Putin telefona a Trump, a dar os parabéns por fazer 80 anos, e ambos concordam numa visita "em breve" dos EUA à Rússia


Segundo informou o Kremlin, Putin e Trump acordaram que os representantes especiais do Presidente dos Estados Unidos, Steve Witkoff e Jared Kushner, envolvidos de perto nos assuntos iranianos, irão voltar a curto prazo à Rússia




Milhares de manifestantes protestaram na cidade suiça para demonstrar o descontentamento com o grupo G7, sob fortes confrontos com a polícia, na véspera da cimeira que se vai realizar na cidade de Évian-les-Bains, na vizinha França






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O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, considerou hoje que o primeiro-ministro faria “um grande serviço ao país” se anunciasse a retirada do pacote laboral no debate quinzenal de quarta-feira, véspera do debate sobre a proposta do Governo.
“[Na próxima quarta-feira] vai haver debate com o Governo, eu julgo que o primeiro-ministro abre, inclusive, o debate e, portanto, devia anunciar em primeira mão que vai retirar o pacote laboral e poupar o país a isto”, desafiou Paulo Raimundo, em declarações aos jornalistas à margem de uma reunião do partido com micro, pequenos e médios empresários, em Lisboa.
Na ótica de Paulo Raimundo, o social-democrata Luís Montenegro faria “um grande serviço” ao país se avançasse com este anúncio, argumentando que “os únicos que defendem hoje o pacote laboral são o senhor primeiro-ministro, os membros do Governo, os senhores da Iniciativa Liberal e do CDS-PP, e o Chega – envergonhado, mas defende -, e depois são as confederações patronais”.
Interrogado sobre o facto de a mais recente reunião entre Luís Montenegro e o líder do Chega ter chegado ao final sem um entendimento sobre a reforma laboral, o que pode significar o seu chumbo logo na generalidade, Paulo Raimundo começou por duvidar da credibilidade da posição do partido de André Ventura.
Se o Chega for coerente com as declarações até ao momento, continuou, e votar contra, “o pacote laboral está chumbado”.
Contudo, o secretário-geral do PCP lembrou que na mesma reunião Montenegro e Ventura chegaram a acordo para que a proposta do Governo de criar uma Prestação Social Única (PSU) passasse à fase de especialidade sem votação.
Paulo Raimundo voltou a avisar que espera que o mesmo não seja feito na votação do pacote laboral “porque quem se meter nessa golpada vai ser responsável por ela”, já que a ida à especialidade sem votação tem que ser aprovada por maioria dos deputados.
O secretário-geral do PCP foi ainda questionado sobre o facto de Luísa Neto, candidata indicada pelo PS com o apoio do PSD, ter falhado na sexta-feira no parlamento a eleição para o cargo de provedora de Justiça, e considerou que “não é bom para o país” estar há cerca de um ano sem ninguém à frente deste órgão, até porque “já houve oportunidade de resolver” o assunto.
O também deputado defendeu que “não é positivo mas também não há nenhum drama com isso”, e manifestou-se convicto de que “nas próximas semanas” a questão ficará concluída.
Na sua intervenção perante micro, pequenos e médios empresários, Paulo Raimundo criticou as “velhas e gastas narrativas” da direita e a habitual “frase feita”: “Queremos que as micro [empresas] se tornem pequenas, que as pequenas se tornem grandes, que as grandes se tornem multinacionais.”
“Parece que estou a ouvir o Paulo Núncio, de peito cheio, a dizer isto, vezes sem conta. Ora, o problema é que, depois das proclamações feitas, tudo aquilo que fazem, tudo aquilo que decidem, todo o caminho que abrem, toda a política que desenvolvem, é exatamente para comprovar a realidade que temos: é que as multinacionais engolem as grandes, as grandes espremem as médias, e todas elas põem o pé e esmagam as micro”, lamentou.
Raimundo criticou quem “enche a boca” com as empresas mas depois tem “a cabeça e o coração” nas “grandes empresas que minam a economia nacional”, nos bancos ou nos grupos económicos da grande distribuição.
“O Governo do PSD e CDS, com o apoio do Chega e da Iniciativa Liberal, prossegue uma política contra as micro, pequenas e médias empresas, […] prossegue uma política contra a economia nacional”, acusou.
Alertando que muitos empresários ainda não receberam os apoios após as intempéries do início do ano, e estão a passar por dificuldades devido ao conflito no Médio Oriente, Raimundo lembrou que o seu partido inicia hoje jornadas parlamentares na região Centro e apresentará em breve no parlamento várias propostas com o objetivo de ajudar estes profissionais.
O conteúdo Raimundo desafia Montenegro a retirar pacote laboral no próximo debate quinzenal aparece primeiro em O MINHO.

Ex-Presidente dos EUA enfatiza que o plano de acordo nuclear que negociou há onze anos com o Irão atingiu objetivos até ser retirado pelo país, e apesar das críticas da administração Trump, qualquer negociação irá resultar num acordo de termos idênticos ao que já vigorou


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Sueli é uma das lideranças comunitárias que participa até este domingo (14) do encontro nacional das mulheres quilombolas, no Gama (DF), que colocou a justiça climática como um dos temas principais. O presidente Lula visitou o encontro na quinta (11) e ouviu a preocupação das mulheres.
Com as dificuldades, parte da comunidade teve que desistir de praticar a agricultura familiar e precisou arrumar emprego nas indústrias na área urbana, que fica a mais de 20 quilômetros. A pista não ajuda.
A própria comunidade, que também não tem código de endereço postal (CEP), não é asfaltada. As tempestades deixam ruas e estradas intrafegáveis. “Quando chove forte lá, é horrível”, lembra.
Além disso, não há abastecimento regular de água e a comunidade depende de um poço artesiano que, com a secura costumeira, deixou o dia a dia mais complexo para viver e plantar.
Sueli Bessa, por exemplo, vende geleias e compotas na comunidade e em feiras na cidade. Ela sonha terminar o ensino médio, na escola que fica a 30 minutos de distância, para um dia fazer um curso superior. “Em enfermagem ou em direito, para ajudar um dia mais a minha comunidade”.
A filha dela, a estudante Suelene Ribeiro, de 21, tem o mesmo pensamento. Criada nesse espírito comunitário, ela diz que os coletivos de mulheres e de jovens estão atentos às dificuldades com o clima.
Diante de dificuldades atravessadas em todos os biomas como a da comunidade potiguar, a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) lançou, durante o encontro nesta semana, o livro Vozes quilombolas: mulheres em defesa do clima, de 120 páginas.
A agrônoma Fran Paula, pesquisadora em saúde e meio ambiente, foi a principal responsável pelo estudo.
Ela diz que houve mais vítimas mulheres assassinadas nos espaços em que foi registrado um avanço de grandes empreendimentos e o desmantelamento de políticas ambientais.
O trabalho apresenta denúncias de impactos de grandes empreendimentos invadindo territórios quilombolas, que já enfrentam colapso climático, em todos os biomas brasileiros.
“Para além das denúncias, temos uma estratégia metodológica de como reunir contribuição de práticas para salvaguarda dos territórios e de conservação do meio ambiente, e também de resistência”.
A pesquisadora, que é integrante da Conaq, nascida na comunidade de Campina de Pedra (em Poconé-MT), diz que as ações de conservação realizadas pelas mulheres são protagonistas do levantamento.
“Não trazemos apenas denúncias do racismo ambiental, mas também apontamentos, soluções e as estratégias que as mulheres estão construindo para enfrentar a mudança climática”.
Segundo a pesquisadora, o livro traz estratégias de vigilância ambiental que os territórios já exercem. “A gente monitora há muito tempo essas mudanças a partir das mulheres que permanecem nos territórios todo o tempo e têm a percepção quando o problema está atingindo o seu ápice”.
Fran Paula diz que as mulheres são as primeiras a sentir os efeitos e as últimas a saírem do território. Ela exemplifica que usinas de energia eólica (concebidas como alternativa de energia limpa) impactam o modo de vida e de produção das comunidades tradicionais.
Os avanços de grandes empreendimentos, explorações de petróleo e também de minérios, além das fazendas de monoculturas impactam os territórios. A pesquisadora indica que há um quadro generalizado de contaminação que tem afetado não só a saúde física das pessoas, mas também os modos de viver e a continuidade das identidades.
Por isso, ela defende a necessidade de celeridade nas regularizações de terras quilombolas. “Não existe justiça climática sem território garantido, sem titularização para esses territórios que precisam ser protegidos”.
Entre esses territórios que estão prestes a serem protegidos, está o da comunidade Mesquita, que fica em Cidade Ocidental (GO).
Segundo a coordenadora executiva da Conaq, Sandra Braga, que é nascida e criada no local, há expectativa de que ainda neste ano o território seja finalmente demarcado. São 785 famílias na área rural, com cerca de três mil pessoas.
O primeiro registro de um grupo de moradores ocorreu no século 18. O reconhecimento como território quilombola ocorreu apenas em 2006, quando a Fundação Cultural Palmares concluiu os estudos antropológicos para delimitar a região.
Sandra Braga alerta que o fato de não haver titulação possibilita que fazendeiros da soja se apropriem de terras que são da comunidade.
Um dos símbolos de resistência do lugar é a plantação do marmelo, que resulta em diferentes produtos, como a marmelada e a geleia. “As famílias têm em casa o pé de marmelo para celebrar nossa tradição”.
Os produtores rurais do marmelo da comunidade lamentam as variações climáticas, com longas estiagens. Antes, o marmelo rendia mais do que hoje em dia. Até o fruto era maior. “Meu pai (João Antônio Pereira) foi um grande defensor da floresta nativa”, contextualiza.
Como na comunidade Mesquita, as mudanças climáticas ameaçam produções que abalam a própria identidade dessas pessoas. Na comunidade quilombola Divino Espírito Santo (também conhecida pelo apelido Divino Beiju), em São Mateus (ES), o cultivo de mandioca para a produção do beiju artesanal diminuiu por causa do caos climático.
“Vendemos no mercado central da cidade. Somos conhecidos pelo beiju”, diz a agricultora Denise Penha, de 42 anos.
Com uma população de mais de 300 famílias, a comunidade ainda precisa preservar o plantio de mandioca dos impactos dos agrotóxicos usados por fazendeiros das proximidades. Para que o famoso beiju continue com o mesmo sabor de vida orgânico e de vida em comunidade.
Sueli é uma das lideranças comunitárias que participa até este domingo (14) do encontro nacional das mulheres quilombolas, no Gama (DF), que colocou a justiça climática como um dos temas principais. O presidente Lula visitou o encontro na quinta (11) e ouviu a preocupação das mulheres.
Com as dificuldades, parte da comunidade teve que desistir de praticar a agricultura familiar e precisou arrumar emprego nas indústrias na área urbana, que fica a mais de 20 quilômetros. A pista não ajuda.
A própria comunidade, que também não tem código de endereço postal (CEP), não é asfaltada. As tempestades deixam ruas e estradas intrafegáveis. “Quando chove forte lá, é horrível”, lembra.
Além disso, não há abastecimento regular de água e a comunidade depende de um poço artesiano que, com a secura costumeira, deixou o dia a dia mais complexo para viver e plantar.
Sueli Bessa, por exemplo, vende geleias e compotas na comunidade e em feiras na cidade. Ela sonha terminar o ensino médio, na escola que fica a 30 minutos de distância, para um dia fazer um curso superior. “Em enfermagem ou em direito, para ajudar um dia mais a minha comunidade”.
A filha dela, a estudante Suelene Ribeiro, de 21, tem o mesmo pensamento. Criada nesse espírito comunitário, ela diz que os coletivos de mulheres e de jovens estão atentos às dificuldades com o clima.
Diante de dificuldades atravessadas em todos os biomas como a da comunidade potiguar, a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) lançou, durante o encontro nesta semana, o livro Vozes quilombolas: mulheres em defesa do clima, de 120 páginas.
A agrônoma Fran Paula, pesquisadora em saúde e meio ambiente, foi a principal responsável pelo estudo.
Ela diz que houve mais vítimas mulheres assassinadas nos espaços em que foi registrado um avanço de grandes empreendimentos e o desmantelamento de políticas ambientais.
O trabalho apresenta denúncias de impactos de grandes empreendimentos invadindo territórios quilombolas, que já enfrentam colapso climático, em todos os biomas brasileiros.
“Para além das denúncias, temos uma estratégia metodológica de como reunir contribuição de práticas para salvaguarda dos territórios e de conservação do meio ambiente, e também de resistência”.
A pesquisadora, que é integrante da Conaq, nascida na comunidade de Campina de Pedra (em Poconé-MT), diz que as ações de conservação realizadas pelas mulheres são protagonistas do levantamento.
“Não trazemos apenas denúncias do racismo ambiental, mas também apontamentos, soluções e as estratégias que as mulheres estão construindo para enfrentar a mudança climática”.
Segundo a pesquisadora, o livro traz estratégias de vigilância ambiental que os territórios já exercem. “A gente monitora há muito tempo essas mudanças a partir das mulheres que permanecem nos territórios todo o tempo e têm a percepção quando o problema está atingindo o seu ápice”.
Fran Paula diz que as mulheres são as primeiras a sentir os efeitos e as últimas a saírem do território. Ela exemplifica que usinas de energia eólica (concebidas como alternativa de energia limpa) impactam o modo de vida e de produção das comunidades tradicionais.
Os avanços de grandes empreendimentos, explorações de petróleo e também de minérios, além das fazendas de monoculturas impactam os territórios. A pesquisadora indica que há um quadro generalizado de contaminação que tem afetado não só a saúde física das pessoas, mas também os modos de viver e a continuidade das identidades.
Por isso, ela defende a necessidade de celeridade nas regularizações de terras quilombolas. “Não existe justiça climática sem território garantido, sem titularização para esses territórios que precisam ser protegidos”.
Entre esses territórios que estão prestes a serem protegidos, está o da comunidade Mesquita, que fica em Cidade Ocidental (GO).
Segundo a coordenadora executiva da Conaq, Sandra Braga, que é nascida e criada no local, há expectativa de que ainda neste ano o território seja finalmente demarcado. São 785 famílias na área rural, com cerca de três mil pessoas.
O primeiro registro de um grupo de moradores ocorreu no século 18. O reconhecimento como território quilombola ocorreu apenas em 2006, quando a Fundação Cultural Palmares concluiu os estudos antropológicos para delimitar a região.
Sandra Braga alerta que o fato de não haver titulação possibilita que fazendeiros da soja se apropriem de terras que são da comunidade.
Um dos símbolos de resistência do lugar é a plantação do marmelo, que resulta em diferentes produtos, como a marmelada e a geleia. “As famílias têm em casa o pé de marmelo para celebrar nossa tradição”.
Os produtores rurais do marmelo da comunidade lamentam as variações climáticas, com longas estiagens. Antes, o marmelo rendia mais do que hoje em dia. Até o fruto era maior. “Meu pai (João Antônio Pereira) foi um grande defensor da floresta nativa”, contextualiza.
Como na comunidade Mesquita, as mudanças climáticas ameaçam produções que abalam a própria identidade dessas pessoas. Na comunidade quilombola Divino Espírito Santo (também conhecida pelo apelido Divino Beiju), em São Mateus (ES), o cultivo de mandioca para a produção do beiju artesanal diminuiu por causa do caos climático.
“Vendemos no mercado central da cidade. Somos conhecidos pelo beiju”, diz a agricultora Denise Penha, de 42 anos.
Com uma população de mais de 300 famílias, a comunidade ainda precisa preservar o plantio de mandioca dos impactos dos agrotóxicos usados por fazendeiros das proximidades. Para que o famoso beiju continue com o mesmo sabor de vida orgânico e de vida em comunidade.