Mulher que fingiu ser criança em SC passará por teste de insanidade mental
A mulher de 37 anos que se passou por uma adolescente de 12 anos e viveu como filha adotiva de uma família em Joinville, no norte de Santa Catarina, passará por um exame de insanidade mental. A realização da perícia foi determinada pela Justiça Catarinense e está marcada para o dia 26 de junho.
A medida atende ao pedido da defesa e prevê a realização de um exame médico para verificar se ela possui capacidade de responder ao processo penal. Ela virou ré nesta terça-feira (9), por estelionato e falsa identidade.
No entanto, se for constatado que a mulher não tinha entendimento sobre seus atos na época dos fatos, o resultado poderá influenciar diretamente os rumos da condenação, prevendo a aplicação de medida de segurança em vez de pena privativa de liberdade.
Denominada como “Gabriele Ferreira dos Santos”, a farsa dela foi descoberta no último dia 2 de junho, após uma familiar estranhar o caso e a denunciar para a Polícia. Ela foi presa e, em interrogatório policial, confessou todos os crimes.
Como ela se passava por uma adolescente
A mulher residia com os pais adotivos há aproximadamente 14 meses e, ao longo desse período, apresentava comportamentos infantilizados e lúdicos, utilizando mamadeiras, chupetas e um “cheirinho” para dormir frequente.
De acordo com o delegado Rodrigo Bueno Gusso, ela tinha um quarto só dela, todo pintado de rosa e com adereços para crianças. A infratora fingia também sofrer crises de pânico, inseguranças para dormir sozinha e pedia para a mãe adotiva a colocasse na cama.
Segundo a Polícia Civil, a mulher sustentava o disfarce sob a alegação de ser portadora de autismo e de outras condições clínicas, o que fazia com que seus traços aparentassem ser de uma pessoa mais velha.
A mulher ainda de justificava sua aparência de adulta dizendo que seus traços eram decorrentes da utilização de hormônios de forma forçada durante a infância.
Ela afirmava à família adotiva ter sido submetida à prostituição durante a infância, inclusive sendo obrigada a tomar hormônios. De acordo com a corporação, esses alegações fez com que a família acreditasse na investigada.
Adoção nunca foi formalizada; entenda
De acordo com os investigadores, a adoção nunca foi formalizada pelos meios legais, como previsto na legislação. Em depoimento, os familiares relataram que tentaram iniciar os procedimentos necessários e chegaram, inclusive, a tentar matricular a suposta adolescente em uma instituição de ensino.
No entanto, segundo a polícia, a mulher tentava impedir o avanço do processo. Ela alegava que uma adoção formal comunicaria sua localização ao pai biológico e que, por isso, teria medo.
Como o crime foi descoberto?
O crime foi descoberto após uma tia, que pertencia à família adotiva da mulher, procurar a polícia. Ela e o pai adotivo da suspeita realizaram pesquisas na internet e constataram que a mulher já havia cometido o mesmo crime em ao menos cinco estados diferentes.
Durante as investigações, a Polícia Civil identificou a verdadeira identidade da suspeita e constatou que ela possuía registros de ocorrências em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.
Ela está presa desde 2 de junho.
*Sob supervisão de AR.
