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Vox Pop: Toronto no centro do mundo: vozes sobre o Mundial 2026 e o sonho português

5 June 2026 at 15:03

 

Toronto prepara-se para fazer história ao receber o primeiro jogo de sempre de um Mundial masculino em solo canadiano, num momento que coloca a cidade sob os holofotes do futebol mundial. Sob o tema “The World in a City”, ouvimos a opinião de comentadores do programa desportivo Fora de Jogo — Patrícia Borges, Rui Alves, Carlos Carneiro, Sérgio Esteves e Luís Costa — que analisam a capacidade de Toronto para acolher um evento desta dimensão e partilham ainda as suas expectativas para a Seleção Nacional no Mundial 2026, incluindo o nome que gostariam de ver a erguer o troféu caso Portugal chegue à final.

 

Patricia Borges

Toronto vai receber o primeiro jogo de sempre de um Mundial masculino em solo canadiano. Achas que a cidade está preparada para mostrar ao mundo o que significa ser ‘The World in a City’?

Toronto teve muitos anos para se preparar para receber um evento desta dimensão e, apesar dos esforços feitos, ainda existem aspetos que levantam algumas dúvidas. Em vários pontos da cidade nota-se que algumas intervenções foram concluídas muito perto do prazo, incluindo estruturas temporárias no estádio, o que naturalmente gera alguma preocupação entre os adeptos.

Acredito que tudo tenha sido realizado de acordo com os padrões de segurança exigidos, mas um Mundial é um evento que exige excelência em todos os detalhes. Organização, planeamento e infraestrutura são fundamentais para garantir que jogadores, adeptos e visitantes possam desfrutar desta grande festa do futebol com conforto, tranquilidade e segurança.

Toronto é uma cidade multicultural e vibrante, conhecida por acolher pessoas de todo o mundo. Agora terá a oportunidade de mostrar essa identidade ao planeta inteiro, e espero sinceramente que esteja à altura desse desafio.

Se Portugal chegasse à final do Mundial 2026, qual seria o jogador que mais gostavas de ver levantar a taça — e porquê? O que esperas de Portugal?

Gostava muito de ver Portugal chegar à final do Mundial 2026. A nossa seleção tem qualidade, talento e alguns dos melhores jogadores do mundo. Mas, mais do que isso, será fundamental haver união, espírito de equipa e a capacidade de acreditar até ao último minuto de cada jogo.

Se tivesse de escolher um jogador para levantar a taça, seria o nosso capitão, Cristiano Ronaldo. Depois de tudo o que conquistou ao longo da carreira e de tudo o que representou para a seleção nacional, seria um momento histórico vê-lo erguer o troféu mais importante do futebol. É um sonho partilhado por muitos portugueses e um reconhecimento merecido por anos de dedicação e entrega ao país.

Acima de tudo, espero que Portugal faça um grande Mundial, jogue com ambição e mostre ao mundo a qualidade do futebol português. E quem sabe? Talvez 2026 seja finalmente o ano em que trazemos a taça para casa. 

Rui Alves

Toronto vai receber o primeiro jogo de sempre de um Mundial masculino em solo canadiano. Achas que a cidade está preparada para mostrar ao mundo o que significa ser ‘The World in a City’?

Penso que sim: Toronto está preparada para mostrar ao mundo que sabe organizar grandes eventos. É difícil encontrar uma cidade tão multicultural como Toronto, onde se falam tantas línguas e convivem pessoas de origens tão diversas.

Temos verdadeiramente um mundo dentro desta cidade, com inúmeras culturas a demonstrarem as suas tradições e paixões. Uns vivem intensamente o futebol, enquanto outros acompanham com entusiasmo o hóquei, o basquetebol, o basebol e muitas outras modalidades.

Gostaria também de destacar a excelência da restauração local. Os visitantes encontrarão uma enorme variedade gastronómica, representando sabores de praticamente todos os cantos do mundo. Estou convencido de que Toronto deixará uma excelente impressão em todos os amantes deste Mundial de 2026, tal como aconteceu no Mundial Sub-20 de 2007. Tive o prazer de assistir ao jogo entre Portugal e a Nova Zelândia, bem como à grande final, na qual a Argentina se sagrou campeã do mundo.

Se Portugal chegasse à final do Mundial 2026, qual seria o jogador que mais gostavas de ver levantar a taça — e porquê? O que esperas de Portugal?

Portugal já contou com grandes jogadores ao longo da sua história. Eusébio, por exemplo, levou o nome de Portugal aos mais altos patamares do futebol mundial. No entanto, se a taça vier para Portugal, acredito que, apesar de considerar que temos atualmente uma geração de grande qualidade e de não concordar com a titularidade de Cristiano Ronaldo, ele merece a honra de levantar o troféu. Por tudo o que conquistou, pelos recordes que bateu e pelo impacto que teve no futebol mundial, seria um reconhecimento justo da sua extraordinária carreira. Quanto à seleção portuguesa, espero, no mínimo, uma presença nas meias-finais, embora acredite que temos qualidade suficiente para sonhar com algo ainda maior.

Carlos Carneiro

Toronto vai receber o primeiro jogo de sempre de um Mundial masculino em solo canadiano. Achas que a cidade está preparada para mostrar ao mundo o que significa ser ‘The World in a City’?

Sim, acredito sinceramente que Toronto estará preparada para receber um evento desta dimensão. É uma cidade moderna, multicultural e habituada a acolher grandes acontecimentos internacionais. Durante esse período, os olhos do mundo estarão voltados para Toronto, e isso trará uma enorme responsabilidade, mas também uma grande oportunidade para mostrar a sua capacidade de organização, hospitalidade e diversidade. Tenho confiança de que a cidade saberá responder à altura do desafio e proporcionar uma experiência memorável para todos os que a visitarem.

Se Portugal chegasse à final do Mundial 2026, qual seria o jogador que mais gostavas de ver levantar a taça — e porquê? O que esperas de Portugal?

Quanto a Portugal, o meu maior desejo é vê-lo chegar à final. Seria um momento de enorme orgulho para todos os portugueses espalhados pelo mundo. E, se pudesse escolher uma história perfeita para esse percurso, gostaria que Cristiano Ronaldo fosse uma das figuras centrais. Não apenas pelo jogador extraordinário que é e por todos os recordes que conquistou, mas sobretudo pelo caminho que percorreu para chegar onde chegou. A sua história é um exemplo de trabalho, disciplina, sacrifício e perseverança. Cristiano Ronaldo é muito mais do que um jogador de futebol: é um símbolo de perseverança, ambição e orgulho nacional. Ao longo da sua carreira, levou o nome de Portugal ao mundo e inspirou milhões de pessoas.

Sérgio Esteves

Toronto vai receber o primeiro jogo de sempre de um Mundial masculino em solo canadiano. Achas que a cidade está preparada para mostrar ao mundo o que significa ser ‘The World in a City’?

Penso que Toronto estará totalmente preparada para receber um evento desta dimensão. O aumento da capacidade do BMO Field, a excelente oferta hoteleira, os inúmeros bares e restaurantes, a qualidade dos transportes públicos e, acima de tudo, a hospitalidade dos seus habitantes criam as condições ideais para uma experiência inesquecível. Além disso, Toronto é uma das cidades mais multiculturais do mundo, o que significa que contará com adeptos de praticamente todas as seleções participantes. Estou convicto de que será um momento memorável para a cidade e para todos aqueles que a visitarem.

Se Portugal chegasse à final do Mundial 2026, qual seria o jogador que mais gostavas de ver levantar a taça — e porquê? O que esperas de Portugal?

Se Portugal chegar à final e conquistar o tão desejado título, acredito que será Cristiano Ronaldo, o nosso eterno capitão, a erguer a taça. Seria uma forma perfeita de encerrar a sua extraordinária carreira ao serviço da Seleção Nacional e, ao mesmo tempo, uma espécie de homenagem do próprio futebol a tudo aquilo que CR7 deu ao jogo ao longo de mais de duas décadas.

Acredito que Portugal tem qualidade, talento e experiência para vencer a competição. No entanto, não podemos ignorar o enorme potencial de outras seleções candidatas ao título. França, Espanha, Argentina e Inglaterra possuem plantéis de enorme qualidade e certamente terão uma palavra importante a dizer na luta pelo troféu. Ainda assim, tenho confiança de que Portugal reúne todas as condições para sonhar alto e lutar pelo maior objetivo de todos.

Luis Costa

Toronto vai receber o primeiro jogo de sempre de um Mundial masculino em solo canadiano. Achas que a cidade está preparada para mostrar ao mundo o que significa ser ‘The World in a City’?

Acho que ainda não estamos totalmente preparados para receber o Mundial, tanto ao nível das infraestruturas como das condições de acesso. Existem vários aspetos que ainda precisam de ser melhor trabalhados para garantir uma experiência mais fluida, segura e confortável para os adeptos. As bancadas que foram montadas no BMO Field, por exemplo, deixam um pouco a desejar, tanto em termos de qualidade como de organização. Ainda assim, espero que tudo corra bem, porque sabemos que este é um grande desafio para a organização e envolve muita responsabilidade.

Se Portugal chegasse à final do Mundial 2026, qual seria o jogador que mais gostavas de ver levantar a taça — e porquê? O que esperas de Portugal?

A nossa seleção tem tudo para chegar à final, qualidade não falta e o grupo é forte, mas como já estamos habituados a fazer algumas contas de calculadora ao longo das fases da competição, espero que desta vez isso não seja necessário, até porque somos cabeças de série. No entanto, se conseguirmos chegar ao título de campeões, para mim o Ronaldo deveria ser o capitão e quem levanta o troféu, por tudo o que já fez por nós ao longo da carreira e pela importância que sempre teve na nossa seleção.

Romulo M. Avila/MS

“O Canadá não está preparado para receber um Campeonato do Mundo” – José Carlos Silva

5 June 2026 at 14:57
Créditos: CBC

Com décadas de ligação ao futebol luso-canadiano e ao Gil Vicente Toronto, em particular, José Carlos Silva olha para o Campeonato do Mundo de 2026 com um misto de entusiasmo e ceticismo. Embora reconheça a dimensão histórica do torneio que terá o Canadá como um dos países anfitriões, considera que o evento deixará sobretudo um impacto económico, sem provocar mudanças profundas na realidade do futebol canadiano. Nesta entrevista ao Milénio Stadium, analisa a preparação do país para receber a competição, avalia as hipóteses da seleção canadiana e partilha as suas expectativas para Portugal e para as principais candidatas ao título mundial.

Milénio Stadium: O Campeonato do Mundo de 2026 será o maior da história e terá o Canadá como um dos países anfitriões. Que impacto acredita que este evento terá no desporto canadiano e na forma como o futebol é encarado no país a longo prazo?

José Carlos Silva. DR.

José Carlos Silva: Ok, eu vou ser muito simples. O impacto que vai ter para mim como uma pessoa ligada ao futebol há tantos anos, a nível da comunidade, há 30 e tal anos, não vai ser nenhum.

A mentalidade não mudou. Vai ter impacto a nível financeiro. A nível desportivo, zero.

Porque, para mim, a nível profissional das pessoas ligadas ao futebol rei, a cidade de Toronto em si e o Canadá não estavam preparados (e não estão…) para receber um evento desta dimensão, como um campeonato do mundo.  No Canadá continuam a ser o hóquei, o basquetebol e o basebol os desportos mais protegidos. O Governo, não aposta no futebol.

Por isso, para mim, não vai ser haver impacto nenhum. Vai passar aquela euforia a nível de imigrantes, Alemanha, Portugal e outros imigrantes aqui dos nossos países da Europa, Brasil e o resto, para mim, não vai ter impacto nenhum

MS: Toronto acolherá seis jogos do Campeonato do Mundo, incluindo o primeiro jogo da seleção canadiana em solo nacional. O que significa para uma cidade tão multicultural receber um evento desta dimensão?JCS: Pode significar muito, como de um momento para o outro, nada. Primeiro, não temos estruturas preparadas para fazer jogos desse tipo, como a Europa tem, como a América tem. Isso é um ponto de partida.

Continuo a dizer, nós, canadianos, Toronto, as suas autoridades, as suas pessoas, não estávamos preparados para receber jogos como o campeonato do mundo. E nota-se isso a nível do nosso BMO, do nosso clube de Toronto. Não há nível da Europa e dos outros países que já realizaram o campeonato do mundo. Para mim, vai ser um fracasso. 

MS: O Canadá conta atualmente com uma geração de jogadores que elevou o estatuto da seleção nacional. Até onde acredita que a equipa poderá chegar neste Campeonato do Mundo disputado em casa?

JCS: Cada jogo tem uma história.

Cada equipa depende de si, mas depende também do adversário que vai ter pela frente. Para mim, o Canadá tem 3, 4 jogadores que sobressaem. De resto, não são jogadores de alto gabarito.

São jogadores que a nível internacional se nota que não estão nos grandes patamares, como temos jogadores portugueses, alemães, franceses, etc. 

MS: A comunidade portuguesa é uma das maiores e mais apaixonadas comunidades futebolísticas do Canadá. Que expectativas tem em relação à seleção portuguesa e ao seu desempenho no torneio?

JCS: Eu vou ser sincero. Temos uma geração incrível a nível de jogadores, desde o guarda-redes ao avançado, mas tudo depende do nosso selecionador. É preciso saber pôr as pedras no sítio.

E eu noto que isso não tem acontecido regularmente. Temos um líder, capitão, mas que já não é jogador para 90 minutos. Eu espero que o treinador tenha a força e a coragem de pôr aqueles que estão preparados para fazer 90 minutos e que nos deem a grande alegria.

MS: Olhando para o panorama internacional, quais são, na sua opinião, as três seleções com maior probabilidade de conquistar o Campeonato do Mundo de 2026 e porquê?

JCS: A Alemanha, a Espanha e a Argentina têm sempre uma palavra a dizer, como o Brasil. Mas o Brasil tem sido uma seleção de altos e baixos. E tem havido muitos problemas a nível interno, no balneário, e isso não é bom para um grupo.

Para mim, a Argentina, a Alemanha e a Espanha. A Espanha porque é uma equipa jovem, com muito talento. A Alemanha também. Vem a construir uma equipa com muita força e muito talento.

Madalena Balça/MS

“Espero que inspire as futuras gerações e desperte um novo sentimento de orgulho e paixão pelo Canadá” – Dwayne De Rosario

5 June 2026 at 14:25
Créditos: CBC

Quando Dwayne De Rosario vestia a camisola da seleção canadiana, dificilmente imaginaria que um dia o Canadá receberia jogos de um Campeonato do Mundo de Futebol. Considerado um dos maiores jogadores da história do futebol canadiano, o antigo internacional acompanhou de perto a evolução da modalidade no país e acredita que o Mundial de 2026 representa um momento transformador para o futebol canadiano.

Atualmente embaixador da Cidade de Toronto para o Campeonato do Mundo de Futebol 2026, De Rosario vê o torneio como uma oportunidade única para inspirar as futuras gerações, fortalecer o orgulho nacional e consolidar o crescimento que o futebol tem registado nas últimas décadas. Na sua opinião, a chegada da Major League Soccer ao Canadá foi determinante para mudar a realidade da modalidade, criando novas oportunidades para jovens atletas e aproximando as comunidades em torno do jogo.

Nesta entrevista ao Milénio Stadium, fala sobre o significado de ver o Canadá acolher um Mundial, as expectativas para a seleção nacional, o legado que espera deixar às próximas gerações e as possibilidades de Portugal numa competição que promete captar a atenção do mundo inteiro.

Milénio Stadium: Como antigo internacional canadiano e atual embaixador do Campeonato do Mundo de 2026, o que sente ao ver o Canadá receber, pela primeira vez, jogos de um Mundial masculino em casa?

Dwayne De Rosario: É um momento histórico para o desporto no Canadá, mas sobretudo para o crescimento e a evolução do futebol no país.

MS: Toronto e Vancouver estarão no centro das atenções do mundo do futebol durante várias semanas. Que legado espera que este evento deixe para as futuras gerações de jogadores canadianos?

DdR: Acima de tudo, espero que inspire as futuras gerações e desperte um novo sentimento de orgulho e paixão pelo Canadá, algo que ainda não vimos verdadeiramente neste país.

MS: Quando representava o Canadá, imaginava que o país pudesse um dia organizar um Campeonato do Mundo desta dimensão? O que mudou no futebol canadiano para tornar isso possível?

DdR: Nunca imaginei que o Canadá viesse a organizar um Campeonato do Mundo, sobretudo devido à falta de apoio e de reconhecimento que o futebol recebia. O maior fator de mudança foi a chegada da MLS ao Canadá. Foi isso que impulsionou o crescimento da modalidade e criou oportunidades para os jovens sonharem em jogar numa liga profissional e num ambiente de alto nível. Também permitiu que a comunidade futebolística se unisse e partilhasse a paixão pelo jogo todas as semanas. Isso transformou completamente o panorama do futebol no Canadá.

MS: A seleção canadiana vive atualmente um momento de talento e visibilidade sem precedentes. Quais são as suas expectativas para a equipa e qual considera ser um objetivo realista para o Canadá neste torneio?

DdR: Pessoalmente, sinto-me muito orgulhoso e entusiasmado com o futuro da nossa Seleção Nacional. Os nossos jogadores estão a ter um desempenho extraordinário nas suas carreiras individuais e também enquanto equipa nacional. Agora, as associações e os organismos dirigentes provinciais precisam de acompanhar o talento que existe em campo. Precisamos de mais juventude, novas ideias e uma nova energia nos processos de decisão para levar todo o programa do futebol canadiano a um nível ainda mais elevado.

MS: Portugal continua a ser uma das seleções mais respeitadas do futebol mundial e desperta, naturalmente, enorme interesse junto da comunidade luso-canadiana. Como avalia as hipóteses portuguesas no Mundial e quem considera ser o principal candidato ao título em 2026?

DdR: Portugal sempre foi um país com jogadores muito talentosos e uma equipa altamente competitiva. Acredito que tem excelentes hipóteses de chegar longe neste Campeonato do Mundo.

MB/MS

“Poderá tornar-se um marco decisivo no crescimento do futebol canadiano” – Samuel Gyeke-Amoako

5 June 2026 at 14:16
@FIFA

A menos de um ano do arranque do Campeonato do Mundo de Futebol de 2026, a expectativa continua a crescer em todo o Canadá. Pela primeira vez na história, o país será um dos anfitriões da maior competição futebolística do planeta, acolhendo jogos em Toronto e Vancouver e recebendo adeptos de todos os cantos do mundo. Para muitos especialistas, o impacto do torneio irá muito além das quatro linhas, deixando um legado duradouro ao nível do desenvolvimento do futebol, da participação dos jovens e do fortalecimento da identidade multicultural canadiana.

Para analisar o significado deste momento histórico, o Milénio Stadium conversou com Samuel Gyeke-Amoako, Diretor Técnico e Treinador Principal do Sporting FC de Toronto. Com uma vasta experiência no desenvolvimento de atletas e na formação de jovens jogadores, Gyeke-Amoako acredita que o Mundial poderá transformar a forma como o futebol é encarado no Canadá, inspirando futuras gerações e consolidando o crescimento que a modalidade tem registado nos últimos anos. Nesta entrevista, fala ainda sobre as perspetivas para a seleção canadiana, as hipóteses de Portugal e as equipas que considera favoritas à conquista do título mundial.

Milénio Stadium: O Campeonato do Mundo de 2026 será o maior da história e terá o Canadá como um dos países anfitriões. Que impacto acredita que este evento terá para o desporto canadiano e para a forma como o futebol é visto no país a longo prazo?

Samuel Gyeke Amoako. DR.

Samuel Gyeke-Amoako: O Campeonato do Mundo FIFA 2026 representa um momento histórico para o futebol no Canadá. Embora o entusiasmo imediato seja enorme, o verdadeiro impacto será medido pelo legado que permanecer após o torneio. Acredito que veremos um aumento da participação ao nível da formação, um maior investimento em infraestruturas, formação de treinadores e percursos de desenvolvimento para jogadores, bem como uma ligação mais forte entre o futebol profissional e o comunitário.

Durante muitos anos, o futebol foi um dos desportos mais praticados no Canadá, mas nem sempre recebeu o mesmo reconhecimento que outras modalidades. Organizar um Mundial oferece uma oportunidade única para alterar essa perceção. Os jovens poderão ver atletas de classe mundial a competir nas suas próprias comunidades e acreditar que representar o Canadá no palco internacional é um objetivo alcançável. Se o investimento continuar depois de 2026, este torneio poderá tornar-se um marco decisivo no crescimento do futebol canadiano durante gerações.

MS: Toronto receberá seis jogos do Mundial, incluindo o primeiro encontro da seleção canadiana em solo nacional. O que significa para uma cidade tão multicultural acolher um evento desta dimensão?

SGA:Toronto é uma das cidades mais diversificadas do mundo e o futebol é o desporto que melhor reflete essa diversidade. Cada bairro, comunidade e grupo cultural tem uma ligação ao jogo. Receber o Campeonato do Mundo não é apenas um acontecimento desportivo; é também uma celebração da identidade multicultural da cidade.

O ambiente será único, porque adeptos de todas as partes do mundo já chamam Toronto de casa. Será uma oportunidade rara para diferentes comunidades se reunirem, celebrarem as suas origens e partilharem a paixão pelo futebol. Para muitos recém-chegados e famílias imigrantes, o futebol é uma importante ligação às suas raízes, e o Mundial mostrará como o desporto consegue unir pessoas independentemente da língua, cultura ou origem.

MS: O Canadá conta atualmente com uma geração de jogadores que elevou o estatuto da seleção nacional. Até onde acredita que a equipa poderá chegar neste Mundial disputado em casa?

SGA: O Canadá chega a este Campeonato do Mundo com um nível de confiança e experiência internacional que gerações anteriores não tiveram. Jogadores como Alphonso Davies, Jonathan David, Stephen Eustáquio e outros já provaram o seu valor ao mais alto nível do futebol de clubes e ajudaram a estabelecer o Canadá como uma nação respeitada no panorama futebolístico mundial.

Jogar em casa traz pressão adicional, mas também um enorme apoio dos adeptos. Se a seleção conseguir ultrapassar a fase de grupos, acredito que alcançar os oitavos-de-final ou mesmo os quartos-de-final é um objetivo realista. A partir daí, muito dependerá do momento, da confiança e dos detalhes de cada jogo. Embora a conquista do título continue a ser um desafio considerável, esta equipa tem capacidade para realizar exibições memoráveis e inspirar todo um país.

MS: A comunidade portuguesa é uma das maiores e mais apaixonadas comunidades futebolísticas do Canadá. Que expectativas tem em relação à seleção portuguesa e ao seu desempenho no torneio?

SGA: Portugal continua a ser uma das seleções mais talentosas do futebol mundial. O país desenvolveu uma identidade assente na qualidade técnica, inteligência tática e num excelente sistema de formação que continua a produzir jogadores de elite.

Com uma combinação de líderes experientes e jovens talentos emergentes, Portugal entra na competição como um sério candidato ao título. As expectativas da comunidade portuguesa serão naturalmente elevadas, porque o nível apresentado pela seleção nos últimos anos tem sido excecional. Ganhar um Campeonato do Mundo é sempre extremamente difícil, mas Portugal possui a qualidade, profundidade e experiência necessárias para competir com as melhores equipas do mundo e chegar longe na prova.

MS: Olhando para o panorama internacional, quais são, na sua opinião, as três seleções com maiores probabilidades de conquistar o Campeonato do Mundo de 2026 e porquê?

SGA: As minhas três escolhas seriam Portugal, Gana e França.

Portugal continua a ser uma das equipas mais completas do futebol internacional. O seu sistema de formação produz constantemente jogadores tecnicamente evoluídos e taticamente inteligentes, além de possuir um excelente equilíbrio entre experiência e juventude. Tem a qualidade e profundidade necessárias para competir com qualquer seleção.

Gana talvez não seja vista como uma das favoritas tradicionais, mas admito que existe aqui alguma ligação pessoal. Como alguém com raízes ganesas, apoiarei sempre os Black Stars. Ainda assim, Gana tem demonstrado repetidamente a sua capacidade para competir ao mais alto nível, produzindo jogadores talentosos que atuam nas principais ligas europeias. O seu atletismo, paixão e resiliência fazem dela uma equipa capaz de surpreender muita gente.

A França continua a ser uma das grandes potências do futebol mundial. A profundidade do seu talento e a experiência acumulada em grandes competições fazem dela uma candidata permanente ao título. Tem demonstrado capacidade para chegar às fases decisivas dos grandes torneios e adaptar-se a diferentes adversários e contextos de jogo.

Se me fosse permitida uma quarta escolha, seria sem dúvida o Canadá. Existe algum favoritismo, naturalmente, por ser o meu país, mas a verdade é que o crescimento do futebol canadiano na última década tem sido notável. A jogar em casa, apoiado por adeptos apaixonados e liderado por uma geração talentosa de jogadores, o Canadá tem a oportunidade de criar momentos especiais e continuar a inspirar as futuras gerações de futebolistas.

A beleza do Campeonato do Mundo está precisamente na sua imprevisibilidade. Estas são as minhas escolhas, mas todos os torneios produzem surpresas e é isso que faz do Mundial o evento desportivo mais fascinante do planeta.

Madalena Balça/MS

Campeonato do Mundo de Futebol: A bola vai começar a rolar

5 June 2026 at 14:08
FIFA Fan Festival @Toronto

Vamos começar por lembrar o que já todos sabem – pela primeira vez na história, o Campeonato do Mundo de Futebol vai disputar-se também em solo canadiano (para além dos jogos nos EUA e México). Toronto e Vancouver são as duas cidades canadianas, do total de 16 cidades anfitriãs. Toronto acolhe seis partidas entre junho e julho de 2026, incluindo o histórico jogo inaugural da seleção canadiana a 12 de junho. Esta será a primeira vez que uma seleção masculina de futebol do Canadá jogará um Mundial em casa.

Para além dos jogos no BMO Field, a cidade criou um espaço de celebração coletiva acessível a todos: o FIFA Fan Festival@Toronto. Localizado em Fort York National Historic Site e The Bentway, o festival será o ponto de encontro oficial dos adeptos durante todo o torneio. Trata-se, afinal, de um espaço oficial da FIFA onde residentes e visitantes poderão assistir aos jogos em ecrãs gigantes, participar em atividades culturais e viver o ambiente do Mundial sem precisar de entrar no estádio. O tema escolhido pela cidade, “The World in a City”, reflete a identidade multicultural de Toronto, uma das cidades mais diversas do mundo, onde mais de 200 línguas são faladas e onde o futebol é uma paixão transversal a muitas das comunidades aqui residentes.

O FIFA Fan Festival@Toronto democratiza assim o acesso ao Mundial: quem não tem bilhete para o estádio pode viver a experiência da competição com a mesma intensidade, rodeado de adeptos de todo o mundo, em pleno coração da cidade. As entradas gratuitas esgotaram rapidamente, mas quem puder e quiser gastar algum dinheiro, há ainda disponíveis bilhetes Premium que dão acesso a locais com visão privilegiada e condições logísticas diferenciadas.

Preparem os cachecóis, as bandeiras, afinem as gargantas e treinem o coração para emoções fortes. A bola vai começar a rolar. Que ganhe o melhor!  

Clique AQUI para garantir o Calendário oficial dos jogos do mundial.

 

FASE DE GRUPOS

  • Portugal x RD Congo
  • Data: 17 de junho de 2026
  • Hora no Canadá: 13:00 (EDT)
  • Local: NRG Stadium, Houston (Texas, EUA)

  • Portugal x Uzbequistão
  • Data: 23 de junho de 2026
  • Hora no Canadá: 13:00 (EDT)
  • Local: NRG Stadium, Houston (Texas, EUA)
  • Colômbia x Portugal
  • Data: 27 de junho de 2026
  • Hora no Canadá: 19:30 (EDT)
  • Local: Hard Rock Stadium, Miami Gardens (Flórida, EUA)

 

  • Canadá x Bósnia e Herzegovina
  • Data: Sexta-feira, 12 de junho de 2026
  • Hora: 15:00
  • Local: BMO Field (Toronto, ON)
  • Canadá x Qatar
  • Data: Quinta-feira, 18 de junho de 2026
  • Hora: 18:00
  • Local: BC Place (Vancouver, BC)
  • Suíça x Canadá
  • Data: Quarta-feira, 24 de junho de 2026
  • Hora: 15:00
  • Local: BC Place (Vancouver, BC)

Os números do Campeonato

  • 48 seleções
  • 1.248 jogadores
  • 104 partidas disputadas no Canadá, México e Estados Unidos

  • 57 jogadores retornam após terem integrado pelo menos uma convocação para Campeonatos do Mundo anteriores

  • 891 atletas disputarão o torneio pela primeira vez

  • Mais de 25 anos separam o jogador mais velho da competição, o guarda-redes escocês Craig Gordon (43 anos e 162 dias), do mais jovem, o mexicano Gilberto Mora (17 anos e 240 dias)

  • 22 jogadores têm menos de 20 anos

  •  7 atletas têm 40 anos ou mais

  • 22 campeões mundiais retornarão ao principal palco do futebol internacional.

  • Cabo Verde, Curaçao, Jordânia e Uzbequistão disputarão o Campeonato do Mundo da FIFA pela primeira vez

  • Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e Guillermo Ochoa estão prestes a disputar o 6º Campeonato do Mundo, estabelecendo um novo recorde de participações

  • Carlos Queiroz, atualmente à frente de Gana, que trabalhará no seu 5º Campeonato do Mundoconsecutivo.

Seleção Portuguesa

Guarda-redes

Diogo Costa (Porto – Portugal) José Sá (Wolverhampton – Inglaterra) Rui Silva (Sporting – Portugal) Ricardo Velho (Gençlerbirligli – Turquia)

Defensores

Diogo Dalot (Manchester United – Inglaterra) Matheus Nunes (Manchester City – Inglaterra) Nélson Semedo (Fenerbahce – Turquia) João Cancelo (Barcelona – Espanha) Nuno Mendes (Paris Saint-Germain – França) Gonçalo Inácio (Sporting – Portugal) Renato Veiga (Villarreal – Espanha) Rúben Dias (Manchester City – Inglaterra) Tomás Araújo (Benfica – Portugal)

Meio-campistas

Rúben Neves (Al-Hilal – Arábia Saudita) Samuel Costa (Mallorca – Espanha) João Neves (Paris Saint-Germain – França) Vitinha (Paris Saint-Germain – França) Bruno Fernandes (Manchester United – Inglaterra) Bernardo Silva (Manchester City – Inglaterra)

Atacantes

João Félix (Al-Nassr – Arábia Saudita) Francisco Trincão (Sporting – Portugal) Francisco Conceição (Juventus – Itália) Pedro Neto (Chelsea – Inglaterra) Rafael Leão (Milan – Itália) Gonçalo Guedes (Real Sociedad – Espanha) Gonçalo Ramos (Paris Saint-Germain) Cristiano Ronaldo (Al-Nassr – Arábia Saudita)

Seleção Canadiana

O técnico Jesse Marsch convocou 26 jogadores para representar a seleção masculina do Canadá na Copa do Mundo. A lista oficial é liderada por grandes nomes como Alphonso Davies e Jonathan David.

Confira a lista completa de convocados:

Guarda-redes:

  • Maxime Crépeau
  • Owen Goodman
  • Dayne St. Clair

Defesas:

  • Moïse Bombito
  • Derek Cornelius
  • Alphonso Davies
  • Luc de Fougerolles
  • Alistair Johnston
  • Alfie Jones
  • Richie Laryea
  • Niko Sigur
  • Joel Waterman

Médios:

  • Ali Ahmed
  • Tajon Buchanan
  • Mathieu Choinière
  • Stephen Eustáquio
  • Ismaël Koné
  • Liam Millar
  • Jonathan Osorio
  • Nathan Saliba
  • Jacob Shaffelburg
  • Marcelo Flores

Avançados:

  • Jonathan David
  • Promise David
  • Cyle Larin
  • Tani Oluwaseyi

Clique AQUI para obter o infográfico com as informações acima.

Créditos: MDC Media Group 

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