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Presidente de Cuba vê risco de conflito armado com os EUA

9 June 2026 at 23:49

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, disse que vê três possíveis cenários que o governo dos EUA está planejando para o futuro imediato do país: agitação social, diálogo coercitivo para assumir o controle da economia cubana ou conflito armado.

Ele fez essa declaração na última quinta-feira (4), em entrevista ao eldiario.es, cuja transcrição também foi publicada na segunda-feira (8) pelo governo cubano.

Díaz-Canel falou sobre a pressão que os Estados Unidos vêm exercendo sobre a ilha há meses, pressão essa que se intensificou nas últimas semanas com mais sanções, a acusação contra Raúl Castro e o risco de um possível ataque.

“Nunca ameaçamos ninguém. No entanto, a agressão contra Cuba está cada vez mais presente na retórica dos porta-vozes do governo dos EUA. Essa retórica está se intensificando cada vez mais”, disse o presidente em um extenso relatório publicado na quinta-feira.

A CNN enviou um pedido de comentário ao Departamento de Estado dos EUA sobre essas declarações do presidente cubano e aguarda uma resposta.

Tanto Donald Trump quanto membros de sua administração afirmaram em diversas ocasiões que a mudança de regime é necessária em Cuba, e o presidente americano chegou a não descartar a possibilidade de “assumir o controle” do país.

Na semana passada, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, referiu-se a Havana como “uma base de operações avançada para guerra irregular global” contra os interesses dos EUA.

Nesse contexto, segundo Díaz-Canel, o governo dos EUA está seguindo três cenários: primeiro, um de “estrangulamento econômico”, cujo objetivo é “provocar agitação social, e que essa agitação social lhes dê a oportunidade, sob o pretexto de ajuda humanitária, de intervir no país”.

A escassez de petróleo afetou Cuba desde que o país perdeu os carregamentos da Venezuela, seu principal fornecedor, e os EUA também ameaçaram impor tarifas adicionais a países que fornecem petróleo a Cuba direta ou indiretamente.

Isso aprofundou e acelerou a crise no país, que se deteriora ainda mais sob a pressão dos EUA. Os impactos são evidentes na falta de eletricidade, gasolina, serviços médicos e até mesmo serviços públicos essenciais.

O segundo cenário, diz Díaz-Canel, é continuar um diálogo “coercitivo” com Cuba, “de pressão máxima, para assumir o controle da economia cubana, para ocupar economicamente o país, e que isso lhes daria a oportunidade de provocar uma mudança no sistema político”.

Essa mudança no sistema político, afirma ele, “é a grande aspiração” dos Estados Unidos.

Para o presidente cubano, o terceiro cenário é o de uma agressão militar, e ele afirma que, nesse caso, a ilha está se preparando para oferecer resistência.

“Temos o direito de nos defender, de nos prepararmos para nos defender, para que não haja surpresas e para que não haja derrota”, afirmou.

Nesse momento, Díaz-Canel citou o exemplo dos 32 agentes cubanos que morreram em 3 de janeiro durante o ataque dos EUA em Caracas, no qual o presidente Nicolás Maduro foi detido e capturado. Eram agentes cubanos que desempenhavam funções de defesa e proteção na Venezuela e que “heroicamente deram suas vidas defendendo seus princípios”.

“Se 32 cubanos foram capazes de confrontar de surpresa uma força de elite dos EUA, que os superava em número e tecnologia, o que não fariam milhões de cubanos dispostos a defender a Revolução, a defender a soberania, a defender a independência e a manter a autodeterminação que temos neste país?”, comentou o presidente cubano na entrevista.

Um exemplo claro da argumentação de Díaz-Canel ocorreu em março, quando o governo cubano presenteou o cantor e compositor cubano Silvio Rodríguez com um fuzil AKM e uma réplica da mesma arma por sua “disposição patriótica” em defender o país. “Assim como ele, milhões de cubanos não abandonarão seu país”, declarou a Presidência cubana na ocasião, em referência à homenagem.

Díaz-Canel vê uma ligação direta entre o que está acontecendo em Cuba e o que já ocorreu na Venezuela com as ações dos Estados Unidos, e afirma que se trata de uma guerra “ideológica, cultural e midiática”.

Como reiterou nos últimos meses, Díaz-Canel afirmou que estão dispostos a manter um diálogo com o governo Trump para fortalecer os laços comerciais e culturais, mas que essa disposição tem um limite: deve ser um diálogo “sem pressão” e sem condições para a mudança do sistema político.

Apagão e bloqueio de petróleo: O que está acontecendo em Cuba?

Trump paves the way for US companies to enter Cuba

The Four Points by Sheraton hotel in Havana (Cuba), managed by Marriott from 2016 to 2020, in an image provided by the current operator.

The executive order issued by the White House on May 1 has shaken Cuba’s foundations. The United States decided to tighten the noose around an economy that was already in intensive care even before the new sanctions that took effect on Friday, or the oil blockade implemented earlier this year. Washington’s threat to freeze assets on U.S. territory of any foreign company or individual doing business with the Cuban regime — especially with the vast portfolio of businesses held by Gaesa, the military conglomerate that controls half of Cuba’s GDP — has produced its first effects. And once foreign companies withdraw, their replacement by U.S. firms appears to be the next step.

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Trump corners Cuba’s political leadership in a bid to force regime change

5 June 2026 at 07:40

The grill‑strategy is starting to work. With every degree the heat rises, the situation in Cuba — both on the streets and in the regime’s top offices — becomes more and more unbearable. The fall earlier this year of Venezuela’s Nicolás Maduro, Havana’s key ally, and the subsequent energy embargo on the island marked the beginning of a decline that now seems unstoppable.

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© EPV

Billboard with images of Fidel and Raúl Castro and Miguel Díaz‑Canel, in Havana (Cuba), July 2.

Cuba rebate EUA: empresas cubanas foram construídas contra bloqueio

Logo Agência Brasil

O governo de Havana rebateu as acusações recentes dos Estados Unidos (EUA) de que os dirigentes da ilha usam as empresas estatais para enriquecer. Em nota, Cuba afirma que o modelo do Grupo de Administração de Empresas (Gaesa) foi construído para enfrentar a guerra econômica movida por Washington contra a ilha. 

“Seu objetivo sempre foi reunir empresas com capacidade de gerar divisas e recursos que o Estado necessita para manter e desenvolver as conquistas sociais e contribuir para a promoção de setores e ramos da vida nacional”, diz comunicado publicado nessa terça-feira (2). 

Notícias relacionadas:

Havana cita os serviços prestados pela Gaesa, como a construção de mais de 10 mil residências, além de investimentos em educação infantil, para construir a termelétrica de Holguín, obras hidráulicas e as transposições de água que “beneficiaram milhões de cubanos”, além de servir para “sustentar a economia cubana durante os anos da pandemia de Covid-19”.

“A Gaesa não é uma estrutura opaca, nem paralela ao Estado cubano; pelo contrário, tem sido uma resposta articulada e de comprovada eficácia contra o bloqueio econômico que historicamente tentou sufocar a Revolução Cubana”, diz o comunicado oficial.

Havana condena as acusações dos EUA, que teriam o objetivo de “confundir tanto o nosso povo quanto a opinião pública internacional”. Ainda segundo o governo liderado por Miguel Diaz-Canel, a nova investida contra a Gaesa busca afastar atores estrangeiros que realizam negócios com as empresas do grupo.

“O objetivo deliberado é isolar o país diplomática, comercial, financeira e energeticamente; minar a sustentabilidade da nação; condicionar o diálogo; e considerar opções de agressão militar. Precisam construir e consolidar uma narrativa de descrédito reputacional contra todas as instituições que sustentam o nosso projeto social”, conclui o comunicado.

O governo do presidente Donald Trump tem aumentando a pressão sobre a ilha de quase 11 milhões de habitantes, cortando o acesso ao petróleo e aumentando as sanções contra aqueles que comercializam com Cuba.

 

Pessoas se reúnem para pegar água em caminhão-pipa em Havana
19/03/2026 REUTERS/Norlys Perez Pessoas se reúnem para pegar água em caminhão-pipa em Havana
19/03/2026 REUTERS/Norlys Perez
Cubanos se reúnem para pegar água em caminhão-pipa em Havana 19/03/2026 REUTERS/Norlys Perez - Reuters/Norlys Perez/Proibida reprodução

No início de maio, após nova Ordem Executiva da Casa Branca, a empresa canadense Sherritt International  abandonou as atividades no país caribenho que mantinha por meio de uma joint venture para mineração de níquel em parceria com a Gaesa. 

A historiadora cubana Caridade Massón Sena, professora visitante na Universidade Federal de Uberlândia (UFB), avaliou que as acusações dos EUA contra a Gaesa são pretextos para derrubar o governo liderado pelo Partido Comunista.

“Eles usam esse pretexto de que os dirigentes da Gaesa roubam Cuba por meio do turismo porque o turismo é um dos setores que mais dinheiro gera no país. E não apresentaram nunca provas disso”, comentou.

Bloqueio econômico

O bloqueio econômico contra Cuba levou a ilha ficar três meses sem receber uma gota de petróleo. As medidas da Casa Branca têm causado aumento dos apagões, a elevação dos preços de produtos básicos, a redução do transporte público e da oferta da cesta básica alimentar subsidiada pelo Estado. Para moradores de Havana consultados pela Agência Brasil, esse é o pior momento do país.  

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“A Gaesa não é uma estrutura opaca, nem paralela ao Estado cubano; pelo contrário, tem sido uma resposta articulada e de comprovada eficácia contra o bloqueio econômico que historicamente tentou sufocar a Revolução Cubana”, diz o comunicado oficial.

Havana condena as acusações dos EUA, que teriam o objetivo de “confundir tanto o nosso povo quanto a opinião pública internacional”. Ainda segundo o governo liderado por Miguel Diaz-Canel, a nova investida contra a Gaesa busca afastar atores estrangeiros que realizam negócios com as empresas do grupo.

“O objetivo deliberado é isolar o país diplomática, comercial, financeira e energeticamente; minar a sustentabilidade da nação; condicionar o diálogo; e considerar opções de agressão militar. Precisam construir e consolidar uma narrativa de descrédito reputacional contra todas as instituições que sustentam o nosso projeto social”, conclui o comunicado.

O governo do presidente Donald Trump tem aumentando a pressão sobre a ilha de quase 11 milhões de habitantes, cortando o acesso ao petróleo e aumentando as sanções contra aqueles que comercializam com Cuba.

 

Pessoas se reúnem para pegar água em caminhão-pipa em Havana
19/03/2026 REUTERS/Norlys Perez Pessoas se reúnem para pegar água em caminhão-pipa em Havana
19/03/2026 REUTERS/Norlys Perez
Cubanos se reúnem para pegar água em caminhão-pipa em Havana 19/03/2026 REUTERS/Norlys Perez - Reuters/Norlys Perez/Proibida reprodução

No início de maio, após nova Ordem Executiva da Casa Branca, a empresa canadense Sherritt International  abandonou as atividades no país caribenho que mantinha por meio de uma joint venture para mineração de níquel em parceria com a Gaesa. 

A historiadora cubana Caridade Massón Sena, professora visitante na Universidade Federal de Uberlândia (UFB), avaliou que as acusações dos EUA contra a Gaesa são pretextos para derrubar o governo liderado pelo Partido Comunista.

“Eles usam esse pretexto de que os dirigentes da Gaesa roubam Cuba por meio do turismo porque o turismo é um dos setores que mais dinheiro gera no país. E não apresentaram nunca provas disso”, comentou.

Bloqueio econômico

O bloqueio econômico contra Cuba levou a ilha ficar três meses sem receber uma gota de petróleo. As medidas da Casa Branca têm causado aumento dos apagões, a elevação dos preços de produtos básicos, a redução do transporte público e da oferta da cesta básica alimentar subsidiada pelo Estado. Para moradores de Havana consultados pela Agência Brasil, esse é o pior momento do país.  

How Washington delivered the final blow to Cuba’s weakened tourism industry

3 June 2026 at 10:19

The clock keeps ticking. The United States waits patiently after its latest checkmate against Cuba. The move has shaken a country that is already held together by pins, plunged into a severe crisis that has only worsened this year as economic strangulation by Washington intensifies. And all of this is unfolding in the shadow of a possible military intervention. Adding to this climate of extreme tension is an ultimatum: Friday, June 5, 2026. That is the date when a White House executive order of May 1 will take effect. The order threatens to freeze the assets on U.S. soil of any foreign companies or individuals that are still doing business with the Cuban regime.

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© Ernesto Mastrascusa (EFE)

Facade of the Hotel Inglaterra this Monday, in Havana (Cuba).

Obstacles at Spanish consulate in Havana hamper Cuban migrants’ legalization efforts

2 June 2026 at 12:25

The Cuban community in Spain is encountering particular difficulties obtaining copies of their criminal records, a requirement to be eligible for the mass migrant legalization program announced by the Spanish government earlier this year. A perfect storm has left Cubans anxious about whether the documents requested from their country will arrive in time to apply for a residence and work permit in Spain. To the hardships already facing the Caribbean nation — including routine power outages that affect offices and agencies — is added the backlog that the consulate had already been experiencing since an earlier naturalization process opened for children and grandchildren of Spaniards. This has given rise, say some members of the Cuban community, to an underground business selling appointments at the Spanish mission in Havana for anywhere between €200 and €500.

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© GIANLUCA BATTISTA

Long lines to apply for legalization on April 20 at La Farga de L'Hospitalet (Barcelona).
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