Delegada casada com empresário que matou gari em MG tem licença prorrogada
A Polícia Civil de Minas Gerais prorrogou, por mais 60 dias, o afastamento da delegada Ana Paula Lamego Balbino, esposa de Renê da Silva Nogueira Júnior, réu pela morte de um gari em agosto de 2025. A decisão foi publicada na manhã desta quinta-feira (11) no DOE (Diário Oficial do Estado).
O documento, assinado pelo Diretor Geral do Hospital da Polícia Civil, afirma que a licença ocorre em função de tratamento médico. Em vigor desde terça-feira (9), a medida deve perdurar até 9 de agosto, caso não seja prorrogada novamente.
A delegada está afastada da corporação desde 27 de agosto de 2025, dois dias após o crime, quando foi indiciada por porte ilegal de arma de fogo, já que o armamaento utilizado no crime pertencia a ela.
Em depoimento, Ana Paula afirmou que nunca autorizou que o marido portasse ou usasse suas armas.
À CNN Brasil, a corporação informou que a renovação de licença para tratamento de saúde de servidores acontece nos termos da legislação vigente, sob avaliação médica e observância dos procedimentos administrativos aplicáveis.
Delegada tem conduta investigada
Em abril deste ano, a Polícia Civil instaurou um PAD (Processo Administrativo Disciplinar) para investigar a conduta e possíveis infrações da delegada no caso. Laudemir de Souza Fernandes foi morto a tiros com uma arma que pertencia à Ana Paula.
Por meio de nota, a PCMG declarou ainda que “O Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) mencionado segue em tramitação, sob responsabilidade da Corregedoria-Geral da Polícia Civil, respeitados os princípios do devido processo legal e da ampla defesa”.
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De acordo com as investigações, Renê saiu de casa com o armamento da esposa e se envolveu em uma discussão de trânsito devido à coleta de lixo na região, que ocasionava breve retenção dos carros.
O Mnistério Público aponta que o acusado portava ilegalmente a pistola no interior de seu veículo.
Posteriormente, ele teria tentado induzir a perícia a erro, orientando sua esposa – delegada da Polícia Civil – a entregar apenas uma das armas registradas em seu nome, ocultando a utilizada no homicídio.
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1 de 10Gari Laudemir de Souza Fernandes, de 44 anos, morto por empresário • Reprodução/Itatiaia
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2 de 10Renê Júnior escreve na descrição da carreira profissional que tem "27 anos de experiência executiva no setor de alimentos e bebidas" • Reprodução/Itatiaia
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3 de 10Crime aconteceu após uma briga de trânsito em Belo Horizonte, em Minas Gerais • Reprodução/Itatiaia
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4 de 10Vítima foi socorrida com sinais vitais ao Hospital Santa Rita, em Contagem, mas morreu momentos depois • Reprodução/Itatiaia
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5 de 10Empresário é casado com delegada da Polícia Civil de Minas Gerais • Reprodução/Redes Sociais
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6 de 10Empresário de 47 anos foi preso nesta terça-feira (12) suspeito de matar gari • Reprodução/Itatiaia
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7 de 10René foi localizado e preso pela polícia em uma academia • Reprodução/Itatiaia
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8 de 10Crime ocorreu por volta das 9h03, na Rua Modestina de Souza, bairro Vista Alegre • Reprodução/Itatiaia
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9 de 10Empresário se declarava como "CEO, vice-presidente, diretor executivo e diretor comercial • Reprodução/Itatiaia
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10 de 10Empresário é casado com delegada da Polícia Civil de Minas Gerais
Renê foi denunciado por homicídio triplamente qualificado, porte ilegal de arma de fogo, ameaça e fraude processual.
Já a delegada foi afastada da corporação dois dias após o crime e foi indiciada pela prática de crimes de porte ilegal de arma de fogo.
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Cronologia do caso
- Manhã de 11 de agosto: Laudemir foi morto a tiros por Renê enquanto trabalhava na coleta de resíduos em um bairro de Minas Gerais. O empresário alegou que o caminhão que o gari estava “atrapalhava o trânsito”;
- 11 de agosto: horas depois Renê foi encontrado em uma academia do bairro;
- 12 de agosto: A Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Minas Gerais instaurou um inquérito para investigar se a arma de Ana Paula, delegado e esposa de Renê, foi utilizada no crime;
- 13 de agosto: após audiência de custódia foi decretada a prisão preventiva do empresário (ele já possuía histórico criminal de violência doméstica e atropelamento com vítima fatal); imagens do momento do crime são divulgadas;
- 14 de agosto: gravação do interrogatório de Renê é divulgada; defesa solicitou remédio controlado e veto sobre registros fotográficos no sistema carcerário;
- 15 de agosto: Justiça de Minas Gerais autorizou a quebra de sigilo de dados telefônicos e telemáticos do empresário; polícia confirma que a arma pertencia à Ana Paula;
- 18 de agosto: defesa de empresário deixa o caso; Renê confessa ter assassinado Laudemir;
- 19 de agosto: MP pede bloqueio de bens de empresário e esposa; nova defesa assume o caso;
- 21 de agosto: Justiça nega bloqueio de bens;
- 26 de agosto: Carta escrita por Renê diz que crime foi “acidente”; terceira troca de defesas;
- 27 de agosto: Ana Paula é afastada do cargo de delegada por motivos de saúde;
- 29 de agosto: polícia conclui inquérito sobre o caso;
- 12 de setembro: MP denuncia e pede júri popular sobre o caso;
- 15 de setembro: Renê vira reú por assassinar Laudemir;
- 6 de novembro: Justiça nega anulação da confissão do empresário;
- 28 de janeiro de 2026: Justiça determina que Renê vá a júri popular.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo
