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Fim da crise do Estreito de Ormuz não vai acabar com os altos preços dos combustíveis

O fecho do Estreito de Ormuz em 28 de fevereiro, na sequência do ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, criou o maior choque de oferta de energia da história, tamnto no segmento do petróleo como do gás natural. Diariamente, em 2025, cerca de 15 milhões de barris de petróleo bruto e cinco milhões de barris de derivados de petróleo transitavam pelo Estreito, aproximadamente 20% da oferta global. Mas, se o fecho daquela via marítima resultou em consequências imediatas do lado da oferta e no consequente aumento dos preços, a abertura do estreito não resultará na reposição da oferta à mesma velocidade a que ela desapareceu.

A normalização dos mercados na próxima semana, por exemplo, é uma quimera que não vai acontecer – por muito que a guerra acabe mesmo, o que ainda não é certo. “Mesmo que o estreito seja reaberto rapidamente, espera-se que o mercado global de petróleo permaneça com oferta insuficiente até 2027, visto que a retoma das instalações de produção e da logística global leva vários meses”, refere um estudo analítico da autoria dos especialistas Thomas Mramor, Alexander Roth, Simone Tagliapietra e Georg Zachmann, dado a conhecer pelo ‘think tank’ Bruegel.

“Restaurar a cadeia de fornecimento pré- guerra significa realocar centenas de navios-tanque de outras rotas comerciais, deslocar trabalhadores e reabrir campos de petróleo. Acima de tudo, as empresas de transporte marítimo e os produtores precisam de recuperar a confiança na estabilidade futura da região para retomar o transporte marítimo e a produção. Nesse contexto, a dependência da Europa em relação às importações de petróleo parece ser um passivo de longo prazo”, referem.

A economia da União Europeia está altamente exposta a preços mais altos do petróleo e a défices de oferta: em 2024, o petróleo representou 38% da matriz energética da União. Quase todo o petróleo bruto é refinado para produzir combustível para transporte rodoviário e da aviação, ou como matéria-prima para a indústria, salientam os analistas.

Ora, a União depende quase inteiramente do petróleo importado, com 97% do seu consumo de petróleo bruto proveniente do exterior. Embora os volumes totais de importação tenham permanecido relativamente estáveis ​​nos últimos 30 anos, a sua composição deslocou-se, “passando do petróleo bruto para os produtos refinados, em particular o gasóleo e o querosene de aviação. O petróleo bruto representava quase 97% das importações em 1990, mas apenas cerca de 89% em 2024, enquanto as importações de querosene de aviação e gasóleo aumentaram cinco e vinte e cinco vezes, respetivamente”.

Neste contexto, os choques globais afetam a União através das importações de petróleo bruto e dos mercados de produtos, dependendo da diversificação. “O fornecimento de petróleo bruto é relativamente bem diversificado, com a maior parte das importações provenientes da Noruega, dos Estados Unidos e do Cazaquistão. No caso da gasolina, a União é exportadora líquida. Para o diesel, cerca de 17% do fornecimento da União é importado, principalmente da Arábia Saudita, dos Estados Unidos e da Índia. Para o querosene de aviação, as importações representam cerca de 38% do fornecimento, sendo o Kuwait, a Índia e os Emirados Árabes Unidos os principais países fornecedores.

 

Capacidade interna diminuiu

Ao mesmo tempo, a capacidade de refinação global do bloco diminuiu 5% desde 2015. As refinarias de petróleo podem, até certo ponto, alternar entre diferentes produtos petrolíferos, mas quanto mais se afastam do produto em bruto, menos eficientemente operam, refere o estudo.

Para atenuar o impacto do aumento dos preços do petróleo ao consumidor, os governos europeus já comprometeram mais de 11 mil milhões de euros em medidas fiscais – 72% das quais consistem em medidas não direcionadas, como o imposto geral sobre a energia ou cortes no IVA, que não têm um grupo-alvo claro nem critérios de qualificação definidos. “Estas medidas correm o risco de distorcer o sinal dos preços ao consumidor, aumentando, em última análise, o consumo de energia durante um período de escassez”.

Apesar da interrupção em curso, os preços do petróleo bruto permaneceram abaixo de seu máximo histórico – atingido em 2008 – e caíram recentemente, acompanhando os preços dos derivados. “Parece que os mercados de commodities não acreditam num défice de oferta duradouro; o que pode refletir a esperança de uma resolução rápida do conflito com o Irão”. Se este perceção se consolidar entre os consumidores, o consumo pode aumentar, o que levará inevitavelmente a que os níveis de armazenamento caírem ainda mais.

As recomendações da AIE (Agência Internacional de Energia), a Unnião exige que os Estados-membros mantenham reservas de emergência equivalentes a pelo menos 90 dias de importações líquidas ou 60 dias de consumo. O armazenamento comercial é significativo, com a região ARA (Amsterdão-Roterdão-Antuérpia) como um centro fundamental. “Os seus níveis de enchimento apresentam um panorama misto: enquanto as reservas de petróleo bruto e gasóleo parecem estáveis ​​em relação à média de 2021-2025, as reservas de querosene de aviação diminuíram drasticamente desde janeiro, atingindo menos de 70% da média dos últimos cinco anos”. Embora algumas companhias aéreas estejam otimistas quanto à possibilidade de evitar a escassez de querosene de aviação, analistas, incluindo o Goldman Sachs e a S&P Global, estão muito menos otimistas.

 

Escassez à vista

É neste contexto que os quatro analistas aconselham vivamente a União a “começar a preparar-se para a possibilidade de escassez de alguns produtos petrolíferos nos próximos meses” – o que deve impulsionar medidas do curto ao longo prazo. Em primeiro lugar, dizem, os Estados-membros devem suspender a implementação de subsídios indiscriminados aos combustíveis, que apenas sustentam a procura de petróleo durante períodos de escassez. Os subsídios indiscriminados aumentam a procura global e agravam a escassez”. Os escassos fundos públicos devem, em vez disso, ser utilizados para proteger os mais vulneráveis ​​e para incentivar tecnologias limpas, referem.

Em segundo lugar, a União deve elaborar um plano de contingência com medidas coordenadas de redução da procura de petróleo em caso de crise de abastecimento. “Um aumento acentuado dos preços do petróleo reduz naturalmente a procura, mas algum grau de coordenação continuará a ser importante. Isto poderia ser concretizado com a adoção de uma meta de redução da procura de petróleo, tal como foi implementado para o gás natural durante a crise energética de 2022-23”.

Em terceiro lugar, “deve-se evitar uma maior liberação das reservas de emergência. Os países devem garantir o abastecimento quando necessário, e não limitar artificialmente os preços, para preservar uma reserva adequada para situações de escassez real”.

Depois, “a União precisa de desenvolver um caminho claro para reduzir a sua dependência de combustíveis fósseis importados, introduzindo uma meta específica, se necessário, e identificando em quais fornecedores poderá confiar no futuro, já que um retorno ao status quo pré-guerra é improvável”.

Finalmente, o bloco “deve aproveitar a crise para acelerar a sua transição para energias limpas e para a eletrificação, o que reduziria as emissões e a sua dependência de combustíveis fósseis importados, mitigando os impactos de crises semelhantes no futuro”.

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Luís Miguel Ribeiro: paz é “condição indispensável para a recuperação da economia”

O anúncio de um acordo de paz entre o Irão e os Estados Unidos “representa um desenvolvimento positivo para a economia internacional, na medida em que contribui para reduzir os níveis de incerteza e reforçar a previsibilidade, dois fatores fundamentais para a recuperação da confiança dos agentes económicos e para a normalização da atividade empresarial”, referiu ao JE o presidente do Conselho de Administração da Associação Empresarial de Portugal (AEP), Luís Miguel Ribeiro.

Neste contexto, “o restabelecimento de um quadro de maior estabilidade constitui, por isso, uma condição indispensável para sustentar uma recuperação económica mais consistente”. Mas não se pode esquecer que “a economia europeia esteve entre as mais expostas aos efeitos do conflito, sobretudo devido à sua dependência energética”. Ou seja, “embora o acordo constitua um passo importante para a estabilização dos mercados, os impactos acumulados nas cadeias de abastecimento, no comércio de energia e nas condições de financiamento não desaparecem de forma imediata. A absorção desses efeitos exigirá tempo”.

Sendo “expectável que os mercados energéticos sejam dos primeiros a refletir esta evolução, com uma tendência de descida dos preços do petróleo e de outros combustíveis”, Luís Miguel Ribeiro chama a atenção para que “a reposição dos níveis anteriores ao conflito poderá ser gradual, uma vez que os danos provocados em infraestruturas energéticas e os constrangimentos na oferta, em particular no setor do gás, continuarão a influenciar o equilíbrio dos mercados”.

Durante o período de maior tensão geopolítica, “as empresas enfrentaram uma dupla pressão: por um lado, o aumento dos custos operacionais, especialmente nos domínios da energia e da logística; por outro, o agravamento das condições de financiamento, traduzido em custos financeiros mais elevados”. Um ambiente de maior estabilidade e previsibilidade é, por isso, “essencial para restaurar a confiança e criar condições para a retoma do investimento e dos projetos de expansão empresarial”.

Os setores mais intensivos em energia, como a indústria transformadora e os transportes, estiveram naturalmente entre os mais penalizados. “No entanto, os efeitos do conflito estenderam-se ao conjunto da economia, através do aumento dos custos de produção e do reforço da incerteza, condicionando tanto a atividade das empresas como as decisões de consumo das famílias”.

O empresário e dirigente associativo espera que Portugal tenha aprendido algumas lições com estes tempos difíceis, nomeadamente a necessidade de apostar na reindustrialização e em cadeias de abastecimento mais curtas, numa lógica de diminuição da dependência dos combustíveis fósseis.

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Teerão assegura que os EUA concordam em deixar o Estreito de Ormuz nas mãos do Irão e de Omã

Sendo a questão de Ormuz aquela que mais é referida pelos países ocidentais, importa referir que a agência iraniana Farsnews adianta que “uma fonte bem informada revelou alterações significativas no texto final do entendimento Irão-EUA, afirmando que a linguagem revista reconhece explicitamente o papel do Irão e de Omã na determinação do futuro dos serviços marítimos no Estreito”. A alteração, diz ainda a agência, “inclui a aceitação, pela primeira vez, do direito do Irão de cobrar taxas pelos serviços marítimos nesta via navegável estratégica”. As revisões finais do texto do entendimento enfatizaram explicitamente a soberania iraniana e omanita sobre o Estreito de Ormuz.

“Nos momentos finais das negociações, o texto do memorando sofreu alterações que enfatizaram, de forma definitiva e explícita, o exercício da soberania iraniana e omanita sobre o Estreito de Ormuz”, disse a fonte citada. E acrescentou que as versões anteriores do texto continham terminologia destinada a garantir a autoridade e os acordos do Irão no estreito, mas a redação revista afirma agora que ”a futura administração dos serviços marítimos no Estreito de Ormuz” será “determinada” pelo Irão e por Omã.

Segundo a fonte, a utilização explícita do termo “serviços marítimos” significa que os Estados Unidos aceitaram efetivamente o direito do Irão de cobrar taxas relacionadas com estes serviços. O Irão aceitará a passagem gratuita de navios durante “apenas” 60 dias. ” Isto significa que os Estados Unidos aceitaram o princípio da cobrança de taxas, garantindo ao mesmo tempo uma isenção de apenas 60 dias por parte do Irão”.

Após o período de 60 dias, a República Islâmica do Irão pretende gerar receitas com o tráfego marítimo comercial através do Estreito de Ormuz, fornecendo serviços de segurança, navegação, ambientais e de seguros, utilizando os recursos assim captados para apoiar o desenvolvimento económico do país. Teerão diz que foram conduzidas as negociações necessárias para garantir o apoio omanita ao acordo.

A notícia surge ao arrepio de toda a retórica norte-americana. Recorde-se que Trump disse nas redes sociais que “autorizo totalmente a reabertura do Estreito de Ormuz sem taxas de trânsito e, simultaneamente, o levantamento imediato do bloqueio naval dos EUA. Navios do mundo, liguem os motores. Deixem o petróleo fluir”. E acrescentava que a abertura do canal acontecerá “assim que o acordo for assinado, na sexta-feira, para permitir a desminagem”.

 

Petróleo a preço de ‘saldo’

Durante a tarde desta segunda-feira e já depois de conhecida a data para a assinatura do acordo, o petróleo estava a preço de ‘saldo’: vagueava na casa dos 80 dólares o barril – o que supunha um desconto de quase 30% em relação ao pico máximo de 113,03 dólares atingido em 7 de abril passado.

A última vez que o barril de petróleo esteve a 80 dólares foi a 15 de julho de 2024 e estava caro: nos meses seguintes continuaria a descer até atingir um mínimo de pouco mais de 56 dólares a meio de dezembro do ano passado.

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Mundo saúda acordo EUA-Irão, mas Israel recorda que “não somos parte” dele

Um pouco por todo o mundo, o anúncio de que os Estados Unidos e o Irão vão assinar o memorando de entendimento na próxima sexta-feira, na Suíça, suscitou manifestações de regozijo, com certeza acrescentadas de um grande alívio face à previsível abertura do Estreito de Ormuz – com os mercados do petróleo a acompanharem esse regozijo com uma forte quebra dos preços. Vale a pena salientar que os principais líderes mundiais optaram por não fazerem qualquer declaração sobre Israel e sobre o facto de o seu ministro da Segurança Nacional, Itamar Bem-Gvir – um extremista de direita que, juntamente com o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, mantêm o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ‘encostado’ ao radicalismo mais inexplicável – ter dito que “não somos parte desse acordo”.

Dito de outra forma: Ben-Gvir parece esperar que Netanyahu não cumpra a vontade do presidente dos Estados Unidos, que quer que o exército israelita se abstenha de continuar a atacar o Líbano e a assumir posições cada vez mais consolidadas no sul daquele martirizado país. Sabendo o governo israelita que qualquer ação militar no Líbano equivale a dinamitar o acordo, se ela vier a acontecer, será programada para isso mesmo: para impedir que o acordo seja assinado. Se este cenário ocorrer, os Estados Unidos terão necessariamente que fazer qualquer coisa, dizem vários analistas – mesmo que isso venha ao arrepio de uma postura de alinhamento que tem décadas (mas que, recorde-se, é posterior a 1948, data da fundação de Israel, que na altura tinha a URSS como seu mais sólido suporte externo.

 

Reações de entusiasmo

A União Europeia saudou o acordo alcançado, realçando que deverá permitir a reabertura do estreito de Ormuz e permitir negociações mais amplas. Numa mensagem divulgada nas redes sociais, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, acrescentou que a liberdade de navegação é essencial para a estabilidade regional e para a economia global e que, com este entendimento, podem “abrir-se as portas” a negociações mais amplas sobre a paz e a segurança no Médio Oriente.

No mesmo registo, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que os europeus estão prontos para contribuir para uma “paz duradoura”. “Saúdo o fim desta guerra dispendiosa e o restabelecimento total da liberdade de navegação no Estreito de Ormuz”, escreveu nas redes sociais.

A chefe da diplomacia comum, Kaja Kallas, também demonstrou a sua esperança em que o Estreito de Ormuz volte finalmente a assumir as funções de estrada de distribuição do petróleo e do gás produzido no Golfo Pérsico, retirando pressão sobre o pico inflacionista que está há meses (re)instalado no bloco dos 27.

O chanceler alemão, Friedrich Merz, saudou aquilo que chamou de “avanço diplomático” e agradeceu a todos os parceiros que contribuíram para que o memorando de entendimento fosse possível. “O acordo pode abrir caminho para a recuperação da economia mundial e a estabilização da região”. A convicção do chanceler é que as negociações das próximas semanas garantam que o Irão ponha fim, de forma verificável, ao seu programa nuclear militar e salientou que não deve haver mais ataques contra Israel e outros vizinhos da região. “Agora trata-se de aplicar com determinação o que foi acordado”, afirmou, sublinhando a necessidade de o Estreito de Ormuz permanecer aberto e sem quaisquer restrições.

A Arábia Saudita também aplaudiu o acordo alcançado para terminar as operações militares e iniciar, no prazo de 60 dias, negociações mais detalhadas, defendendo que deve ter como objetivo um acordo permanente. Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros saudita sublinhou a necessidade de se chegar a um acordo de paz duradouro que tenha em conta os interesses de segurança dos Estados da região.

O Egito foi outra das vozes mais importantes do mundo islâmico a saudar o acordo, que, disse fonte da diplomacia, representa um “ponto de viragem importante” para a paz na região. “O Egito congratula-se com o acordo alcançado entre os Estados Unidos e a República Islâmica do Irão, que considera ser um desenvolvimento muito significativo que vai restaurar a segurança e a estabilidade a nível regional e internacional”, dizia um comunicado do governo do Cairo.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar manifestou o “total apoio a todos os esforços e iniciativas que visem reforçar a segurança e a estabilidade regional”. O pequeno país onde o xiismo tem assinalável importância, foi um dos que, juntamente com o Paquistão, mais empenho demonstrou na mediação do conflito.

Preterido nessa área, a da mediação (pelo menos na linha da frente), o presidente da Turquia, Recep Erdogan, não deixou de se associar à “satisfação” com que encarou o acordo alcançado: é “um desenvolvimento importante para estabelecer a paz e a tranquilidade” no Médio Oriente. “Espero de todo o coração que esta notícia, de que o mundo inteiro há muito necessitava, ajude a abrir caminho para uma paz e segurança duradouras na nossa região”, declarou nas redes sociais. Apesar da sua forte oposição a Benjamin Netanyahu, Erdogan não mencionou diretamente o nome do primeiro-ministro de Israel, mas aconselhou a que todas as partes envolvidas evitem “declarações provocatórias” e ações que possam aumentar a tensão. Alertou também para o risco de tentativas de sabotagem antes da assinatura do documento.

A Austrália destacou o facto de o acordo prever medidas para reabrir o Estreito de Ormuz e restabelecer a liberdade de navegação naquela via marítima. Em comunicado conjunto, o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, e a ministra dos Negócios Estrangeiros, Penny Wong, saudaram o pacto, reiteraram o apelo de Camberra ao fim das hostilidades na região, incluindo o conflito no Líbano e pedirão um compromisso construtivo para evitar o reacender do conflito.

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, saudou o anúncio, apelando à garantia da navegação no Estreito de Ormuz. “No futuro, esperamos que este memorando seja implementado de forma consistente, que a navegação livre e segura no Estreito de Ormuz seja efetivamente garantida e que se chegue o mais rapidamente possível a um acordo final sobre a questão nuclear do Irão e outros assuntos”, escreveu nas redes sociais. O ministro dos Negócios Estrangeiros japonês, Toshimitsu Motegi, emitiu um comunicado onde saudou o acordo como “um grande passo para a resolução da situação”.

Do seu lado, a China saudou com entusiasmo o acordo de paz alcançado. As declarações oficiais foram feitas pelo porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Lin Jian, que destacou a posição de Pequim de apoio ao entendimento. Sem esquecer o papel do Paquistão, que funcionou como o mediador, Pequim disse esperar que o documento seja assinado dentro do prazo previsto, 19 de junho. Lin afirmou que a China espera que todas as partes envolvidas “permaneçam comprometidas com uma resolução pacífica”.

Portugal une-se à comunidade internacional e aplaude o anunciado acordo para pôr fim aos ataques no Irão e no Líbano. O presidente da República, António José Seguro, espera que a implementação do acordo “traga a paz, segurança e estabilidade indispensáveis ao desenvolvimento de toda a região, e permita o retomar da livre circulação no estreito de Ormuz”.

 

Missão militar conjunta está pronta

Falando antes de partir para a cimeira do G7 em França, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, considerou o entendimento um “momento enormemente significativo” para recuperar a economia global e a segurança regional. O primeiro-ministro frisou que, para a paz durar, os compromissos assumidos pelo Irão sobre o seu programa nuclear têm de ser robustos e totalmente verificáveis. Recorde-se que o Reino Unido participou no planeamento desta fase de transição e ofereceu apoio militar especializado para operações de remoção de minas marítimas, garantindo que a reabertura do Estreito de Ormuz aconteça em total segurança.

O anfitrião da cimeira, Emmanuel Macron, saudou o acordo com grande entusiasmo e assumiu um papel de liderança na sua aplicação prática. O presidente francês anunciou que uma missão militar conjunta entre a França e o Reino Unido já está pronta para ser destacada para a região. A força naval vai apoiar o tráfego marítimo e garantir a reabertura do Estreito de Ormuz em total segurança. Macron avisou também que vai defender um canal livre e “sem portagens” para o comércio.

Portugal alinhou pelas incondicionais declarações de regozijo. “Portugal estará sempre do lado da busca de soluções diplomáticas e do respeito pelo direito internacional e agradece os esforços de todas as partes envolvidas na mediação”, lê-se numa nota publicada pela Presidência da República. No mesmo sentido, o Governo português saudou o acordo, esperando que possa ser o ponto de partida para uma paz duradoura para a região e o mundo. Nas redes sociais, o Ministério dos Negócios Estrangeiros “agradece a incansável mediação do Paquistão e os importantes contributos do Qatar, da Arábia Saudita e da Turquia”.

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Acordo Irão-EUA: o mundo inteiro contra Israel

O acordo de paz entre o Irão e os Estados Unidos não foi assinado este domingo, ao contrário daquilo que o presidente norte-americano, Donald Trump, tinha previsto – mas a continuação dos ataques de Israel ao Líbano fez o Irão exigir uma pausa. É agora claro para todos os países que são as iniciativas militares determinadas pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, contra o Líbano que estão a impedir a assinatura do acordo, a abertura do Estreito de Ormuz, o regresso da normalidade aos mercados internacionais, a descida do preço do petróleo, a normalização do setor energético e a ‘despressurização’ da inflação global, entre outras coisas.

Mais uma vez, Trump manifestou o seu grande descontentamento face a Netanyahu: Benjamin Netanyahu “não tem juízo nenhum”, disse em declarações ao jornal norte-americano ‘Axios’, repetindo, de forma mais branda, o que lhe dissera num telefonema há pouco mais de uma semana. Alheio a qualquer compromisso dos Estados Unidos e à vontade da esmagadora maioria dos países. Israel continua a colocar no terreno o seu plano para o Líbano, afirmando que o acordo não tem nada a ver com o assunto. Só Israel é que acha isso, e os analistas debatem até que ponto é que o acordo entre Teerão e Washington conseguirá aguentar, depois de ser assinado, uma eventual investida de Israel sobre o território iraniano. Uma coisa parece ser certa entre os analistas: se isso acontecer, os Estados Unidos deixarão, desta vez, Israel por sua conta e risco – ao contrário do que sucedeu em fevereiro passado e em junho de 2025.

Indiferente a tudo o que se passa fora das suas fronteiras e não está alinhado com os seus interesses, Israel passou o fim-de-semana a pressionar o sul do Líbano e a atacar os arredores de Beirute, sempre com a ‘desculpa’ da eliminação de células do Hezbollah. Mas o desgaste político de Netanyahu vai aumentando e as críticas dos seus adversários internos vão aumentando de tom.

 

Um “suicídio coletivo”

o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, líder do Bennett 2026 (e ex-líder de partidos da direita radical e dirigente do Juntos, a coligaçãp com o ex-primeiro-ministro Yair Lapid) lançou um ataque feroz contra a estratégia Netanyahu. Em entrevista ao ‘The Times of Israel’, Bennett denunciou a “abordagem geral” de Netanyahu, criticando “esta guerra muito prolongada” em múltiplas frentes. “Nunca foi doutrina de Israel manter uma guerra contínua, que está a exaurir a sociedade e a economia israelitas e prejudica drasticamente a nossa posição internacional”.

Bennett afirmou que Netanyahu simplesmente perdeu a capacidade de governar, de vencer guerras, de restaurar a lei e a ordem, de integrar os ultraortodoxos na sociedade israelita e de recuperar abalada posição de Israel no mundo. O Estado hebraico enfrenta “um momento existencial” e alertou que mais um mandato sob o atual governo (o país tem eleições previstas para o outono) deixaria o país sem uma economia funcional, uma sociedade sólida ou uma posição internacional relevante. Bennett disse que a dependência de Netanyahu em relação aos parceiros de coligação de extrema-direita (Itamar Ben Gvir e Bezalel Smotrich) o impede de ter em vista os interesses nacionais de Israel. Esta ‘prisão’ acabará naquilo que definiu como um “suicídio nacional em câmara lenta” – nomeadamente devido à forma como Netanyahu está a lidar com o recrutamento militar dos ultraortodoxos (que simplesmente não existe, havendo por isso israelitas que, ao contrário da maioria, não têm de exporem à morte na linha da frente).

“Não temos soldados suficientes, mas Netanyahu é incapaz de recrutar os 20 mil soldados haredi desaparecidos. O público já está sobrecarregado: 90% dos israelitas seculares e religiosos são recrutados. Os ultraortodoxos estão perto de zero por cento”, disse. Mas não ficou claro que Bennett faça, se for caso disso, muito diferente de Netanyahu: “a minha estratégia é: precisamos de apostar numa estratégia de longo prazo para acelerar o colapso do regime iraniano, não apenas por meio de ações cibernéticas, mas também garantindo que eles não consigam obter uma arma nuclear. Com a Mossad e outros grupos, iniciei cerca de 30 ações diferentes — não apenas bombardeamentos. Estou a falar de ações económicas, cibernéticas, ações abertas e secretas”.

 

“Fiquei chocado”

Agastado com tudo isto, Donald Trump ainda tem esperança no acordo. Trump disse que ficou “chocado” quando os seus assessores o informaram sobre o ataque israelita em Beirute este domingo. “É tão mau – eu nem conseguia acreditar. Uma hora antes de assinarmos o acordo…” Trump reconheceu que o Hezbollah atacou Israel primeiro, mas enfatizou que não causou nenhum dano e ninguém morreu. “Porque é que Netanyahu teve de fazer esse ataque? Eu fiquei muito chateado. Deixei-lhe isso bem claro. Ele não tem o menor juízo. Deixei isso bem claro “, disse Trump.

Os principais pontos do acordo – ou do memorando que funciona como uma base provisória, foca-se em duas fases de cedências mútuas: abertura do Estreito de Ormuz e uma trégua imediata: Em troca, os Estados Unidos comprometem-se a levantar o bloqueio naval aos portos do país e contribuir para o descongelamento de cerca de 25 mil milhões de dólares em ativos iranianos retidos pelas sanções. Os Estados Unidos deverão também fornecer uma pausa temporária nas sanções sobre o petróleo do Irão. Do seu lado, o governo iraniano aceita manter o estatuto atual do seu programa nuclear (sem avançar no enriquecimento). Após a assinatura oficial deste memorando, os dois países iniciam um período de 60 dias de conversações intensas para finalizar os detalhes práticos e de longo prazo sobre o desmantelamento nuclear.

O Irão prometeu que retaliaria – o que pode vir a suceder ao longo da noite.

Até ao fecho desta edição, o acordo ainda não tinha sido assinado. A assinatura deverá acontecer na Suíça, e o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, será quem vai assinar pelo lado norte-americano.

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