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Durigan defende biocombustíveis e promete solução para dívidas do agro

17 June 2026 at 20:50

O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quarta-feira (17) que a política de biocombustíveis tem sido fundamental para reduzir os impactos do conflito no Oriente Médio. 

Durante audiência conjunta das comissões de Finanças e Tributação e de Agricultura da Câmara dos Deputados, o Ministro também defendeu medidas de apoio ao agronegócio e destacou que a maior parte dos produtores rurais mantém situação financeira saudável. 

Ao comentar os efeitos dos conflitos geopolíticos sobre a economia global, Durigan afirmou que a presença dos biocombustíveis na matriz energética brasileira ajudou o país a amortecer os impactos da alta internacional dos combustíveis. 

Segundo ele, sem a política iniciada ainda na década de 1970, com o Proálcool (Programa Nacional do Álcool ), os reajustes nos combustíveis teriam sido mais intensos.  

O Ministro destacou ainda o aumento da participação dos combustíveis renováveis na matriz energética.“Vamos ter aumento da mistura do biodiesel e do etanol nos combustíveis fósseis”, afirmou. 

Durigan argumentou que a estratégia contribui para conter pressões inflacionárias, especialmente sobre alimentos, transporte e serviços. “O combustível no Brasil subiu, mas muito menos do que no resto do mundo e não tivemos risco de desabastecimento”, disse. 

Agro é beneficiado pela agenda de abertura de mercados 

Durante a audiência, Durigan também ressaltou a importância do agronegócio para a economia brasileira e afirmou que o setor está entre os principais beneficiados pela ampliação dos mercados internacionais para os produtos brasileiros. 

“Nunca se abriu tanto mercado no mundo. Quem é beneficiado é a economia brasileira e o agro”, declarou. 

Durigan destacou ainda a relevância do setor para a geração de emprego e renda, observando que a produção agropecuária vai muito além da atividade dentro da porteira. 

“O agro é base de tudo na economia brasileira. Para cada emprego gerado dentro da porteira, são de cinco a sete empregos criados fora dela”, afirmou. 

Fazenda reconhece aumento da inadimplência 

Questionado por parlamentares sobre a situação financeira dos produtores rurais, Durigan reconheceu que houve aumento da inadimplência nas operações de crédito rural. 

Com base em dados do Banco do Brasil, o Ministro informou que a taxa de inadimplência do setor passou de cerca de 1% a 2% para níveis entre 5% e 6%. 

Apesar disso, ele afirmou que a maior parte dos produtores segue honrando seus compromissos financeiros. 

“Noventa e cinco por cento do agronegócio brasileiro está bem e está pagando suas dívidas em dia”, disse. 

Segundo Durigan, o governo está trabalhando para construir alternativas destinadas aos produtores que enfrentam dificuldades financeiras, especialmente em razão de eventos climáticos extremos e oscilações de mercado. 

“Nós vamos construir uma saída para atender quem precisa no agronegócio”, afirmou. 

Seguro rural e Proagro 

Na avaliação do Ministro, o fortalecimento dos mecanismos de proteção ao produtor, como o seguro rural e o Proagro, será fundamental para reduzir a necessidade de renegociações emergenciais de dívidas no futuro. 

Ele defendeu a ampliação dessas ferramentas para dar mais previsibilidade ao produtor e reduzir os riscos associados às mudanças climáticas. 

“O que tenho ouvido do próprio agro é que a mudança climática é algo sério e que precisamos avançar em instrumentos de proteção”, afirmou. 

A audiência ocorreu em meio às discussões sobre o próximo Plano Safra e sobre medidas de apoio financeiro aos produtores rurais afetados por dificuldades de crédito e perdas produtivas. 

Cenário global deve impulsionar exportação de carne brasileira, prevê Mapa

17 June 2026 at 09:40

A combinação entre a queda da produção de carne bovina nos Estados Unidos e o crescimento da classe média chinesa deve abrir novas oportunidades para as exportações brasileiras de proteína animal nos próximos anos. A avaliação é de Cleber Soares, secretário-executivo do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária).

Segundo o Soares, o cenário foi apresentado durante o Outlook Forum, principal evento anual do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), realizado em fevereiro deste ano.

“Os próprios americanos reconhecem que há um declínio natural da produção de alimentos, especialmente de carne bovina. O rebanho está diminuindo, há redução do número de matrizes e envelhecimento dos produtores rurais”, afirmou.

Na avaliação de Soares, essa mudança estrutural fará com que os Estados Unidos aumentem sua necessidade de importar carne bovina, beneficiando países exportadores como o Brasil.

Ele citou como exemplo o avanço das compras americanas neste ano.

Segundo informações obtidas junto ao setor exportador, a previsão inicial era de contratos em torno de 280 mil toneladas de carne bovina brasileira para o ano de 2026, volume que já teria alcançado cerca de 320 mil toneladas ainda no primeiro semestre.

China deve ampliar consumo

Outro fator apontado pelo secretário é a expansão da classe média chinesa.

Segundo Soares, a população de classe média do país, hoje estimada em cerca de 400 milhões de pessoas, poderá chegar a 700 milhões até 2032.

“O aumento da renda leva naturalmente ao maior consumo de proteína animal, especialmente carne bovina.”

Para o secretário, poucos alimentos apresentam relação tão direta entre crescimento da renda e aumento do consumo quanto a carne bovina, o que reforça o potencial de expansão da demanda global.

Protocolo de transição ainda está em discussão para exigências da UE

17 June 2026 at 09:26

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mantém uma perspectiva positiva para as negociações com a União Europeia e acredita ser possível construir um acordo que evite restrições às exportações brasileiras de carnes devido ao uso irregular de antimicrobianos. A avaliação é do secretário executivo da pasta, Cleber Soares.

Segundo o Soares, o governo brasileiro ainda está negociando com autoridades europeias um protocolo de transição para atender às novas exigências do bloco relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal.

“O assunto está na pauta das negociações e nossa expectativa é avançar positivamente por conta da boa relação entre o Brasil e a União Europeia”, afirmou.

Soares explica que as conversas envolvem não apenas questões sanitárias, mas também temas comerciais, como a ampliação das exportações brasileiras de açúcar e etanol para o mercado europeu.

Mercado estratégico

Embora a União Europeia responda por menos de 5% das exportações brasileiras de carnes, o secretário destaca que o bloco continua sendo um mercado estratégico, principalmente pelo maior valor agregado pago pelos produtos.

Segundo ele, o governo trabalha para preservar esse mercado enquanto amplia oportunidades em outros destinos internacionais.

“O Japão remunera melhor determinados cortes, o México abriu um mercado importante para a carne brasileira e países africanos também vêm aumentando a demanda, especialmente por carne de frango”, disse.

Ainda assim, o Ministério considera importante chegar a um entendimento com os europeus, evitando impactos sobre a imagem da carne brasileira no mercado internacional.

Sistema sanitário

Para Soares as exigências da União Europeia não colocam em dúvida a qualidade da defesa agropecuária brasileira.

“O Brasil possui um sistema de defesa agropecuária extremamente robusto. Isso não pode, em hipótese alguma, denegrir a qualidade do nosso controle sanitário.”

Ele lembrou que o país possui um dos maiores programas de vigilância sanitária do mundo e destacou a rapidez no controle de episódios recentes, como os casos de influenza aviária.

Segundo o secretário, o Brasil exporta cerca de 43% da carne de frango comercializada globalmente, resultado que, segundo ele, demonstra a confiança internacional no sistema sanitário nacional.

Regra de transição

Soares explicou que uma das alternativas em discussão é estabelecer uma regra de transição para atender às novas exigências europeias.

Na avaliação do secretário, a adaptação é mais simples na cadeia de frangos, cujo ciclo produtivo é de aproximadamente 40 dias, enquanto a pecuária bovina demanda entre 18 e 20 meses para completar o ciclo.

“Estamos discutindo justamente uma transição para que esse processo ocorra de forma organizada, sem comprometer a competitividade do setor.”

O secretário, que participou do Veja Fórum Agro nesta terça-feira (16), ressaltou que as negociações ocorrem em nível técnico e diplomático, envolvendo o Ministério da Agricultura, o Itamaraty e a Presidência da República.

Déficit de armazenagem impulsiona mercado de galpões flexíveis

17 June 2026 at 08:00

O crescimento da produção agrícola e o histórico déficit de armazenagem no Brasil têm impulsionado a demanda por diversos tipos de estruturas de estocagem no campo.

No Anuário Agrologístico 2026, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) destaca que, pela segunda safra consecutiva, apenas a produção da primeira safra de grãos ,de 218,2 milhões de toneladas, já supera a capacidade de armazenagem de grãos, estimada em 202,3 milhões de toneladas, gerando um déficit de cerca de 15,9 milhões de toneladas apenas nesse período de colheita.

Tal situação vem obrigando produtores a vender ou escoar rapidamente a produção. Neste contexto, a empresa Tópico, que fabrica, aluga e vende galpões de lona e aço, planeja crescer 10% ao ano nos próximos três anos.

Segundo Sérgio Gallucci, diretor comercial da empresa, a expansão da safra nas regiões Norte e Centro-Oeste tem ocorrido em ritmo superior aos investimentos em infraestrutura permanente, fazendo com que soluções modulares deixem de ser apenas alternativas emergenciais para se tornarem parte da estratégia logística de produtores e agroindústrias.

“O déficit de armazenagem é crônico. Nas regiões onde a produção mais cresce, como Centro-Oeste e Norte, a deficiência de infraestrutura é ainda maior”, afirma o executivo.

Para garantir capacidade de resposta imediata, a companhia mantém entre 150 mil e 200 mil metros quadrados de estruturas em estoque para pronto atendimento, viabilizando atuação rápida em diferentes regiões do país.

Em 2025, a empresa encerrou o ano com investimento de aproximadamente R$ 50 milhões, destinados à expansão da base instalada, modernização operacional e inovação tecnológica. Para este ano, o objetivo é investir mais R$ 50 milhões  em eficiência, pessoas e tecnologia.

A Tópico encerrou o ano de 2025 com faturamento de R$ 300 milhões. A empresa  atua nos segmentos de fertilizantes, indústria, transporte e logística (incluindo portos, aeroportos e operadores portuários), mineração e siderurgia, alimentos e bebidas, veículos e autopeças.

A cadeia de fertilizantes, por exemplo, tornou-se um dos segmentos de maior atuação da companhia nos últimos anos. Com o Brasil figurando entre os maiores importadores mundiais do insumo, a demanda vem avançando, em média, 15% ao ano.

Mas é o agronegócio o principal negócio da empresa. Nos últimos oito anos, o segmento registrou crescimento 10% ao ano.

“Hoje detemos mais de 50% do mercado brasileiro de galpões flexíveis , com cerca de 3 milhões de metros quadrados de estruturas instaladas em todo o país”, diz o executivo

O Tocantins aparece entre os estados que concentram a maior expansão recente da empresa, acompanhando o avanço da produção agrícola na região conhecida como Matopiba.

Modelo reduz investimento inicial

Diferentemente da construção de armazéns convencionais, o modelo da empresa funciona por meio de locação.

Os galpões são fabricados, transportados, montados no local e alugados pelo período necessário para cada operação.

Segundo Gallucci, uma estrutura de aproximadamente 3 mil metros quadrados pode ser instalada em cerca de 20 dias.

O valor do contrato varia conforme o tamanho da estrutura e o tempo de utilização. Quanto maior o período de locação e a área contratada, menor tende a ser o custo por metro quadrado.

O modelo atende diferentes cadeias produtivas, como café, açúcar, fertilizantes, grãos e biocombustíveis, com custo que oscila de R$ 12 a R$ 15 o metro quadrado, a depender do tamanho, prazo de local e região.

Crédito influencia, mas não determina demanda

Apesar do momento de maior restrição financeira vivido pelo agronegócio, Gallucci afirma que o desempenho da empresa não depende diretamente das linhas oficiais de crédito rural.

Segundo ele, a contratação das estruturas está mais relacionada à necessidade operacional e ao planejamento logístico das empresas do que à disponibilidade de financiamento.

“O que influencia é muito mais o humor e o nível de investimento do produtor do que uma linha específica de crédito.”

Estruturas ganham novas aplicações

Além da armazenagem, os galpões também vêm sendo utilizados como áreas industriais, centros logísticos, oficinas, coberturas para fertilizantes, máquinas e insumos agrícolas.

A flexibilidade do sistema permite montagem rápida, expansão conforme a necessidade da operação e posterior desmontagem ou remanejamento para outras unidades.

Para Gallucci, enquanto o Brasil continuar ampliando sua produção agrícola em ritmo superior à expansão da infraestrutura, a demanda por soluções temporárias deverá continuar crescendo.

“O déficit estrutural ainda é muito grande e a necessidade por respostas rápidas faz com que esse mercado continue em expansão”, diz.

Algumas empresas contratam os galpões como uma solução temporária, “mas a estrutura acaba permanecendo como complemento da armazenagem permanente.”, conta.

Segundo ele, esse tipo de situação tem se repetido em diferentes cadeias do agronegócio.

Inicialmente contratados para atender picos de safra ou atrasos em obras, os galpões acabam sendo incorporados de forma definitiva à operação logística das empresas.

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