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Papa aponta “verdade, justiça e reparação” como resposta a abusos sexuais na Igreja

VTM

“Perante esta chaga, a comunidade eclesial é chamada a responder com a escuta, a verdade, a justiça, a reparação e um compromisso cada vez mais decidido na prevenção e na cultura do cuidado”, afirmou Leão XIV, acrescentando que “cada pessoa ferida deve poder encontrar uma escuta sincera, acolhimento, proteção e caminhos reais de cura”.

O Papa assumiu que esta é uma das “situações mais dolorosas” que atinge a Igreja Católica, dirigindo a sua palavra a todos os que “foram feridos precisamente por quem deveria cuidar deles, incluindo membros do clero”.

Leão XIV está de visita ao território espanhol até sexta-feira (12 de junho), cumprindo um roteiro com passagens por Madrid, Barcelona, Las Palmas de Gran Canária e Santa Cruz de Tenerife. Durante a visita, o Papa vai reunir-se com vítimas de abusos sexuais durante a viagem apostólica a Espanha.

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A Encíclica “Magnifica Humanitas”

VTM

É um texto longo, que merece uma leitura paciente e pausada nos próximos tempos, onde o Papa aborda as novas questões sociais que se levantam na atualidade, onde há o sério risco de se degradar ou diluir a pessoa humana, nomeadamente com o uso pouco ético, ponderado e criterioso da ferramenta poderosa e extraordinária que é a inteligência artificial, usada já em vários âmbitos da vida humana.

Alguns já insinuaram que mais uma vez a Igreja parece estar contra o progresso e o desenvolvimento, o que não é verdade, empresa que se revelaria, aliás, inglória e infrutífera, como quando se quer parar o vento com as mãos. O Papa não diaboliza a inteligência artificial, mais do que uma vez elogia o contributo importante que teve o progresso científico e tecnológico ao longo da história, permitindo uma melhoria significativa e assinalável na qualidade de vida do ser humano. A tecnologia é boa, é bem-vinda, contudo é preciso saber usá-la de forma responsável ao serviço da pessoa humana e do bem comum de toda a humanidade. Esta é, aliás, a ideia mestra desta Encíclica: no centro da vida deve estar a pessoa humana, sempre o respeito pelo humano, a humanidade, e não ferramentas que a possam substituir, distorcer ou apagar, como é a inteligência artificial.

São muitos os desafios que a inteligência artificial coloca à humanidade, que exigem uma séria reflexão. Primeiro que tudo, está nas mãos de poucos, que se estão a tornar cada vez mais poderosos, cujo conceito de bem e de mal desconhecemos, assim como intenções e interesses. Muito poder nas mãos de poucos não é bom para a humanidade. Depois, ninguém tem dúvidas de que a inteligência artificial vai tirar muitos empregos. O que fazer com muito trabalhador que não tem emprego? Para onde direcionar a ação humana e que outras formas de sustento haverá para a pessoa humana? No campo da informação, de forma traiçoeira, vemos proliferar muita notícia falsa e a engorda da manipulação. Como salvaguardar a verdade? No âmbito da ética, a inteligência artificial não sabe o que é o bem e o que é o mal. Não pode ter um protagonismo excessivo nas decisões da humanidade. E como usá-la corretamente no contexto da guerra, retirando o ser humano de cena, favorecendo a ideia de guerra justa e a desresponsabilização humana? Eis alguns desafios, que pedem reflexão ética.

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Leão XIV nas Canárias com foco na crise migratória

Périplo de dois dias pelas Canárias é o culminar da viagem a Espanha do Papa Leão XIV. Líder da Igreja Católica já alertou para o "trágico drama migratório" que deve agitar "a consciência das nações"

© Siu Wu/EPA

Durante os dois dias que estará nas Canárias, Leão XIV vai encontrar-se com imigrantes e com organizações não-governamentais e outras entidades e autoridades que resgatam e acolhem pessoas que viajam em embarcações precárias
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Em Barcelona, Papa Leão XIV homenageia "venerável" Gaudí

Estiveram na cerimónia na Sagrada Família as máximas autoridades da Catalunha e do Estado espanhol, como os Reis de Espanha, Felipe VI, e o primeiro-ministro, Pedro Sánchez.

© Quique Garcia/EPA

O Papa está em Espanha desde sábado e, depois de ter passado por Madrid e Barcelona, segue na quinta-feira para as ilhas Canárias, onde a agenda de dois dias está totalmente focada no fenómeno das 'pateras' ou 'cayucos', as embarcações precárias em que milhares de migrantes tentam alcançar anualmente as costas do arquipélago espanhol
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Homem morto a tiro a um quilómetro de percurso do Papa

Vítima de cerca de 40 anos foi atingida na cabeça e morreu no local, perto do percurso por onde Papa vai passar. É o segundo assassinato em Barcelona numa semana.

© PEDRO ARMESTRE/AFP/GettyImages

Os "Mossos d'Esquadra" estão a investigar as circunstâncias do assassinato
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Depois dos rumores, aconteceu mesmo: Papa Leão XIV reúne-se com Bad Bunny

Já se podem terminar as teorias da conspiração sobre um possível encontro entre o Papa Leão XIV e Bad Bunny. Reunidos em Espanha por coincidência divina ou por mera coordenação de agendas, o pontífice e o cantor porto-riquenho encontraram-se, falaram e tiraram uma única foto oficial. Recordação esta que não tem data para ver a luz do dia.

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De Leão XIII a Leão XIV – a Encíclica Magnifica Humanitas

Mesmo quem não é católico praticante, mas se interessa pelos problemas sociais e políticos dos tempos em que se vive, facilmente toma conhecimento da sábia consciência com que a Igreja Católica, velha de muitos séculos, lida com as gerações em cada época. 

E se deu azo a períodos de grande asfixia das populações, isso ocorre sempre que os padres, seja de que religião for, acedem ao Poder.

Fora desses períodos, a figura dos Papas escolhidos teve sempre a ver com a realidade de cada tempo.

No conturbado século XIX   – nós achamos que este nosso século é especialmente conflituoso, mas também o século XIX o foi – ganhou relevância o Papa Leão XIII, quando publicou, em 1891, a sua Rerum Novarum. É forçoso ler aquele documento para quem quiser entender o que se passou daí em diante em termos politico-ideológicos. 

Naquela Carta Aberta, Leão XIII condena, no mesmo grau, o marxismo-leninismo simplesmente chamado socialismo, uma utopia que, na prática, conduzia à perda da individualidade dos trabalhadores, e o capitalismo liberal, que, com a revolução industrial, era avassalador e, por outros meios, conduzia os trabalhadores a idêntica submissão.

Escreveu então: “recordem-se o rico e o patrão de que explorar a pobreza e a miséria e especular com a inteligência são coisas igualmente reprovadas pelas leis divinas e humanas”; mas também: “…os socialistas, para curar este mal, instigam nos pobres o ódio invejoso contra os que possuem e pretendem que toda a propriedade de bens particulares deve ser suprimida...”

Ninguém se convença que foi por acaso que, a seguir a um Papa como foi Francisco, a Igreja escolheu um outro Papa que retoma o nome de Leão  talvez as contradições e acções lesivas da dignidade humana e de uns povos contra outros exija este Papa.

E a encíclica Magnifica Humanitas, que saiu no dia 15 de Maio, merece ser lida por quem se interessa pelos problemas que afectam o nosso mundo, o caos que campeia em muitas regiões assoladas pela guerra e a falta de consciência que a maioria dos governantes revela face aos problemas da biodiversidade ameaçada pelas alterações climáticas.

!35 anos após a Rerum Novarum, publicada quando se assumia que uma profunda mudança iria ocorrer no mundo com o comunismo e o liberalismo capitalista, uma nova e profunda transformação já iniciada deixa antever que vai afectar todos os povos do planeta de forma desigual.

Nos últimos anos, tornou-se cada vez mais evidente o quão rápida e profundamente a digitalização, a inteligência artificial e a robótica estão a transformar o nosso mundo” – diz-se na abertura da Enciclica.

Outrora, eram os Estados quem assumia a orientação da vida dos povos, agora, como denuncia Leão XIV, são actores privados, transnacionais, dotados de capacidades superiores às de muitos Governos, pelo mundo fora.

A ideia de um desenvolvimento sustentável pelo qual muitos de nós lutam e sem êxito, também é sinalizado nesta encíclica: “A ideia de um desenvolvimento humano integral, encontra hoje um decisivo critério de avaliação na ecologia integral…”.

Não se pode atribuir ao algoritmo e à IA a definição das nossas vidas, e o documento papal aborda de forma contundente para muitos poderes instituídos, questões como a democracia, a busca pela liberdade, o desemprego como mal muito grave, a dignificação do trabalho, e a guerra que impõe a obrigatoriedade de lutar pela paz.

É um documento não demasiado extenso que merece ser lido por todos, com a certeza de que certos energúmenos, como Putin ou Trump ou Netanyahu, para citar apenas alguns dos mais icónicos. Não vão gostar.  E só isso já é uma consolação.

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Visita e elogios do Papa são bênção peculiar para um Sánchez a lamber as feridas

Os elogios do Papa Leão XIV às posições de Espanha sobre a imigração e os conflitos internacionais surgem numa altura oportuna para Sánchez, que está sob fogo devido a sucessivos escândalos no seu partido. Na sua chegada a Espanha, o Papa Leão XIV teceu vários elogios ao Governo de Madrid e enalteceu a sua “fidelidade ao direito internacional e ao multilateralismo”. “Expresso o meu agradecimento ao vosso país pela fidelidade ao direito internacional e ao multilateralismo, que se traduz num compromisso ativo com a paz e a solidariedade entre os povos”, disse Leão XIV, em castelhano, no primeiro discurso da

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