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Condenado pelo STF, Eduardo diz que qualquer sentença contra ele é “nula”

Após ser condenado pela Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) nesta terça-feira (16) pelo crime de coação, ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) disse que qualquer sentença contra ele é “nula” e reiterou que não foi notificado oficialmente sobre o processo.

“O real objetivo deste julgamento sem pé nem cabeça é apenas um: tirar meu nome das eleições”, escreveu o ex-deputado. Em nota, Eduardo também fez críticas ao relator do processo no STF, ministro Alexandre de Moraes, dizendo que o magistrado é “vítima e juiz do mesmo caso” mais uma vez.

“Tomo ciência dos fatos pelos jornais, e conhecer a acusação por reportagem não substitui a citação prevista em lei e nos acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário. Moraes pode não gostar, mas não pode escolher quando segui-los. Mais uma vez, é vítima e juiz do mesmo caso, e é por isso que o Brasil passa vergonha internacional de forma recorrente”, apontou.

Eduardo finalizou a nota dizendo que tem confiança na “restauração da democracia brasileira” com a vitória do irmão Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas eleições presidenciais deste ano. Segundo o ex-parlamentar, isso permitirá que as centenas de “exilados” possam, enfim, retornar à sua pátria. Atualmente, o antigo deputado federal vive nos Estados Unidos.

Condenação no STF

A Primeira Turma do STF condenou, por unanimidade, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro pelo crime de coação no curso do processo. Votaram pela condenação os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino. A pena foi fixada em 4 anos e 2 meses de prisão, acrescido de multa.

O colegiado concluiu que o parlamentar atuou junto a autoridades dos Estados Unidos para pressionar integrantes da Corte e tentar interferir nos processos relacionados à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, com o objetivo de beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu pai.

Relator da ação, Moraes afirmou que as articulações de Eduardo com autoridades nos EUA, entre elas o próprio presidente Donald Trump, e a defesa de sanções contra integrantes do STF e contra o Brasil extrapolaram os limites da atuação política e configuraram grave ameaça às instituições judiciárias e ao governo brasileiro.

Segundo o ministro, a “desinformação” levada às autoridades americanas produziu consequências concretas para o país, entre elas a imposição de sobretaxas sobre produtos brasileiros. Moraes afirmou ainda que não cabe a um deputado fazer “lobby” no exterior contra os interesses do próprio Brasil.

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Vorcaro bancou suítes em hotel de Lisboa para Hugo Motta e Ciro Nogueira

Conversas encontradas pela PF (Polícia Federal) no celular de Daniel Vorcaro mostram que o ex-banqueiro solicitou reservas ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), em um hotel de Lisboa, Portugal, em junho de 2024, para um encontro com políticos na cidade portuguesa.

Segundo as investigações, o antigo dono do Banco Master enviou uma mensagem para Léo Serrano, identificado como um dos intermediários das operações de Vorcaro, em 18 de junho daquele ano. Ele solicita um quarto para ele próprio, além de “Ciro” e “Hugo”. A PF alega que os nomes mencionados se referem, de fato, aos parlamentares.

Dias depois, Serrano responde a demanda e diz: “Ciro e Hugo cada um tem uma JR. Suite”. O quarto teria sido reservado no hotel Four Seasons, de acordo com as investigações. Após o relato, Vorcaro encaminhou mensagem de áudio demonstrando preocupação com a privacidade do encontro, chegando a pedir que o local da frente do hotel também fosse reservado para evitar que o interior da reunião fosse visualizado.

Na sequência, o intermediário pergunta se o ex-banqueiro tinha acesso ao que chamou de “lista de homens”. Vorcaro repassa, então, uma relação de nomes e acrescenta que os demais convidados seriam informados posteriormente. “A lista apresentada por Daniel Bueno Vorcaro demonstra que as referências a ‘Ciro e Hugo’, para os quais foi solicitada a reserva de quartos, dizem respeito a Ciro Nogueira e Hugo Motta”, afirma a PF.

A investigação encontrou documentos que detalham os valores gastos com os serviços prestados durante a viagem a Lisboa. De acordo com a PF, foram gastos R$ 91,2 mil em cinco diárias atribuídas a Ciro Nogueira.

“Considerando a cotação do euro na data de 24 de junho de 2024, o valor correspondente à reserva de cinco diárias atribuída a Ciro Nogueira totalizou R$ 91.280,59, resultando em um custo diário aproximado de R$ 18.256,12”, descreve a PF.

Os documentos obtidos pela CNN não detalham individualmente os gastos atribuídos a Hugo Motta.

Para a corporação, os arquivos possuem “elementos coincidentes” que reforçam a conclusão de que os pagamentos se referem à hospedagem dos políticos. Houve, segundo os achados da Polícia Federal, uma despesa registrada relativa a diárias no mesmo hotel indicado por Serrano.

As informações foram tornadas pública nesta terça-feira (16) pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), pouco depois de o ministro Gilmar Mendes marcar o julgamento sobre a prisão de Henrique e Felipe Vorcaro, pai e primo de Daniel, respectivamente

Nesta tarde, o presidente da Câmara dos Deputados se manifestou sobre o assunto em uma fala à imprensa. Motta disse que particiopu de um “evento corporativo” e que tem “muita tranquilidade”.

“Não via problemas porque é um evento corporativo, eu participei esse ano como presidente da Câmara. Tudo está sendo apurado. Eu sempre fui a favor da transparência e as investigações vão acontecer”, declarou o deputado.

A CNN buscou manifestações da defesa de Ciro Nogueira. Não houve resposta até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.

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PF: Vorcaro teria pago R$ 350 mil a Ciro Nogueira em avião com “Beto Louco”

De acordo com a PF (Polícia Federal), conversas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel indicam o pagamento de R$ 350 mil em espécie para o senador Ciro Nogueira (PP-PI).

A entrega do dinheiro, sugerem as mensagens, ocorreu por meio de uma aeronave que, inclusive, foi utilizada pelo ex-dono do Master dias antes do suposto repasse ao parlamentar.

 

A investigação da PF reforçou que o piloto do voo teria indicado que transportou uma sacola com dinheiro e dentre os passageiros estaria “Roberto Leme”, que as apurações apontam como possível citação ao empresário conhecido como “Beto Louco”, suspeito de liderar um esquema bilionário de lavagem de dinheiro na Operação Carbono Oculto.

O piloto teria informado que ouviu o passageiro mencionar o nome de Ciro Nogueira, dizendo que tudo estava certo e que o parlamentar já estava esperando. Para a PF, os acontecimentos, ocorridos em agosto de 2024, “indica fortemente a prática dos crimes de corrupção passiva e ativa”.

As informações foram tornada pública nesta terça-feira (16) pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), pouco depois de o ministro Gilmar Mendes marcar o julgamento sobre a prisão de Henrique e Felipe Vorcaro, pai e primo de Daniel, respectivamente.

A CNN Brasil buscou manifestações da defesa de Ciro Nogueira. Não houve resposta até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.

Mensagens entre Vorcaro e Zettel

Vorcaro aciona o cunhado, dizendo “resolve ciro” e pedindo para “mandar lá agora”. Zettel encaminha os pagamentos pendentes em que há a inscrição “Espécie Ciro 350k”.

O ex-banqueiro diz que o dinheiro para o pagamento está “indo”, ao menos em parte, e reforça a ordem para que “ciro” seja pago em espécie. No mesmo dia em que houve a conversa, o avião usado por Daniel Vorcaro faz um trajeto São Paulo–Brasília, com escala no Rio de Janeiro.

Além disso, a PF também encontrou outras mensagens no celular do antigo dono do Master que demonstrava o uso pelo banqueiro da mesma aeronave em questão para viagens de seu interesse.

Vorcaro monitorava eventual investigação

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro contava com a ajuda de Marilson Roseno da Silva, então escrivão da Polícia Federal, para monitorar eventual investigação contra sua atuação enquanto dono do Banco Master desde agosto de 2021.

Um relatório produzido pela PF aponta que Silva usava o sistema interno da polícia para fazer buscas relacionadas a Vorcaro e seus aliados para identificar se havia alguma apuração em curso contra eles.

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