Mulheres acima dos 40 anos devem manter vacinação em dia, alerta Febrasgo
A vacinação não deve ser associada apenas à infância. Para mulheres acima dos 40 anos, manter o calendário vacinal atualizado é uma medida importante de prevenção, especialmente diante do envelhecimento da população e do aumento dos riscos relacionados a doenças infecciosas e suas complicações.
O alerta é da ginecologista Dra. Cecilia Maria Roteli Martins, integrante da Comissão Nacional Especializada em Vacinas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
Principais vacinas
Segundo a especialista, a revisão do histórico vacinal precisa fazer parte dos cuidados regulares com a saúde da mulher.
Entre as principais vacinas indicadas nessa faixa etária estão o reforço contra tétano, recomendado a cada dez anos; hepatite B, nos casos em que o esquema vacinal não foi concluído ou é desconhecido; tríplice viral, conforme avaliação médica; vacina contra influenza, aplicada anualmente; e imunização contra dengue, indicada para pessoas até 59 anos.
A partir dos 60 anos, a atenção deve ser ampliada. Além da vacina anual contra influenza e dos reforços contra tétano e difteria, passam a ser recomendadas vacinas pneumocócicas, utilizadas na prevenção de pneumonias, e a vacina contra herpes-zóster.
“No caso das mulheres acima dos 40 anos, incluindo as idosas, essas vacinas fazem parte de uma estratégia importante de prevenção”, destaca a médica.
Para gestantes com 40 anos ou mais, o calendário vacinal segue as mesmas orientações aplicadas a mulheres de outras faixas etárias. A vacina contra coqueluche deve ser administrada em cada gestação, a partir da 20ª semana. Já a imunização contra influenza é indicada em qualquer período gestacional.
A vacina contra covid-19 também integra as recomendações, com aplicação periódica devido ao fato de gestantes serem consideradas grupo de risco. A hepatite B deve ser iniciada ou completada nos casos em que não há confirmação do esquema vacinal.
Outra imunização indicada é a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), utilizada para reduzir o risco de bronquiolite nos bebês.
“Essas vacinas durante a gestação têm o objetivo de proteger a mãe e também favorecer a transferência de anticorpos para o bebê”, explica a especialista.
Obstáculos e orientações
Entre os principais obstáculos para ampliar a vacinação entre mulheres adultas está a baixa percepção de risco. Segundo a médica, muitas mulheres reconhecem a importância da vacinação infantil, mas não costumam incluir a própria imunização na rotina de cuidados.
Outros fatores também dificultam a adesão, como a falta de registros vacinais, consultas médicas rápidas, pouco tempo para revisão do calendário e dificuldades de acesso aos serviços. O custo também pode representar uma barreira, principalmente porque algumas vacinas recomendadas para adultos e idosos, como as de herpes-zóster e VSR para adultos, ainda não estão disponíveis na rede pública.
A Febrasgo ressalta ainda o papel estratégico do ginecologista nesse acompanhamento. Como muitas mulheres mantêm consultas periódicas com esse especialista ao longo da vida, o momento pode ser utilizado para revisar e atualizar o histórico vacinal.
Além da prevenção contra infecções, a entidade destaca que algumas doenças, como influenza, herpes-zóster, covid-19 e infecções por VSR, também podem estar relacionadas ao aumento do risco de complicações cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
A orientação é que mulheres acima dos 40 anos levem, sempre que possível, a carteira de vacinação durante as consultas médicas. Quando o histórico está incompleto ou indisponível, o profissional pode avaliar a necessidade de atualização.
Para a Febrasgo, a vacinação deve ser entendida como parte do cuidado integral à saúde feminina, contribuindo para a prevenção de doenças, redução de riscos e promoção de um envelhecimento mais saudável.
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