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Beja inaugura escultura de homenagem ao rei e poeta Al-Mu’tamid

12 June 2026 at 02:05

A escultura dedicada ao rei e poeta Al-Mu’tamid, da autoria do escultor Silvestre Raposo, vai ser inaugurada no sábado, 13 de Junho, às 18h00, no Largo das Portas de Mértola, junto à Caixa Geral de Depósitos, em Beja.

Esta iniciativa, e para assinalar o momento, conta com a participação do músico Paulo Ribeiro, para interpretar canções inspiradas nos poemas de Al-Mu’tamid, nascido em Beja, no ano de 1040.

«Com esta escultura é prestada homenagem a uma das figuras que marca a história da cidade», salienta a Câmara Municipal de Beja.

Na composição escultórica, o autor, Silvestre Raposo, evoca momentos e símbolos da vida de Al-Mu’tamid: o castelo erguido sobre o rochedo, a lágrima da saudade, a chave da casa perdida, o jardim da infância, o coração ferido, a coroa deixada para trás e a permanência da palavra poética como legado intemporal.

Sul Informação
Esboço da escultura

Com um percurso artístico reconhecido nacional e internacionalmente, Silvestre Raposo é autor de diversos monumentos de arte pública e de uma obra marcada por dois valores fundamentais: a paz e a cultura.

Silvestre Raposo dedica esta escultura a um poeta que nasceu em Beja há cerca de mil anos. «Quis o destino que fosse rei, mas a sua arma não foi a espada, mas a palavra escrita, a poesia. É na sua obra poética que os diferentes elementos da composição», explica o escultor.

Al-Mu’tamid referia-se ao seu reino como sendo ele próprio «uma enorme montanha». Durante o cativeiro, evocava com saudade a sua casa e a cidade da sua infância, onde existiam jardins. No final da vida, afirmava ter perdido tudo, exceto a palavra e a sua poesia.

Assim, Silvestre Raposo ergue um castelo no rochedo, com uma lágrima derramada na frente, aos lados, a chave, símbolo da sua casa, e o jardim.

Na parede de trás, um coração ferido, uma coroa que tinha ficado no passado e uma máscara fúnebre numa campa rasa.

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Local onde será inaugurada a escultura – Foto: Elisabete Rodrigues | Sul Informação (foto de arquivo)

Quem é Silvestre Raposo?

Formou-se na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, onde foi também membro do Conselho Pedagógico. Foi professor de Design no Instituto Superior D. Afonso III, em Loulé;

Autor de cinco monumentos de arte pública e de mais 22 obras presentes em museus e espaços públicos. Os seus monumentos e esculturas têm sempre dois elementos comuns: a paz e a cultura.

Possui uma Casa-Museu com o seu nome;

Autor de várias obras de poesia, duas das quais editadas em Pontevedra, na Galiza.

Quem era Al-Mu’tamid?

Al-Mu’tamid (1040–1095), nascido na cidade de Beja (então no Gharb al-Andalus), foi o terceiro e último rei da dinastia Abádida da Taifa de Sevilha e um dos mais célebres poetas de Al-Andalus. Conhecido historicamente como o “rei-poeta”, a sua vida cruzou a governação política, o requinte cultural e um trágico exílio final.

Na sua juventude, governou a cidade algarvia de Silves em nome do seu pai. Herdou o trono da Taifa de Sevilha, controlando vastos territórios no sul da Península Ibérica.

Perante o avanço das forças cristãs, aliou-se aos Almorávidas do Norte de África, que mais tarde o destronaram e exilaram em Marrocos, onde morreu na pobreza.

A sua poesia é considerada como um dos maiores monumentos literários do período do Al-Andalus, possuindo uma relevância histórica, estética e biográfica profunda para as culturas árabe e ibérica

Apesar de ter morrido na pobreza, o poeta e rei está hoje sepultado no Mausoléu de Al-Mu’tamid, localizado na antiga cidade medieval de Aghmat, em Marrocos, monumento construído em 1970 e que serve como local de peregrinação para amantes da literatura e da história.

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O crime no espaço público

11 June 2026 at 15:52

VTM

Isto surge da ideia de que os ambientes onde os indivíduos se inserem afetam os seus comportamentos, o que faz com que alguns ambientes sejam mais criminógenos que outros. Ou seja, existem espaços que, devido às suas características, podem potenciar a ocorrência do crime.

Estas características são, muitas vezes, o que se chama de incivilidades que, no fundo, são manifestações de desordem, transmitindo a perceção a quem ali vive ou passa de que aquela zona é caracterizada pela falta de ordem e de cuidado. Essas desordens podem ir desde edifícios em ruínas, lixo no chão e pouca iluminação a problemas sociais visíveis na rua (mendicidade, violência, álcool, drogas).

Estes contextos podem potenciar o medo do crime, porque o facto de estas incivilidades não serem reparadas durante longos períodos de tempo sugere que aquele espaço não é cuidado, nem vigiado, o que faz com que as pessoas fiquem mais receosas em utilizá-lo, abrem-se as portas aos ofensores motivados e surgem cada vez mais oportunidades para a prática do crime nesses locais .

De facto, tem-se verificado que para nos sentirmos seguros é fundamental termos a perceção de que dominamos o ambiente, por esse motivo, tendemos a encarar espaços bem iluminados, limpos, com edifícios cuidados e onde temos uma visão ampla do espaço, como mais seguros. Em contrapartida, espaços mal iluminados, estreitos, com um número elevado de possíveis refúgios para o ofensor (arbustos, muros, etc), reduzidas possibilidades de fuga (barreiras físicas ou incapacidade de pedir ajuda) e sinais de abandono (graffiti, vidros partidos, etc) tendem a transmitir uma perceção de insegurança.

Neste sentido, surge a Prevenção Situacional do crime, que visa reduzir as oportunidades para a prática do crime, através da modificação das condições ambientais, nomeadamente, a introdução de barreiras físicas ou obstáculos, aumentar o risco de deteção do crime – melhor iluminação, instalação de sistemas de videovigilância – e reduzir as recompensas ou benefícios associados ao crime. Isto significa que estas estratégias de prevenção vão procurar aumentar os custos e riscos percebidos associados ao cometimento do crime, aumentando o esforço e a dificuldade da prática criminal. O objetivo é tornar a prática do crime tão difícil e com uma probabilidade tão elevada de ser apanhado, que o ofensor desista de passar ao ato.

Desta forma, cuidar do espaço urbano além de assegurar a harmonia estética e visual, pode ainda potenciar o sentimento de segurança dos cidadãos.

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União de Freguesias substituiu os bancos do largo do Auditório Carlos do Carmo, em Lagoa

6 June 2026 at 16:06

A União de Freguesias de Lagoa e Carvoeiro substituiu os bancos de jardim no largo exterior do Auditório Carlos do Carmo, «colmatando uma necessidade de longa data». 

Inaugurado a 15 de abril de 2005, o Auditório Carlos do Carmo «consolidou-se, ao longo destas décadas, como um dos polos culturais mais dinâmicos e importantes do concelho de Lagoa», salienta a União de Freguesias. 

O recinto que o envolve, contudo, «carecia ainda de mobiliário urbano adequado, que permitisse oferecer o devido conforto a quem visita este espaço cultural ou, simplesmente, frequenta a zona envolvente».

Atento a este anseio dos cidadãos, o atual executivo da União de Freguesias assumiu a colocação destes equipamentos.

Com esta medida, a autarquia visa «tornar o espaço mais funcional para o convívio e para as rotinas diárias da população».

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