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VoxPop: Uma comunidade dividida: quando ser português no Canadá ainda depende de ser ‘da ilha’ ou ‘do continente’

12 June 2026 at 16:47
Créditos: MDC Media Group

Apesar de milhares de quilómetros de distância, a comunidade portuguesa no Canadá continua a carregar uma divisão silenciosa — mas persistente — entre continentais, açorianos e madeirenses. O que começou como identidade regional transformou-se, ao longo das décadas de emigração, em fronteiras invisíveis dentro da própria diáspora. Em festas, associações e até na vida social quotidiana, ainda há quem sinta que não basta ser português: é preciso ser “do grupo certo”. Entre a preservação das raízes e a criação de muros internos, esta realidade levanta uma pergunta desconfortável — estaremos realmente unidos enquanto comunidade, ou apenas a viver lado a lado, separados por origens que nunca ficaram para trás? 

Maria Silva, 62 anos (Açoriana)
Porque acha que ainda existe uma separação tão visível entre portugueses continentais e açorianos (e, em menor escala, madeirenses) na comunidade luso-canadiana?
Porque essa separação já vinha de trás. As pessoas emigraram com as suas identidades muito marcadas e nunca houve uma verdadeira fusão entre comunidades. Cada grupo acabou por criar os seus próprios espaços.

Já sentiu ou testemunhou essa divisão no dia a dia? Pode dar um exemplo?
Sim, várias vezes. Em festas comunitárias ou eventos culturais, nota-se logo a divisão nas conversas e até nas mesas. Já ouvi comentários a diferenciar “os das ilhas” e “os do continente” como se fossem quase comunidades diferentes.

Na sua opinião, essa divisão tem raízes culturais e históricas trazidas de Portugal e das ilhas, ou foi algo que se desenvolveu já no Canadá? Porquê?
Tem as duas coisas. Já existia em Portugal, mas no Canadá ficou mais visível porque as comunidades cresceram separadas e criaram as suas próprias associações.

Até que ponto esta separação ajuda ou prejudica a força, a representatividade e a afirmação da comunidade portuguesa no Canadá?
Prejudica. Em vez de uma comunidade forte e unida, ficamos divididos em pequenos grupos.


João Pereira, 45 anos (Continental)
Porque acha que ainda existe uma separação tão visível entre portugueses continentais e açorianos (e, em menor escala, madeirenses) na comunidade luso-canadiana?
Porque ainda existe muito orgulho regional e pouca abertura para ultrapassar essas diferenças. Muitas pessoas continuam a ver mais o que nos separa do que o que nos une.

Já sentiu ou testemunhou essa divisão no dia a dia? Pode dar um exemplo?
Sim. Em alguns clubes e associações, percebe-se que certas decisões são sempre dominadas pelos mesmos grupos regionais. Já vi situações em que pessoas de fora do “grupo principal” acabam por não ter a mesma voz.

Na sua opinião, essa divisão tem raízes culturais e históricas trazidas de Portugal e das ilhas, ou foi algo que se desenvolveu já no Canadá? Porquê?
Veio de Portugal, mas no Canadá ficou mais forte porque cada comunidade se organizou de forma independente e isolada.

Até que ponto esta separação ajuda ou prejudica a força, a representatividade e a afirmação da comunidade portuguesa no Canadá?
Prejudica bastante. Enfraquece a nossa representação coletiva.


Sofia Almeida, 27 anos (descendente de madeirenses)
Porque acha que ainda existe uma separação tão visível entre portugueses continentais e açorianos (e, em menor escala, madeirenses) na comunidade luso-canadiana?
Porque a identidade regional ainda é muito forte, especialmente entre gerações mais velhas que mantiveram essas diferenças vivas no Canadá.

Já sentiu ou testemunhou essa divisão no dia a dia? Pode dar um exemplo?
Sim. Já estive em contextos sociais onde se fazem distinções entre “ilhas” e “continente” de forma quase automática. Já me disseram diretamente que “não sou bem de lado nenhum”, o que é estranho sendo portuguesa.

Na sua opinião, essa divisão tem raízes culturais e históricas trazidas de Portugal e das ilhas, ou foi algo que se desenvolveu já no Canadá? Porquê?
Veio dos dois lados, mas no Canadá ficou mais rígida porque as comunidades cresceram separadas e com pouca interação entre si.

Até que ponto esta separação ajuda ou prejudica a força, a representatividade e a afirmação da comunidade portuguesa no Canadá?
Prejudica, mas também preserva tradições. O problema é quando isso vira exclusão.


Tony Martins, 35 anos (nascido no Canadá)
Porque acha que ainda existe uma separação tão visível entre portugueses continentais e açorianos (e, em menor escala, madeirenses) na comunidade luso-canadiana?
Porque é mais fácil as pessoas se identificarem com grupos pequenos e familiares do que construírem uma identidade portuguesa única no estrangeiro.

Já sentiu ou testemunhou essa divisão no dia a dia? Pode dar um exemplo?
Sim. Em eventos culturais ou sociais, nota-se que as pessoas se agrupam por origem e há pouca mistura real entre esses grupos.

Na sua opinião, essa divisão tem raízes culturais e históricas trazidas de Portugal e das ilhas, ou foi algo que se desenvolveu já no Canadá? Porquê?
Acho que se desenvolveu mais no Canadá. Aqui, a distância e o tempo fizeram com que as diferenças regionais ficassem mais fixas do que em Portugal.

Até que ponto esta separação ajuda ou prejudica a força, a representatividade e a afirmação da comunidade portuguesa no Canadá?
Prejudica a representatividade global da comunidade.


Ricardo Sousa, 50 anos (Continental)
Porque acha que ainda existe uma separação tão visível entre portugueses continentais e açorianos (e, em menor escala, madeirenses) na comunidade luso-canadiana?
Porque existe uma mentalidade antiga que nunca foi ultrapassada. Há uma tendência para cada grupo se ver como “mais autêntico” do que o outro, e isso nunca desapareceu completamente.

Já sentiu ou testemunhou essa divisão no dia a dia? Pode dar um exemplo?
Sim, e vou ser direto: já vi pessoas serem ignoradas ou afastadas de associações apenas por não pertencerem ao grupo regional dominante. Isso ainda acontece, mesmo que muita gente não queira admitir.

Na sua opinião, essa divisão tem raízes culturais e históricas trazidas de Portugal e das ilhas, ou foi algo que se desenvolveu já no Canadá? Porquê?
Veio de Portugal, mas no Canadá foi amplificada. Aqui, em vez de desaparecer, foi organizada em estruturas comunitárias separadas que reforçaram essa divisão.

Até que ponto esta separação ajuda ou prejudica a força, a representatividade e a afirmação da comunidade portuguesa no Canadá?
Prejudica muito. E enquanto continuarmos a fingir que isto é só “diferença cultural”, vamos continuar fragmentados e sem uma voz forte.

Romulo M. Avila/MS

Mais do que uma só comunidade: A identidade portuguesa no Canadá entre tradição, diversidade e união

12 June 2026 at 16:34
Créditos: MDC Media Group

Num Canadá construído pela força do multiculturalismo, a comunidade portuguesa continua a afirmar-se através das suas raízes, tradições e identidade coletiva. Mas dentro dessa realidade existe uma diversidade muitas vezes invisível para quem observa de fora: açorianos, madeirenses e portugueses do continente carregam histórias migratórias distintas, experiências próprias e fortes ligações regionais que ajudaram a moldar o percurso da diáspora luso-canadiana ao longo de décadas. Embora essas diferenças tenham, por vezes, criado comunidades mais segmentadas, líderes associativos defendem que a diversidade interna não deve ser vista como fator de divisão, mas sim como uma das maiores riquezas da presença portuguesa no Canadá. 

Entre memórias de imigração, preservação cultural e desafios de representação, cresce hoje uma nova visão de unidade — uma comunidade capaz de preservar as suas identidades regionais sem perder a força de uma voz comum. É nessa realidade que Suzanne da Cunha, presidente da Casa dos Açores do Ontário, e Matthew Correia, conselheiro da diáspora açoriana, refletem sobre o passado, o presente e o futuro da comunidade portuguesa no Canadá.

Suzanne da Cunha. DR.

Suzanne da Cunha: “Identidades açoriana, madeirense e continental fortalecem a comunidade” 

Em entrevista, a presidente da Casa dos Açores do Ontário, Suzanne da Cunha, sublinha que a perceção de alguma separação entre os diferentes grupos dentro da comunidade portuguesa resulta sobretudo de “um processo histórico de imigração feito em diferentes fases e com realidades sociais distintas”.

Segundo a responsável, muitos açorianos chegaram ao Canadá nas décadas de 1950 e 1960, frequentemente em contextos de maior vulnerabilidade económica e com forte ligação ao trabalho agrícola e operário. Já os emigrantes provenientes do continente português chegaram em diferentes períodos e com outras dinâmicas profissionais e sociais, o que contribuiu para a criação de redes comunitárias mais segmentadas. “A forma como a comunidade se organizou inicialmente, através de bairros, igrejas e associações ligadas à origem regional, ajudou a criar laços muito fortes dentro de cada grupo, mas também alguma separação natural entre eles”, explica a professora Suzanne da Cunha.

Apesar dessa realidade histórica, a presidente da Casa dos Açores do Ontário rejeita a ideia de que as diferenças regionais representem um problema estrutural. Pelo contrário, considera-as uma mais-valia.

“A cultura açoriana, madeirense e continental complementam-se. Essa diversidade é uma riqueza que torna a nossa comunidade mais viva, mais representativa e mais forte dentro do mosaico multicultural canadiano”, afirma. Ainda assim, reconhece que, quando estas identidades são vividas de forma demasiado isolada, podem limitar a capacidade de ação conjunta da comunidade portuguesa enquanto bloco social e institucional. “O desafio não é eliminar as diferenças, mas garantir que elas não se transformam em barreiras. A identidade portuguesa deve ser suficientemente ampla para acolher todas as suas expressões regionais”, defende salientando no entanto, por exemplo, que a Casa dos Açores do Ontário foi a primeira organização a ceder gratuitamente as suas instalações para os eventos da Casa da Madeira, e o mesmo faria caso outra qualquer precisasse de apoio e ajuda.

Para Suzanne da Cunha, instituições como a Casa dos Açores do Ontário, os clubes sociais, as associações culturais e os meios de comunicação social desempenham um papel determinante na construção de pontes entre gerações e origens. Estas estruturas, refere, devem apostar em iniciativas conjuntas que promovam o encontro entre diferentes segmentos da comunidade, desde eventos culturais a celebrações nacionais e projetos direcionados para os jovens luso-descendentes. “Temos de criar mais espaços de partilha entre açorianos, madeirenses e continentais. Quando trabalhamos juntos, a nossa voz torna-se mais forte e mais influente no contexto canadiano”, sublinha. Também os media comunitários são chamados a desempenhar uma função agregadora, valorizando narrativas comuns e histórias partilhadas de integração e sucesso no Canadá.

Apesar das diferenças históricas e culturais, há um ponto de convergência cada vez mais evidente: as novas gerações. Nascidos ou criados no Canadá, muitos jovens já se identificam como luso-canadianos, combinando heranças regionais com uma identidade portuguesa mais ampla e uma forte ligação ao país de acolhimento. “É nesse futuro que devemos apostar”, conclui Suzanne da Cunha. “Uma comunidade portuguesa unida na diversidade, orgulhosa das suas raízes e, ao mesmo tempo, capaz de falar a uma só voz quando necessário.”

Matthew Correia. DR.

Matthew Correia defende valorização das raízes açorianas como parte essencial da comunidade luso-canadiana

A emigração açoriana teve um papel fundamental na formação da comunidade portuguesa no Canadá, sobretudo na Grande Área de Toronto. Para Matthew Correia, conselheiro da diáspora açoriana, essa herança continua viva na identidade de milhares de luso-canadianos. “Trouxeram consigo não apenas a língua e as tradições, mas também uma profunda saudade das suas ilhas”, afirma.

Foi dessa ligação às origens que nasceram muitas das instituições comunitárias ainda hoje centrais na vida portuguesa em Ontário. Clubes, associações culturais, irmandades religiosas e festas tradicionais mantêm forte influência açoriana. Segundo Correia, esse legado está presente nas celebrações do Divino Espírito Santo e do Senhor Santo Cristo, nos grupos folclóricos, filarmónicas, touradas à corda e festas organizadas por entidades como a Casa dos Açores do Ontário e o Graciosa Community Centre.

Para muitos filhos e netos de emigrantes, a açorianidade vai além de uma identidade regional. “Ser açoriano é também uma forma de entender as nossas origens, cultura e ligação a Portugal”, sublinha.

Questionado sobre alguma distância entre açorianos e portugueses do continente dentro da comunidade luso-canadiana, Matthew Correia reconhece diferenças históricas, mas rejeita a ideia de divisão. Explica que muitos açorianos emigraram por percursos diferentes e criaram redes muito ligadas às suas ilhas de origem. Além disso, os Açores possuem tradições, sotaques e costumes próprios dentro da identidade portuguesa.

“A questão não é separação, mas sim reconhecimento”, afirma. “Os açorianos merecem ver a sua história e contributos refletidos na comunidade portuguesa. Não há portugueses de primeira nem de segunda.”

Com esse objetivo, Correia impulsionou a criação do Azores Parkette, em Little Portugal, Toronto. O espaço procura homenagear o contributo açoriano para a comunidade portuguesa e para a sociedade canadiana. “Faltava um espaço que reconhecesse a presença e o legado da comunidade açoriana”, explica.

Sobre as novas gerações, Matthew Correia acredita que é possível preservar as identidades regionais sem perder a unidade da comunidade portuguesa. “Um jovem pode sentir-se canadiano, português e açoriano ao mesmo tempo”, refere. Para isso, considera essencial investir em programas juvenis, ensino da língua portuguesa, intercâmbios culturais e participação associativa.

Defende ainda que as instituições luso-canadianas devem ser mais inclusivas e abertas à diversidade regional. “Devemos ser acolhedores e não insulares”, afirma. Para o conselheiro, a diversidade interna é uma das maiores forças da comunidade portuguesa no Canadá. “A unidade não significa que todos tenham de ser iguais. A riqueza da nossa comunidade está precisamente na diversidade das suas tradições e experiências.”

 “O objetivo deve ser construir uma comunidade unida por uma herança comum e pelo compromisso de manter as futuras gerações ligadas às suas raízes portuguesas. Porque, como diz o velho ditado: ‘A união faz a força.’”, rematou.

Concluindo, o desafio que permanece é o da continuidade: preservar a riqueza das raízes sem permitir que elas se transformem em fronteiras. Porque é na capacidade de reconhecer a diversidade interna como força comum que a comunidade portuguesa encontrará não apenas a sua unidade, mas também a sua relevância futura. No fim, a mensagem que emerge é clara — a identidade portuguesa no Canadá não se define pela origem de cada um, mas pela vontade coletiva de manter viva uma herança comum, aberta ao mundo e às gerações que virão.

Romulo M. Avila/MS

Laurentino Esteves defende mais diálogo para ultrapassar divisões na comunidade portuguesa

12 June 2026 at 16:27
Photo: @copyright

Conselheiro das Comunidades Portuguesas acredita que as diferenças entre continentais, açorianos e madeirenses podem transformar-se numa força cultural para as futuras gerações.

A diversidade regional sempre fez parte da identidade portuguesa. No entanto, dentro da comunidade luso-canadiana, especialmente na Grande Área de Toronto (GTA), continuam a existir diferenças e sensibilidades que, por vezes, dificultam uma participação mais unificada. Para Laurentino Esteves, Conselheiro das Comunidades Portuguesas no Canadá, estas divergências não devem ser encaradas como uma separação, mas sim como uma realidade complexa, influenciada pela história, pela cultura e pela própria experiência migratória.

Nesta entrevista, Laurentino Esteves reflete sobre as origens dessas diferenças, o impacto que têm na vida associativa e na representação coletiva dos portugueses no Canadá, defendendo um maior conhecimento mútuo entre continentais, açorianos e madeirenses e apelando ao diálogo como caminho para fortalecer a portugalidade além-fronteiras.

Milénio Stadium: Na sua perspetiva, por que razão continua a ser tão visível a separação entre continentais, açorianos e madeirenses dentro da comunidade portuguesa na GTA, mesmo após várias gerações no Canadá?

Laurentino Esteves. DR.

Laurentino Esteves: Esta é uma velha questão e tem vários ângulos de abordagem. Eu quero crer que não é necessariamente uma separação; é mais uma clivagem, e mais acentuada realmente entre continentais e açorianos e vice-versa.

Primeiro, temos que ter em conta que os nossos compatriotas açorianos são, de facto, a maior parte da nossa comunidade. Chegaram primeiro cá, têm e tiveram raízes e o maior entrosamento na dita comunidade (mainstream). Afirmaram-se mais depressa no Canadá e muitos sem nenhuma intenção de voltar aos Açores.

Há depois a parte cultural e identitária. A Região Autónoma dos Açores é isso mesmo, autónoma, e há quem entenda autonomia como independência. Eu estou muito à vontade para abordar estas questões. Tenho muitos amigos, e bem próximos, gente dos Açores com quem troco muitas vezes ideias e impressões deste género.

Queria trazer à equação um aspeto que para mim é fundamental. No meu tempo de escola, o que nos foi dado a saber sobre os Açores ou a Madeira foi muito pouco, apenas o básico e nada mais. Já falei muito e escrevi sobre isto. Eu vim conhecer a cultura dos Açores e da Madeira depois de chegar a Toronto, nos anos 80. Novamente, mais dos Açores. Eu vim conhecer as tradições, os costumes e a gastronomia (riquíssima). Aliado a isto, as cantorias, de que sou um enorme entusiasta e confesso fã. Quem me conhece sabe que consigo acompanhar no Pézinho e na Desgarrada. Estou há algum tempo a tentar aprender as “Velhas da Terceira” e hei-de lá chegar.

Há depois um último senão, visto por muitos, em particular pelos adeptos da discórdia, que é o sotaque diferente de praticamente todas as ilhas dos Açores, com maior preponderância em São Miguel. Sendo a maior ilha e tendo muitos dos seus no Canadá, é o padrão pelo qual incorretamente acabam por ser medidos todos os açorianos. Esta condição não deveria nunca ser um demérito, mas sim um valor e uma riqueza da nossa língua. Este estigma vem muito do berço e é uma barreira difícil, imposta por dogmas antigos e pouco informados.

Conheço e sei que muitos açorianos preferem falar inglês do que português e fazem um esforço acrescido para não terem de usar o seu português com sotaque. Está provado que as gerações mais antigas de açorianos aprenderam mais rápido e melhor inglês do que os continentais. Isso não foi mau de todo. Abriu-lhes outras oportunidades no campo laboral, social e até político.

MS: Na sua opinião, esta separação resulta mais de fatores culturais e históricos trazidos de Portugal ou de dinâmicas criadas já na diáspora canadiana?

LE: Parte da resposta creio que está dada na primeira pergunta. No entanto, depois cada comunidade tem as suas particularidades e dinâmicas próprias.

MS: Que impacto tem esta divisão na construção de uma identidade portuguesa unificada no Canadá, sobretudo junto das gerações mais jovens?

LE: O impacto por vezes é visível e acentuado na comunidade. Afasta as pessoas das iniciativas comunitárias e, por arrasto, do próprio movimento associativo. Têm sido feitos alguns esforços pontuais para que haja cada vez mais interação entre todos os portugueses, sem exceção.

Por exemplo, entre nós, as celebrações do Dia de Portugal são um espaço onde todos se deveriam sentir incluídos. A Parada do Dia de Portugal tem tido a participação da Madeira, através da Casa da Madeira. Esta situação é mais simples porque é a única representação madeirense na área de Toronto.

Há quem diga que a participação dos Açores fica aquém do número de clubes e associações oriundos das nove ilhas açorianas. Seria um tema para aprofundar e ter uma discussão profunda, séria e necessária com os interessados.

A ACAPO, como uma espécie de federação das associações e clubes portugueses do Ontário, deveria ser a primeira a promover este diálogo entre todos os interessados.

Na minha humilde capacidade de Conselheiro das Comunidades Portuguesas, estarei disponível para contribuir para esse diálogo. Curiosamente, os mais jovens, na minha opinião, estão mais flexíveis e serão também os mais interessados e possivelmente os mais beneficiados.

MS: Até que ponto esta fragmentação interna enfraquece a representação da comunidade portuguesa junto das instituições canadianas e o reconhecimento do seu contributo coletivo?

LE: Naturalmente, uma comunidade fragmentada ou dividida é mais fraca e tem menos argumentos para se impor quando é necessário mostrar uma frente robusta e unida. Isto pode ter consequências nefastas junto das instituições, a começar pelas do Canadá, o nosso país de acolhimento. Estou convicto e otimista de que seremos capazes de ultrapassar esta “clivagem” e outras que teremos pela frente.

Queria ainda trazer outro ponto de vista que tenho sobre isto há muito tempo. Um dos grandes problemas é o desconhecimento e a diferença. Ora, nem os continentais conhecem os Açores nem os açorianos conhecem o continente, geralmente falando, claro.

Quando se fala em tarifas aéreas subsidiadas para isto e para aquilo, deveria ser um desígnio nacional do Estado apoiar os cidadãos portugueses a viajar entre os arquipélagos da Madeira e dos Açores e o continente. Esta medida, usada noutros locais, para além de aproximar as pessoas e combater a insularidade, seria ainda um fator económico relevante.

Ainda a propósito, o facto de o Senhor Presidente da República ter escolhido a ilha Terceira para as celebrações oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, e depois ter seguido para a Madeira, é um passo na direção certa.

Por fim, repito, quero estar confiante e acredito que saberemos, em conjunto, ultrapassar estas diferenças, que não passam disso mesmo: diferenças. Importante é saber transformá-las num potencial cultural rico da nossa portugalidade.

Viva Portugal.

Vivam as comunidades portuguesas.

Vivam todos os portugueses.

Laurentino Esteves/MS

Uma comunidade, várias identidades

12 June 2026 at 16:16
Photo: @copyright

A comunidade portuguesa da Grande Área de Toronto é frequentemente apontada como uma das mais dinâmicas da diáspora portuguesa. E é, sem dúvida, no entanto, continua a evidenciar-se uma forte identificação regional entre os portugueses os lusodescendentes que aqui residem. Açorianos, madeirenses e continentais, parecem por vezes divididos ou se preferirem afastados, Como se estivesse cada um no seu canto. Esta é uma realidade que se reflete nas várias associações, clubes e estruturas comunitárias. Esta diversidade representa, sem dúvida, uma enorme riqueza cultural, mas por vezes pode dificultar a afirmação de uma voz coletiva mais forte. José A. Rodrigues, Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Casa da Madeira e Conselheiro da Diáspora Madeirense no Canadá, considera que as diferenças regionais não são, por si só, um problema. Com uma visão plena de lucidez e bom-senso, José A. Rodrigues defende que o desafio está em garantir que essas identidades funcionem como elementos de união e não de separação.

Milénio Stadium: Na sua perspetiva, por que razão continua a ser tão visível a separação entre continentais, açorianos e madeirenses dentro da comunidade portuguesa na GTA, mesmo após várias gerações no Canadá?

José A. Rodrigues. DR.

José A. Rodrigues: É uma questão complexa, e a resposta varia de comunidade para comunidade. Em muitos casos, não existe um verdadeiro afastamento, mas sim uma tendência para cada grupo socializar mais dentro dos seus próprios círculos culturais e familiares.

Alguns fatores contribuem para esse fenómeno. Tanto os açorianos como os madeirenses possuem uma identidade insular muito marcada, com tradições, sotaques e histórias próprias. Além disso, as diferentes vagas de imigração fizeram com que as comunidades se estabelecessem em momentos distintos e criassem redes sociais e associativas próprias.

As associações e clubes regionais desempenharam um papel fundamental na preservação das tradições, mas também contribuíram para reforçar identidades regionais específicas. As pessoas sentem-se naturalmente atraídas por quem partilha referências culturais semelhantes.

Há ainda a questão da transmissão geracional. Muitos filhos e netos de emigrantes cresceram a ouvir expressões como “nós somos açorianos”, “nós somos madeirenses” ou “nós somos minhotos”. Esse orgulho regional foi sendo transmitido juntamente com a história familiar.

Também existem algumas rivalidades informais e perceções que foram sendo perpetuadas ao longo do tempo, mesmo quando já não têm fundamento real.

No entanto, há igualmente muitos exemplos de colaboração. Em festivais, eventos culturais, iniciativas de solidariedade ou causas comunitárias, açorianos, madeirenses e continentais trabalham frequentemente lado a lado.

Talvez a questão mais importante seja perguntar o que nos une. A língua portuguesa, os valores familiares, a herança cultural, a gastronomia, a fé para muitos e a experiência comum da emigração são frequentemente muito mais fortes do que as diferenças regionais.

Como Presidente da Mesa da Assembleia da Casa da Madeira e Conselheiro da Diáspora Madeirense, tenho observado que os projetos comunitários mais bem-sucedidos são aqueles que conseguem celebrar as identidades regionais sem perder de vista uma identidade portuguesa comum. Afinal, Madeira, Açores e Continente são diferentes expressões da mesma cultura e da mesma nação: Portugal.

MS: Até que ponto considera que esta divisão tem raízes históricas importadas de Portugal e até que ponto é algo que se reforça já em contexto canadiano?

JAR: Na minha opinião, a divisão tem algumas raízes históricas importadas de Portugal, mas é sobretudo reforçada e perpetuada no contexto da diáspora.

Em Portugal existem identidades regionais fortes, especialmente nos Açores e na Madeira, mas a maioria das pessoas convive diariamente com pessoas de outras regiões sem que isso constitua uma barreira significativa.

Na diáspora acontece um fenómeno interessante. Quando uma comunidade emigra, tende a preservar a identidade que trouxe consigo no momento da partida. As tradições, os costumes e até algumas rivalidades regionais ficam, de certa forma, “congelados no tempo” e acabam por ganhar mais importância do que teriam no país de origem.

Na GTA, esta realidade foi reforçada porque as primeiras redes de apoio foram criadas por pessoas da mesma origem regional. As festas, os clubes e as associações desenvolveram-se em torno dessas identidades, e a própria liderança comunitária organizou-se muitas vezes segundo essas mesmas linhas.

Existe também um fator emocional importante. Muitos emigrantes não trouxeram apenas Portugal consigo; trouxeram a sua ilha, a sua freguesia, o seu concelho. Para muitos madeirenses, a Madeira era a principal referência identitária. Para muitos açorianos, a sua ilha de origem desempenhava esse papel.

O desafio surge quando o orgulho regional deixa de ser um elemento de enriquecimento cultural e passa a ser um fator de separação.

Pessoalmente, penso que o futuro passa por uma identidade em camadas: ser simultaneamente madeirense, açoriano ou continental, mas também português e luso-canadiano. Estas identidades não são concorrentes; podem complementar-se.

MS: Que peso têm as associações culturais, clubes e estruturas comunitárias na manutenção destas identidades regionais?

JAR: Diria que têm uma influência significativa, embora não necessariamente negativa.

As associações culturais, clubes e casas regionais desempenharam um papel fundamental na preservação da língua, das tradições e do sentido de pertença dos emigrantes. Sem elas, uma parte importante do património cultural português poderia ter-se perdido ao longo das gerações.

No entanto, existe um efeito secundário inevitável. Ao preservarem identidades regionais específicas, também contribuem para a sua continuidade e, por vezes, para alguma separação.

Uma Casa da Madeira existe para promover a cultura madeirense. Um clube açoriano promove a cultura açoriana. Uma associação regional do Minho ou de Trás-os-Montes faz o mesmo relativamente às suas tradições. Tudo isso é legítimo e valioso.

O problema surge quando essa missão não é acompanhada por uma visão mais ampla da comunidade portuguesa.

Muitas destas organizações nasceram numa época em que os emigrantes procuravam sobretudo pessoas da sua terra, da sua ilha ou até da sua freguesia. Essas estruturas funcionaram tão bem que continuam a moldar a vida comunitária décadas depois.

Existe também uma questão relacionada com a liderança. Muitas vezes os dirigentes dedicam enormes esforços à sua própria organização, mas existem poucos espaços permanentes de cooperação entre instituições.

Curiosamente, não creio que a principal divisão seja entre madeirenses, açorianos e continentais. Muitas vezes as maiores divisões surgem entre organizações, entre gerações, entre diferentes estilos de liderança ou entre quem privilegia a colaboração e quem procura protagonismo.

Por isso, talvez a verdadeira questão seja saber se as identidades regionais estão a funcionar como pontes ou como fronteiras.

MS: Acredita que esta fragmentação interna limita a capacidade de afirmação política, social e cultural da comunidade portuguesa no Canadá?

JAR: Sim, acredito que até certo ponto limita.

Não porque as diferenças regionais sejam um problema em si mesmas, mas porque uma comunidade fragmentada tende a ter menos capacidade de mobilização, menos influência política e uma voz pública menos forte do que uma comunidade capaz de articular interesses comuns.

Quando diferentes organizações trabalham separadamente, os recursos humanos e financeiros dispersam-se, as mensagens transmitidas aos decisores políticos tornam-se menos consistentes, a capacidade de atrair os mais jovens diminui e o impacto mediático acaba por ser menor.

Por outro lado, quando a comunidade fala a uma só voz em questões importantes, como o ensino da língua portuguesa, o apoio às instituições comunitárias, o reconhecimento cultural ou as relações com Portugal, o seu peso político e social aumenta significativamente.

Importa, contudo, não confundir unidade com uniformidade. A comunidade portuguesa nunca será uma organização única, nem precisa de o ser. A diversidade regional faz parte da sua riqueza.

Na minha perspetiva, a fragmentação mais prejudicial não é cultural, mas institucional e pessoal.

Os momentos de maior projeção da comunidade portuguesa aconteceram precisamente quando houve cooperação entre organizações, líderes e regiões diferentes. Nesses momentos, o que prevalece não é a origem insular ou continental, mas a força coletiva de uma comunidade que representa milhares de luso-canadianos e as suas ligações a Portugal e ao Canadá.

MS: O que poderia ser feito, de forma prática, para aproximar estas diferentes origens regionais sem apagar as suas especificidades culturais?

JAR: A solução não passa por diluir as identidades regionais, mas por criar mais espaços de encontro e colaboração entre elas.

Seria importante promover mais eventos conjuntos entre associações madeirenses, açorianas e continentais, como festivais culturais, galas comunitárias, conferências sobre a história da imigração portuguesa ou iniciativas de solidariedade.

Poderia também ser criado um Conselho Permanente das Organizações Portuguesas, funcionando como um fórum de diálogo regular entre dirigentes associativos para discutir desafios comuns e coordenar esforços.

A juventude deve ser uma prioridade. Projetos de liderança jovem, voluntariado, intercâmbios culturais e empreendedorismo podem aproximar descendentes de diferentes origens regionais em torno de objetivos comuns.

Outro aspeto importante é valorizar a história de todas as regiões portuguesas. Muitas vezes as pessoas conhecem pouco as realidades dos outros. O conhecimento gera respeito, compreensão e aproximação.

Também é fundamental desenvolver causas comuns. As comunidades unem-se mais facilmente em torno de desafios concretos do que de discursos sobre unidade. A promoção da língua portuguesa, o apoio aos idosos, a integração de recém-chegados, as bolsas de estudo ou a preservação do património cultural são bons exemplos.

Por fim, as lideranças têm um papel decisivo. Quando os líderes se conhecem, se respeitam e trabalham juntos, as bases tendem a seguir o mesmo exemplo.

Talvez seja necessário mudar a narrativa de “somos madeirenses, açorianos ou continentais” para “somos madeirenses, açorianos e continentais, e todos fazemos parte da mesma comunidade luso-canadiana”.

No fundo, o objetivo não deve ser criar uma identidade única. A riqueza da comunidade portuguesa na GTA reside precisamente na diversidade das suas origens. O desafio é construir uma cultura de cooperação onde as diferenças regionais sejam vistas como património partilhado e não como linhas de separação.

Acredito que instituições como a Casa da Madeira podem desempenhar um papel importante neste processo: mostrar que é possível celebrar a identidade madeirense com orgulho, ao mesmo tempo que se estende a mão às restantes expressões da portugalidade presentes no Canadá.

Essa combinação de orgulho nas raízes e abertura ao diálogo é, muitas vezes, o caminho mais eficaz para fortalecer toda a comunidade.

Madalena Balça/MS

Mês da Herança Portuguesa

12 June 2026 at 00:26
Foto: Manuel DaCosta

A questão da coexistência cultural dentro das fronteiras nacionais tem desafiado as sociedades desde a sua formação. Ruturas no equilíbrio cultural para fins egoístas são autocentradas e prejudiciais para o tecido do que constitui um país. Valeria a pena salvar uma cultura que se está a fraturar ao longo das linhas de separação cultural? Na minha perspetiva sim, e daí a razão para uma discussão sobre o continente de Portugal e as ilhas dos Açores e da Madeira. As três componentes que constituem o todo de Portugal coexistem há centenas de anos e, embora tenha havido desafios no passado, tais como conversas de separação, as mentes mais moderadas prevaleceram e o país permaneceu unido. No entanto, atualmente, na era dos meios de comunicação social e da provocação e saturação do pensamento intelectual, um tipo diferente de separatismo está a erguer a sua cabeça feia.

Um microcosmo do que Portugal é existe no Canadá, um país que aceitou imigrantes portugueses há 73 anos e proporcionou condições de prosperidade que, por razões políticas, Portugal não quis resolver. Açorianos, continentais e madeirenses têm vivido num sistema harmonioso nos últimos 73 anos no Canadá, mesmo que diferenças internas baseadas no “bairrismo” tenham criado instâncias de racismo e tendências misóginas, particularmente entre continentais e açorianos. As referidas diferenças lógicas no desenvolvimento comunitário têm frequentemente desafiado a nossa diversidade cultural e processo de pensamento, o qual tem sido baseado na ignorância de autoproclamados líderes vindos do continente.

A perpetuação de retórica que promove uma versão de complexo de inferioridade intelectual tem colocado barreiras no desenvolvimento positivo das nossas comunidades, ignorando sinais de que a autodeterminação, combinada com o respeito mútuo pela importância cultural de outras comunidades e a sobrevivência de subculturas distintas dentro de uma nação, depende de variáveis estruturais e sociais. As comunidades que controlam o seu próprio património experimentam frequentemente níveis mais elevados de coesão social e sobrevivência cultural. Muitas vezes, líderes comunitários individualistas sentem que são os donos do comboio que transporta uma comunidade para o seu ponto de encontro final.

O poder cultural unificado constrói comunidades fortes, resultando numa melhor influência a todos os níveis de inclusão política e geográfica; mas, pelo contrário, se não reconhecermos direitos unificados de existência cultural, resultará em “roubo cultural” e assimilação forçada. Parece haver uma perceção dentro da comunidade portuguesa de que existe um número de líderes que controlam a governação da diversidade social e cultural e que apenas eles sabem o que é melhor para o valor da diversidade. Isto, claro, é espalhado por narcisistas egoístas autonomeados que frequentemente se auto engrandecem pela perceção de um poder falso. A influência não vem de quem molda o poder à sua conveniência, mas sim das pessoas que acreditam num conjunto de princípios baseados no equilíbrio e na justiça do respeito pelo desenvolvimento. Alargar as nossas mentes para glorificar uma comunidade não significa enriquecimento pessoal, mas sim cooperação por uma causa justa.

Junho é o mês da Herança Portuguesa no Canadá, o que proporciona uma oportunidade para nos elevarmos acima de envolvimentos de interesse próprio, inspirando todos aqueles que ainda não sentiram a cultura portuguesa. No dia 13 de junho, o desfile do Dia de Portugal faz parte da humanização de quem somos enquanto comunidade. Alguns clubes decidiram boicotar este evento tão importante, não compreendendo que a cultura portuguesa associada a clubes e associações é muito maior do que qualquer indivíduo que boicote e/ou assuma a propriedade daquilo que o desfile e o mês de Junho representam. A separação por parte de alguns na comunidade açoriana como forma de protesto rouba a muitos a oportunidade de mostrar os corações e as mentes dos açorianos. É um pensamento de curto alcance que se refere a outros aspetos onde a separação cultural ignora propositadamente contributos que outros membros da comunidade poderiam valorizar se participassem. Aqueles que silenciosamente se dedicam ao roubo da cultura deveriam reavaliar a sua própria hierarquia individualista, porque o resultado será o conflito interno. A cultura dentro das comunidades promove a sobrevivência das suas diferenças e dá prioridade à resiliência cultural e à autodeterminação.

Ajude a construir, não a destruir, aquilo que leva tanto tempo a tornar-se quem somos.

Manuel DaCosta/MS


Portuguese Heritage Month

The question of cultural co-existence within national borders has challenged societies since their formation.  Ruptures in the cultural balance for egotistical purposes are self-serving and injurious to the fabric of what makes a country.  Is culture that is fracturing along the lines of physical separation worth saving?  In my view yes, and thus the reason for a discussion about Portugal’s mainland and the islands of Azores and Madeira. The three components, which make up the whole of Portugal and co-existed for hundreds of years and while there have been past challenges, such as talk of separation, cooler heads have prevailed and the country has remained whole.  However, currently in the age of media plus intellectual thought provocation and saturation, a different type of separatism is rearing its ugly head.

A microcosm of what Portugal is, exists in Canada, a country that accepted Portuguese immigrants 73 years ago and provided conditions for prosperity  which for political reasons, Portugal didn’t want to provide.  Azoreans, mainlanders, and Madeirans have lived in an harmonious system for the past 73 years in Canada, even if internal differences based on “bairrismo” created instances of racism and misogynistic tendencies, particularly between mainlanders and Azoreans.  Said logical differences in community development have often challenged our cultural diversity and thought process, which has been based on ignorance of so-called leaders from the mainland.  The perpetuation of rhetoric promotion of a version of intellectual inferiority complex has provided barriers in the positive development of our communities, dismissing signs that self-determination combined with mutual respect for the cultural importance of other communities and the survival of distinct sub-cultures within a nation and its dependence and structural and social variables.  Communities who control their own heritage often experience improved higher levels of social cohesion and cultural survival.  Often, individualistic community leaders feel that they own the train that carries a community to its ultimate meeting point.

Unified cultural power builds strong communities, resulting in improved influence at all levels of political and geographical inclusion, but in the opposite, if we don’t acknowledge unified rights of cultural existence, “cultural theft” and forced assimilation will result.  There appears to be a perception being perpetuated within the Portuguese community that there are a number of leaders, which control the governance of social and cultural diversity and only they know what is best for the value of diversity.  This, of course, is spread by self-appointed egotistic narcissists who often are self-aggrandized by the perception of fake power.  Influence comes not from who configures power to suit but from the people who believe in a set of principles based on balance and fairness of developmental respect.  Broadening our minds to glorify a community does not mean self-enrichment but co-operation for a just cause.

June is Portuguese Heritage month in Canada which provides an opportunity to rise above self serving engagement, inspiring all that still have not felt Portuguese culture.  On June 13th, the Portugal Day parade is part of the humanization of who we are as a community.  Some clubs have decided to boycott this most important event, not understanding that Portuguese culture associated with clubs and associations is much bigger than any individual who boycotts and/or assumes ownership of what the parade and June are all about.  The separation by some in the Azorean community as a means of protest robs many of the opportunity to showcase the hearts and minds of Azoreans.  It’s short thinking but it extends to other aspects where culture separation purposely ignores contributions that other members of the community may enhance if they participated.  Those who quietly go about the theft of culture should reassess their own individualistic hierarchy because the result will be internal conflict.  Culture within the communities promotes survival of differences and prioritizes cultural resilience and self-determination.

Help build, not destroy what took so long to become who we are.

José Mourinho fala em honra e privilégio de ter treinado o Benfica

12 June 2026 at 00:24
Créditos: JN

O treinador José Mourinho agradeceu a honra e o privilégio de ter treinado o Benfica, numa mensagem publicada nas redes sociais um dia depois de ter sido oficializada a sua saída do clube da I Liga de futebol.

“Agradeço ao presidente Rui Costa a oportunidade que me foi concedida de trabalhar ao serviço do Sport Lisboa e Benfica. Representar este clube foi uma honra e um privilégio”, escreveu Mourinho.

O treinador quis dar também “uma palavra de reconhecimento a todos os profissionais do Benfica Campus, cujo profissionalismo, dedicação e competência foram exemplares”, antes de agradecer aos futebolistas dos “encarnados”.

“Aos jogadores com quem tive o prazer de trabalhar, deixo um sincero agradecimento e os votos do maior sucesso pessoal e profissional. Levo comigo a convicção de que, mais do que um momento, criámos uma ligação duradoura: meu jogador um dia, meu jogador para sempre”, garantiu.

O Benfica oficializou na terça-feira (9) a saída do treinador José Mourinho para o Real Madrid, que pagou 15 milhões de euros (ME) de indemnização, segundo o comunicado enviado pelo clube da I Liga de futebol ao regulador do mercado.

JN/MS

Fernando Meira considera Cristiano Ronaldo “o melhor de todos os tempos”

12 June 2026 at 00:23
Créditos: JN

O capitão da seleção portuguesa de futebol Cristiano Ronaldo “continua a ser uma grande referência”, segundo o antigo internacional português Fernando Meira, que espera “muitos golos” no Mundial 2026 do “melhor de todos os tempos”.

“Ao olhar para trás até me arrepia, o que ele representa para nós, para Portugal, para todo o mundo e para os mais jovens, em que é visto como um exemplo. Ele sempre demonstrou que é alguém que supera as expectativas, que trabalha e se dedica de forma ímpar e foi um orgulho tremendo acompanhar a sua evolução e desempenho. É o melhor de todos os tempos”, afirmou Fernando Meira, em declarações à agência Lusa.

O antigo defesa central e médio defensivo, de 48 anos, esteve presente na estreia de Ronaldo em fases finais de um Campeonato do Mundo, em 2006 na Alemanha, onde Portugal terminou no quarto lugar, a segunda melhor classificação de sempre, depois do terceiro na estreia em 1966.

Para Meira, Ronaldo, com 41 anos, já não apresenta as mesmas características de outros tempos, mas continua a ser uma mais-valia para o grupo às ordens do espanhol Roberto Martínez.

“Não tem as características naturais e físicas de outros tempos, mas continua a ser uma grande referência, como jogador e como capitão. É uma mais-valia”, salientou.

Fernando Meira, internacional português em 54 ocasiões e que representou clubes como Vitória de Guimarães, Benfica, Estugarda, Galatasaray, Zenit São Petersburgo ou Saragoça, acredita que a presença de Ronaldo significa golos e que pode até abrir muitos espaços para os companheiros de equipa. “Vai atrair atenções e esperemos que consiga fazer um bom Mundial, com muitos golos. Hoje em dia não desequilibra no um para um, mas, na finalização, os golos falam por si e abre espaços para outros”, destacou, lembrando a qualidade individual das opções disponíveis em Portugal, com “alguns dos melhores na atualidade mundial”.

O Mundial 2026 arranca na quinta-feira e decorre até 19 de julho nos Estados Unidos, no Canadá e no México.

Portugal vai disputar o Grupo K e tem estreia marcada para 17 de junho frente à República Democrática do Congo, em Houston, numa partida com início marcado para as 12 horas (18 h em Portugal).

Segue-se o estreante Uzbequistão em 23 de junho, também em Houston e igualmente com início agendado para as 12 horas (18 h), ficando o grupo fechado em 27 de junho, com Portugal a defrontar a Colômbia em Miami, num jogo que começa às 19.30 horas (00.30 h de 28 de junho).

JN/MS

Mundial2026 Roberto Martínez e o Mundial: “A ideia é ganhar oito jogos”

12 June 2026 at 00:19
Roberto Martinez seen during International Friendly, L‰nderspiel, Nationalmannschaft game between national teams of Portugal and Nigeria Luis Loureiro/Ball Raw Images PT Leiria Estadio Dr. Magalhaes Pessoa Portugal Copyright: xLuisxLoureirox luisloureiro_portugal_nigeria_2526-6

O selecionador nacional, Roberto Martínez, voltou a insistir que só está preocupado com a fase de grupos, mas lá deixou escapar que lutar pelo título de campeão do Mundo é algo que está nos planos.

Portugal está pronto para o Mundial mais longo da história. Apesar da competição nos Estados Unidos da América, México e Canadá chegar após uma época desgastante, Roberto Martínez revelou que o grupo de trabalho está preparado para o desafio.

“Gostava de dizer que não é o fim da época. O balneário tem frescura, alegria e os jogadores que estiveram no último jogo (final da Champions) também estão recuperados. Depois, temos dois Mundiais como já referi e, para já, temos de nos concentrar nos três jogos que temos pela frente”, afirmou o treinador, referindo-se à fase de grupos.

No entanto, e confrontado com as palavras do presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, que afirmou que a presença nas meias-finais é um objetivo mais do que realista, Martínez mostrou um pouco mais de ambição.

“O presidente é uma pessoa que tem a sua opinião e eu respeito isso. Para mim é um Mundial de três jogos, para já, mas a ideia é ganhar oito jogos, seja em 90, 120 minutos ou grandes penalidades. Só podemos controlar a atitude, mostrar o nosso talento e fazer o que fizemos na Liga das Nações”, defendeu, antes de abordar um dado histórico.

Nunca um país foi campeão mundial com um selecionador estrangeiro, estatística que Martínez quer quebrar. “É um desafio que adoro. A minha carreira está cheia de desafios assim. É o primeiro mundial com 48 seleções, com oito jogos e é uma boa oportunidade de fazer o que nunca foi feito”, reagiu.

Roberto Martínez também foi questionado sobre Cristiano Ronaldo, que se mostrou emocionado durante o hino nacional durante a partida do passado sábado (6) frente ao Chile, e não acredita que o capitão já tenha tomado uma decisão sobre se continuará na seleção após o Mundial.

“O nosso capitão é um exemplo para o dia a dia, a dar tudo para melhorar e ajudar a seleção. Ele, nem os outros, não pensa no futuro: o futebol tem lesões, decisões que não estão nas tuas mãos. O foco é ser o melhor no treino, executar os conceitos e mostrar orgulho em vestir a camisola de Portugal”, referiu.

JN/MS

Caetano Veloso: O Eterno

11 June 2026 at 23:51
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À quarta tentativa frustrada de entrevistar o mestre Caetano Veloso, o desânimo já ameaçava vencer-nos. Contudo, num gesto nobre que soube a um sincero pedido de desculpas, o seu manager abriu-nos as portas e ofereceu-nos entrada livre para este ritual sagrado –  o seu grandioso concerto. A nossa equipa deixa um agradecimento profundo e de coração cheio a toda a equipa de Caetano Veloso por nos permitir fazer parte da magia. 

O regresso de Caetano Veloso a Portugal prometia ser apenas mais uma paragem da sua nova digressão. Aos 84 anos, o cantor baiano não subiu ao palco para desafiar o tempo, mas sim para mostrar que a grande poesia e a melodia sincera moram numa dimensão onde o tempo simplesmente não manda. A expectativa antes do espetáculo era palpável na atmosfera da sala esgotada e do trânsito infernal. Quando as luzes finalmente se apagaram, o som da multidão ecoou como de quem aguarda um velho amigo. Ao entrar em palco de braços abertos durante os acordes iniciais de “Branquinha”, Caetano fez o que poucos fazem: reduziu a grande arena à intimidade calorosa de uma sala de estar. O seu sorriso, funcionou como um abraço entre o Brasil e Portugal. 

A energia contagiante de “Gente” fez levantar as plateias, transformando o recinto num mar de corpos em movimento, embalados pelos passos de dança leves e elegantes do próprio artista. Em clássicos absolutos como “Vaca Profana” e “Divino Maravilhoso”, a Super Bock Arena reencontrou o espírito do psicodelismo tropicalista, envolvida num desenho de luzes vibrantes que parecia pintar a própria música. Caetano canta com a frescura de quem descobre o prazer da partilha a cada nota, alimentando-se da energia que recebia de um público inteiramente rendido. Contudo, foram os momentos de recolhimento que elevaram esta noite. Em “Cajuína”, quando o mestre silenciou a sua voz e ergueu os braços para deixar que as milhares de vozes da arena cantassem o refrão sozinhas, sentiu-se um arrepio coletivo. O visível movimento do artista ao agradecer com um sentido “Que beleza estar no Porto” contatou-se a verdade mais profunda da sua arte: Caetano é eterno. 

Pouco depois, a interpretação de “Sozinho”, apenas amparada pela sua guitarra acústica e apontamentos subtis da banda, criou um vazio acústico absoluto ao nosso redor. Naquele instante, era apenas a plateia, ele e a dolorosa beleza daquela canção. O apogeu emocional da noite, contudo, estava reservado para o momento em que Caetano decidiu parar o alinhamento planeado para partilhar uma memória íntima. Ao recordar a sua infância em Santo Amaro da Purificação, o músico revelou que, com apenas dez ou onze anos, era o único rapaz da sua terra natal que decorava e cantava fados, imitando o sotaque lusitano que ouvia nas vozes de artistas portugueses. O anúncio de que iria cantar o primeiro fado que aprendeu na vida trouxe um silêncio enorme à sala. Quando os primeiros versos de “A Rosinha dos Limões” ecoaram na voz do baiano, o tempo parou. Não era apenas um músico brasileiro a interpretar uma canção tradicional portuguesa; era um menino de 84 anos a regressar à pureza das suas primeiras paixões musicais. Ao cantar o fado no Porto, Caetano devolveu a Portugal uma parte da identidade que transportou consigo ao longo de toda a vida. 

A reação da assistência, que fez a arena tremer numa ovação interminável, foi a resposta justa e grata a um dos maiores atos de amor cultural que este país já testemunhou. Ver Caetano Veloso dançar com leveza após este pico de emoção, recuperando o fôlego e a festa com clássicos como “Alegria, Alegria”, foi um testemunho da sua imortalidade artística. Se em 2023, na digressão “Meu Coco”, o próprio artista sugeria que aquela poderia ser a sua última grande despedida dos palcos portugueses, a passagem por esta nova digressão provou precisamente o contrário. Caetano está mais vivo, mais relevante e mais necessário do que nunca. O concerto na Super Bock Arena transcende a mera celebração de um catálogo musical histórico. Foi um manifesto sobre a memória, sobre o envelhecimento digno e sobre o papel da música enquanto ponte indestrutível entre as duas margens do Atlântico. O Porto não assistiu apenas a um concerto; participou numa página viva da história da nossa língua comum, assinada por um homem que continua a emocionar-nos pela simplicidade com que transforma o simples em eterno.

Paulo Perdiz/MS

Queijada de cerveja

11 June 2026 at 23:49
Créditos: MDC Media Group

Ingredientes

  • 2 ovos inteiros mais 1 gema
  • 300 g de açúcar
  • 100 g de farinha
  • Açúcar em pó para polvilhar
  • 1 cerveja (33 cl)
  • 100 g de margarina derretida
  • Raspa de 1 limão

Modo de preparação

Bata os ovos, a gema e o açúcar até obter um creme leve e suave. Junte a margarina derretida e a raspa de limão e misture bem. Certifique-se de que a margarina está morna e não quente, para envolver bem na massa sem cozer os ovos. Adicione a cerveja e mexa suavemente. Junte a farinha e envolva tudo até obter uma massa homogénea.

Misture apenas até ficar ligado para que as queijadas fiquem leves e macias depois de cozidas. Unte as formas individuais com margarina e polvilhe com farinha. Distribua a massa pelas formas.

Não encha as formas até acima. Deixe um pequeno espaço para a massa crescer ligeiramente. Leve ao forno pré-aquecido a 180°C durante 25 minutos. Retire do forno e deixe arrefecer completamente. Depois de frias, polvilhe com açúcar em pó. Coloque cada queijada numa forminha de papel antes de servir.

Até à próxima receita!

Rosa Bandeira/MS

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Cancro do pâncreas: Dos maiores desafios da medicina a uma nova era de esperança

11 June 2026 at 23:46
Photo: @copyright

O cancro do pâncreas continua a ser uma das doenças oncológicas mais agressivas e difíceis de tratar. Durante décadas, foi considerado um dos tumores com pior prognóstico, sobretudo porque evolui de forma silenciosa e é frequentemente diagnosticado em fases avançadas.

Contudo, os mais recentes avanços científicos estão a transformar o panorama desta doença. Pela primeira vez em muitos anos, investigadores e especialistas falam numa mudança de paradigma, graças ao desenvolvimento de novos tratamentos direcionados e às ferramentas de diagnóstico precoce que prometem aumentar significativamente as hipóteses de sobrevivência dos doentes. 

Porque é tão difícil de detetar?

O pâncreas é um órgão localizado profundamente no abdómen, atrás do estômago. Desempenha funções essenciais na digestão dos alimentos e na regulação dos níveis de açúcar no sangue através da produção de insulina. Um dos grandes problemas do cancro do pâncreas é que, nas fases iniciais, raramente provoca sintomas específicos. Dor abdominal ligeira, fadiga, perda de apetite ou emagrecimento podem facilmente ser confundidos com outras condições menos graves.

Quando surgem sinais mais evidentes, como a icterícia (coloração amarelada da pele e dos olhos), a doença encontra-se muitas vezes numa fase avançada. É precisamente este diagnóstico tardio que explica, em grande parte, a elevada mortalidade associada a este tipo de cancro.

Fatores de risco

Embora possa afetar qualquer pessoa, existem fatores que aumentam o risco de desenvolver a doença:

  • Tabagismo;
  • Obesidade e sedentarismo;
  • Diabetes de aparecimento recente;
  • Pancreatite crónica;
  • História familiar de cancro do pâncreas;
  • Alterações genéticas hereditárias, incluindo mutações dos genes BRCA.

Uma revolução silenciosa nos tratamentos

Durante muitos anos, as opções terapêuticas foram limitadas. A cirurgia continua a ser a única possibilidade de cura, mas apenas uma minoria dos doentes reúne condições para ser operada no momento do diagnóstico.

Nos casos mais avançados, a quimioterapia constituiu durante décadas a principal arma terapêutica. Contudo, os resultados obtidos eram frequentemente modestos.

Esta realidade poderá começar a mudar. Recentemente, investigadores apresentaram resultados considerados históricos para um novo medicamento direcionado contra mutações genéticas presentes na maioria dos tumores pancreáticos.  Em ensaios clínicos internacionais, este tratamento conseguiu praticamente duplicar a sobrevivência de doentes com doença metastática quando comparado com a quimioterapia convencional. Especialistas internacionais consideram este um dos avanços mais importantes alguma vez alcançados no tratamento do cancro do pâncreas.  Embora não represente ainda uma cura, este avanço demonstra que é possível desenvolver terapias mais eficazes e mais direcionadas para os mecanismos biológicos que alimentam o crescimento do tumor.

O futuro: diagnosticar antes, tratar melhor

A combinação entre medicina de precisão, inteligência artificial e novas terapias direcionadas está a abrir uma nova fase na luta contra o cancro do pâncreas.

O objetivo já não passa apenas por tratar melhor os tumores existentes, mas também por identificá-los antes de se tornarem agressivos e potencialmente fatais. Vários grupos de investigação trabalham atualmente no desenvolvimento de estratégias capazes de detetar lesões precursoras e até impedir a progressão para cancro invasivo. 

Uma esperança realista

O cancro do pâncreas continua a ser uma das doenças mais difíceis da medicina contemporânea. Contudo, pela primeira vez em muitos anos, os avanços científicos permitem falar de uma esperança sustentada por resultados concretos. Ainda não existe uma cura universal. Mas os novos medicamentos, as terapias de precisão, a imunoterapia e as ferramentas de inteligência artificial estão a mudar o curso da doença e a oferecer perspetivas que, há poucos anos, pareciam inalcançáveis. O que antes era visto como um dos tumores mais difíceis de combater começa agora a entrar numa nova era de possibilidades. 

O que cada um pode fazer?

Apesar dos avanços científicos, a prevenção continua a desempenhar um papel fundamental:

  • Não fumar;
  • Manter um peso saudável;
  • Praticar atividade física regular;
  • Adotar uma alimentação equilibrada, rica em frutas, legumes e fibras;
  • Procurar aconselhamento médico quando existe história familiar da doença ou fatores de risco relevantes.
  • A investigação está a avançar rapidamente, mas a deteção precoce e os estilos de vida saudáveis continuam a ser os aliados mais importantes na luta contra o cancro do pâncreas.

MS

Ontário investe 178 milhões de dólares para nova comunidade ligada aos transportes em Scarborough

11 June 2026 at 23:44
Photo: @copyright

O governo do Ontário está a investir até 178 milhões de dólares através do Fundo Construir o Ontário (BOF – Building Ontario Fund) para apoiar a construção de aproximadamente 1.700 novas habitações para arrendamento em Scarborough.

O projeto inclui uma meta de 340 unidades acessíveis com rendas abaixo do valor de mercado, sublinha a província.

Localizado em terrenos subutilizados perto da estação de comboios GO de Scarborough, o projeto fará parte da nova Scarborough Junction, uma comunidade ligada à rede de transportes que deverá incluir 7.700 habitações, além de parques, espaços públicos e infraestruturas comunitárias.

O investimento de capital no projeto está a ser feito através do Fundo Construir o Ontário (BOF) numa joint venture com a Republic Developments e a Harlo Capital. O fundo está a fazer avançar um projeto que se encontrava anteriormente estagnado.

“Assim que o investimento do BOF tiver sido reembolsado, este será reinvestido noutros projetos que, de outra forma, não seriam construídos em seis áreas prioritárias, incluindo habitação acessível, energia, transportes, cuidados de saúde de longa duração, infraestruturas municipais e comunitárias, e minerais críticos”, lê-se no comunicado.

Espera-se que a construção do projeto comece em 2027, sendo as primeiras ocupações previstas para 2030.

CC/MS

CC/MS

Mancinelli “honrado” com a distinção da Ordem do Ontário

11 June 2026 at 23:42
JOE MANCINELLI ON LINKEDIN — LIUNA Local 837 recently celebrated the completion of its training centre expansion in Cambridge, Ont. Politicians, dignitaries and the like came out to mark the occasion.

Para Joe Mancinelli, receber a Ordem do Ontário é algo que ele diz que carregará com “imensa gratidão e orgulho”.

O vice-presidente internacional e gestor regional para o Centro e Leste do Canadá da Labourers’ International Union of North America (LiUNA) recebeu a distinção das mãos de Edith Dumont, vice-governadora do Ontário, numa cerimónia especial realizada recentemente. 

Mancinelli esteve entre os 30 galardoados com a Ordem do Ontário de 2025 e recebeu a honra porque “redefiniu o panorama laboral do Ontário através de uma inovação ousada”, explica um comunicado. “Ele foi pioneiro em programas de aprendizagem inclusivos que abriram oportunidades para jovens, recém-chegados, mulheres e povos indígenas. Impulsionou a renovação comunitária através de habitação acessível, instalações de cuidados de saúde e projetos de restauração de património que equilibraram o crescimento económico com a preservação cultural.” Em geral, a Ordem do Ontário reconhece aqueles cujo serviço distinto e realizações extraordinárias ajudaram a construir um Ontário e um Canadá mais fortes. Os membros da Ordem vêm de todas as esferas da vida e representam diversas áreas.

“Fiquei profundamente honrado e grato por ser investido na Ordem do Ontário, a mais alta distinção civil da nossa província”, disse Mancinelli numa publicação no LinkedIn. “Estar ao lado de um grupo tão extraordinário de indivíduos cujas contribuições ajudaram a moldar o Ontário de tantas formas é verdadeiramente significativo. Este reconhecimento não é apenas meu. Pertence às muitas pessoas que caminharam ao meu lado ao longo desta jornada: a minha família, amigos, mentores, colegas e os milhares de membros que tão orgulhosamente represento, que dedicaram as suas vidas a construir comunidades mais fortes e uma província melhor para as gerações futuras.”

“Como filho de imigrantes, nunca me esqueci de onde vim ou dos valores que me foram incutidos desde tenra idade: trabalhar no duro, defender os outros, retribuir e nunca perder de vista a dignidade dos trabalhadores.”

CC/MS

Protestos violentos em Belfast após esfaqueamento

11 June 2026 at 23:40
Créditos: JN

A cidade de Belfast e as localidades vizinhas na Irlanda do Norte vivem uma semana de distúrbios, na sequência do esfaqueamento de um residente por um imigrante que já se encontra detido.

Segundo os meios de comunicação britânicos e irlandeses presentes em Belfast, a polícia já utilizou canhões de água para dispersar os manifestantes em Sandyknowes, nos arredores de Belfast, após cerca de 200 pessoas se terem reunido e atirado pedras e garrafas contra a polícia que tentava contê-los.

Os protestos violentos surgem na sequência do caso que atraiu a atenção nacional devido à divulgação “online” de vídeos explícitos do ataque e o envolvimento de um imigrante, o que levou a críticas de alguns partidos políticos.

A polícia informou que a vítima foi levada para o hospital na noite de segunda-feira com ferimentos graves no rosto, pescoço e costas.

Segundo as autoridades, o alegado autor, na casa dos 30 anos, foi detido por suspeita de tentativa de homicídio e permanece sob custódia após ter sido encontrada uma faca de cozinha no local. A família do jovem esfaqueado emitiu um comunicado em que se diz revoltada “com as cenas que se desenrolaram [na terça-feira] em toda a Irlanda do Norte”.”Queremos deixar absolutamente claro que a nossa família não apoia este tipo de reação, e que o protesto pacífico é sempre a única via a seguir. Temos muitos migrantes que dão um contributo extremamente valioso ao nosso país, nomeadamente no nosso sistema de saúde e no setor da hotelaria e restauração, e dependemos deles para que o nosso país funcione”, continuou a família numa nota partilhada pela polícia.

“Não queremos que esta terrível tragédia seja usada para dividir as pessoas ou alimentar a hostilidade – não façam isto em nome do nosso familiar, pois não partilhamos os mesmos valores”, acrescentaram os familiares. As imagens do ataque provocaram uma avalanche de comentários de ódio nas redes sociais e de apelos para se manifestarem nas ruas de Belfast, comentários incitados por agitadores de extrema-direita como Tommy Robinson ou o magnata da tecnologia Elon Musk, a partir dos Estados Unidos.

JN/MS

Teerão diz que vai converter Médio Oriente “num inferno” para os EUA

11 June 2026 at 23:39
Créditos: JN

O Comandante da força aeroespacial da Guarda da Revolução Islâmica afirmou que o Irão vai transformar o Médio Oriente “num inferno” para os Estados Unidos, depois de uma nova troca de ataques entre os dois países na região.

“Acham que podem tornar o sagrado estreito de Ormuz num lugar inseguro? Vamos converter toda a região num inferno para vocês”, declarou Majid Mousavi, em resposta à “agressão norte-americana”, informou a televisão estatal Press TV.

O Exército dos Estados Unidos lançou novos ataques contra “múltiplos alvos” em território iraniano em “resposta a agressões” da República Islâmica, às 0.30 horas desta quinta-feira em Teerão (21 horas de quarta-feira em Lisboa), anunciou o Comando Central norte-americano (Centcom). A Guarda da Revolução Islâmica iraniana retaliou com o lançamento de drones e mísseis contra bases norte-americanas no Bahrein, Kuwait e Jordânia durante a madrugada de quinta-feira (11), noticiou a agência Fars.

No contexto dos ataques, o Exército iraniano anunciou o encerramento “total” do estreito de Ormuz a todo o tipo de embarcações, advertindo que disparará contra qualquer navio que tente atravessar a via estratégica para o comércio mundial de petróleo. “O estreito de Ormuz foi encerrado por completo a todo o tipo de embarcações, incluindo navios comerciais”, declarou o Quartel-General Central Jatam al Anbiya em comunicado citado pela agência Tasnim. Os Estados Unidos, porém, negaram que este bloqueio esteja em vigor, garantindo que os navios comerciais continuam a transitar.

“Esta noite, os navios comerciais prosseguem a passagem para dentro e fora do estreito de Ormuz”, afirmou o Centcom numa breve nota.

Apesar de Washington e Teerão estarem a discutir um acordo de paz com a mediação de países como o Paquistão, os ataques intensificaram-se esta semana, com os Estados Unidos a justificarem inicialmente a ofensiva com o derrube de um helicóptero no estreito de Ormuz na terça-feira (9).

JN/MS

“Dignidade humana não tem passaporte” Papa pede à Europa “exame de consciência” sobre imigração

11 June 2026 at 23:39
Créditos: JN

O Papa disse que a Europa “não pode proclamar a dignidade humana” e normalizar o drama do Mediterrâneo e Atlântico transformados em “cemitérios sem lápides” de migrantes, apelando a um “exame de consciência” de políticos e sociedade civil.

“Não podemos habituar-nos a contar mortos. A dignidade humana não tem passaporte nem perde valor ao cruzar a fronteira”, disse Leão XIV, num discurso perante 1800 pessoas, incluindo centenas de imigrantes, no porto de Arguineguín, na Gran Canária, no arquipélago espanhol das Canárias, que lida diariamente com a chegada de pessoas a bordo de embarcações precárias conhecidas como ‘pateras’ ou ‘cayucos’ oriundas das costas africanas.

“Queridos migrantes, antes de dizer qualquer outra palavra, quero inclinar-me perante a vossa dignidade. Não sois números nem processos. Sois pessoas com uma família e uma casa deixada para trás, com sonhos que ninguém tem direito de menosprezar”, afirmou o Papa.

O Papa insistiu num “exame de consciência” por parte da comunidade internacional, que considerou estar obrigada a uma “cooperação eficaz e perseverante”.

“Também a Igreja deve deixar-se interpelar. O acolhimento do migrante não pode ser algo secundário nem delegado unicamente em alguns voluntários”, afirmou, antes de acrescentar que os católicos “ajoelham no altar para adorar Cristo”, que tem uma mensagem de caridade, e não podem depois “olhar para o lado perante cayucos e pateras”.

Depois de agradecer “a todos os que se juntam aos resgates, acolhimento e acompanhamento” de migrantes, Leão XIV deixou um apelo final: “Que a história não tenha de nos acusar de ter transformado a dor dos que sofrem em paisagem habitual das nossas costas.”

JN/MS

Seguro faz distinção entre bandeiras de “causas humanitárias” e “posições político-partidárias”

11 June 2026 at 23:38
Créditos: JN

O presidente da República, António José Seguro, justifica o seu veto ao decreto do Parlamento sobre a utilização de bandeiras em edifícios públicos com a distinção entre “causas humanitárias com reconhecimento constitucional e convencional expresso” e “posições político-partidárias”.

Na carta dirigida ao presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, à qual a Lusa teve acesso, o chefe de Estado fundamenta o seu primeiro veto político.

António José Seguro afirma que, ao exercer este veto, não desconhece ou desvaloriza as “preocupações legítimas que terão presidido à iniciativa legislativa, nomeadamente a de preservar a dignidade e a neutralidade dos espaços institucionais do Estado”.

“Não obstante, não se pode ignorar que as causas humanitárias com reconhecimento constitucional e convencional expresso se colocam numa posição distinta das posições político-partidárias, na medida em que o Estado assumiu já compromissos normativos relativamente a estas”, lê-se na mensagem.

“Quando um titular de cargo político hasteia uma bandeira que simboliza a paz, os direitos humanos ou a proteção do clima, não está a imprimir ao Estado uma orientação que lhe seja estranha: está a expressar compromissos que a própria Constituição e o direito internacional vinculativo já incorporaram como valores da República”, acrescenta na mensagem que será lida esta tarde na abertura da sessão plenária no Parlamento.

António José Seguro sustenta que não existe “impedimento ao hastear de bandeiras que simbolizem causas humanitárias, desde que tal se faça em contexto adequado, com proporcionalidade e sem desvio dos fins próprios do cargo”.

O presidente da República devolve o diploma “para que a Assembleia da República possa, sendo esse o seu entendimento, proceder à sua reapreciação atendendo às objeções formuladas. O CDS-PP já anunciou que pretende confirmar o diploma.

A 17 de abril, o texto de substituição da Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias foi aprovado em plenário, na generalidade, especialidade e votação final global, com os votos favoráveis do PSD, Chega e CDS-PP, contra de PS, PAN, Livre, BE e PCP e a abstenção da IL.

JN/MS

Professores de português no estrangeiro contra novo regime que aumenta precariedade

11 June 2026 at 23:37
Créditos: JN

Os membros da rede de Ensino de Português no Estrangeiro (EPE) contestaram as alterações ao regime jurídico, previsto pelo Governo, que dizem acentuar a precariedade e diminuir a qualidade da oferta, colocando em risco os lugares destes profissionais.

Numa carta aberta enviada por ocasião do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, os profissionais da rede EPE (coordenadores, adjuntos, docentes e leitores) manifestam “enorme apreensão a nova proposta de revisão do regime jurídico” do ensino, com um “enquadramento remuneratório” que “aprofunda a precariedade existente”.

O novo regime “mantém profissionais num regime sem vínculo estável, limita a continuidade das funções desempenhadas e coloca em causa a permanência de centenas de trabalhadores atualmente ao serviço do Estado português no estrangeiro”, acusam.

No documento, os subscritores apelam ao Presidente da República, à Assembleia da República, ao Governo e a várias estruturas executivas e forças políticas para que “promovam um processo de diálogo efetivo com os profissionais da rede e procedam à revisão desta proposta, garantindo a estabilidade profissional, a valorização das condições de trabalho, a continuidade dos projetos educativos e a sustentabilidade” do EPE. Os subscritores recordam que o ensino do português fora de Portugal “constitui um dos mais importantes instrumentos da política externa cultural portuguesa”, principalmente numa “língua pluricêntrica e global como é o português”.

O “ensino da língua é um elemento essencial da diplomacia cultural de Portugal, contribuindo para o fortalecimento das comunidades portuguesas, da CPLP e da projeção internacional do país” e, “ao longo de décadas, esta rede foi construída graças ao trabalho, dedicação e elevada qualificação dos seus profissionais”, consolidando “projetos educativos” e “parcerias com escolas e universidades”, procurando estabelecer “redes de cooperação internacional” e “a presença da língua portuguesa em contextos cada vez mais exigentes e competitivos”, pode ler-se.

“Trata-se de uma medida com efeitos práticos equivalentes aos de um despedimento coletivo de profissionais altamente qualificados que têm sido responsáveis pela construção e consolidação da rede EPE”, ao fazer cessar os contratos, sujeitando os lugares a novos concursos.

Na carta, perante a “possibilidade de recrutamento através de mecanismos simplificados e com menores exigências de qualificação”, os subscritores manifestam “sérias dúvidas quanto à preservação da qualidade pedagógica e científica” do EPE.

Atualmente, persistem problemas por resolver, como “remunerações desatualizadas, subsídios de residência e apoios à instalação inexistentes e/ou desajustados às responsabilidades exercidas e ao custo de vida dos países de colocação”, pode também ler-se.

“A instabilidade agora criada coloca em causa não apenas percursos profissionais, mas também a segurança e o futuro de famílias inteiras que confiaram no compromisso do Estado português”, acrescenta.

O processo negocial do novo regime tem previstas três reuniões: 15 e 29 de junho e 13 de julho.

JN/MS

Received — 11 June 2026 Milenio Stadium

Mirror, mirror on the wall: who is more Portuguese than me? The illusion of unity in an age of appearances

11 June 2026 at 21:24
Photo: @copyright

Today, I write from the heart. Setting aside the ethics and journalistic values that guide me, I could not resist sharing my opinion. Dear reader, they say distance brings people closer together. In the case of the Portuguese community in Canada, it has done the opposite: it has placed people into rigid boxes. What is troubling is not that the division exists, but that almost no one is shocked by it anymore.

There is an invisible map that today organizes parties, associations, friendships, and even silences. On one side, “those from the mainland.” On the other, “those from the islands.” And in between lies the question no one asks because the answer is uncomfortable: did we emigrate to become a Portuguese community, or to recreate the borders we already left behind in Portugal?

The division is felt everywhere. It is in the tables that form naturally at events, in the invitations that never arrive, in associations where certain names circulate with unspoken priority. It is not an open conflict. Worse than that, it has become a comfortable normality.

Here comes the uncomfortable part — the one many avoid because it touches pride, tradition, and memory. For decades, regional identity has been treated as heritage. And it is. But it has also been used as a boundary. In Canada, far away from everything, that boundary stopped being geographical and became social. Harder to see, easier to ignore.

The result is a community that calls itself “strong,” but functions like small identity archipelagos. Islands within islands. Mainlands within mainlands. Everyone talking about unity that… does not exist.

Then there is the new generation — often mentioned in speeches, rarely listened to in practice. For those born in Canada or raised between two worlds, this division no longer makes sense. It is not tradition. It is not culture. It is inherited noise. And perhaps that is why it unsettles so many people: it exposes that what is protected as identity may simply be an unquestioned habit.

There are young people — and not-so-young people — hearing that they are “not really from here nor there,” as if belonging were a test with correct answers.

And here is the uncomfortable truth: this division strengthens nothing. It merely manages old fragilities. It creates an illusion of authenticity, but the price is fragmentation. And a fragmented community does not disappear — it loses its voice. And we are losing ours.

The simple truth is this: the diaspora is not divided out of inevitability, but because of a lack of willingness to confront what is uncomfortable. Because unity requires giving up small symbolic powers.

As an Azorean, for example, I see no sense in fragmenting what already unites us. An anthem should not become a symbol of division, and creating parallel versions only weakens our shared identity. I admire Natália Correia and recognize the strength of our culture and our people, but I do not support that idea. My anthem is the one of “against the cannons” — and that is enough for me. You may start throwing stones now…

Perhaps the new generation is unsettling because it does not reject culture, but refuses to inherit walls. And how much longer will we confuse emigration with carrying borders behind us?

In this community, appearances are valued more than substance: quantity over quality, image over culture, visibility over impact. People live to show, but rarely to serve. Dear reader, renewal means adding, not dividing or excluding.

So the question remains: who is afraid of youth — or of those who, regardless of age, think outside the usual box?

Speaking for myself: I deeply love the Azores — every island I know like the palm of my hand — but I never forget that Portugal is a single, indivisible whole, greater than any one of its parts — a nation made of islands, mainland, and stories that complete one another.

I carry with me Minho, Alentejo, Lisbon, Porto, Madeira, and the Algarve. I carry — or perhaps bring — an entire country that recognizes itself through difference and grows stronger through unity.

It is time — it is always time — for us to be better.

Romulo Ávila/MS

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