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El Niño leva ONS a poupar reservatórios do Sul para garantir suprimento

17 June 2026 at 18:59

O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) está preparando uma estratégia para enfrentar os possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre o setor elétrico brasileiro, com foco na preservação dos reservatórios da região Sul para garantir o atendimento da demanda de potência nos meses mais críticos do ano.

Durante participação no Enase (Encontro Nacional do Setor Elétrico), o diretor de planejamento do ONS, Alexandre Zucarato, disse que a principal preocupação da entidade é um eventual atraso das chuvas na região Norte, onde estão localizadas hidrelétricas consideradas estruturantes para o sistema, como Belo Monte, Santo Antônio e Jirau.

Segundo ele, dependendo da intensidade e da configuração do fenômeno climático, a redução das afluências nessas usinas pode comprometer a disponibilidade de potência justamente no período de transição entre a estação seca e o início das chuvas.

A principal preocupação com o El Niño (…) é atrasar a chuva na região Norte do país, onde estão os projetos estruturantes”, afirmou.

Para enfrentar esse cenário, o operador pretende preservar ao máximo os reservatórios considerados estratégicos para o atendimento da ponta de carga, especialmente na Região Sul.

“A gente trabalha já com o que aprendeu ao longo desde o final de 2020 e a crise de 2021, que é deixar posicionados e resguardados os reservatórios estratégicos para atendimento de potência”, disse.

De acordo com Zucarato, o objetivo é manter os reservatórios do Sul o mais cheios possível até a aproximação do período chuvoso. A estratégia busca preservar a capacidade de geração justamente nos momentos de maior necessidade do sistema.

Segundo Zucarato, se as condições hidrológicas exigirem, o CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) poderá autorizar o despacho de usinas fora da ordem de mérito econômico para preservar os reservatórios considerados estratégicos.

A estratégia envolve especialmente a gestão dos estoques nas bacias dos rios Grande e Paranaíba, que influenciam diretamente a geração de importantes usinas do sistema, como Itaipu.

“A chuva não vai fazer o reservatório subir mais por causa do volume, mas ajuda o reservatório a andar de lado, o que é ótimo para não descer”, afirmou.

ONS diz que leilão de capacidade não resolveu estabilidade do sistema

17 June 2026 at 15:00

O diretor de Planejamento do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Alexandre Zucarato, afirmou nesta quarta-feira (4) que os Leilões de Reserva de Capacidade (LRCap) realizados neste ano tiveram papel relevante para a segurança energética do país, mas não foram suficientes para solucionar todos os desafios operacionais enfrentados pelo sistema elétrico brasileiro.

Durante participação no Enase (Encontro Nacional do Setor Elétrico), Zucarato destacou que a crescente participação das fontes renováveis tem ampliado a complexidade da operação, especialmente nos períodos de transição entre a geração solar e o pico de consumo.

“A curva do pato está mais gordinha e mais ‘pescoçuda’. E o LRCap não resolveu todo o problema da estabilidade do sistema”, afirmou.

A chamada “curva do pato” é um fenômeno associado ao crescimento da geração solar. Durante o dia, a produção fotovoltaica reduz a demanda atendida pelas demais fontes, mas, no fim da tarde e início da noite, quando a geração solar cai rapidamente, o sistema precisa elevar a oferta de energia em um curto intervalo de tempo para atender o consumo.

O leilão de capacidade contratou cerca de 19,5 GW de potência em contratos de até 15 anos. O certame foi alvo de controvérsias desde antes de sua realização, em razão da elevação dos preços-teto às vésperas da disputa, dos baixos deságios observados em parte dos produtos e dos questionamentos apresentados por entidades do setor, pelo Ministério Público Federal e pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Apesar das críticas e de disputas judiciais, os resultados acabaram homologados pela Aneel.

Segundo Zucarato, esse comportamento tem se intensificado nos últimos anos e aumenta os desafios para a operação do SIN (Sistema Interligado Nacional).

Nesse contexto, o diretor afirmou que o futuro leilão de baterias deverá contribuir para ampliar a estabilidade elétrica e fornecer maior flexibilidade ao sistema. “O leilão de baterias vem para somar e dar mais estabilidade”, disse.

O Ministério de Minas e Energia publicou recentemente as diretrizes para o primeiro leilão de sistemas de armazenamento do país, previsto para dezembro. O objetivo é contratar recursos capazes de armazenar energia em momentos de sobra de geração e devolvê-la ao sistema nos períodos de maior necessidade.

“A matriz elétrica pede novos ativos para reduzir a dificuldade de atender as necessidades do sistema”, disse ele se referindo ao sistema utilizar diversas tecnologias para atendimento da carga.

Reservatórios

Zucarato também afirmou que os níveis de armazenamento dos reservatórios das hidrelétricas atualmente apresentam condições semelhantes às observadas em 2025. A diferença, segundo ele, está justamente na evolução do perfil da demanda e da geração renovável.

De acordo com o diretor, o crescimento da “curva do pato” tem ampliado os desafios relacionados ao atendimento da ponta de carga e à velocidade com que o sistema precisa elevar a geração para acompanhar o aumento do consumo nos horários críticos.

Mercado tem incorporado o risco dos projetos de energia renovável

17 June 2026 at 00:20

Os cortes na geração de energia eólica e solar determinados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), prática conhecida como “curtailment”, estão alterando a percepção de risco dos investidores sobre os projetos de energia renovável no Brasil. O efeito tem sido sentido tanto no valor de mercado das empresas quanto na capacidade de captação de recursos, segundo avaliação do chefe de banco de investimento do UBS BB, Anderson Brito.

Em entrevista ao programa Alta Voltagem, da CNN, o executivo afirmou que o mercado passou a incorporar esse novo risco na precificação dos ativos de geração renovável, especialmente nos segmentos eólico e solar.

Segundo o executivo, embora o risco de construção dos empreendimentos hoje seja maior do que há pouco mais de uma década, a principal preocupação dos investidores está relacionada ao desempenho operacional dos ativos, incluindo o ambiente de contratação da energia, o risco de despacho e o volume efetivamente gerado e comercializado.

“O nível de taxa de desconto em solar e eólica está aumentando se comparado com plantas de hidrelétricas”, afirmou.

Na prática, uma taxa de desconto maior reduz o valor presente dos fluxos de caixa futuros dos projetos, pressionando a avaliação das empresas e tornando mais difícil a obtenção de financiamento ou novos investimentos.

O tema ganhou relevância nos últimos anos com o aumento dos episódios de “curtailment”. Os cortes ocorrem quando o ONS determina a redução da geração de determinadas usinas para preservar a segurança e a estabilidade do sistema elétrico. Embora a energia deixe de ser produzida por decisão operacional do sistema, os empreendedores alegam perda de receita e defendem compensações financeiras.

O mercado não fala ainda de casos de insolvência relacionados ao problema, mas algumas empresas já enfrentam dificuldades financeiras decorrentes da redução de receitas e quebra de covenants (descumprimento de condições ou cláusulas restritivas estabelecidas em contratos de financiamento).

Os dados mais recentes apontam prejuízos acumulados que ultrapassam R$ 4 bilhões. Diante desse cenário, as empresas aguardam uma solução do governo federal por meio de um termo de compromisso que estabeleça mecanismos de ressarcimento pelas perdas sofridas.

Caso a compensação seja efetivamente implementada, o custo deverá ser repassado aos consumidores de energia. Isso porque o ressarcimento tende a ocorrer por meio do ESS (Encargo de Serviços do Sistema), mecanismo utilizado para cobrir custos associados à operação do sistema elétrico e que é pago pelos consumidores nas tarifas de energia.

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