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Comboios no Algarve. Terceiro mundo?

Declaração de interesses: Sou fã de comboios. São mais ecológicos, permitem ir confortavelmente sentado, permitem mexer as pernas e ler enquanto se viaja.

Nestes dias, fui de comboio do Barlavento algarvio até Lisboa no Alfapendular. Sem problemas, partimos e chegámos dentro do horário – o bicho chegou a atingir os 220km/h!

À vinda para cá é que foram elas. O comboio Intercidades vinha de Braga e chegou a Lisboa com meia hora de atraso. Carruagem praticamente cheia, desconfio que éramos dos poucos portugueses, senão os únicos. Pelo caminho, fomos acumulando mais atrasos e chegámos a Tunes cerca de uma hora depois do previsto.

Nunca é demais realçar que Tunes é só o entroncamento ferroviário mais importante do Algarve – e quem vai para o Barlavento desce aqui para apanhar a ligação.

Desembarcados no cais 3 e 4, a pergunta era em qual das linhas vinha o comboio, para prosseguirmos a viagem. Ficamos à espera que a instalação sonora nos desse a dica, mas nada. Confrontados com a interrogação em várias línguas, usamos o inglês de praia, o francês da escola e o português da lusofonia para tentar dar uma resposta – que não tínhamos.

No fim da plataforma de desembarque, lá estava ela, mas em painéis diferentes. Num tinha o horário do comboio que ia para Lagos, com o número da viagem, e, no painel ao lado, tínhamos que pacientemente procurar o número da viagem para ver qual a plataforma.

Deveria haver uma instalação sonora, essencial para informar os passageiros, muitos deles estranhos numa terra estranha e baralhados pelos sucessivos atrasos, quanto tempo ainda vão ter de esperar pelo comboio que os levará ao destino – e onde o apanham.

A referida instalação sonora existe… mas manteve-se estoicamente muda e calada. Assim, dividimos as forças, fiquei no cais do meio e a mulher foi à bilheteira da estação ver se conseguia mais indicações e tentar saber onde era a casa de banho, uma vez que não se via sinalética em lado nenhum.

Dentro da estação, não havia informação, apenas o funcionário que estava de saída lhe confirmou apressadamente que o comboio passaria na linha 1 e lá fomos encaminhando o pessoal para a plataforma certa. Quanto à casa de banho, a resposta foi categórica – não há.

Por acaso havia… mas era privada do bar restaurante, pelo que era necessário fazer alguma despesa para lhe ter acesso. Como estamos numa sociedade concorrencial, os preços eram de estação de serviço de autoestrada.

Continuando sem informação sonora oficial, ficámos num alegre convívio multilingue até que, mais de meia hora depois, lá chegou o comboio, personalizado com os grafitti da ordem. Curiosamente, o destino indicado na frente do dito cujo era… Vila Real de Santo António, em vez de Lagos. Como devem calcular, para o turista é uma confusão tremenda.

Cheios de vergonha alheia face ao triste estado do nosso transporte ferroviário nesta eletrificada linha do Algarve (linha temos, faltam “apenas” os comboios), chegámos finalmente ao destino com hora e meia de atraso.

Se, à partida de Lisboa, descontando o atraso, parece que estamos na Europa, quando chegamos ao Algarve, desculpem e sem querer ofender ninguém, parece que estamos no terceiro mundo ferroviário. E não me refiro apenas ao que pensarão os turistas estrangeiros, também penso naqueles que (tentam) usar o comboio nas suas deslocações frequentes.

Já agora, uma nota de rodapé: Comprar bilhetes no site da CP requer uma boa dose de paciência, insistência e resiliência.

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Cela: Financiamento de renováveis avança em 2025, mas não supera pico

Um estudo realizado pela Cela (Clean Energy Latin America), companhia especializada em assessoria financeira e consultoria estratégica para o setor de transição energética, aponta que o financiamento de fontes renováveis tem crescido, mas ainda se mantém distante do pico histórico registrado em 2022.

Os dados, que englobam o período entre 2019 e 2025, revelam que o último ano registrou uma alta anual de 10,6% no volume de financiamento para projetos de geração renovável no Brasil, somando R$ 36,3 bilhões. Ainda assim, o número fica 22% abaixo do patamar de 2022, que alcançou R$ 46,3 bilhões.

Camila Ramos, CEO da Cela, afirma que os principais desafios que mantêm essa distância entre os cenários de 2022 e 2025 são os juros elevados, o curtailment sem mecanismos de ressarcimento e “um mercado que ainda busca os instrumentos adequados para precificar e contratar a complementaridade entre fontes”.

Variação de financiamento por tecnologia

A Cela destaca que o desempenho não é uniforme entre as modalidades de geração de energia e reflete as dinâmicas e os desafios de cada tecnologia.

O estudo destaca a resiliência da geração distribuída solar após seu ápice há quatro anos.

Essa modalidade apresentou o melhor desempenho entre os sistemas em 2022, sendo responsável, sozinha, por mais de R$ 21,8 bilhões em financiamento para renováveis. Nos anos seguintes, registrou números na faixa de R$ 13 bilhões a R$ 14,7 bilhões.

Segundo o estudo, o desempenho observado em 2022 ocorreu em razão do direito adquirido previsto na Lei 14.300, que instituiu o marco legal da micro e minigeração distribuída e determinou que os produtores que protocolassem pedidos de conexão até janeiro de 2023 permaneceriam sob as regras antigas de compensação tarifária até 2045, gerando uma corrida pela tecnologia.

Já a resiliência seria explicada pelo menor impacto da nova regulação graças à simultaneidade entre geração e consumo, mantendo a modalidade mais atrativa ao consumidor, além da carteira remanescente de projetos remotos com direito adquirido. Trata-se de usinas de geração compartilhada e de autoconsumo remoto protocoladas antes de janeiro de 2023 e que seguem sendo financiadas.

As grandes usinas fotovoltaicas, por sua vez, recuaram de R$ 15,1 bilhões registrados em 2022 para R$ 9 bilhões em 2025.

O levantamento atribui a queda à alta da Selic, que elevou significativamente o custo de capital dos projetos, e à produção concentrada no período diurno, que provoca excesso de oferta e pressão sobre os preços da energia. O cenário é agravado pelo curtailment e pela ausência de mecanismos de ressarcimento.

A Cela aponta que, em média, 17,1% das usinas foram atingidas por curtailment entre abril de 2024 e março de 2025, o que, somado à ausência de mecanismos de compensação pelos cortes forçados, se tornou um dos principais entraves para essa fonte de geração.

O financiamento de energia eólica registrou R$ 12,5 bilhões em 2025, após ter alcançado R$ 8,9 bilhões em 2024, o menor valor da série histórica, período também marcado pelos juros elevados e pelo curtailment. A consultoria destaca que o mercado livre de energia e a autoprodução ampliaram a base de projetos viáveis fora do ambiente regulado.

A energia eólica também passou a ocupar um papel estratégico na composição de contratos do mercado livre e passou a ser procurada por consumidores interessados em compor portfólios capazes de entregar energia de forma mais constante ao longo do dia.

Os financiamentos em BESS (Battery Energy Storage System) atingiram R$ 126 milhões em 2025, um crescimento em comparação com os R$ 117 milhões de 2024, mas ainda distante do maior número registrado pela tecnologia, que foi de R$ 280 milhões em 2023.

Ainda assim, a pesquisa aponta que a irregularidade dos mecanismos de captação de recursos para esses projetos, somada à redução drástica dos custos dos sistemas de armazenamento — que recuaram 90% desde 2010 —, faz com que os dados não reflitam plenamente o desenvolvimento da tecnologia. Além disso, parte relevante dos sistemas contratados ainda está incluída nas linhas de financiamento fotovoltaico.

O documento também destaca que os primeiros leilões dedicados exclusivamente ao armazenamento podem ser realizados ainda em 2026, o que pode inaugurar uma nova fase para a tecnologia, com impacto direto nos volumes de financiamento.

A CEO da consultoria avalia ainda que a energia eólica e os sistemas de armazenamento vêm ganhando um papel estratégico no setor elétrico, ao se mostrarem capazes de solucionar desafios da rede. Segundo ela, essa tendência deve se refletir nos volumes de financiamento dos próximos anos.

Demanda por energia aumentará 25% até 2034, diz governo

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Los últimos días de Alligator Alcatraz, el símbolo de la ofensiva migratoria de Trump

El mensaje apareció el domingo pasado en un grupo de WhatsApp de familiares de inmigrantes detenidos en Alligator Alcatraz, en los Everglades, al oeste de Miami. “¡No hay Bravo! Todos están en Alfa ya. ¡No hay Bravo!“, escribió una mujer cuyo esposo lleva cinco meses detenido en el remoto lugar y pidió no ser identificada por temor a represalias. Bravo y Alfa son los nombres internos de los dos sectores en que se dividían las celdas del centro.

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Personas asisten a una vigilia frente a la entrada de Alligator Alcatraz, en Ochopee, Florida, en noviembre de 2025.

© Rebecca Blackwell (AP)

Centro de detención Alligator Alcatraz, en los Everglades de Florida, el 4 de julio de 2025.
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