Fórmula 1: McLaren deve recorrer após Gasly recuperar pódio no GP de Mônaco
O piloto da Alpine, Pierre Gasly, foi recolocado no pódio do Grande Prêmio de Mônaco nesta sexta-feira (12), depois que os comissários da Fórmula 1, reunidos dias após a corrida, reconheceram um erro de cronometragem e anularam as punições por excesso de velocidade no pit lane que haviam derrubado o francês para a sétima posição.
A McLaren, atual campeã e uma das equipes que perderão pontos em razão da reviravolta, informou que apresentou uma intenção de recorrer da decisão.
Gasly havia terminado a corrida em terceiro lugar na pista, mas ficou fora das comemorações do pódio após receber duas penalidades de cinco segundos depois da prova disputada no último domingo (7).
A Fórmula 1, responsável pelo sistema de cronometragem, admitiu uma “discrepância de medição” provocada por alterações realizadas no pit lane.
A Alpine, equipe pertencente ao grupo Renault e que havia solicitado o direito de revisão do caso, comemorou a decisão em comunicado oficial e agradeceu à Formula One Management (FOM) e à Federação Internacional de Automobilismo (FIA) pela transparência e cooperação durante o processo.
Sonho de uma vida interrompido
No domingo, Gasly foi enfático ao afirmar que não havia excedido o limite de velocidade no pit lane. O piloto declarou estar de coração partido pelas punições e por ter “um sonho de toda a vida, que era subir ao pódio em Mônaco, tirado de mim por razões que simplesmente não consigo compreender”.
Com a decisão dos comissários, o piloto da Red Bull Isack Hadjar, que havia herdado a terceira colocação e subido ao pódio ao lado do vencedor Kimi Antonelli, da Mercedes, e de Lewis Hamilton, da Ferrari, retorna ao quarto lugar e segue sem conquistar um primeiro resultado entre os três melhores com sua equipe.
O australiano Oscar Piastri, da McLaren, cai para quinto, enquanto Liam Lawson, da Racing Bulls, passa a ocupar a sexta posição e seu companheiro de equipe, Arvid Lindblad, fica em sétimo.
A decisão também deve gerar insatisfação entre outros pilotos que receberam punições por excesso de velocidade no pit lane, mas não solicitaram revisão, além do piloto da Mercedes George Russell, que precisou cumprir uma penalidade de drive-through que o deixou fora da zona de pontuação no domingo e agora 68 pontos atrás de Antonelli após seis etapas da temporada.
Russell afirmou aos jornalistas na quinta-feira que havia pedido para que sua punição fosse adicionada após a corrida, preservando a possibilidade de uma eventual revisão. O britânico disse ainda que seria um “golpe duro” caso as punições de Gasly fossem anuladas.
“Os comissários observam que, em relação a outros carros que foram penalizados, alguns cumpriram suas punições e isso, infelizmente, impactou suas estratégias de corrida e, consequentemente, seus resultados”, afirmaram os oficiais em comunicado.
“Evidentemente permanecerão dúvidas sobre se essas infrações foram genuínas. Não existe regulamento que conceda aos comissários o poder de desfazer uma punição já cumprida. De qualquer forma, é impossível imaginar como tal poder poderia ser aplicado. Vale destacar que nenhuma outra parte solicitou um Direito de Revisão dentro do prazo permitido”.
Problema conhecido nos sensores de cronometragem
Em sua defesa por escrito, a Alpine argumentou que tanto a FIA quanto a Formula One Management (FOM), mas não os comissários, sabiam antes da corrida que havia um problema nos sensores de cronometragem instalados no pit lane.
A equipe também apresentou dados demonstrando que Gasly acionou o limitador de velocidade antes de entrar no pit lane e permaneceu dentro do limite permitido. O sistema registrou velocidades de 60,1 km/h e 60,4 km/h, enquanto o limite era de 60 km/h.
Os comissários informaram que a confirmação da medição incorreta da distância só foi fornecida pela FOM na quarta-feira posterior à corrida.
Segundo os oficiais, já havia preocupação durante a prova após as três primeiras infrações registradas por excesso de velocidade no pit lane, todas marcando exatamente 60,1 km/h. Os comissários afirmaram que consultaram a direção de prova para verificar se havia algum problema no sistema, mas receberam resposta negativa.
Uma alteração no posicionamento das barreiras na entrada do pit lane pode ter permitido que os pilotos adotassem uma trajetória diferente da utilizada em anos anteriores. No entanto, McLaren e Red Bull argumentaram durante a audiência que a cronometragem havia se mantido consistente durante todo o fim de semana e que o risco de discrepâncias era amplamente conhecido.
A Fórmula 1 afirmou que seguiu os procedimentos habituais.
“Como todos no esporte, buscamos os melhores resultados possíveis e, como sempre, quaisquer melhorias ou ajustes identificados como necessários à luz desta situação serão implementados”, declarou um porta-voz.
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