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Algarve vai ter projeto-piloto de diagnóstico e tratamento da apneia do sono

15 June 2026 at 17:31

A Unidade Local de Saúde do Algarve vai iniciar, dentro de três meses, um projeto-piloto de diagnóstico e tratamento da Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono nos cuidados de saúde primários, com duração de dois anos.

A Direção-Geral da Saúde, através do Programa Nacional para as Doenças Respiratórias, desenvolveu «um modelo integrado e descentralizado de diagnóstico, tratamento e seguimento» daquela doença crónica, «com supervisão clínica hospitalar remota», lê-se em despacho publicado esta segunda-feira, 15 de Junho, em Diário da República, assinado pela secretária de Estado da Saúde, Ana Povo.

A implementação deste modelo vai ser avaliada, «em contexto de projeto-piloto», nas unidades locais de saúde (ULS) do Algarve e do Estuário do Tejo, «com vista à sua eventual expansão progressiva a todas as Unidades Locais de Saúde do Serviço Nacional de Saúde».

A apneia do sono é uma «patologia crónica de elevada prevalência, estimada em mais de 15 % da população adulta portuguesa», com «impacto significativo» na morbilidade cardiovascular, no risco de acidentes rodoviários e laborais e na qualidade de vida dos cidadãos.

Segundo o despacho do Governo, há uma proporção «relevante» de casos por diagnosticar «em virtude das limitações de capacidade de resposta do modelo assistencial vigente».

«O modelo assistencial atual, de natureza predominantemente hospitalar, evidencia limitações na capacidade de resposta à crescente procura, traduzidas em tempos de espera prolongados para diagnóstico e início de tratamento, bem como numa utilização intensiva de recursos especializados e em custos acrescidos para o SNS», salienta o documento.

O modelo desenvolvido pretende «concretizar a descentralização de cuidados para o nível de proximidade e libertar capacidade hospitalar especializada», assentando na utilização de telessaúde e na «interoperabilidade dos sistemas de informação», promovendo a integração entre os cuidados de saúde primários e os cuidados hospitalares das ULS, «através de uma abordagem coordenada e centrada no utente».

Os projetos-piloto têm início operacional no prazo de 90 dias a contar a partir desta terça-feira, 16 de Junho, tendo a duração de 24 meses.

Serão depois alvo de avaliação intercalar, com vista à «eventual expansão progressiva» a outras ULS.

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Mucosite: um efeito secundário frequente no tratamento do cancro que exige atenção e prevenção

1 June 2026 at 17:30

Os tratamentos utilizados no combate ao cancro, como a quimioterapia, a imunoterapia e a radioterapia, sobretudo quando aplicados na região da cabeça e pescoço, podem provocar vários efeitos secundários. Um dos mais frequentes e debilitantes é a mucosite, uma inflamação da mucosa da boca e da garganta que pode afetar os lábios, as gengivas e outras estruturas da cavidade oral.

A mucosite é considerada um dos efeitos secundários com maior impacto na qualidade de vida das pessoas em tratamento oncológico.

Nem todos os medicamentos utilizados no tratamento do cancro provocam mucosite, mas trata-se de um sintoma relativamente comum, que exige vigilância, prevenção e intervenção precoce.

Geralmente, o doente apresenta irritação da mucosa e úlceras semelhantes a aftas, que podem causar dor intensa ao mastigar, engolir ou mesmo ao beber líquidos.

A dor e o desconforto dificultam a alimentação e a fala, afetando não só o bem-estar físico, como o emocional do doente.

Apesar de existirem tratamentos para a mucosite, a prevenção continua a ser uma das estratégias mais eficazes. Manter uma boa higiene oral é fundamental, com escovagem dos dentes após as refeições e antes de dormir, utilizando uma escova de cerdas macias e uma pasta de dentes adequada para dentes sensíveis.

O uso de elixires sem álcool para bochechar após as refeições ajuda a manter a boca limpa, enquanto a hidratação dos lábios e da mucosa oral é essencial. Evitar o tabaco é igualmente recomendado, pois o fumo agrava a irritação da mucosa e atrasa a cicatrização.

Quando a mucosite já está presente, a alimentação deve ser adaptada para reduzir o desconforto e garantir uma nutrição adequada. Alimentos cremosos e fáceis de mastigar e engolir, como sopas, purés, batidos, fruta cozida, gelatinas, arroz e massa bem cozidos, bem como carne e peixe desfiados ou triturados, são opções a considerar.

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Os alimentos devem ser ingeridos à temperatura ambiente, evitando temperaturas muito quentes ou muito frias, e as refeições devem ser fracionadas ao longo do dia, com pequenas quantidades ingeridas várias vezes. A ingestão de água, entre 1,5 e 2 litros por dia, é fundamental, podendo ser consumida em pequenos goles durante as refeições para facilitar a deglutição. Em alguns casos, e se o tratamento permitir, a aplicação de frio na mucosa, como gelo ou gelados, pode aliviar a dor.

Por outro lado, devem ser evitados alimentos secos ou ásperos, como torradas, tostas, frutos secos e bolachas, bem como alimentos salgados, ácidos, cítricos ou muito condimentados. Bebidas alcoólicas, gaseificadas e com cafeína, como café e chá preto, também podem agravar a irritação da mucosa e devem ser reduzidas ou evitadas.

Nos últimos anos, o uso de produtos naturais na prevenção e no tratamento da mucosite tem sido alvo de investigação científica. O mel tem demonstrado resultados promissores, com evidência de redução da dor e da gravidade das lesões. Outros produtos naturais, como camomila, própolis, cúrcuma e aloe vera, apresentam algumas evidências de eficácia, mas ainda necessitam de mais estudos antes de serem integrados de forma sistemática na prática clínica.

É fundamental que os doentes informem a sua equipa de saúde ao primeiro sinal de mucosite oral. Para além das medidas de higiene, alimentação e cuidados gerais, pode ser necessária medicação específica para aliviar os sintomas e prevenir complicações.

A deteção precoce e o acompanhamento adequado permitem reduzir o impacto da mucosite, melhorar a qualidade de vida e garantir a continuidade dos tratamentos oncológicos com maior segurança e conforto.

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