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Prédio da USP pegou fogo meses antes de vazamento radioativo; relembre caso

A sede do Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares), localizada no campus da USP em São Paulo, registrou dois incidentes técnicos em um intervalo de menos de três meses.

O caso mais recente, confirmado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) na quinta-feira (11), envolveu o vazamento de material radioativo, enquanto em março, um incêndio atingiu o complexo do reator nuclear.

O incêndio no reator

Em 26 de março, um incêndio de natureza localizada atingiu a sala de controle do reator de pesquisa IEA-R1. As chamas afetaram um conjunto de racks, o cabeamento sob o piso e parte do teto da instalação.

Na ocasião, a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) descartou riscos radiológicos, mas recomendou limpeza especializada devido aos resíduos químicos da queima de materiais.

O vazamento recente

Já no dia 29 de maio, traços de tecnécio-99 foram detectados durante a produção de insumos para radioterapia no Centro de Radiofarmácia.

O incidente contaminou a vestimenta de um técnico e, posteriormente, o calçado de um segundo operador por meio de um traço residual no piso.

Segundo o Ipen, exames de “contagem de corpo inteiro” confirmaram que os trabalhadores não sofreram contaminação interna.

O instituto está sob fiscalização da ANSN e tem até o dia 18 de junho para cumprir novas exigências regulatórias.

Outro lado

O Ipen se manifestou por meio de nota. Veja abaixo na íntegra:

“No dia 29 de maio, durante a rotina de produção de Geradores de Molibdênio-99/Tecnécio-99m, a roupa de um técnico do Centro de Radiofarmácia foi contaminada. O incidente foi prontamente identificado pelos detectores da instalação e o operador realizou a limpeza e o isolamento imediato de sua vestimenta. Após esse procedimento, o piso próximo ao detector reteve um leve traço de contaminação que, na segunda-feira, dia 1 de junho, causou a contaminação do calçado de um segundo operador.

Ambos os profissionais foram submetidos ao exame de contagem de corpo inteiro, que avalia possíveis contaminações internas. O procedimento constatou que a contaminação limitou-se exclusivamente às roupas externas, garantindo que nenhum dos operadores sofresse qualquer consequência à saúde.

Por não haver sequelas ou riscos residuais, nenhum funcionário permanece sob observação. Os envolvidos passaram por retreinamento e o caso segue sob avaliação interna para o aprimoramento dos processos de controle e segurança. A ocorrência foi integralmente relatada à Agência Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) por meio de um relatório técnico.

Contaminações pontuais em Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), embora rigidamente prevenidas, são ocorrências que podem eventualmente acontecer. Por essa razão, todo incidente direciona o profissional ao monitoramento de dose acumulada e ao exame de corpo inteiro.

É comum que os funcionários do Centro de Radiofarmácia mantenham doses acumuladas significativamente baixas aos limites permitidos pelas leis trabalhistas. Como medida extra de segurança preventiva, sempre que a dose de um trabalhador apresenta elevação, a sua função é trocada e a atividade executada é revisada para garantir a redução da exposição e a melhoria do processo produtivo.

Paralelamente à produção diária, o Centro de Radiofarmácia mantém uma equipe de pesquisa ativa com projetos promissores, como o Lu-177-PSMA-IT, em fase de testes clínicos, e estudos com moléculas marcadas com alfa-emissores, como o Ac-225.

O IPEN é um dos maiores fornecedores de radiofármacos para o Sistema Único de Saúde contribuindo decisivamente para o desenvolvimento do Brasil.”

(Com informações de Robson Rodrigues, Thiago Félix e Thomaz Coelho)

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O que sabemos sobre o vazamento radioativo em prédio na USP

A CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear) confirmou o vazamento de material radiológico no Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares), cujo prédio fica dentro da USP (Universidade de São Paulo), na zona Oeste de São Paulo. O caso ocorreu no último dia 29 de maio, mas só foi confirmado pelo órgão nessa quinta-feira (11).

O evento não foi a primeira ocorrência registrada. Desta vez, dois profissionais tiveram EPIs contaminados durante o manuseio de insumos para radioterapia.

De acordo com informações do CNEN, a contaminação ficou restrita à área controlada do Centro de Radiofarmácia. Nenhum profissional foi atingido ou está em observação por impacto da contaminação.

O que vazou?

De acordo com a autarquia, foram detectados traços de tecnécio-99 durante o manuseio de geradores de molibdênio. O vazamento foi reportado inicialmente por entidades sindicais e confirmado pelo órgão regulador após a abertura de um relatório de ocorrência interna.

Quem foi impactado?

O incidente envolveu dois funcionários, classificados tecnicamente como Indivíduos Ocupacionalmente Expostos.

Segundo nota oficial do Ipen, a contaminação começou na vestimenta de um técnico e, apesar do isolamento imediato da roupa, um traço residual no piso atingiu o calçado de um segundo operador no dia 1º de junho.

Ambos foram submetidos a exames de “contagem de corpo inteiro”, que descartaram contaminação interna. O órgão assegura que a situação ficou restrita à área controlada do Centro de Radiofarmácia e não houve riscos para o restante do campus ou para a saúde pública.

O que acontece agora?

A ANSN (Autoridade Nacional de Segurança Nuclear) instaurou um procedimento de verificação técnica para avaliar o caso. O instituto tem até o dia 18 de junho para atender a exigências regulatórias notificadas pelo órgão fiscalizador.

O Ipen informou que os profissionais envolvidos passaram por retreinamento e que o monitoramento de dose acumulada é uma prática de segurança rotineira na instalação.

O centro é um dos principais fornecedores de radiofármacos para o SUS (Sistema Único de Saúde).

Outro lado

O Ipen se manifestou por meio de nota. Veja abaixo na íntegra:

“No dia 29 de maio, durante a rotina de produção de Geradores de Molibdênio-99/Tecnécio-99m, a roupa de um técnico do Centro de Radiofarmácia foi contaminada. O incidente foi prontamente identificado pelos detectores da instalação e o operador realizou a limpeza e o isolamento imediato de sua vestimenta. Após esse procedimento, o piso próximo ao detector reteve um leve traço de contaminação que, na segunda-feira, dia 1 de junho, causou a contaminação do calçado de um segundo operador.

Ambos os profissionais foram submetidos ao exame de contagem de corpo inteiro, que avalia possíveis contaminações internas. O procedimento constatou que a contaminação limitou-se exclusivamente às roupas externas, garantindo que nenhum dos operadores sofresse qualquer consequência à saúde.

Por não haver sequelas ou riscos residuais, nenhum funcionário permanece sob observação. Os envolvidos passaram por retreinamento e o caso segue sob avaliação interna para o aprimoramento dos processos de controle e segurança. A ocorrência foi integralmente relatada à Agência Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) por meio de um relatório técnico.

Contaminações pontuais em Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), embora rigidamente prevenidas, são ocorrências que podem eventualmente acontecer. Por essa razão, todo incidente direciona o profissional ao monitoramento de dose acumulada e ao exame de corpo inteiro.

É comum que os funcionários do Centro de Radiofarmácia mantenham doses acumuladas significativamente baixas aos limites permitidos pelas leis trabalhistas. Como medida extra de segurança preventiva, sempre que a dose de um trabalhador apresenta elevação, a sua função é trocada e a atividade executada é revisada para garantir a redução da exposição e a melhoria do processo produtivo.

Paralelamente à produção diária, o Centro de Radiofarmácia mantém uma equipe de pesquisa ativa com projetos promissores, como o Lu-177-PSMA-IT, em fase de testes clínicos, e estudos com moléculas marcadas com alfa-emissores, como o Ac-225.

O IPEN é um dos maiores fornecedores de radiofármacos para o Sistema Único de Saúde contribuindo decisivamente para o desenvolvimento do Brasil.”

(Com informações de Robson Rodrigues, Thiago Félix e Thomaz Coelho)

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Radiação UV: todo o país em risco muito elevado (pelo menos) até segunda-feira

Temperaturas vão chegar aos 40 graus em várias regiões do país, nos próximos dias. Saiba como se proteger. Todos os distritos de Portugal continental e os arquipélagos da Madeira e dos Açores estão esta sexta-feira em risco muito elevado de exposição à radiação ultravioleta (UV), segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). Portugal continental vai registar temperaturas elevadas até sábado com valores da temperatura máxima a variar entre 30 e 37 graus Celsius, podendo variar entre 38 e 40 graus em alguns locais do Alentejo, Ribatejo e vale do rio Douro. Na faixa costeira ocidental, os valores

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O que importa saber sobre radiações

Para muitas pessoas, a palavra “radiação” surge imediatamente associada a momentos de preocupação, exame médico ou um tratamento.

Quando se fala em radiação, surgem, frequentemente, na memória imagens marcantes e assustadoras, como os bombardeamentos atómicos de Hiroshima e Nagasaki ou o acidente nuclear de Chernobyl.

Atualmente, o tema continua muito presente nas conversas, não só por estas memórias terem sido marcantes e com repercussões extremamente severas, mas também porque está ligado a questões atuais, como a transição para energias mais limpas, a necessidade de maior independência energética na Europa e as preocupações com a segurança internacional, especialmente no contexto da guerra na Ucrânia.

Estes episódios reforçam a perceção de um perigo invisível, quase abstrato, mas profundamente inquietante.

Mas e se a radiação fizer parte da nossa vida muito mais do que pensamos?

Na verdade, a radiação faz parte do nosso dia a dia, maioritariamente sem nos darmos conta. Está no solo que pisamos, no ar que respiramos, nos alimentos que consumimos e até no nosso próprio corpo.

Vem também do espaço, sob a forma de radiação cósmica, que atravessa a atmosfera, sendo que a quantidade a que estamos expostos pode até variar: por exemplo, quanto mais elevada for a altitude, maior tende a ser essa exposição.

Ou seja, a radiação não é algo raro ou excecional, faz parte do ambiente que nos rodeia. Talvez por isso, a verdadeira questão não seja se ela existe, mas sim como é utilizada e em que condições.

E apesar de falarmos muitas vezes de “radiação” como se fosse uma única coisa, na realidade nem toda a radiação é igual.

No dia a dia, convivemos sobretudo com a chamada radiação não ionizante, de baixa energia, presente na luz visível, nas ondas de rádio ou no micro-ondas, ao qual somos expostos diariamente.

A radiação ionizante, por ser mais energética, é aquela que encontramos sobretudo em áreas como a medicina. É também a que costuma gerar mais dúvidas e, de forma compreensível, mais receios.

Falar de radiação implica, naturalmente, falar de riscos. Quando utilizada em doses elevadas ou de forma inadequada, pode provocar danos nas células e aumentar o risco de doença.

Mas também é verdade que o seu uso, especialmente na medicina, é altamente controlado. Existe um princípio internacional, conhecido como ALARA, que orienta a prática para garantir que a exposição é sempre a mínima necessária para obter benefício terapêutico.

No caso das baixas doses, como aquelas associadas à maioria dos exames médicos ou à exposição natural do dia a dia, o risco é considerado reduzido.

E talvez seja importante lembrar que esta não é a única fonte de risco à nossa volta. O tabaco, a poluição ou os alimentos processados têm impactos muito mais evidentes na saúde da população.

É na saúde que a radiação mostra, talvez, o seu lado mais invisível e ao mesmo tempo mais transformador.

A radiação X é das mais utilizadas para o diagnóstico de diversas patologias, nomeadamente traumáticas, degenerativas, infeciosas ou malignas. Uma radiografia é muitas vezes o primeiro passo para um diagnóstico.

Existem, no entanto, tecnologias mais avançadas que utilizam baixas doses de radiação X que permitem a deteção de doença em fases precoces, como é o caso do cancro de mama através da mamografia e da osteoporose, através da Densitometria Óssea, que avalia a densidade mineral óssea, contribuindo para o aumento da sobrevida e da qualidade de vida das populações.

 A medicina personalizada e de precisão não dispensa diagnósticos completos e de elevada fiabilidade para os quais em muito contribuem, por exemplo, os exames de Tomografia Computorizada (TC) e Angiografia, que permitem uma avaliação anatómica tridimensional e funcional, baseada na aplicação de doses mais elevadas de radiação X.

Atualmente estas técnicas de imagem até possibilitam o tratamento de algumas patologias através de imagem guiada sem existir necessidade de procedimentos cirúrgicos mais invasivos.

 A radioterapia — uma palavra que, à partida, pode assustar, mas que, todos os dias, ajuda a tratar pessoas com cancro, pela aplicação terapêutica de radiação X. Com uma precisão cada vez maior, permite destruir células tumorais ao mesmo tempo que preserva, tanto quanto possível, os tecidos saudáveis.

Para quem passa por este processo, ou acompanha de perto, a radiação deixa de ser um conceito distante ou abstrato. Torna-se algo concreto, uma ferramenta essencial e, muitas vezes, uma verdadeira aliada no tratamento e na melhoria da qualidade de vida.

Mas a presença da radiação não se limita à medicina. Está nas tecnologias que executam tratamento de águas, monitorizam o ambiente ou ajudam a desenvolver culturas agrícolas mais resistentes. Na indústria, permite analisar estruturas sem as danificar. Na ciência, abre caminho à inovação.

Mas compreender a radiação o que é, como funciona, quando e onde é utilizada, ajuda a transformá-la de ameaça difusa em realidade concreta. E, muitas vezes, menos assustadora.

Em suma, a radiação faz parte do nosso quotidiano e, quando utilizada de forma segura, constitui uma ferramenta essencial ao serviço da saúde, da ciência e da sociedade. Mais do que alimentar receios, importa promover literacia científica que permita compreender os seus riscos reais, mas também os seus benefícios

Porque, no fim, aquilo que não se compreende tende a assustar. Mas aquilo que se conhece… pode ajudar-nos a viver melhor.

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