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Pintar fora das linhas não é só para crianças 

10 June 2026 at 06:02
As obras de Emma Bianchini e Ernane Cortat são as provas de que a pintura pode ir além da tela e prolongar-se pela moldura. Simples, mas ricas, para que até as crianças reconheçam a Arca de Noé.

Pintar fora das linhas não é só para crianças 

10 June 2026 at 06:02
As obras de Emma Bianchini e Ernane Cortat são as provas de que a pintura pode ir além da tela e prolongar-se pela moldura. Simples, mas ricas, para que até as crianças reconheçam a Arca de Noé.

Do quadro para a pele. O calor das 3 da tarde no Alentejo 

9 June 2026 at 10:45
A “força dos tons alaranjados e avermelhados”, a paisagem de planícies e o relógio pintado no topo da capela. Detalhes que remetem o espetador para a beleza quente do Alentejo, explica Paula Cardoso.

Do quadro para a pele. O calor das 3 da tarde no Alentejo 

9 June 2026 at 10:45
A “força dos tons alaranjados e avermelhados”, a paisagem de planícies e o relógio pintado no topo da capela. Detalhes que remetem o espetador para a beleza quente do Alentejo, explica Paula Cardoso.

Las pinturas más vistas de España: Chamartín recupera el brillo de sus murales gigantes

8 June 2026 at 21:48
El conjunto creado por el pintor José Lucas para la estación de tren madrileña hace casi cuatro décadas vuelve a lucir tras el final de las obras y un proceso de restauración. 46 millones de viajeros lo verán cada año Leer

El conjunto creado por el pintor José Lucas para la estación de tren madrileña hace casi cuatro décadas vuelve a lucir tras el final de las obras y un proceso de restauración. 46 millones de viajeros lo verán cada año

O que aprendemos com Stephen King? — Sugestões

8 June 2026 at 06:03
As memórias do autor americano estão em destaque esta semana, além de “Carne”, de David Szalay, o “regresso” de Luiz Pacheco, o novo disco dos Boards of Canada, Miguel Marôco e o Vale da Amoreira.

Tanto “detalhe e rigor” que a pintura parece "real"

8 June 2026 at 06:02
A conceituada Ana Maria de Abadal é uma das artistas Naïf em exposição no Sátão. Retrata espaços interiores e a realeza em pinturas que não são “de grandes dimensões, mas de grande conteúdo”.

Morreu a artista iraniana Marjane Satrapi, a sua força e mensagem persistem

4 June 2026 at 14:49

A morte da iraniana Marjane Satrapi chegou-nos quinta-feira, 4 de junho de 2026, em Paris. Tinha 56 anos e as pessoas que lhe são mais próximas fizeram saber, em comunicado, que “morreu de tristeza pouco mais de um ano após a morte de Mattias Ripa, o seu marido e o amor da sua vida.” O produtor, ator e argumentista, companheiro de vida, morreu a 8 de abril de 2025.

Porquê falar de Marjane Satrapi, ainda que a razão seja o seu desaparecimento? Autora, artista visual e encenadora, iraniana de nascimento, exilou-se em França e é um nome que marcou toda uma geração com a sua obra-prima autobiográfica “Persepolis”, publicada em quatro volumes pela L’Association entre 2000 e 2003, e traduzida em português.

Uma história a preto e branco que se tornou uma obra de culto, onde relata a sua infância em Teerão durante a Revolução Islâmica, a repressão imposta pelo regime dos aiatolas e o doloroso exílio na Europa. O que não se sabia sobre o Irão foi partilhado com o mundo através do traço e do texto de Marjane, que abriu “possibilidades” às mulheres iranianas.

Da banda desenhada passou ao cinema e à pintura. Em 2007, adaptou “Persepolis” para o cinema com Vincent Paronnaud. O filme de animação venceu o Prémio do Júri no Festival de Cannes e dois Prémios César em 2008. “Mesmo que este filme seja universal, quero dedicá-lo a todos os iranianos”, declarou Marjane Satrapi, que nunca deixou de denunciar a violência e censura exercidas pela República Islâmica do Irão.

Nascida a 22 de novembro de 1969 em Rasht, no Irão, chegou a França em 1994 e naturalizou-se francesa em 2006. A sua voz singular fez-se ouvir através de um ‘mix’ de humor negro e de narrativa íntima. Não foi “Persépolis” que levou o seu nome a todo o mundo. Foi “Chicken with Plums” (2004), galardoada com o prémio de melhor álbum no festival de Angoulême em 2005, que depois veio a transformar num filme live-action em 2011. Depois, afastou-se gradualmente da banda desenhada e dedicou-se ao cinema e à pintura.

A galeria Françoise Livinec, em Paris, apresentou em 2020 uma exposição intitulada “Mulheres ou nada”, na qual revelou cerca de quinze pinturas numa gama cromática reduzida e perturbante. Em vermelho, azul, rosa e preto, Marjane Satrapi retratou mulheres de beleza “feroz”, inspiradas pelas memórias da sua infância “para as tornar eternas, para não as esquecer”. Um compromisso inabalável. Palavra de Marjane.

Nos últimos anos, a sua voz tornou-se ainda mais política. Após o assassinato de Mahsa Amini pela “polícia damoralidade”, em setembro de 2022, a artista coordenou uma obra coletiva (Femme Vie Liberté, publicada pela “L’Iconoclaste”) que reuniu investigadores e autores de banda desenhada em apoio à revolta iraniana. A capa, que desenhou na urgência dos acontecimentos, impôs-se imediatamente como uma imagem poderosa: o rosto de uma revolta carregada por mulheres iranianas e um símbolo de solidariedade em todo o mundo.

No início de 2025, Marjane Satrapi recusou a Legião de Honra “por princípio” e como sinal de apoio à juventude iraniana reprimida. “Durante algum tempo, tive mesmo dificuldade em compreender a política da França em relação ao Irão”, confidenciou então. Em fevereiro deste ano, a Académie des Beaux-Arts – da qual era membro desde 2024 na secção de cinema e audiovisual – anunciou a criação da Fundação Matias e Marjane Ripa-Satrapi para o Cinema, destinada a ajudar estudantes estrangeiros que escolham Paris para estudar cinema.

“Persépolis”, essa novela gráfica inesquecível, lembrar-nos-á sempre que Marjane Satrapi transformou a intimidade num ato político.

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