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Narcolanchas: inovação do crime acelera tráfico internacional de drogas

Uma investigação da Polícia Federal revelou uma nova arma do crime organizado para o tráfico internacional de drogas por rotas marítimas, principalmente para a Europa: as narcolanchas.

Nessa quinta-feira (11), a superintendência da PF na Bahia realizou uma operação contra um esquema de tráfico de cocaína da Máfia dos Balcãs. O fluxo começava com a obtenção da droga em países latinos como Bolívia, Peru e Colômbia, passando pelo Brasil, com parada na Àfrica Ocidental para então chegar aos países europeus.

A complexa rota do tráfico transoceânico culmina em destinos importantes na Sérvia, Croácia e Bósnia. Os portos brasileiros de Santos e de Salvador servem como intermediários cruciais para a viagem pelo Atlântico, até a chegada em Cabo Verde, por exemplo, onde ocorre o reabastecimento e transbordo para à Europa.

No transporte da droga, inovações são cada vez mais utilizadas para dificultar o rastreamento do fluxo criminoso pelas autoridades. As narcolanchas, supervelozes, semi-rígidas ou infláveis, são usadas para transporte rápido em rotas curtas ou para abastecer embarcações maiores em alto-mar. 

Elas são projetadas para atingir velocidades acima de navios de patrulha convencionais, representando maior desafio tático para forças de segurança marítima no Oceano Atlântico. Com os veículos, o crime organizado explora os seguintes pontos:

  • Maior dificuldade de interceptação em tempo real;
  • Design compacto e semi-rígido reduz a visibilidade em radar e inspeção visual
  • Transporte de carga entre embarcações maiores em alto-mar, fora do alcance das autoridades

A investigação aponta que modelos de embarcações também são utilizados como “espinha dorsal” da rota marítima do tráfico. Veleiros são usados em longas travessias e “narcossubmarinos” são projetadas para máxima discrição. A Marinha Portuguesa já apreendeu um submergível que transportava mais de 1,7 tonelada de cocaína.

A apreensão do veleiro “Oceania Dos” com 2,8 toneladas de cocaína em 2023, interceptado a 600 milhas náuticas de Cabo Verde, originou a investigação que culminou na operação “Balcãs”, dessa quinta.

Adaptações do crime

O Cartel dos Balcãs é um dos principais compradores de cocaína exportada do Brasil, com uma crescente demanda pela droga cada vez mais pura e lucros que alimentam outras atividades criminosas como lavagem de dinheiro e tráfico de armas.

Mesmo com o aumento da fiscalização pela Polícia Federal e Marinha de diversos países, o crime organizado têm alterado rotas, métodos e dinâmicas. Um exemplo são os itinerários constantemente alterados para evitar padrões detectáveis pelas agências de inteligência. 

Além das narcolanchas, a tecnologia subaquática com Narcossubmarinos e embarcações semissubmersíveis tornam as interceptações cada vez mais complexas.

As múltiplas camadas de intermediários, passando por exemplo por Brasil e África Ocidental, dificultam também a identificação dos líderes das organizações criminosas

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Canetas emagrecedoras: 65% de pacientes param de usar por falta de dinheiro

Os medicamentos da classe GLP-1, conhecidos como “canetas emagrecedoras“, consolidaram-se como uma das maiores transformações recentes na área da saúde, impactando o tratamento do diabetes tipo 2, da obesidade e doenças cardiometabólicas.

Porém, apesar dos benefícios clínicos reconhecidos pelos médicos, o alto custo ainda limita o acesso e a continuidade do tratamento para grande parte dos pacientes brasileiros.

É o que revela uma pesquisa nacional realizada pelo Instituto Ifepec, a pedido da Febrafar, com 1.067 médicos de diferentes especialidades e regiões do país. O levantamento, conduzido em maio de 2026, é considerado um dos maiores já realizados no Brasil sobre a percepção médica em relação aos medicamentos agonistas do receptor de GLP-1.

Os dados mostram que o preço atual torna o tratamento viável para apenas 28% dos pacientes considerados aptos ao uso dessas terapias. Além disso, 65% dos pacientes acabam abandonando o tratamento ou não conseguem manter a orientação indicada por limitações financeiras.

Por outro lado, os médicos acreditam que uma redução de aproximadamente 35% nos preços poderia elevar a viabilidade do tratamento para cerca de 45% dos pacientes, ampliando significativamente o acesso.

Segundo Edison Tamascia, presidente da Febrafar, os resultados demonstram que o principal desafio para a expansão dessa classe terapêutica não está na aceitação médica, mas sim na capacidade financeira da população.

“Os médicos reconhecem os benefícios dos medicamentos GLP-1 e observam resultados importantes na saúde dos pacientes. O grande obstáculo hoje é o custo do tratamento. Quando analisamos que 65% dos pacientes abandonam a terapia por questões financeiras, fica evidente a necessidade de ampliar o acesso por meio de maior concorrência e da chegada de novas opções ao mercado“, afirma.

A Febrafar (Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias) reúne 74 redes associativistas e representa mais de 19 mil lojas em todo o Brasil.

Uso irregular preocupa médicos e reforça papel do farmacêutico

A pesquisa também identificou um fenômeno que vem preocupando os profissionais de saúde. Em média, 7% dos pacientes relatam já ter utilizado medicamentos GLP-1 sem prescrição médica antes da primeira consulta.

O dado acende um alerta para a comercialização irregular desses produtos e reforça a importância de combater canais clandestinos de venda, que colocam em risco a saúde dos pacientes ao oferecer medicamentos sem a devida orientação profissional e sem o cumprimento das exigências sanitárias.

Para Tamascia, as farmácias legalmente estabelecidas cumprem rigorosamente a legislação e têm papel fundamental na promoção do uso racional dos medicamentos. “O combate à comercialização irregular desses medicamentos é fundamental para proteger a saúde da população. O lugar desses tratamentos é dentro do canal farmacêutico regular, com dispensação responsável e acompanhamento profissional”, afirma.

Segundo o executivo, além de garantir o cumprimento das normas sanitárias, o farmacêutico exerce uma função estratégica na orientação dos pacientes sobre armazenamento, aplicação, uso correto e importância do acompanhamento médico durante todo o tratamento.

Biossimilares e similares podem transformar o mercado

Outro destaque da pesquisa é o elevado grau de expectativa dos médicos em relação à chegada de biossimilares, genéricos e similares de GLP-1, impulsionada pelo vencimento de patentes e pela perspectiva de ampliação da concorrência no setor.

Os resultados indicam que a maioria dos profissionais pretende incorporar essas novas alternativas à prática clínica, desde que apresentem comprovação de qualidade, segurança e eficácia.

Edison Tamascia afirma que a ampliação da oferta tende a representar um marco para o mercado farmacêutico brasileiro. “A expectativa é que a entrada de novos concorrentes contribua para ampliar a concorrência e reduzir gradualmente os preços praticados atualmente. Embora os medicamentos genéricos ainda não devam chegar ao mercado no curto prazo, o aumento da oferta tende a favorecer o acesso e melhorar os índices de adesão ao tratamento”.

Benefícios vão além da perda de peso

Os médicos entrevistados destacaram que os benefícios dos medicamentos GLP-1 vão muito além do emagrecimento. Entre os principais ganhos observados estão o controle glicêmico em pacientes com diabetes tipo 2, a redução da compulsão alimentar, a perda de peso significativa, além da proteção cardiovascular, renal e hepática.

Também foram relatadas melhorias em comorbidades associadas à obesidade, como apneia do sono, dores articulares, hipertensão e alterações metabólicas.

Entre os efeitos adversos mais frequentemente relatados pelos médicos estão náuseas, constipação, vômitos, diarreia, azia, dores de cabeça, fadiga, tontura e, em alguns casos, perda de massa muscular e alterações estéticas decorrentes da rápida perda de peso.

Para a Febrafar, os resultados indicam que o mercado brasileiro de GLP-1 ainda possui amplo potencial de crescimento, mas que sua expansão sustentável dependerá da combinação entre acesso econômico, orientação profissional e uso responsável.

“A pesquisa mostra que existe um ambiente muito favorável para o crescimento dessa categoria no Brasil. No entanto, esse avanço precisa ocorrer com responsabilidade, acompanhamento médico, atuação ativa dos farmacêuticos e foco na segurança do paciente. O desafio agora é transformar uma terapia altamente eficaz em uma solução acessível para um número cada vez maior de brasileiros”, conclui Tamascia.

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Homem que desapareceu no Parque Cavernas do Peruaçu em MG é encontrado

Um topógrafo de 42 anos, que havia desaparecido no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu em Minas Gerais, na ultima quarta-feira (10), foi encontrado nesta quinta-feira (11).

Segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais (CBMMG), além dos militares, servidores do ICMBio, funcionários da empresa responsável pelos serviços de topografia e voluntários participaram das buscas pelo homem.

Os bombeiros informaram que ele conseguiu deixar a mata sozinho e chegou à comunidade rural de Parapitanga, situada no entorno do parque, a cerca de 10 km em linha reta do último ponto onde havia sido visto.

Ele relatou que, durante os trabalhos realizados na mata, os equipamentos eletrônicos para navegação e orientação descarregaram, o que comprometeu sua capacidade de localização.

Durante o tempo que ficou perdido no Parque, o homem contou que encontrou uma garrafa PET com aproximadamente dois litros de água, o que o auxiliou na hidratação. No final da tarde, ainda localizou uma lanterna carregada.

Ao todo, cerca de 15 pessoas atuaram na operação. “Também foram empregados drones para reconhecimento aéreo e apoio às ações de busca. Foram percorridos aproximadamente 15 quilômetros em uma região de relevo extremamente acidentado, caracterizada por maciços calcários, afloramentos rochosos, escarpas, cânions, cavernas, vales encaixados, ravinas e grotas, fatores que dificultaram significativamente a progressão das equipes e os trabalhos de busca terrestre”, concluiu a corporação.

De acordo com os bombeiros, o topógrafo estava consciente, orientado, sem ferimentos aparentes nem alterações clínicas importantes.

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Ex-auditor preso responde por mais de 130 crimes e prejuízo bilionário

O ex-auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, preso novamente nesta quarta-feira (10) pelo esquema de fraudes em ICMS em São Paulo, responde por mais de 130 crimes de lavagem de dinheiro e corrupção, além de já ter causado um prejuízo bilionário às contas públicas.

A CNN Brasil apurou que Artur já configura como réu em sete ações penais movidas pelo Ministério Público de São Paulo. Até a próxima semana, ele deve ser denunciado em outras três investigações.

Ao todo, Artur responde por mais de 130 vezes de lavagem de dinheiro e corrupção nos esquemas relacionados às empresas Fast Shop, Ultrafarma e a Rede 28. Os casos foram investigados durante as operações Ícaro, Mágico de Oz e Fisco Paralelo, todas realizadas pelo Ministério Público paulista.

“Artur tinha um catálogo de serviços de corrupção”, afirma uma fonte ligada à investigação.

O ex-auditor da Sefaz-SP (Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo), exonerado em agosto de 2025, foi preso em casa nessa quarta, alvo de dois mandados de prisão preventiva e um de busca e apreensão. Com ele, foram encontrados diversos documentos evidenciando a contínua prática criminosa, mesmo sob medidas cautelares.

Documentos obtidos pela reportagem também detalham os impactos financeiros do esquema liderado por Artur, identificados desde o início das investigações nos primeiros meses de 2025, que somam R$ 8,53 bilhões em prejuízos ao Estado.

Segundo os levantamentos, a Sefaz-SP já contabiliza R$ 5,75 bilhões em danos relacionados ao esquema. Desse total, R$ 1,93 bilhão estão ligados a créditos de ressarcimento e R$ 3,82 bilhões a outros créditos investigados.

Entre as empresas citadas nas apurações aparecem Fast Shop, com cerca de R$ 2 bilhões envolvidos, e Ultrafarma, com aproximadamente R$ 1 bilhão. As investigações também apontam um prejuízo estimado em R$ 1,74 bilhão à Receita Federal do Brasil.

Além disso, a Controladoria-Geral do Estado de São Paulo aplicou à Fast Shop uma multa de R$ 1,04 bilhão com base na Lei Anticorrupção, apontada como a maior já aplicada no Brasil dentro da legislação.

A investigação também aponta um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro por meio de criptomoedas. Artur armazenaria recursos ilícitos em carteiras frias de criptomoedas, conhecidas como cold wallets, que ficam desconectadas do sistema financeiro, para fazer movimentações para o exterior.

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    Cartas e anotações mostram pedidos de alinhamento de defesas, menções a criptos e suposta distribuição de mesadas a outros denunciados • Reprodução

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    Cartas e anotações mostram pedidos de alinhamento de defesas, menções a criptos e suposta distribuição de mesadas a outros denunciados • Reprodução

Cartas mostram orientações para acusados

Cartas manuscritas apreendidas pelo Ministério Público na casa do ex-auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto revelam tentativas de alinhar versões entre investigados do esquema bilionário de corrupção e lavagem de dinheiro investigado pela Operação Ícaro.

CNN Brasil teve acesso aos documentos encontrados durante o cumprimento dos mandados de prisão e busca e apreensão realizados na quarta-feira (10), em São Paulo.

Em uma das cartas, Artur pede que um dos investigados assine uma procuração para o advogado responsável pela defesa do grupo.

“Confia em mim, pode assinar a procuração para (advogado de Arthur) assinar por favor. Isso é muito importante para vencermos tudo. Você me conhece muito bem para saber que sou eu falando”, diz o manuscrito.

 

 

Outra carta, intitulada “obrigações a fazer”, traz anotações relacionadas a pagamentos e movimentações financeiras. Entre os itens listados aparecem frases como “fazer conexão de trabalho”, “receber honorários da Fast Shop” e “negociar dívidas”.

Os investigadores também encontraram documentos com cálculos numéricos e anotações ligadas ao pagamento de mesadas para investigados e familiares.

Em outro trecho, direcionado a uma pessoa identificada como Rafael, Artur orienta o investigado a não colaborar com o Ministério Público.

“Rafael, não faça acordo com o MP, não faça delação, não confie no MP. Fica tranquilo que nós vamos resolver tudo”, escreveu. Ao final da mensagem, ele assina como “The King”.

Artur havia sido solto no último dia 2 de junho, quando o alvará de soltura foi cumprido. No entanto, antes mesmo da liberação, o Gedec (Grupo de Atuação Especial de Combate aos Delitos Econômicos) do Ministério Público já havia protocolado dois novos pedidos de prisão preventiva, concedidos pela Justiça no dia 3 de junho

A reportagem tenta contato com a defesa de Artur para um posicionamento. O espaço está aberto.

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Anvisa suspende milho de pipoca por informação errada sobre glúten

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou o recolhimento do milho para pipoca da marca Provatti, nesta sexta-feira (12). A medida também suspende a vendadistribuição, divulgação e consumo do produto.   

A motivação é o fato de a rotulagem informar que o produto “não contém glúten”, quando, na verdade, existe a advertência de contaminação cruzada com trigo (pode conter trigo) ou de presença intencional desse grão. 

“Considerando a informação incorreta sobre a ausência de glúten na rotulagem do milho para pipoca da marca Provatti. Como o produto apresenta advertência de contaminação cruzada com trigo (PODE CONTER TRIGO) ou de presença intencional (CONTÉM TRIGO), a advertência NÃO CONTÉM GLÚTEN não pode ser utilizada“, diz a Resolução 2.324.

O milho da Provatti é fabricado pela Kaza Distribuidora, R & A Indústria, Comércio e Distribuidora de Alimentos. A CNN Brasil tenta contato com a empresa para um posicionamento. O espaço está aberto para manifestações. 

Suspensão de suplemento

A Anvisa também anunciou a determinação de apreensão dos suplementos alimentares da marca Nutricost, de fabricante desconhecido. As duas medidas foram publicadas no DOU (Diário Oficial da União) desta sexta. 

Segundo a agência, ficam proibidas a comercialização, distribuição, a fabricação, importação, propaganda e uso dos produtos, conforme a Resolução 2.325.

“Considerando a divulgação e comercialização de Suplementos Alimentares da marca NUTRICOST, de origem desconhecida ou ignorada em lojas digitais“, cita um trecho da determinação.

Os suplementos alimentares eram divulgados e vendidos em sites na internet.  

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Máfia dos Balcãs tem logística na Bahia para tráfico de cocaína para Europa

A Polícia Federal monitora e investiga uma operação criminosa de apoio logístico à Máfia dos Balcãs na Bahia e em São Paulo para o tráfico de cocaína para a Europa por rotas marítimas.

Uma operação realizada nesta quinta-feira (11) pela Superintendência da PF na Bahia foi mais um passo de uma investigação de quase três anos contra a atuação de um dos maiores grupos de tráfico internacional de drogas do mundo, no Brasil. 

Desde 2023, agentes fazem um longo trabalho de vigilância contra integrantes e traficantes parceiros do Clã na Bahia. Foi esse trabalho que permitiu a apreensão de um veleiro com 2,7 toneladas de cocaína na região de Cabo Verde, na Àfrica Ocidental, ainda naquele ano.

A apreensão revelou detalhes da complexa rota atlântica do tráfico internacional de drogas. Antes mesmo da ação, a PF monitorou chegadas de líderes da organização criminosa no Aeroporto de Salvador e encontros entre os criminosos em um restaurante famoso da região. 

Nesta quinta, os principais alvos da operação “Balcãs” foram os apoiadores logísticos da máfia no Brasil, que ajudavam com as embarcações e na ocultação da droga para o transporte marítimo, saindos dos portos de Salvador e Santos.

Segundo a investigação, os suspeitos são figuras conhecidas pelas autoridades e já foram alvo de outra ação em 2025, sendo que a maioria tem antecedentes criminais por tráfico de drogas. 

O objetivo da ação foi colher informações para ampliar a investigação e alcançar lideranças europeias do esquema. A PF apura se os Balcãs contam com o apoio de facções criminosas reconhecidas no Brasil pelo tráfico internacional de drogas. Porém, ainda não foi identificada uma cooperação direta de alguma facção brasileira com a máfia do Leste Europeu.

PCC sem fronteiras: como funciona expansão internacional das facções

Brasil crucial para o tráfico internacional de drogas

Segundo a PF, o Brasil funciona como um “hub de exportação” de entorpecentes para a Europa, consolidando-se como um dos principais pontos estratégidos do crime organizado para o envio aos países europeus.

Com o envio de drogas principalmente por portos, as rotas marítimas são preferidas pela alta capacidade de transporte de carga e menor risco de detecção em comparação ao transporte aéreo. O Porto de Santos, por exemplo,

Investigações apontam que intermediários no Brasil organizam as remessas, compradas em países como Bolívia, Paraguai, Peru e Colômbia, para o exterior. Apreensões recentes pela Receita e Polícia Federal indicam um aumento expressivo no fluxo de drogas pelo litoral brasileiro.

Cidades da Baixada Santista, em São Paulo, estão entre as mais exploradas por organizações criminosas para o embarque de substâncias ilícitas camufladas em contêineres.

Operação “Balcãs”

Agentes da PF na Bahia cumpriram 12 mandados de busca e apreensão na Operação “Balcãs”, nesta quinta-feira (11). O alvo principal, a Máfia dos Balcãs, é investigado por tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. O grupo usa barcos pequenos e veleiros para envio de droga do Brasil ao exterior, entre “narcolanchas” e “narcossubmarinos”.

As ordens judiciais foram cumpridas nas cidades de São Paulo, Santos e Guarujá, expedidos pela 17ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária da Bahia. A Justiça Federal também determinou o bloqueio de contas bancárias, aplicações financeiras, veículos, imóveis e demais ativos patrimoniais dos investigados, até o limite de R$ 20 milhões.

A investigação teve início após a apreensão de aproximadamente 2,7 toneladas de cocaína encontradas a bordo de um veleiro, interceptado em águas internacionais nas proximidades de Cabo Verde, na costa africana.

O Clã ou Máfia dos Balcãs, um dos maiores grupos de tráfico de cocaína para a Europa, impulsionou há anos o comércio ilegal por meio de países da África Ocidental, como Senegal, Serra Leoa, Gâmbia, Guiné-Bissau e Cabo Verde, segundo um relatório de 2025 da Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional.

O órgão afirma que a organização criminosa se aproveita de alianças de grupos holandeses e notavelmente o PCC (Primeiro Comando da Capital), para aprofundar as atividades em toda cadeia do tráfico.

Na semana passada, a CNN Brasil revelou que a PF identificou uma mudança na rota do tráfico internacional das facções após queda em apreensões em portos brasileiros. As apreensões de cocaína no porto de Santos e nos demais despencaram nos últimos seis anos e os investigadores apontam que os grupos migraram para outras estratégias e usam barcos pesqueiros.

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