados para sermos uma entidade colaboradora, disponibilizando tecnologia que permita melhorar a prevenção e, quando necessário, apoiar também a investigação de situações de dolo”, explicou.

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Projeto mineiro de Vila Verde avança para nova fase após consulta pública

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O processo de atribuição de direitos para a exploração experimental de depósitos de tungsténio, estanho, prata e chumbo do projeto denominado de Vila Verde, abrangendo territórios dos concelhos de Vila Real e Sabrosa, deverá avançar para uma nova fase administrativa, apesar da maioria das participações registadas durante a consulta pública se ter manifestado contra o projeto.

Segundo o relatório final da consulta pública promovida pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), e publicado no portal Participa, foram recebidas 26 participações, das quais 18 manifestaram discordância com a pretensão da empresa Minerália – Minas, Geotecnia e Construções, Lda., enquanto apenas sete expressaram concordância. Foi ainda registada uma reclamação.

Entre os participantes estiveram várias autarquias e associações da região, incluindo a União de Freguesias de Silva Escura e Dornelas, a Junta de Freguesia de Souto Maior, a Freguesia de Mouçós e Lamares, a Freguesia de São Lourenço de Ribapinhão, a Associação Povo e Natureza do Barroso e a Associação Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural.

As principais preocupações apontadas pelos opositores prendem-se com os potenciais impactos ambientais da exploração experimental. Entre os receios manifestados encontram-se possíveis contaminações de águas superficiais e subterrâneas, destruição de coberto vegetal, fragmentação de habitats e perturbação de espécies protegidas. Foram ainda levantadas dúvidas sobre a suficiência dos estudos apresentados, a ausência de Avaliação de Impacte Ambiental e a compatibilidade do projeto com atividades agrícolas, vitivinícolas e de turismo de natureza existentes na região.

Diversos participantes consideram igualmente que a classificação do projeto como “exploração experimental” não corresponde à dimensão real das intervenções previstas, receando que esta constitua o primeiro passo para uma futura exploração mineira de maior escala.

Apesar destas críticas, o relatório da DGEG conclui que o procedimento reúne condições para prosseguir para uma proposta de atribuição de direitos e para o início da negociação contratual com a empresa promotora, desde que sejam dadas respostas às preocupações identificadas durante a consulta pública.

A posição da DGEG surge na sequência dos pareceres emitidos pelas entidades públicas consultadas, que se revelaram globalmente favoráveis ou favoráveis condicionados.

A Câmara Municipal de Vila Real pronunciou-se favoravelmente, considerando que os trabalhos previstos se enquadram nas áreas identificadas pelo Plano Diretor Municipal como potenciais zonas de exploração de recursos geológicos. Também a Agência Portuguesa do Ambiente e a CCDR-Norte admitiram o avanço do projeto, embora impondo diversas condicionantes relacionadas com a proteção dos recursos hídricos e das áreas abrangidas pela Reserva Ecológica Nacional.

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) emitiu igualmente parecer favorável condicionado, alertando para a presença de lobo-ibérico na área do Bloco A e para a existência do abrigo de morcegos da antiga Mina do Vale das Gatas, considerado de importância nacional. O organismo exige estudos complementares e medidas específicas de mitigação para a proteção destas espécies.

Por sua vez, o Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) reconhece o potencial mineral da área e considera adequados os métodos de prospeção propostos, embora tenha identificado incoerências técnicas entre os documentos apresentados pela empresa, recomendando esclarecimentos adicionais.

O projeto prevê a realização de 12 sondagens e de uma escavação experimental na zona da Cumieira, no concelho de Vila Real, com o objetivo de avaliar o potencial económico dos recursos minerais identificados durante campanhas de prospeção anteriores.

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