Ministra do Trabalho: “Fiquem tranquilos, não há cortes de direitos”

A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, abriu o debate no Parlamento esta quinta-feira, em tom de confronto face aos partidos da esquerda e pedindo aos portugueses que acreditem na bondade do pacote laboral que está em discussão: “Fiquem tranquilos. Ao contrário do que vos quiseram convencer, não há nenhum corte dos direitos dos trabalhadores nesta reforma. Pelo contrário, eles são reforçados”, disse n reunião plenária na Assembleia da República.
“O país habituou-se, habituou-se à estagnação, habituou-se a pensar pequeno, à cauda da Europa”, afirmou a ministra. “A ser ultrapassado por países que entraram na União Europeia muito depois de nós, países que tinham uma qualidade de vida inferior à nossa, mas que hoje nos superam: a Chéquia, a Eslovénia, Malta, Chipre, a Lituânia, a Estónia, Polónia, Hungria e agora a Roménia”.
O país, diz ainda, habituou-se a ouvir “um certo partido garantir que os últimos anos foram de um crescimento áureo, mas agora que está na oposição, subitamente, tudo está mal”. E foi mais longe, apontando o dedo a “partidos com tiques ideológicos de empobrecimento, de conflito, de colocar por sistema trabalhador contra empregador e empregador contra trabalhador, de fascínio pela luta de classes”.
“O PS pede ao Governo que deite a reforma fora e se comece de novo. O PCP, por seu turno, pede que a rasgue. É um dueto nostálgico, que tem consigo evidentemente o histórico da geringonça, logo do neomarxismo e, dizê-lo mesmo, do marxismo-leninismo”, atirou Maria Rosário Ramalho.
A ministra, que diz recusar “cair nas armadilhas do passado”, considera que “é um erro fazer a mesma coisa muitas vezes, mas esperar resultados diferentes” e que “é um erro exigir maior convergência com os salários e as condições de vida do resto da Europa, mas rejeitar as lições que a Europa nos oferece para atingir exatamente esse objetivo”.
“Em 52 anos de democracia, as reformas laborais que verdadeiramente alavancaram ciclos de crescimento e com isso melhoraram as condições de vida das pessoas têm só uma assinatura, que é a assinatura da AD”, defendeu ainda, recordando as reformas de Cavaco Silva, Durão Barroso e Passos Coelho. Neste último caso, considera mesmo que “nos sustenta até hoje”.
Rosário Ramalho argumentou que esta reforma “traz os jovens para o mercado de trabalho, regula os impactos da inteligência artificial nas relações de trabalho, concilia a vida familiar com o sucesso profissional, promove a igualdade entre mulheres e homens trabalhadores e aumenta, em muitíssimos casos, as compensações devidas ao trabalhador”.
Artigo em atualização

