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Déficit de armazenagem impulsiona mercado de galpões flexíveis

17 June 2026 at 08:00

O crescimento da produção agrícola e o histórico déficit de armazenagem no Brasil têm impulsionado a demanda por diversos tipos de estruturas de estocagem no campo.

No Anuário Agrologístico 2026, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) destaca que, pela segunda safra consecutiva, apenas a produção da primeira safra de grãos ,de 218,2 milhões de toneladas, já supera a capacidade de armazenagem de grãos, estimada em 202,3 milhões de toneladas, gerando um déficit de cerca de 15,9 milhões de toneladas apenas nesse período de colheita.

Tal situação vem obrigando produtores a vender ou escoar rapidamente a produção. Neste contexto, a empresa Tópico, que fabrica, aluga e vende galpões de lona e aço, planeja crescer 10% ao ano nos próximos três anos.

Segundo Sérgio Gallucci, diretor comercial da empresa, a expansão da safra nas regiões Norte e Centro-Oeste tem ocorrido em ritmo superior aos investimentos em infraestrutura permanente, fazendo com que soluções modulares deixem de ser apenas alternativas emergenciais para se tornarem parte da estratégia logística de produtores e agroindústrias.

“O déficit de armazenagem é crônico. Nas regiões onde a produção mais cresce, como Centro-Oeste e Norte, a deficiência de infraestrutura é ainda maior”, afirma o executivo.

Para garantir capacidade de resposta imediata, a companhia mantém entre 150 mil e 200 mil metros quadrados de estruturas em estoque para pronto atendimento, viabilizando atuação rápida em diferentes regiões do país.

Em 2025, a empresa encerrou o ano com investimento de aproximadamente R$ 50 milhões, destinados à expansão da base instalada, modernização operacional e inovação tecnológica. Para este ano, o objetivo é investir mais R$ 50 milhões  em eficiência, pessoas e tecnologia.

A Tópico encerrou o ano de 2025 com faturamento de R$ 300 milhões. A empresa  atua nos segmentos de fertilizantes, indústria, transporte e logística (incluindo portos, aeroportos e operadores portuários), mineração e siderurgia, alimentos e bebidas, veículos e autopeças.

A cadeia de fertilizantes, por exemplo, tornou-se um dos segmentos de maior atuação da companhia nos últimos anos. Com o Brasil figurando entre os maiores importadores mundiais do insumo, a demanda vem avançando, em média, 15% ao ano.

Mas é o agronegócio o principal negócio da empresa. Nos últimos oito anos, o segmento registrou crescimento 10% ao ano.

“Hoje detemos mais de 50% do mercado brasileiro de galpões flexíveis , com cerca de 3 milhões de metros quadrados de estruturas instaladas em todo o país”, diz o executivo

O Tocantins aparece entre os estados que concentram a maior expansão recente da empresa, acompanhando o avanço da produção agrícola na região conhecida como Matopiba.

Modelo reduz investimento inicial

Diferentemente da construção de armazéns convencionais, o modelo da empresa funciona por meio de locação.

Os galpões são fabricados, transportados, montados no local e alugados pelo período necessário para cada operação.

Segundo Gallucci, uma estrutura de aproximadamente 3 mil metros quadrados pode ser instalada em cerca de 20 dias.

O valor do contrato varia conforme o tamanho da estrutura e o tempo de utilização. Quanto maior o período de locação e a área contratada, menor tende a ser o custo por metro quadrado.

O modelo atende diferentes cadeias produtivas, como café, açúcar, fertilizantes, grãos e biocombustíveis, com custo que oscila de R$ 12 a R$ 15 o metro quadrado, a depender do tamanho, prazo de local e região.

Crédito influencia, mas não determina demanda

Apesar do momento de maior restrição financeira vivido pelo agronegócio, Gallucci afirma que o desempenho da empresa não depende diretamente das linhas oficiais de crédito rural.

Segundo ele, a contratação das estruturas está mais relacionada à necessidade operacional e ao planejamento logístico das empresas do que à disponibilidade de financiamento.

“O que influencia é muito mais o humor e o nível de investimento do produtor do que uma linha específica de crédito.”

Estruturas ganham novas aplicações

Além da armazenagem, os galpões também vêm sendo utilizados como áreas industriais, centros logísticos, oficinas, coberturas para fertilizantes, máquinas e insumos agrícolas.

A flexibilidade do sistema permite montagem rápida, expansão conforme a necessidade da operação e posterior desmontagem ou remanejamento para outras unidades.

Para Gallucci, enquanto o Brasil continuar ampliando sua produção agrícola em ritmo superior à expansão da infraestrutura, a demanda por soluções temporárias deverá continuar crescendo.

“O déficit estrutural ainda é muito grande e a necessidade por respostas rápidas faz com que esse mercado continue em expansão”, diz.

Algumas empresas contratam os galpões como uma solução temporária, “mas a estrutura acaba permanecendo como complemento da armazenagem permanente.”, conta.

Segundo ele, esse tipo de situação tem se repetido em diferentes cadeias do agronegócio.

Inicialmente contratados para atender picos de safra ou atrasos em obras, os galpões acabam sendo incorporados de forma definitiva à operação logística das empresas.

Jalles Machado prevê moagem de cana 10% maior na safra 2026/27

17 June 2026 at 01:31

A Jalles Machado projeta processar 7,8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2026/27, volume 10,2% superior ao registrado na temporada anterior, quando a moagem somou 7,076 milhões de toneladas.

A expectativa da companhia é de recuperação da produtividade agrícola e maior utilização da capacidade industrial ao longo do próximo ciclo.

Segundo a informação divulgado ao mercado por meio da CVM (Comissão de Valores Imobiliários), a taxa de ocupação das unidades industriais deve atingir 86,7%, ante 78,6% observados na safra 2025/26.

A produtividade média dos canaviais, medida em toneladas de cana por hectare, está estimada em 80,4 de tonelada por hectare, avanço de 8% na comparação anual.

O maior avanço de produtividade é esperado para a unidade Santa Vitória, localizada em Minas Gerais, que deve alcançar 70,4 toneladas de cana por hectare, crescimento de 18,2% em relação à safra anterior.

Já as unidades Jalles Machado e Otávio Lage, ambas situadas em Goiás, projetam produtividades de 85,7 e 86,2  toneladas de cana por hectare, respectivamente.

A estratégia da companhia para a próxima safra também prevê maior direcionamento da matéria-prima para a produção de etanol. O biocombustível deve representar 59% do mix industrial, acima dos 53,6% registrados na temporada passada.

Com isso, a produção de etanol está projetada em 372 mil metros cúbicos, crescimento de 18% frente à safra anterior.

Em contrapartida, a participação do açúcar deve recuar de 46,4% para 41%. A fabricação de açúcar deve totalizar 418,1 mil toneladas, volume 4,2% inferior ao registrado em 2025/26.

A empresa também estima ATR (Açúcar Total Recuperável) médio de 137,1 quilos por tonelada de cana, redução de 1,6% em relação aos 139,3 kg/t apurados na safra passada.

Na frente de investimentos, a Jalles prevê desembolsar R$ 610,3 milhões na safra 2026/27, valor 9,8% menor que o realizado no ciclo anterior. Somados aos investimentos em tratos culturais, os aportes totais devem alcançar R$ 1,087 bilhão, redução de 5% na comparação anual.

Etanol E32 deve elevar demanda em 1 bilhão de litros

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