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Produção de algodão dos EUA deve cair e prejudicar estoque global, diz USDA

A produção de algodão dos Estados Unidos deverá recuar na safra 2026/27, enquanto os estoques globais tendem a encolher diante do crescimento do consumo mundial. As projeções foram divulgadas nesta quinta-feira pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) e reforçam um cenário de oferta mais apertada entre os principais exportadores da fibra, incluindo o Brasil.

Segundo o órgão, a safra norte-americana está estimada em 2,90 milhões de toneladas, queda de cerca de 4% em relação às 3,03 milhões de toneladas produzidas em 2025/26.

A redução ocorre apesar de uma ligeira melhora na produtividade, uma vez que a área efetivamente colhida deve ser menor devido à taxa de abandono das lavouras.

Mesmo com a produção menor, as exportações dos Estados Unidos devem crescer para 2,68 milhões de toneladas, impulsionadas pela expectativa de maior demanda global.

Com isso, os estoques finais do país deverão recuar para 849 mil toneladas, cerca de 11% abaixo do ciclo anterior.

O USDA também projeta um aperto nos estoques mundiais de algodão. Os volumes de passagem ao final da safra 2026/27 foram estimados em 15,63 milhões de toneladas, queda de 7% em relação à temporada anterior.

De acordo com o relatório, além da influência da pluma americana, a redução dos estoques será puxada principalmente por Brasil e Austrália, que deverão utilizar parte dos volumes armazenados para sustentar as exportações diante de safras menores. Atualmente, o Brasil é o maior exportador de algodão do mundo.

Índia e China também devem reduzir seus estoques para atender ao consumo doméstico.

Demanda por algodão

Pelo lado da demanda, o consumo global é estimado em 26,5 milhões de toneladas, avanço de 1% sobre a safra anterior. O crescimento será liderado por China, Índia, Bangladesh, Egito, Paquistão e Vietnã, países que concentram parcela significativa da indústria têxtil mundial.

Apesar da expansão do consumo, o comércio internacional deve registrar leve retração, para 9,45 milhões de toneladas, refletindo principalmente a redução das importações pela Índia.

Para o Brasil, o cenário pode ser considerado favorável comercialmente. O país vem ampliando sua participação no mercado internacional e disputa com os Estados Unidos a liderança das exportações globais de algodão, destaca o USDA.

Com estoques mundiais mais apertados e demanda em crescimento, a oferta brasileira ganha relevância para abastecer compradores asiáticos, especialmente em mercados como China, Vietnã, Bangladesh e Paquistão.

O relatório também mostra que os estoques brasileiros deverão diminuir ao longo da próxima temporada para atender aos embarques externos, movimento semelhante ao observado nos Estados Unidos e na Austrália.

Em relação à safra 2025/26, o USDA promoveu apenas um ajuste marginal na produção norte-americana, reduzida para 3,03 milhões de toneladas.

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O agro, o governo e a política da desconfiança

Nos Estados Unidos, na última eleição presidencial os estados agrícolas do meio oeste deram ao presidente Trump uma esmagadora vitória com quase 30 pontos percentuais. Só para comparar, em termos nacionais ele obteve apenas 1,5% de frente.

São majoritariamente republicanos e esses, na escala nacional dão aprovação de 60% a política econômica de Trump, enquanto somados todos os outros espectros da sociedade americana, hoje somam 71% de desaprovação.

O mais impressionante é que os eleitores rurais já não se comportam como os demais republicanos. Eles estão quase tão pessimistas quanto a população em geral: apenas 32% aprovam a gestão econômica de Trump, enquanto 68% desaprovam. Isso apesar dos milhões de dólares em ajuda emergencial, mas que não evitou um aumento de 46% nas falências em 2025, ainda sem os efeitos maléficos da guerra com o Irã em 2026.

Existe um paradoxo semelhante e silencioso atravessando a política brasileira.

Nos últimos anos, um governo historicamente identificado com a esquerda ampliou sucessivamente os recursos do Plano Safra, fortaleceu instrumentos privados de financiamento, expandiu garantias de crédito, acelerou a abertura de mercados internacionais e ajudou a criar condições para que o agronegócio brasileiro continuasse registrando recordes de produção, exportação e geração de divisas.

Ao mesmo tempo, grande parte dos produtores rurais mantém uma postura de profunda resistência política ao próprio governo.

À primeira vista, a situação parece contraditória.

Se interesses econômicos fossem suficientes para moldar preferências políticas, seria razoável esperar uma aproximação entre ambos. Afinal, poucas atividades econômicas receberam tanta atenção da política pública nos últimos 20 anos quanto o agronegócio.

Mas o Brasil contemporâneo tal qual os Estados Unidos estão mostrando exatamente o contrário. E talvez esse seja um dos fenômenos políticos mais reveladores de nosso tempo.

Durante décadas, cientistas políticos, economistas e formuladores de políticas públicas trabalharam com uma premissa relativamente simples: grupos sociais tenderiam a apoiar governos que favorecessem seus interesses econômicos.

Empresários apoiariam governos pró-negócios. Trabalhadores apoiariam governos que ampliassem renda e emprego. Produtores rurais apoiariam governos que fortalecessem a atividade agropecuária.

A realidade, porém, tornou-se mais complexa.

O agronegócio responde hoje por cerca de um quarto da economia brasileira, quase metade das exportações e uma parcela crescente da riqueza gerada em centenas de municípios espalhados pelo interior do país.

Nos últimos anos, os volumes de crédito rural alcançaram patamares históricos. Novos instrumentos privados de financiamento consolidaram-se.

A diplomacia agrícola brasileira abriu dezenas de mercados para carnes, frutas, café, algodão, grãos e produtos processados. O país ampliou sua presença internacional justamente num momento de crescente fragmentação geopolítica do comércio global.

Os resultados econômicos são visíveis.

O setor continua sendo o principal responsável pelo saldo comercial brasileiro, pela entrada de divisas e por uma parte relevante da estabilidade macroeconômica do país, apesar da crise atual envolvendo altíssimos juros e a crise derivada do equilíbrio dos estoques mundiais e das guerras em curso.

Ainda assim, isso não se converte em apoio político. Por quê?

A resposta mais fácil seria atribuir tudo à polarização ideológica. Mas essa explicação é insuficiente. O que está em jogo não é apenas política agrícola. É confiança.

Ao longo dos últimos vinte anos, o agronegócio brasileiro construiu algo muito maior que um setor econômico. Construiu uma identidade.

Uma identidade associada ao empreendedorismo, à inovação tecnológica, à produtividade, à meritocracia, à propriedade privada e à inserção global.

Em muitas regiões do interior, o agro deixou de ser apenas uma atividade econômica. Tornou-se uma visão de mundo.

Nesse ambiente, as decisões políticas passaram a ser influenciadas por fatores que vão muito além do crédito rural, das taxas de juros ou da abertura de mercados.

Questões relacionadas à segurança jurídica, ao direito de propriedade, à legislação ambiental, às demarcações de terras, aos costumes, à religião e ao papel do Estado passaram a ocupar espaço tão ou mais importante do que os próprios resultados econômicos.

A consequência é que benefícios econômicos deixaram de produzir automaticamente apoio político.
Mas existe um segundo paradoxo, menos discutido.

Se parte do agro desconfia do governo, parte das elites políticas, financeiras (“Faria Lima”) e intelectuais brasileiras também parece desconfiar do agro.

Ainda persiste em determinados segmentos urbanos uma visão que associa o setor a estereótipos construídos décadas atrás, ignorando sua profunda transformação tecnológica, empresarial e ambiental.

Ignora-se frequentemente que o Brasil abriga alguns dos sistemas agrícolas mais eficientes do mundo. Ignora-se o papel da pesquisa tropical, da inovação genética, da agricultura de precisão e da integração crescente entre produção e sustentabilidade.

O resultado é uma espécie de incompreensão mútua. De um lado, produtores que frequentemente enxergam ameaças mesmo quando recebem apoio concreto.

Do outro, setores políticos que frequentemente enxergam privilégios onde existem ganhos reais de competitividade.

Ambos reforçam suas próprias narrativas. Ambos alimentam suas próprias desconfianças. Ambos aprofundam a distância.

Talvez o aspecto mais interessante desse fenômeno seja o que ele revela sobre a transformação da política contemporânea.

Durante boa parte do século XX, resultados econômicos eram capazes de construir legitimidade política. Hoje já não são.

Governos podem expandir crédito, criar programas, financiar investimentos, abrir mercados e estimular crescimento econômico sem necessariamente conquistar confiança. Porque confiança e desempenho econômico deixaram de ser a mesma coisa.

A confiança passou a depender de algo mais difícil de construir: previsibilidade, coerência, reconhecimento e pertencimento.

E é justamente aí que surge uma reflexão mais ampla.

Enquanto o Brasil permanece preso a disputas internas entre Estado e setor produtivo, o mundo está se reorganizando rapidamente.

Os Estados Unidos subsidiam sua indústria e protegem sua agricultura, apesar da crise atual. A União Europeia combina apoio produtivo com exigências ambientais crescentes.

A China integra segurança alimentar, política industrial, infraestrutura e geopolítica em uma estratégia nacional de longo prazo. A Índia segue caminho semelhante.

As grandes potências compreenderam que seus setores estratégicos não podem ser tratados como adversários políticos permanentes. Eles precisam ser incorporados a projetos nacionais.

O Brasil, por sua vez, continua oscilando entre a cooperação econômica e a desconfiança política.
Essa talvez seja a verdadeira questão.

Não se trata de saber por que um governo de esquerda não conquista o apoio do agronegócio.

Nem de perguntar por que parte do agronegócio rejeita um governo que amplia crédito e abre mercados. Na crise tanto o governo de direita de Trump quanto o de esquerda de Lula estão recebendo o mesmo tratamento.

A pergunta mais relevante é outra.

Como um país que depende tanto de sua capacidade de produzir alimentos, energia, fibras e soluções ambientais ainda não conseguiu construir uma visão compartilhada sobre um de seus maiores ativos estratégicos?

Porque o maior risco para o Brasil não é a falta de crédito, de mercados ou de tecnologia. É a sua incapacidade de transformar suas vantagens econômicas em consensos nacionais mínimos.

Num mundo cada vez mais marcado pela competição geopolítica, pela disputa por recursos naturais, pela segurança alimentar e pelas novas exigências ambientais, países que conseguem alinhar Estado, sociedade e setores estratégicos ampliam sua influência.

Os que permanecem presos à polarização desperdiçam oportunidades, e é isso que tristemente assistimos minuto a minuto no Brasil.

O agronegócio brasileiro tanto quanto o americano continua produzindo riqueza em escala global.

A dúvida é se o Brasil conseguirá produzir, na mesma escala, algo ainda mais valioso: confiança. O Estados Unidos está perdendo essa em escala global, não seria essa nossa maior oportunidade?

Precisamos começar aqui dentro.

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Acelen faz parceria com setor aéreo em projeto bilionário de SAF de macaúba

A Acelen Renováveis e a IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo) assinaram uma parceria para ampliar a cooperação em iniciativas voltadas ao desenvolvimento do mercado global de combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês) a partir da macaúba.

Um dos principais objetivos de longo prazo é o avanço da agenda de descarbonização do transporte aéreo.

“Descarbonizar a aviação exigirá inovação, diversificação de matérias-primas e colaboração em toda a cadeia de valor”, afirmou, em nota enviada nesta quarta-feira (10), Patrícia Grossi, responsável pelas áreas de mercado de carbono e assuntos regulatórios da Acelen Renováveis.

De acordo com estimativas da IATA, o SAF poderá responder por cerca de 65% das reduções de emissões necessárias para que o setor aéreo alcance a meta de neutralidade climática até 2050. Para isso, a produção global precisaria atingir aproximadamente 500 milhões de toneladas anuais até meados do século.

Segundo as entidades, a parceria prevê colaboração em temas regulatórios, participação conjunta em fóruns técnicos e grupos de trabalho, além da troca de conhecimento sobre novas rotas tecnológicas e matérias-primas para produção de SAF.

O acordo foi formalizado por meio de um memorando de entendimento assinado durante a Assembleia Geral Anual da IATA e a Cúpula Mundial de Transporte Aéreo (WATS), realizada no Rio de Janeiro. A parceria ocorre em um momento de crescente mobilização do setor aéreo por suprimento de matérias-primas para produção de SAF.

A iniciativa também amplia a visibilidade internacional da macaúba, oleaginosa que integra a estratégia da Acelen Renováveis para produção de combustíveis sustentáveis, destacou o comunicado da companhia.

A empresa, controlada pela Mubadala Capital, aposta na cultura como matéria-prima para abastecer uma futura cadeia de produção de SAF em larga escala no Brasil. Na Bahia, a Acelen Renováveis desenvolve um projeto estimado em mais de US$ 3 bilhões para produção de combustíveis renováveis.

A primeira unidade integrada da companhia prevê capacidade anual de 1 bilhão de litros de SAF e óleo vegetal hidrotratado (HVO), além da implantação de uma cadeia agrícola baseada no cultivo de macaúba em áreas degradadas.

Com a parceria, a empresa disse querer ampliar o diálogo com companhias aéreas, reguladores e formuladores de políticas públicas, em meio à corrida global por novas fontes de matérias-primas sustentáveis para atender às metas de descarbonização do transporte aéreo.

Para a vice-presidente sênior de sustentabilidade e economista-chefe da IATA, Marie Owens Thomsen, a cooperação entre segmentos da indústria será fundamental “para acelerar a oferta e a adoção de combustíveis sustentáveis pela aviação comercial”.

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Senado aprova renegociação de dívidas rurais; Fazenda vê custo de R$ 140 bi

O Senado aprovou nesta quarta-feira (10) o projeto de lei que cria uma linha especial de financiamento para renegociação de dívidas de produtores rurais afetados por eventos climáticos adversos e dificuldades econômicas.

A proposta, que vinha sendo chamada nos bastidores de “Refis do Agro”, mobilizou governo, bancada ruralista e entidades do setor ao longo dos últimos meses.

A proposta foi defendida por parlamentares ligados ao agronegócio como uma alternativa para produtores que acumulam dificuldades após sucessivos eventos climáticos extremos, como secas, enchentes e quebras de safra registradas em diferentes regiões do país nos últimos anos.

Durante a votação, os senadores defenderam a necessidade de socorrer agricultores que acumularam prejuízos em razão de secas, enchentes e outros problemas climáticos registrados nos últimos anos. O projeto foi construído a partir de negociações entre parlamentares e representantes do setor agropecuário.

Após a aprovação, o Ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo participou das discussões e buscou construir consensos em torno da proposta. Segundo ele, o Executivo nunca se posicionou contra o objetivo de apoiar os produtores atingidos por adversidades climáticas.

Apesar disso, Durigan manifestou preocupação com os impactos fiscais da medida. De acordo com estimativas preliminares da equipe econômica, o estoque de operações envolvidas pode alcançar cerca de R$ 200 bilhões. Considerando um custo estimado de 70% para o Tesouro Nacional, o impacto poderia chegar a R$ 140 bilhões ao longo dos próximos anos.

“Ainda não temos o texto final, mas a estimativa que eu tenho é que, conforme o texto estava sendo elaborado no Senado, isso abrange um universo de R$ 200 bilhões em operação, cujo custo para o Tesouro ficou de 70%, o que dá algo de R$ 140 bilhões para o Tesouro Nacional nos próximos anos”, disse Durigan a jornalistas após a aprovação do texto.

O ministro ressaltou ter conversado com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para alertar sobre as preocupações da área econômica.

Na avaliação do Ministério da Fazenda, o custo estimado não é compatível com a situação das contas públicas. Por isso, o governo defende que a proposta seja reavaliada pela Câmara dos Deputados. Durigan afirmou que o Executivo poderá recorrer ao veto presidencial e, se necessário, até mesmo ao STF (Supremo Tribunal Federal).

O ministro também argumentou que o governo busca direcionar os benefícios apenas aos produtores efetivamente afetados pelas perdas climáticas. Segundo ele, agricultores que necessitavam de apoio já estavam sendo atendidos por mecanismos existentes.

Outro ponto levantado pela equipe econômica é o risco de restrição na oferta de crédito rural por parte das instituições financeiras. Segundo Durigan, medidas que ampliem excessivamente os custos para o sistema podem reduzir a disposição dos bancos em conceder novos financiamentos ao setor.

“O que temos alertado é que pode haver restrição de crédito por parte dos bancos, prejudicando os agricultores. Todo mundo tem que ter responsabilidade fiscal”, afirmou o ministro da Fazenda.

Como o texto foi modificado pelos senadores, a proposta retorna à Câmara dos Deputados para nova análise antes de seguir para sanção presidencial.

Segundo o ministro, o Tesouro Nacional não tem capacidade de absorver o impacto total estimado. Por essa razão, o governo federal já considera levar a pauta ao Supremo Tribunal Federal.

proposta aprovada pelo Senado cria uma linha especial para refinanciamento das dívidas de produtores rurais afetados por perdas climáticas e econômicas entre 2019 e 2025. O texto mantém o Fundo Social do Pré-Sal e outros fundos supervisionados pelo Ministério da Fazenda como fontes de recursos.

Quem poderá acessar a linha

Poderão ser contemplados produtores rurais com dívidas de crédito rural, empréstimos bancários e Cédulas de Produto Rural (CPRs) contratadas até 30 de junho de 2025. Para operações de investimento, poderão ser incluídas parcelas com vencimento até 31 de dezembro de 2027.

Segundo o projeto, os financiamentos poderão ser utilizados para quitar ou substituir débitos já existentes, permitindo ao produtor migrar para condições consideradas mais favoráveis.

Como ficará a renegociação

O texto estabelece condições diferenciadas para pagamento, com juros reduzidos e prazos longos de amortização.

Os financiamentos poderão ter prazo de até dez anos, com possibilidade de extensão para até quinze anos em determinadas situações. Também está prevista carência de até três anos para início dos pagamentos. As taxas de juros variam entre 3,5% e 7,5% ao ano, dependendo do enquadramento do beneficiário.

Outro ponto importante é que os débitos poderão ser recalculados sem incidência de multas, mora e outros encargos decorrentes da inadimplência.

O que motivou a proposta

A discussão ganhou força após o aumento dos pedidos de renegociação de dívidas em diversas regiões produtoras do país.

Parlamentares argumentaram que a combinação de juros elevados, eventos climáticos extremos e queda nos preços de algumas commodities comprometeu a capacidade de pagamento de milhares de produtores rurais.

Durante a tramitação, estimativas apresentadas por defensores da proposta indicaram que o estoque potencial de dívidas elegíveis poderia alcançar cerca de R$ 180 bilhões, embora a linha especial de financiamento tenha sido limitada a R$ 30 bilhões.

Disputa entre governo e bancada ruralista

A proposta gerou divergências dentro do governo federal, principalmente em razão do impacto fiscal e do uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal.

O Ministério da Fazenda negociou ajustes com os senadores para reduzir resistências à medida. Após semanas de discussão, governo e Congresso chegaram a um acordo que permitiu o avanço do projeto.

Entidades do agronegócio e a Frente Parlamentar da Agropecuária defenderam a aprovação do texto como uma medida necessária para evitar o agravamento da crise financeira em parte do setor produtivo.

Como o produtor financia a safra no Brasil?

 

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Senado busca consenso de última hora para votar projeto das dívidas rurais

O projeto de lei que trata a renegociação das dívidas rurais segue pendente no Senado Federal. A votação, prevista para começar às 16h desta quarta-feira (10), não foi retirada da pauta dos parlamentares, mas não deve estar entre as primeiras deliberações da sessão, como era a expectativa do setor agropecuário.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UNIÃO-AP), informou que senadores da base do governo e da oposição já estão reunidos com o ministro da Fazenda, Dario Durigan. A espera é que todos entrem em um consenso sobre o texto já alterado na Câmara de Deputados.

Segundo Alcolumbre, a reunião conta com a presença de parlamentares como o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o relator do PL (5.122/2023), o senador Renan Calheiros (MDB-AL). O encontro foi marcado no próprio gabinete do Ministério da Fazenda.

Mais cedo, Alcolumbre mediou uma rodada final de negociações entre a base do governo e a bancada ruralista para que se reunissem com a equipe econômica para tentar evitar uma derrota do governo ou a aprovação de um texto sem consenso.

“A gente tem que buscar entendimento em relação ao texto para contemplar produtores e que honestamente possa valer e socorrer essas pessoas, já que houve modificações profundas no texto na Câmara de Deputados”, detalhou durante seu discurso de abertura da sessão.

Alcolumbre reiterou que aguardará o resultado das negociações antes de levar a matéria ao plenário.

“Não vou retirar a matéria da pauta, nem que eu esteja sentado até meia-noite nesta Casa”, acrescentou ao explicar que colocará o substitutivo para votação assim que houver uma definição sobre o texto em negociação entre governo e parlamentares.

O presidente do Senado destacou também que o texto deixou de tratar apenas das perdas climáticas registradas no Rio Grande do Sul e passou a contemplar dificuldades enfrentadas por produtores de diferentes regiões do país, afetados por fatores como oscilações cambiais, custos de produção e cenário internacional.

“O projeto responde a uma demanda considerada urgente pelos produtores rurais”, disse ao reconhecer preocupações levantadas por instituições financeiras sobre possíveis riscos de insegurança jurídica decorrentes das alterações promovidas no texto.

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Guerra e El Niño ameaçam rentabilidade do agro e pressionam inflação

Sem perspectiva clara de encerramento, a guerra no Oriente Médio – que completa 100 dias – já produz efeitos que vão além do choque inicial sobre a oferta global de petróleo. No Brasil, as condições de crédito tendem a se deteriorar nos próximos trimestres, em um cenário de inflação mais resistente e juros elevados, fatores que afetam diretamente o agronegócio.

A avaliação é de economistas da Fundação Getulio Vargas (FGV), que alertam para um ambiente mais desafiador para produtores rurais. Mesmo em segmentos beneficiados por preços mais altos das commodities, o aumento dos custos de produção pode comprometer a rentabilidade da atividade.

Durante webinar sobre a conjuntura econômica, os especialistas destacaram que dois fatores concentram as principais preocupações para o agro: a persistência da inflação e os efeitos climáticos associados ao El Niño.

Segundo os economistas, o conflito no Oriente Médio elevou os riscos de alta nos preços internacionais do petróleo, com reflexos sobre combustíveis, fertilizantes, transporte e energia. Esse encarecimento da cadeia produtiva tende a pressionar a inflação dos alimentos e reduzir as margens dos produtores rurais.

Até agora, o desempenho das safras de grãos e exportações de carnes sustentaram números sólidos do PIB do Brasil, entretanto, com o avanço do El Niño, o prejuízo ao agro pode ser “muito ruim” e prejudicar toda a performance econômica, explica Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do FGV IBRE.

“Choque do petróleo retira a rentabilidade da agropecuária, por isso o setor pede benefícios ao governo [para se subsidiar]”, afirma Matos.

Para a economista, o ciclo de inflação elevada deve permanecer por mais tempo do que o previsto inicialmente. Embora os preços agrícolas possam subir em alguns mercados, os custos dentro da porteira avançam em ritmo semelhante ou superior, reduzindo os ganhos do produtor.

Além da inflação, a FGV vê com preocupação os efeitos do El Niño sobre a produção agropecuária. O fenômeno climático tem potencial para alterar o regime de chuvas em importantes regiões produtoras, afetando produtividade, qualidade das safras e volumes exportáveis.

Como o agronegócio responde por cerca de um terço da economia brasileira quando consideradas suas cadeias produtivas, eventuais perdas na produção podem se refletir diretamente no crescimento do país.

Até agora, o desempenho das safras de grãos e das exportações de carnes sustentou resultados positivos para o Produto Interno Bruto (PIB). Entretanto, caso os impactos climáticos se intensifiquem, o prejuízo ao agro pode ser significativo e comprometer parte da atividade econômica, avalia Matos.

No campo monetário, a inflação mais persistente e a desancoragem das expectativas tornam mais difícil uma redução dos juros.

Para José Júlio Senna, chefe do Centro de Estudos Monetários do FGV IBRE, o ciclo de flexibilização monetária chegou ao fim e o cenário para as condições financeiras se tornou mais adverso.

O economista não descarta, inclusive, uma elevação da taxa de juros entre este ano e 2027. Caso isso ocorra, o crédito ficará mais caro, aumentando os custos de financiamento e investimento no campo.

Diante desse cenário, a FGV projeta crescimento de apenas 1% para o PIB no próximo ano. “Os juros só vão cair se tiver um plano fiscal bem definido”, afirmou Matos.

No front fiscal, o quadro é ambíguo. Como produtor e exportador de petróleo, o Brasil tende a se beneficiar de preços internacionais mais elevados, o que melhora as estimativas de arrecadação ligadas ao setor de óleo e gás.

Por outro lado, eventuais medidas para compensar o aumento dos combustíveis e de outros custos para famílias e empresas podem reduzir parte desse ganho e reacender debates sobre estímulos fiscais em um período pré-eleitoral.

A combinação de inflação pressionada, juros elevados por mais tempo, riscos climáticos associados ao El Niño e incertezas fiscais cria um ambiente mais complexo para a economia brasileira.

Para o agronegócio, a equação é especialmente sensível: custos mais altos, crédito mais caro e possíveis perdas de produtividade podem limitar a contribuição do setor para o crescimento do país nos próximos anos.

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Lupion: corte em seguro rural vai aumentar custos de produção e inflação

O bloqueio de 46,5% no valor do seguro rural previsto para 2026 causou descontentamento na Câmara de Deputados, que age, agora, para tentar reverter a situação. Segundo Pedro Lupion, deputado federal (PP-PR) e presidente da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), a medida do governo divulgada nesta terça-feira (9) acarretará em aumento de custos de produção e potencial alta na inflação de alimentos.

Em entrevista ao CNN Money, Lupion disse que a notícia do governo “causou assombro” entre os parlamentares, em especial, porque ocorreu depois de um encontro com o Ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, antes da tradicional reunião da FPA, às terças-feiras.

“Nossa preocupação é histórica pela situação de seguro contingenciado nas safras de 2024/25 e 2025/26”, afirmou Lupion sobre a medida publicada pela Comissão de Orçamento do MAPA.

“A grande realidade é que seguro não existe”, acrescentou. De acordo com o parlamentar, a situação torna o crédito rural mais caro ao produtor, fator que move a reação da Câmara contra o contingenciamento. 

Para Lupion, são “subterfúgios” colocados pelo governo para tirar o seguro rural da prioridade. Ele critica a ausência de um programa de seguro condizente com o tamanho da área produtiva do Brasil.

A situação no Rio Grande do Sul foi utilizada como exemplo pelo deputado para reforçar a necessidade de reverter o corte atual e retomar o previsto no início, de R$ 1,1 bilhão.

O endividamento alto do Brasil, disse ele, é também ponto frágil da cadeia produtiva, que está em cerca de R$ 180 bilhões e pressiona mais a necessidade do seguro rural. Segundo Lupion, o contingenciamento se soma a um corte no Proagro e dificulta a previsão de safras robustas sem margens apertadas.

A expectativa dos deputados da bancada ruralista é conseguir um “alento” ao agro com a provação do projeto de renegociação de dívidas rurais nesta quarta-feira (10), no Senado.

De acordo com Lupion, houve um trabalho próximo com o presidente do Senado Davi Alcolumbre, para que passe o apelidado “Refis do agro” para dívidas bancárias e dívidas de fornecedores, especialmente pela pressão de eventos climáticos que podem ocorrer com o El Niño.

O receio, acrescenta Lupion, é o aumento nos próximos meses da inflação de alimentos, que seguirá pressionada com o produtor sem recursos para se financiar.

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Bahiagás firma parceria para desenvolver projetos de biometano

A Bahiagás assinou nesta terça-feira (9) um protocolo de intenções para desenvolver projetos de biogás e biometano no Oeste da Bahia, uma das principais regiões produtoras de grãos e algodão do país.

O acordo reúne ainda o CIbiogás (Centro Internacional de Energias Renováveis), a Abiogás (Associação Brasileira do Biogás), a Geomit, a Captar e a Expert Consult. A proposta é estimular soluções para o aproveitamento energético de resíduos orgânicos gerados pelas atividades agropecuárias e agroindustriais da região.

Entre as iniciativas previstas está a produção de biometano, combustível renovável obtido a partir da purificação do biogás gerado pela decomposição de resíduos orgânicos.

 

O produto pode substituir o gás natural em processos industriais, na geração de energia elétrica e até no abastecimento de veículos.

A assinatura ocorreu durante a 20a edicao da Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães (BA), e reforça o movimento de expansão das fontes renováveis ligadas ao agronegócio.

Segundo o presidente da Bahiagás, Luiz Gavazza, a parceria busca aproveitar o potencial produtivo do Oeste baiano para impulsionar novos investimentos em energia limpa.

“Somos protagonistas de um feito histórico para a região Oeste”, afirmou. “A parceria reforça o potencial da região para liderar iniciativas que conciliem crescimento econômico, inovação e responsabilidade ambiental.”

Além da geração de combustível renovável, a iniciativa busca estimular a economia circular, modelo em que materiais antes descartados retornam à cadeia produtiva.

A expectativa é que os projetos contribuam para reduzir emissões de gases de efeito estufa e ampliar a oferta de energia de baixo carbono no estado.

O Oeste da Bahia concentra uma das maiores áreas irrigadas do Brasil e registra crescimento contínuo da produção agrícola, fatores apontados pelo setor como favoráveis à expansão de projetos voltados à produção de biogás e biometano.

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Ministério já enviou comprovações à UE sobre antimicrobianos, diz Lupion

O presidente da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), Pedro Lupion (Republicanos-PR), confirmou que os documentos para habilitar as exportações de produtos de origem animal brasileiros já foram enviados pelo Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) às autoridades europeias.

O parlamentar se reuniu com o titular da pasta, André de Paula, na manhã desta terça-feira (9) e, depois do encontro, atualizou que o encaminhamento das comprovações sobre antimicrobianos solicitados pelo bloco europeu.

A UE oficializou nesta segunda-feira (8) a retirada do Brasil da lista de fornecedores de carnes, mel e outros produtos, depois de um posicionamento divulgado no dia 28 de maio.

Em reunião da FPA, Lupion afirmou que embaixadores e secretários do Mapa estão mobilizados para reverter a situação até 3 de setembro — data limite imposta pela União Europeia para suspensão da importação de produtos de origem animal brasileiros.

Na avaliação de Lupion, a decisão da UE de deixar o Brasil fora da lista de exportadores abre um precedente complicado para o país. Para ele, o fundamental agora é trabalhar para habilitar as exportações brasileiras.

“Antes de apontar culpados, precisamos trabalhar em prol do Brasil. No processo houve erros, claro, mas a decisão é de caráter protecionista”, destacou.

Não há dúvida quanto à sanidade e à qualidade da carne brasileira, o que está em jogo são os métodos e protocolos de produção”, complementou.

Segundo o parlamentar, uma comissão da UE fará uma missão no Brasil em agosto para avaliar a possibilidade de habilitar o país para exportações.

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