A Agência de Notícias da República Islâmica (IRNA) do Irã divulgou nesta quarta-feira (17) os termos do acordo provisório com os Estados Unidos para acabar com a guerra, no qual Teerã se compromete a não produzir ou adquirir armas nucleares.
Segundo o documento divulgado pela agência, o Irã reafirmou que não produzirá ou adquirirá armas nucleares e que o futuro do estoque de urânio enriquecido será decidido a partir de um mecanismo mutuamente acordado com os EUA. De acordo com o memorando, a dissolução do material nuclear enriquecido ocorrerá sob supervisão da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica).
O Irã e os EUA também concordaram em não interferir nos assuntos internos um do outro, e as duas partes se comprometeram a chegar a um acordo final após 60 dias de negociação, que podem ser prolongados.
A declaração ainda diz que o Irã vai manter o “status quo” em seu programa nuclear e que Washington não vai impor novas sanções a Teerã ou implementar forças militares adicionais na região até que o acordo final seja alcançado.
O acordo também prevê que, após a assinatura e o fim das sanções, os EUA se comprometem a isentar exportações de petróleo iranianas, assim como produtos petroquímicos e derivados e todos os serviços relacionados. Washington também deve garantir que Teerã possa acessar os fundos iranianos congelados em meio à implementação do memorando.
O papa Leão elogiou nesta terça-feira (16) o acordo provisório entre os Estados Unidos e o Irã para pôr fim à guerra regional no Oriente Médio, dizendo “graças a Deus” sobre a previsão de as duas potências formalizarem o acordo na sexta-feira (19).
O pontífice, que foi alvo de ataques do presidente dos EUA, Donald Trump, após criticar a guerra contra o Irã, disse esperar que o acordo ponha fim ao conflito de vez.
“Ainda haverá vários pontos a serem resolvidos, mas é sempre melhor fazê-lo por meio do diálogo, por meio de negociações, e não voltando à guerra”, disse o primeiro papa norte-americano a jornalistas do lado de fora de sua residência em Castel Gandolfo, na Itália.
“Espero que isso seja realmente uma solução para a guerra, que a guerra tenha realmente acabado e que possamos seguir em frente”, disse ele.
Relembre atrito entre Trump e o papa
Menos de 24 horas após os EUA e Israel iniciarem os ataques ao Irã em 28 de fevereiro, o pontífice pediu o fim da “espiral de violência antes que ela se torne um abismo irreparável”. Ele repetiu esse apelo ao longo do conflito.
No dia 7 de abril, Trump publicou nas redes sociais que “uma civilização inteira morreria” a menos que Teerã cumprisse seu prazo para reabrir o Estreito de Ormuz ainda naquele dia.
O papa Leão XIII classificou a ameaça como “verdadeiramente inaceitável” ao falar com jornalistas algumas horas após a publicação do líder americano.
No dia 12 do mesmo mês, Trump publicou uma longa crítica ao papa no Truth Social. “Não quero um Papa que critique o Presidente dos Estados Unidos”, escreveu Trump. Ele também disse a repórteres que “não é fã do papa Leão”.
Na época, o pontífice disse à CNN que não tem “nenhum medo do governo Trump” e prometeu “continuar com o que acredito ser a missão da Igreja no mundo hoje”.
Questionado se devia um pedido de desculpas ao líder a Igreja Católica após seus comentários, Trump disse ontem: “Não, não devo, porque o papa Leão XIII disse coisas erradas. Ele era muito contra o que estou fazendo em relação ao Irã, e não podemos ter um Irã nuclear.”
O presidente também apagou ontem a imagem de si mesmo como Jesus do Truth Social, dizendo a repórteres que pensava que a imagem o retratava como médico.
Um pequeno distrito montanhoso no Peru ficou perfeitamente dividido no segundo turno das eleições presidenciais – um retrato nítido da profunda divisão que molda a política do país.
Em Lahuaytambo, 181 eleitores apoiaram a conservadora Keiko Fujimori e 181 escolheram o esquerdista Roberto Sánchez nas eleições de 7 de junho, um empate raro que reflete uma disputa nacional extremamente acirrada. Com as urnas ainda em apuração, Fujimori mantém uma vantagem estreita de 50,09% contra 49,90% de Sánchez.
O resultado perfeitamente dividido é um microcosmo do eleitorado do Peru, onde a desilusão com as elites políticas e as desigualdades gritantes entre a capital e as regiões rurais levaram a uma das eleições mais acirradas e polarizadas dos últimos anos.
Situada a quase 3.400 metros de altura e a cerca de apenas 70 km de Lima, a viagem de Lahuaytambo à capital leva horas. A maior parte do caminho é uma estrada de terra sinuosa e propensa a deslizamentos, reforçando a distância que muitos moradores sentem do centro político.
Para muitos moradores, a política caótica de Lima é uma consideração secundária, e a principal questão é quem pode proporcionar algum benefício – como estradas pavimentadas, um reservatório de água ou melhores pensões – à comunidade remota e muitas vezes negligenciada.
Candidato de primeira viagem X Veterana política
“Votei em Keiko porque acho que ela se preocupa mais com as pessoas pobres nas montanhas”, disse Jonathan Javier Medina, 29 anos, agricultor e pai de dois filhos, acrescentando que espera que o seu governo impulsione a agricultura.
Mas a sua esposa, Enma Zabaleta, acha que é mais provável que Sánchez traga mudanças em Lahuaytambo.
“(Votei em Sánchez) para ver se há uma mudança nesta cidade, para ver se ele cumpre as promessas que fez”, disse ela, expressando esperança na pavimentação de estradas e outras infraestruturas. A divisão entre o casal reflete uma dicotomia mais ampla entre os moradores.
Francisca Pumayauli, 81 anos, e Yolanda Ramirez, 76, duas aposentadas que passam as tardes conversando na praça da cidade, disseram apoiar Fujimori porque acreditam que ela ajudará crianças e idosos.
Perto dali, os lojistas Sebastian Davila e Luz Zavaleta apoiaram Sánchez, alegando desconfiança em relação a Fujimori.
Davila disse que o seu ceticismo vem da longa proximidade de Fujimori com o poder, desde o seu papel como primeira-dama sob o governo do seu pai, o ex-presidente Alberto Fujimori, até ao seu tempo no Congresso e múltiplas candidaturas presidenciais. “Há algo nisso, para mim, que não gosto”, disse ele.
Zavaleta disse que Sánchez, candidato presidencial pela primeira vez, poderia oferecer uma ruptura com o passado. “Eu sei o que Keiko diz, ela está concorrendo (à presidência) há muito tempo e o povo não a quer”, disse Zavaleta. “Votei em Sánchez porque é a primeira vez e ele é um homem que pode realmente cumprir tudo o que diz”.
Apesar das suas diferenças, os moradores concordam amplamente em um ponto: Lahuaytambo foi praticamente abandonada pelo governo central e as expectativas de mudança permanecem baixas, independentemente de quem vencer.
“A margem estreita que estamos vendo na votação se deve ao crescente desencanto dos cidadãos com a política, os candidatos e os partidos”, disse Paula Munoz, cientista política da Universidade do Pacífico do Peru, relembrando que Fujimori e Sánchez, juntos, obtiveram menos de 30% dos votos no primeiro turno. “Não podemos esquecer que a maioria não está satisfeita com nenhum dos dois, então isso obriga a escolher entre dois candidatos que a maioria dos eleitores não gostou”, afirma.
Poder urbano, frustração rural
Quase um terço dos 35 milhões de habitantes do Peru vive na região metropolitana de Lima, que abrange apenas uma fração do território do país, mas concentra grande parte do seu investimento, infraestruturas e poder político.
A capital gera cerca de metade da produção econômica do Peru, enquanto as zonas rurais andinas enfrentam níveis de pobreza significativamente mais elevados, evidenciando um desequilíbrio de longa data que continua a moldar as eleições.
Essa divisão ajudou a impulsionar Pedro Castillo, um professor rural, a uma vitória estreita sobre Fujimori em 2021. Muitos veem Sánchez como o seu herdeiro político.
Lahuaytambo também apoiou Castillo, embora a sua presidência tenha sido interrompida por escândalos de corrupção, um Congresso combativo e a sua destituição após tentativa de dissolução do parlamento em 2022.
O partido Força Popular de Fujimori desempenhou um papel central nesse Congresso, e os analistas dizem que ela poderá agora voltar ao poder enfrentando um cenário político igualmente fragmentado.
Eles dizem que a sua pequena vantagem reflete as preocupações dos eleitores com o crime, bem como uma campanha mais experiente e mais bem financiada.
Memória e expectativas
Como muitos moradores mais antigos, Hugo Pumayauli lembra quando Alberto Fujimori visitou a cidade e distribuiu arroz, lentilhas e peixe, imagem que ainda ressoa décadas depois.
A campanha da sua filha voltou nesta eleição com camisetas e cartazes, revivendo essas memórias e aumentando as esperanças de assistência futura. “Como o pai dela distribuiu peixes, alguns acham que ela fará o mesmo”, disse Pumayauli.
Mas ele rejeita o que considera como doações de curto prazo, argumentando que é necessário um investimento mais profundo. “Terei algo para comer agora, mas e amanhã?” disse ele, pedindo soluções de longo prazo, como um reservatório de água para apoiar a agricultura local.
Em uma cidade dividida igualmente entre dois candidatos, essa tensão – entre a ajuda imediata e o desenvolvimento duradouro – é o desafio mais amplo que o próximo líder do Peru enfrentará.
O embaixador do Brasil em Teerã, André Veras Guimarães, presenteou o chanceler do Irã, Seyyed Abbas Araghchi, com uma camisa da Seleção Brasileira durante um encontro de embaixadores de países latino-americanos nesta terça-feira (16), na capital iraniana.
O canal oficial do ministro das Relações Exteriores do Irã no Telegram divulgou uma foto do embaixador brasileiro segurando a camisa da Seleção, lado do chanceler iraniano. Segundo o comunicado, a entrega do presente aconteceu à margem da reunião de embaixadores e chefe de missões estrangeiras em Teerã com Abbas Araghchi.
“Neste breve encontro, os embaixadores do Uruguai e do Brasil, em um ato simbólico e ao mesmo tempo do clima apaixonante da Copa do Mundo, entregaram as camisas das seleções nacionais de futebol de seus países ao Ministro das Relações Exteriores do nosso país”, diz a publicação no Telegram.
O comunicado ainda afirma que o ministro iraniano enfatizou a necessidade de “desenvolver a cooperação em vários campos e, apreciando a iniciativa dos embaixadores do Brasil e do Uruguai, considerou importante o papel da diplomacia esportiva no fortalecimento da proximidade das nações”.
Embaixador do Uruguai entrega camisa da Seleção ao chanceler do Irã • Reprodução/Telegram
Fontes confirmaram ao analista de Política da CNN Caio Junqueira que a diplomacia brasileira vê o acordo provisório como positivo, mas ainda enxerga há muitas “ameaças” à sua viabilização. Entre elas, a oposição interna de setores americanos ao acordo e a resistência de Israel.