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Received — 4 June 2026 Sul Informação

O magnífico Dr. A.

4 June 2026 at 17:30

– E eu tenho por esta lei muito carinho…

Assim rezou o palestrante. Para o magnífico Dr. A., esse decreto com que coabitava todos os dias, como se fosse cão, gato ou filho, era muito lá de casa. Poucas vezes ouvimos alguém confessar estes afectos subterrâneos. São verberadas pelo catecismo e pelos amigos mais moralistas as paixões que têm por alvos mudos objectos: dinheiro, móveis, roupas, até empregos. E, neste país, para o bem e para o mal, gostamos mais de contornar legislação do que de sublinhá-la. Ali estava o magnífico Dr. A. para contrariar o carácter nacional.

Esmagado sob o peso da própria gravidade, entrara na sala, secundado por um adjunto e uma secretária. O adjunto sentou-se e ficou responsável por passar os slides da apresentação. Era o “melhor técnico” com que o Dr. já tinha trabalhado.  A secretária, o seu “braço direito”, era alguém em quem o Dr. confiava cegamente. Competentíssima, proba, foi passando atrás das cadeiras para ir registando tudo. De bico selado, não ousou fazer o mínimo ruído a tirar fotografias. Mesmo tendo aquele aspecto protuberante e nervoso, A. quase murmurava. Quando lhe pediram que falasse mais alto, denunciou logo a má acústica do sítio. Se pudessem, franziriam o sobrolho os arcos das abóbadas brancas.

Abriu as hostilidades cuspindo o seu currículo extenso. Conhecia este, conhecia aquele, tinha muito a dever a fulano que chegara a director, era uma voz indómita à mesa dos ministros. Para queimar tempo, pediu à audiência que se apresentasse. À medida que das vozes trémulas iam escapando o nome e a formação, o magnífico Dr. A. ia arrolando vítimas para a sua peça. Que não se encolhesse o antigo inspector das Finanças: toda a gente desconfiava desses coca-bichinhos! Também ele conhecia e apreciava uma inspectora. Partilhavam, aliás, o leito matrimonial. E a rapariga que tinha acabado de entrar no primeiro emprego que tivesse paciência, levantasse a mão quando não percebesse alguma coisa. Dali a três ou quatro anos, já dominaria aquilo de trás para a frente. Se conseguisse entender alguma coisa, entretanto. Que se resignasse o tipo que tinha abandonado a instituição em que o Dr. pontificava. Tinha cometido um erro, deslizado numa traição. Acima de tudo, era preciso ter muita humildade. Dobrar o pescoço, fazer recuar o nariz até despontar o focinho. Muita humildade, apontaram?

Depois veio o vídeo, feito por inteligência artificial, que explicava a história da instituição a que o Dr. pertencia. Tivemos de engolir o chorrilho de banalidades, o dinamismo das palavras repetidas, o discurso redondinho. As colunas não funcionavam? Que se levantassem os ouvintes e se acocorassem à volta do ecrã para ouvir a voz soprada do Além. Lá fomos, vergados, beber da sapiência do cérebro etéreo.  

A comunicação prosseguiu sem sobressaltos. O Dr. salientou quanto se tinha sacrificado, ao longo de tantos e tantos anos, em prol do bem público. Confessou ter recusado rendosos cargos para servir a comunidade. Tinham-lhe agitado franjas de ouro e de prata junto às pupilas. E ele resistira.  O cidadão comum saberia o significado desta abnegação? Podia-se lá esperar solidariedade do povo! Mas a ingratidão não o amargava, as dificuldades não o demoviam. O seu magnífico nariz pairava acima de qualquer monturo.

Se alguém começava a falar com o colega do lado, interrompia o discurso.

– Não querem partilhar com os restantes? Pode interessar a outros colegas.

Qualquer murmuração se poderia transformar em insolência. Havia que prevenir. Por mais que tentasse passar o testemunho àquelas cabeças ocas, mil acidentes perturbavam o seu caminho. Um infeliz tentou lentamente desembrulhar um rebuçado. Uma apoplexia espreitou atrás de uma das orelhas do Dr. 

– Só tu é que não reparaste que está toda a gente a olhar para ti!

Como se nada fosse, o dedo do adjunto continuou a premir o botão da seta.  A secretária dançava ao compasso dos cliques, na nossa sombra.

A. voltou à lição, sentado contra uma das mesas, de costas para o lado que menos lhe interessava. Desfiava frases feitas, lia o que os seus subordinados tinham despejado na apresentação. Lançava, contra o tipo traidor, perguntas sobre decretos e programas. Vinham à baila as dificuldades enfrentadas pelo Estado e saltava para a garupa do inspector. Lembrava-se, a espaços, que tinha sido investido da nobre missão de pregar aos peixinhos e aludia à doce inexperiência da juventude, que a rapariga tão bem encarnava.  

O discurso foi-se enrolando e desfazendo. Gradualmente, foi sobrando pouco para ler e dizer. Quando, enfim, deu por terminada a sessão, a vozearia instalou-se. Era como se tivessem tirado a rolha da garrafa de espumante. Pressentindo que a tensão se dissipava, as línguas voltaram ao ataque.

Mas eis que, sem aviso, o dedo inquisidor de um ouvinte se ergueu acima do emaranhado de timbres. Havia uma pergunta para o Dr.!

– Força!

A palma aberta estalou contra a mesa. O silêncio desceu como um milhafre sobre a presa inquieta. Todos os olhos se arregalaram. As bocas contorceram-se em esgares aflitos. O homem dera mesmo uma pancada no tampo? Bastara um gesto, um gesto apenas, para que o tempo suspendesse o curso e engatasse a marcha-atrás. Subitamente, cada um dos ouvintes regressou aos terrores da infância, à solidão da secretária em frente do quadro preto. A. aproximou-se do perguntador, não dando muita importância ao espanto da audiência. A secretária e o adjunto entreolharam-se. Só eles saberiam quantos acessos de tirania lhe sacudiam o corpo todos os dias.

Finda a função, esperou que todos saíssem. Acompanhado pelos dois súbditos, abandonou a sala. Deve ter sorrido, satisfeito. O seu propósito tinha sido cumprido. Mais um passo fora dado para diminuir a ignorância universal.

Sul Informação
Caricatura de Odilon Barrot de Honoré Daumier (1851)

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Há 30 anos que este Tapete Mágico voa pelo teatro em Faro

4 June 2026 at 16:00

O livro sobre o Clube de Teatro Tapete Mágico, do Agrupamento de Escolas Pinheiro e Rosa (Faro), foi apresentado na FNAC do Forum Algarve.

Esta obra, que marca os 30 anos de trabalho ininterrupto, foi apresentado por uma das suas fundadoras, Lúcia Vicente que partilhou a vontade férrea que a levou a exigir à então comissão instaladora da Escola Pinheiro e Rosa a criação de um Clube de Teatro.

Francisco Soares, diretor do Agrupamento de Escolas Pinheiro e Rosa, salientou a importância do Teatro, e das Artes em geral, na construção dos homens e das mulheres do futuro.

Paulo Cunha, na qualidade de editor do livro Espreitar para Debaixo do Tapete, realçou a importância da parceria estabelecida entre o Agrupamento Pinheiro e Rosa e a Associação Cultural Música XXI, pela oportunidade de partilha entre os jovens alunos do Clube de Teatro e os artistas associados à Música XXI.

Por fim, João Tiago Neto, que foi também fundador do Clube de Teatro e compôs temas musicais para um dos espectáculos, interpretou três músicas da sua autoria.

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Há “Cinema em Tom Algarvio” para ver em Lagos

4 June 2026 at 14:00

A mostra “Cinema em Tom Algarvio”, com curadoria de Ânia Bento, vai exibir, nos dias 9 e 10 de Junho, diferentes obras ligadas ao Algarve – e a Lagos – na Biblioteca Municipal desta cidade.

O programa arranca a 9 de Junho, às 21h30, com a exibição da longa-metragem “A Fada do Lar”, de João Maia. O filme acompanha a história de Vera, uma mãe solteira que enfrenta dificuldades financeiras e pessoais para sustentar os filhos após o desaparecimento do companheiro.

A sessão contará com a presença do argumentista lacobrigense André Guerra dos Santos, também responsável pelo argumento da recente série Adónis (RTP1).

No dia 10, às 17h30, serão exibidas três curtas-metragens realizadas por Pedro Noel da Luz: “A Arte Xávega”, dedicada a esta tradição piscatória ainda presente na Meia Praia; “ABC da Nossa Vida”, documentário sobre um projeto teatral apresentado no Centro Cultural de Lagos; e “M-PEX Fusões”, uma homenagem à guitarra portuguesa e à herança cultural associada ao fado. O realizador estará presente para uma conversa com o público.

A programação encerra às 21h30 desse dia, com a exibição de “Listen”, de Ana Rocha de Sousa, filme premiado internacionalmente que retrata a luta de uma família portuguesa emigrada em Londres após perder a guarda dos filhos.

A sessão contará com a participação do ator lacobrigense Ruben Garcia, um dos protagonistas do filme.

Esta mostra conta a curadoria de Ânia Bento, realizadora algarvia.

A entrada gratuita, com inscrição prévia através do telefone 282 767 816, Facebook da Biblioteca ou email biblioteca@cm-lagos.pt.

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Migrantes que trabalham na agricultura correm mais riscos de tráfico humano em Portugal

4 June 2026 at 13:05

As autoridades portuguesas verificaram que as pessoas que correm mais riscos de serem vítimas de tráfico humano são migrantes que trabalham na agricultura e portugueses de contextos socioeconómicos desfavorecidos, segundo um relatório do Conselho da Europa divulgado hoje.

«Os trabalhadores migrantes recrutados nos seus países de origem em condições de grave dificuldade económica são explorados principalmente na agricultura sazonal. Os cidadãos portugueses oriundos de contextos socioeconómicos desfavorecidos ou com problemas de saúde mental são também vulneráveis à exploração», referiu o Grupo de Especialistas contra Tráfico de Seres Humanos (GRETA, na sigla inglesa), do Conselho da Europa.

Segundo o relatório, entre 2021 e 2024, foram registadas em Portugal 690 alegadas vítimas de tráfico, das quais 250 casos foram confirmados.

Os 690 casos incluem situações que estão pendentes de investigação ou que já estão a ser investigadas pela polícia e também casos sinalizados por organizações não-governamentais (ONG), mas que não foram reportadas às autoridades.

Os 250 casos confirmados incluíram 39 crianças (três raparigas e 36 rapazes). Do total de vítimas identificadas, 32 são do sexo feminino e 216 do sexo masculino, indica o relatório do GRETA sobre a situação do tráfico de seres humanos em Portugal.

Das 250 vítimas confirmadas, 20 são de nacionalidade portuguesa e 228 estrangeiros, refere o relatório que lista ainda duas vitimas sem revelar dados sobre género ou nacionalidade.

Em 2024 foram registadas 36 vítimas de tráfico humano, menos 98 casos do que em 2023, quando foram confirmadas 134 ocorrências. Em 2022, foram registadas 35 vítimas, menos 10 do que em 2021, segundo o GRETA.

A maior parte dos casos estão associados à exploração laboral (233) e a maioria aconteceu na região Centro, sobretudo no distrito de Beja seguido do distrito de Braga.

De acordo com o relatório, as crianças estão a ser cada vez mais vítimas do tráfico de pessoas, a maioria dos identificados relaciona-se com exploração no desporto.

«As crianças e os jovens em Portugal, incluindo as crianças não acompanhadas ou separadas, correm o risco de serem vítimas de diferentes formas de exploração. As preocupações específicas incluem a exposição de rapazes migrantes, nomeadamente no âmbito do recrutamento desportivo, a situações de exploração, bem como a persistência de casamentos infantis, precoces e forçados», refere o relatório.

Os casos de exploração sexual infantil acontecem sobretudo no arquipélago da Madeira.

As mulheres em situação de prostituição também fazem parte da lista de pessoas que correm maior risco de serem vítimas de tráfico humano, assim como as pessoas em situação de sem-abrigo ou com deficiência.

As ocorrências relacionadas com mulheres sujeitas a exploração sexual foram registadas sobretudo em Lisboa, no Porto e no Algarve.

O GRETA saudou os progressos de Portugal no combate ao tráfico de seres humanos, mas pediu às autoridades que «melhorem a identificação das vítimas e que garantam que estas têm acesso a assistência jurídica e a indemnizações».

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AMAL participa em reunião do projeto “RuralSilverHubS”

4 June 2026 at 12:30

A AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve participou numa reunião do projeto “RuralSilverHubS”, que quer ajudar a combater o envelhecimento, o despovoamento rural e a limitação no acesso a determinados serviços, realizada em Espanha.

No encontro, foram também definidas datas para as próximas iniciativas a implementar no âmbito deste projeto financiado pelo Interreg Sudoe.

O RuralSilverHubS integra entidades de Portugal, França e Espanha. O envelhecimento, o despovoamento rural e a limitação no acesso a determinados serviços são desafios que o espaço Sudoe (Sudoeste europeu) enfrenta e a que este projeto pretende dar resposta.

Uma das principais ações consiste na criação dos «Laboratórios de Inovação Social e Digital em Ambientes Rurais Despovoados», que permitem a criação de sinergias entre os principais agentes territoriais, promovendo medidas que respondam aos desafios identificados pela população.

Outra das medidas passa pela criação do Observatório da Economia Prateada Rural, que visa recolher dados no Algarve e na região do Ave (Portugal), em Tarragona e Burgos (Espanha) e na Nouvelle Aquitaine e Occitanie (França), que ajudem na tomada de decisões.

Das atividades pelas quais é responsável, a AMAL já concluiu o processo de mapeamento de stakeholders da região do Algarve e já organizou um webinar internacional de apresentação de diagnóstico.

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Ruy Belo, Alexandre O’Neill e António Gedeão revisitados em Faro

4 June 2026 at 11:45

O espetáculo “Sinédoque”, de Ivo Canelas e João Vasco, que revisita a obra de poetas como Alexandre O’Neill, Ruy Belo, Tiago Rodrigues, Margarida Vale de Gato, António Gedeão e Amélia Muge, tem sessão marcada para este sábado, 6 de Junho, a partir das 21h30, no CAPa, Centro de Artes Performativas do Algarve, em Faro.

Partindo da figura de estilo que exprime «a parte pelo todo» ou «o todo pela parte», o pianista e compositor João Vasco criou um conjunto de obras para voz recitada e piano, procurando traduzir musicalmente a essência de cada texto literário. Em palco, os poemas são interpretados pelo ator Ivo Canelas, que partilha também a direção artística do projeto.

Estreado em 2023, “Sinédoque” encontra-se atualmente em circulação internacional, tendo passado por países como Tunísia, Cabo Verde, Brasil, França e Angola.

Ivo Canelas é um dos nomes mais reconhecidos do teatro, cinema e televisão portugueses. Formado pela Escola Superior de Teatro e Cinema (ESTC) e bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian no Lee Strasberg Theatre Institute, em Nova Iorque, trabalhou ao longo da carreira com alguns dos principais encenadores e realizadores portugueses.

João Vasco é professor de piano na Escola de Música do Conservatório Nacional e desenvolve atividade como intérprete, compositor, fotógrafo e videógrafo. Depois de mais de duas décadas como pianista, tem vindo a afirmar-se também na composição, sendo «Sinédoque» um dos projetos mais representativos desta fase do seu percurso artístico.

Este espetáculo integra a FAAP– Formação Avançada em Artes Performativas “encontros do DeVIR”, dedicada à interpretação e criação nas áreas do teatro e da dança, organizada pela DeVIR/CAPa, com o apoio dos municípios de Faro, Loulé e Lagos. A DeVIR é uma estrutura financiada pela República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes.

Os bilhetes custam seis euros para o público em geral e cinco euros para estudantes e maiores de 65 anos. As reservas podem ser feitas por telefone (289 828 784 ou 968 478 217) ou e-mail (devir-capa@devir-capa.com).

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Tiago Fernandes deixa comando técnico do Portimonense

4 June 2026 at 11:44

Tiago Fernandes deixou de ser treinador do Portimonense, anunciou o clube algarvio nas redes sociais, agradecendo o trabalho do técnico que conseguiu alcançar, na última jornada, a manutenção na II Liga.

Num post publicado na manhã desta quinta-feira, 4 de Junho, a SAD do Portimonense reconhece a «liderança, profissionalismo e compromisso» de Tiago Fernandes ao longa da época.

«Depois de uma época marcada por desafios, dedicação e entrega diária ao serviço do Portimonense, chega o momento de agradecer a quem esteve na linha da frente desta caminhada», lê-se.

Com Tiago Fernandes, saem também Vítor Afonso e Vasco Silva (adjuntos), preparadores físicos (Diogo Carvalho e Ricardo Cavaco) e Rafael Diogo (analista).

O agora antigo técnico do Portimonense tem sido apontado como possível substituto de Tiago Margarido no comando do Nacional (I Liga).

Em relação ao sucessor de Tiago Fernandes, o jornal Record noticiou que Alex Costa, que subiu o Amarante à II Liga, pode ser o nome escolhido.

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Centro de Exposições de Alcantarilha inaugura exposição “Acreditar no gesto” de Cristina Massena

4 June 2026 at 10:19

A exposição Acreditar no gesto, da artista Cristina Massena, vai ser inaugurada no dia 20 de Junho, no Centro de Exposições de Alcantarilha, numa iniciativa da Coleção Luís Negrão e Família, em parceria com a Câmara Municipal de Silves.

A exposição reúne obras recentemente adquiridas pela coleção, das séries Fragmentos (2025), Insónia (2025) e Por Detrás do Muro Branco (2025), «onde, da marca da sua investigação sobre a condição da memória, do tempo, do espaço e potência do gesto, emerge o corpo do seu processo de trabalho enquanto elemento contínuo e suporte fundamental às suas indagações», explicam o colecionador Luís Negrão e o curador Hugo Silva.

«Sugere-se ao público que seja corpo ao espaço e às obras, como continuidade afetiva revelada no encontro poético com a palavra, matéria igualmente fundamental à artista e presente em duas das séries presentes na exposição», acrescentam.

A inauguração contará com os representantes da Câmara Municipal de Silves, a artista Cristina Massena, o colecionador Luís Negrão e o curador da exposição Hugo Santos Silva, reforçando o papel do Centro de Exposições de Alcantarilha como «espaço de enraizamento e divulgação cultural da região».

Com esta iniciativa, a Coleção Luís Negrão e Família afirma continuar o seu «compromisso com a criação contemporânea, fortalecendo a relação entre artistas, instituições e comunidade, consolidando a sua participação para programação cultural do Município de Silves e para o panorama artístico nacional».

A exposição estará patente ao público até dia 3 de Outubro, de terça-feira a sábado, entre as 13h00 e as 19h00.

Sul Informação

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Xutos, Némanus, Fernando Daniel e Matias Damásio atuam no Festival da Sardinha

4 June 2026 at 09:59

Matias Damásio, Némanus, Fernando Daniel e Xutos e Pontapés vão atuar na 30ª edição do Festival da Sardinha que se realiza de 4 a 9 de Agosto, na Zona Ribeirinha de Portimão.

Assim, estão confirmadas as atuações de Matias Damásio (a 4 de Agosto), Némanus (5), Átoa (6), Cuca Roseta (7), Fernando Daniel (8) e, a fechar o evento, Xutos e Pontapés (9), todas no palco principal, sempre a partir das 22h00.

Está também confirmada na abertura oficial, a 4 de Agosto, a Recriação da Descarga da Sardinha, no Cais Gil Eanes, numa iniciativa que tem vindo a ganhar destaque ao longo dos anos.

Em horário ainda a definir, esta recriação é o resultado do excelente e continuado trabalho da autarquia, através do Museu de Portimão, que valeu em 2020 a menção honrosa atribuída pela APOM – Associação Portuguesa de Museologia, na categoria de “Inovação e Criatividade”.

Numa viagem ao passado, a recriação que conta com a parceria da Docapesca – Portos e Lotas SA, que oferece 500 quilos de sardinha fresca para o efeito, contextualiza a importância da pesca e da sardinha para um concelho que, mais tarde, evoluiu para se tornar destino turístico de excelência. As origens nunca foram esquecidas, e o facto é que em 1985 estreia na cidade o Festival da Sardinha, evento que foi realizado com alguns interregnos, mas que sempre privilegiou a identidade local.

Desde 2022 que o Festival da Sardinha apresenta edições mais sustentáveis, adotando práticas amigas do ambiente, num compromisso ambiental assumido entre a Câmara Municipal de Portimão e a EMARP – Empresa Municipal de Águas e Resíduos de Portimão.

Durante a última edição do Festival da Sardinha, que tem selo de evento sustentável, foram encaminhadas para valorização 9,3 toneladas de materiais. Destas, 7.608 kg referiam-se a resíduos orgânicos (convertidos depois em fertilizante natural), 660 kg eram embalagens de plástico e metal, 695 kg de papel/cartão e 313 kg eram vidro.

Este ano, a sustentabilidade e a reciclagem voltam a ser uma aposta do Município e da EMARP, estando abertas as inscrições para voluntários que queiram colaborar nesta missão.  Podem inscrever-se jovens com idade entre os 18 e os 30 anos, sendo possível candidatarem-se a um de dois turnos disponíveis. O primeiro será das 18h00 às 00h00 e o segundo das 19h00 às 01h00, sendo em ambos fornecido jantar pela organização e um valor de 35,00 euros diários.

O Festival da Sardinha é organizado pela Câmara Municipal de Portimão e conta com a parceria da EMARP – Empresa Municipal de Águas e Resíduos de Portimão e da Docapesca – Portos e Lotas SA, e o apoio da Região de Turismo do Algarve, da Delta Cafés e da Socialgar Seguros.

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Albufeira mostra “Um Olhar sobre o Algarve”

4 June 2026 at 09:10

A exposição de fotografia “Um Olhar sobre o Algarve”, da autoria do fotógrafo albufeirense António de Sá Fragoso, vai estar patente de 5 a 29 de Junho, na Galeria de Arte Pintor Samora Barros, em Albufeira.

Integrada na programação cultural promovida pela Câmara Municipal de Albufeira, a exposição reúne fotografias que retratam a riqueza arquitetónica, paisagística e ambiental do Algarve, com especial destaque para Albufeira e para os cenários que se estendem entre o litoral e o barrocal.

Natural de Albufeira, onde nasceu em 1977 e continua a residir, António de Sá Fragoso desenvolveu desde cedo o gosto pela fotografia. Embora tenha seguido carreira na Marinha de Guerra Portuguesa, foi em 2021 que retomou esta paixão, dedicando-se de forma mais intensa à arte fotográfica.

A exposição poderá ser visitada de segunda-feira a sábado, entre as 09h30 e as 12h30 e das 13h30 às 17h30, encontrando-se encerrada aos domingos e feriados.

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Alentejo 2030 reforça dotação para municípios em 45,4 milhões de euros

4 June 2026 at 02:05

O Programa Regional do Alentejo 2030 reforçou em 10,3%, equivalente a cerca de 45,5 milhões de euros, a dotação para os municípios, no âmbito de uma reprogramação intercalar, anunciou a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR).

A assinatura das adendas aos Contratos de Desenvolvimento e Coesão Territorial (CDCT) com as Comunidades Intermunicipais, que ocorreu ontem, dia 3 de Junho, formalizou a adaptação da contratualização territorial à reprogramação intercalar do programa, reforçando o investimento público nos territórios.

Segundo a CCDR/Alentejo, as adendas refletem um aumento global da dotação financeira dos CDCT, que passa de cerca de 440 milhões de euros para 446 milhões de euros.

Em relação a instrumentos complementares, há um reforço de 15,5 milhões de euros no âmbito da Habitação do Fundo para a Transição Justa (FTJ) e 24 milhões dirigidos ao ciclo urbano da água nos municípios.

«No seu conjunto, estes montantes traduzem-se num acréscimo global de cerca de 45,5 milhões de euros, correspondente a um aumento de 10,3% face à contratualização inicial, reforçando significativamente a capacidade de investimento dos municípios», sublinha a CCDR/Alentejo.

A revisão dos contratos integra, pela primeira vez, uma componente dedicada à habitação acessível e social, «respondendo a necessidades estruturais do território e alinhando o Programa com as prioridades europeias e nacionais no domínio da coesão social e territorial», explica a entidade que gere o programa operacional.

As adendas incorporam igualmente os ajustamentos decorrentes da reprogramação intercalar do Alentejo 2030, incluindo a redefinição de prioridades, a reafetação de recursos e o alinhamento com os níveis de execução verificados, «garantindo maior eficiência e eficácia na aplicação dos fundos».

Destaca-se ainda o reforço do investimento no ciclo urbano da água, «área estratégica para a região, com impacto direto na resiliência dos sistemas, na sustentabilidade dos recursos hídricos e na resposta aos desafios climáticos».

«O novo enquadramento contratual reforça o foco na execução física e financeira dos investimentos, no cumprimento das metas estabelecidas e na observância da regra do N+3, assegurando uma utilização eficiente dos fundos europeus», lê-se, em comunicado.

Paralelamente, este processo contribui para a preparação do próximo ciclo de programação, «consolidando a capacidade de planeamento e intervenção das entidades territoriais, com base na experiência adquirida» no período em curso.

Com a assinatura destas adendas, o Alentejo 2030 «reafirma o seu compromisso com uma política de coesão orientada para resultados, centrada nos territórios e nas pessoas, promovendo uma execução mais célere, eficaz e alinhada com os desafios estratégicos da região».

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São Brás de Alportel inaugura praça que é homenagem à cortiça, a João Beatriz Rosa e à República

4 June 2026 at 02:00

É «um três em um», que permitiu dar nova vida e um futuro a um antigo espaço industrial que faz parte da história do concelho. A Praça 1914 foi inaugurada na segunda-feira, dia 1 de Junho, no coração da vila de São Brás de Alportel, e, para além de um espaço de fruição pública, presta homenagem a João Beatriz Rosa, considerado o “pai” do concelho, à indústria corticeira e à República.

No dia em que celebrou os 112 anos da elevação a concelho, São Brás de Alportel deu o nome 1914 à sua mais recente praça, que veio dar nova vida à antiga Fábrica de Cortiça Louro, um espaço que há muito estava inutilizado.

Nas últimas décadas, o município procurou chegar a acordo com os descendentes do fundador da fábrica, entretanto encerrada, mas as negociações demoraram a chegar a bom porto.

No passado dia 1 de Junho, este espaço foi devolvido ao público, já não em forma de edifício, mas mantendo, ainda assim, vários elementos da infraestrutura original, como os caraterísticos arcos, bem como equipamentos que faziam parte da fábrica, nomeadamente a prensa, a nora e a caldeira, entre outros.

«Eu sinto-me imensamente honrada por estar aqui a protagonizar este dia que, no fundo,  não é meu, é do João Rosa Beatriz, é do seu legado, é de todos aqueles que representam estes 112 anos de história: todos os autarcas, todos os homens e mulheres que trabalharam, que se empenharam, para que São Brás de Alportel seja hoje o concelho que é, um concelho de respeito, de referência no Algarve e no país, um concelho de gente humilde, trabalhadora, muito honrosa da sua terra e muito honesta também», disse ao Sul Informação Marlene Guerreiro, presidente da Câmara de São Brás de Alportel, à margem da cerimónia.

«Quisemos aqui homenagear as origens do concelho. Nós só somos concelho desde 1 de Junho de 1914 porque tivemos um chão fértil, o chão da cortiça, da sustentabilidade económica, que nos deu o sustento, o rendimento, mas também porque houve homens com visão e com ideias, a ideia de liberdade que foi semeada por João Rosa Beatriz, naturalmente acompanhado por um conjunto de amigos, de adeptos deste movimento, mas também adubada pela República», acrescentou.

Sul Informação
Foto: Hugo Rodrigues | Sul Informação

Na nova Praça 1914, a Câmara de São Brás homenageou a cortiça, através da criação de um espaço museológico ao ar livre a ela dedicado, imortalizou a figura de João Rosa Beatriz, «enquanto livre pensador, homem de ideias», através da inauguração de uma estátua e enalteceu «também a República, que foi a mãe do nosso concelho».

«Não seríamos concelho sem a República, nem sem João Rosa Beatriz, nem sem a cortiça. (…) Aquilo que somos hoje também devemos a estes homens e mulheres que ao longo de 112 anos de história têm sido valorosos. Eu sou profundamente grata a todos eles e a poder estar aqui» a inaugurar a nova praça, reforçou Marlene Guerreiro.

Uma das caraterísticas mais diferenciadoras da praça é mesmo a sua vocação museológica.

«Nós há muito tempo gostávamos de ter um verdadeiro museu da cortiça, é uma aspiração do município e também é uma aspiração dos visitantes, dos turistas, que nos pedem sempre um museu da cortiça. Nós temos um bom setor dedicado à cortiça no Museu do Trajo, mas gostávamos de ter realmente mais um lugar para contar a história» desta matéria prima e da indústria à sua volta, revelou.

«Podíamos, de facto, ter um museu fechado, como tantos outros polos museológicos que temos. No entanto, pensámos que seria interessante, inovador e talvez mais eficaz, ter um espaço sem portas, onde todas as pessoas pudessem visitar, de forma autónoma, mas que, naturalmente, também vai ter espaço para visitas guiadas, interpretadas e um conjunto de dinâmicas promovidas pelo município e com agentes turísticos com quem vamos estabelecer parcerias», revelou a presidente da Câmara de São Brás de Alportel.

O que é certo é que «aqui não é preciso marcar ou reservar visita, aqui todos, a todas as horas do dia e da noite, todos os dias de semana, feriados, dias santos, no Verão e no Inverno, podem visitar».

Sul Informação
Foto: Hugo Rodrigues | Sul Informação

Este «museu diferente» vai interagir com as pessoas e ter «muitas dinâmicas interessantes que não começam hoje [dia 1 de Junho], vão começar daqui a dias. Esperamos que seja, talvez não a cereja em cima do bolo, mas o fardo [de cortiça] em cima da rota da memória que nós já temos implementada no concelho».

São Brás já conta com a Casa Memória, «um dos ex-libris dessa rota da memória. A gora a visita aqui à Praça 1914, acho que é o elemento que nos faltava para consolidar a oferta turística, que é tão importante para o concelho e para a economia local».

No futuro, a Câmara de São Brás de Alportel pretende tornar este espaço «ainda mais interativo», embora, para já Marlene Guerreiro não possa «revelar tudo».

«Nós já temos painéis informativos, mas vamos ter mais interatividade, para que as pessoas consigam sentir-se dentro da fábrica João Viegas Louro, (…) usando as tecnologias de hoje para recriar, dentro do possível, o espírito da antiga fábrica e o espírito de 1914», adiantou, ainda assim, Marlene Guerreiro.

No Dia do Município, que se celebrou na segunda-feira, também foram homenageadas diversas personalidades que se distinguiram em diversas áreas, bem como funcionários da autarquia.

Da parte da tarde teve lugar a Festa da Criança e à noite houve um concerto de Vizinhos, onde foram sopradas 112 velas.

Fotos: Hugo Rodrigues e Nelson Ferreira | Sul Informação

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Foto: Nelson Ferreira | Sul Informação

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