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Com melhora clínica, cacique Raoni está lúcido e respira sem aparelhos

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O líder indígena Raoni Metuktire, de 94 anos, internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, em Sinop (MT), apresentou melhoras no quadro de saúde, segundo o boletim médico do hospital divulgado nesta quarta-feira (17). 

O relatório diz que Raoni está lúcido, consciente e orientado, respirando normalmente, sem necessidade de suporte ventilatório mecânico. Além disso, houve melhora no funcionamento renal e no quadro gastrointestinal.

Notícias relacionadas:

Como parte da investigação, Raoni foi submetido nesta terça-feira (16) a uma endoscopia digestiva alta, sem intercorrências. 

“Os achados do exame seguem em avaliação pela equipe médica, sendo necessária a realização de exames complementares para melhor definição diagnóstica e planejamento das próximas condutas assistenciais”, diz o boletim.

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Raoni segue recebendo suporte por meio de nutrição parenteral e permanece sob acompanhamento permanente da equipe multiprofissional. 

Durante entrevista coletiva ontem, a equipe médica afirmou que o quadro de saúde de Raoni ainda exige cuidados intensivos, por ser um paciente de idade avançada e portador de múltiplas comorbidades preexistentes. Não há previsão de alta e familiares acompanham o cacique durante todo o período de internação.

Raoni voltou a ser internado neste domingo (14), depois de passar mal em sua casa. Ele já havia sido internado outras duas vezes neste ano.

“Ele é um homem muito forte, mas temos que lembrar sempre que é um senhor de mais de 90 anos e que apresenta comorbidades, além dos quadros prévios de uma pessoa nessa situação de saúde. Então isso realmente o deixa um pouco mais frágil, inspirando bastante cuidado”, disse o diretor-técnico do Hospital Dois Pinheiros, Douglas Yanai.

O hospital informou também que a equipe médica do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros mantém contato permanente e discussão conjunta do caso com especialistas do Ambulatório do Índio da Unifesp, entre eles o médico Douglas Antônio Rodrigues, que acompanha a saúde do cacique há décadas. 

“As avaliações e definições terapêuticas vêm sendo realizadas de forma integrada por meio de videoconferências entre as equipes”.

Com melhora clínica, cacique Raoni está lúcido e respira sem aparelhos

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O líder indígena Raoni Metuktire, de 94 anos, internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, em Sinop (MT), apresentou melhoras no quadro de saúde, segundo o boletim médico do hospital divulgado nesta quarta-feira (17). 

O relatório diz que Raoni está lúcido, consciente e orientado, respirando normalmente, sem necessidade de suporte ventilatório mecânico. Além disso, houve melhora no funcionamento renal e no quadro gastrointestinal.

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Como parte da investigação, Raoni foi submetido nesta terça-feira (16) a uma endoscopia digestiva alta, sem intercorrências. 

“Os achados do exame seguem em avaliação pela equipe médica, sendo necessária a realização de exames complementares para melhor definição diagnóstica e planejamento das próximas condutas assistenciais”, diz o boletim.

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Raoni segue recebendo suporte por meio de nutrição parenteral e permanece sob acompanhamento permanente da equipe multiprofissional. 

Durante entrevista coletiva ontem, a equipe médica afirmou que o quadro de saúde de Raoni ainda exige cuidados intensivos, por ser um paciente de idade avançada e portador de múltiplas comorbidades preexistentes. Não há previsão de alta e familiares acompanham o cacique durante todo o período de internação.

Raoni voltou a ser internado neste domingo (14), depois de passar mal em sua casa. Ele já havia sido internado outras duas vezes neste ano.

“Ele é um homem muito forte, mas temos que lembrar sempre que é um senhor de mais de 90 anos e que apresenta comorbidades, além dos quadros prévios de uma pessoa nessa situação de saúde. Então isso realmente o deixa um pouco mais frágil, inspirando bastante cuidado”, disse o diretor-técnico do Hospital Dois Pinheiros, Douglas Yanai.

O hospital informou também que a equipe médica do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros mantém contato permanente e discussão conjunta do caso com especialistas do Ambulatório do Índio da Unifesp, entre eles o médico Douglas Antônio Rodrigues, que acompanha a saúde do cacique há décadas. 

“As avaliações e definições terapêuticas vêm sendo realizadas de forma integrada por meio de videoconferências entre as equipes”.

Cacique Raoni passa por exame intensivo após ser internado na UTI; entenda

17 June 2026 at 18:54

O líder indígena Raoni Metuktire, de 94 anos, foi submetido, no final da tarde de terça-feira (16), a uma endoscopia digestiva alta — um exame intensivo utilizado no diagnóstico de doenças gastrointestinais.

O cacique permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), no Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, localizado em Sinop, norte do Estado de Mato Grosso.

Segundo o boletim médico, a realização do teste ocorreu no centro cirúrgico, sob sedação e acompanhamento anestésico.

Raoni foi internado, no último domingo (14), após passar mal por episódios de vômito ao longo do final de semana.

De acordo com o hospital, nas últimas 24 horas ele evoluiu de maneira estável no quadro gastrointestinal.

“Raoni segue recebendo suporte nutricional por meio de nutrição parenteral e permanece sob acompanhamento permanente da equipe multiprofissional. O paciente encontra-se hemodinamicamente estável, com boa saturação de oxigênio, responsivo e orientado”, diz o comunicado.

Apesar da evolução, o hospital excpliciu que ele permanece sobre os cuidados intensivos devido ao quadro e a idade avançada.

Histórico de saúde

No último dia 7 de maio, o líder indígena já havia sido internado por quadro de hérnia crônica no Hospital Dois Pinheiros, em Sinop, em Mato Grosso. O Instituto Raoni havia informado que a agenda dele estava suspensa.

Dois dias após a internação, no dia 9 de maio, ele chegou a receber alta clínica.

No dia 12 de maio, o cacique apresentou nova indisposição clínica, sendo inicialmente atendido na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Peixoto de Azevedo e, em seguida, encaminhado ao Hospital Regional do município, onde recebeu atendimento médico. A pedido da família, foi transferido para o Hospital Dois Pinheiros na quinta.

Logo após, no dia 14 de maio, Cacique Raoni foi direto para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva), após registrar problemas respiratórios.

Ele teve alta no dia 25 de maio e retornou ao hospital no dia 15 de junho.

Quem é Cacique Raoni

Ropni Metyktire, líder indígena conhecido como Cacique Raoni, nasceu provavelmente no início da década de 1930, em uma antiga aldeia Mebêngôkre (Kayapó) denominada Kraimopry-yaka, no nordeste do Estado de Mato Grosso, segundo informações do Instituto Raoni.

Durante o período de sua juventude, os Mẽbêngôkre viviam em aldeias seminômades, sem contato pacífico com a sociedade envolvente. Em 1954, quando o povo Mẽbêngôkre estabeleceu contato definitivo com os brancos, Cacique Raoni tinha aproximadamente 24 anos e teve um papel fundamental no processo de pacificação de diversas aldeias.

Nesta época, conheceu os irmãos Villas Boas, com quem aprendeu a falar a língua portuguesa e a tomar consciência do mundo não-indígena. A partir de então, Raoni passou a ser o principal interlocutor entre os Mẽbêngôkre e a sociedade nacional.

Ao longo de sua trajetória, Cacique Raoni foi protagonista em diversas lutas em favor dos povos indígenas e da Amazônia, passando a ser reconhecido internacionalmente como liderança legítima e porta voz da preservação do meio ambiente.

Em 1978, foi tema de um documentário indicado ao Oscar e em 1987, após seu encontro com Sting, alcançou notoriedade internacional. Nas décadas 80 e 90 teve papel fundamental na demarcação dos territórios Mẽbêngôkre, um dos maiores blocos contínuos de floresta tropical do mundo e que ainda hoje constitui a maior barreira contra o desmatamento na porção leste da Amazônia, além de participar do processo de demarcação de territórios de diversos outros povos.

Teve forte atuação na Assembleia Constituinte em 1987 e 1988 junto ao movimento indígena, a qual resultou na inclusão dos direitos fundamentais dos povos indígenas na Constituição Federal de 1988.

Na década de 90 e a partir do ano 2000, Cacique Raoni realizou inúmeras viagens pelo mundo e conquistou o apoio de importantes lideranças e personalidades internacionais, que resultaram no levantamento de fundos internacionais para a demarcação de terras indígenas brasileiras, bem como na tomada de consciência do público em geral sobre a necessidade de proteger a floresta amazônica e suas populações nativas.

A partir de 2018, Raoni assumiu mais uma vez a linha de frente na luta pelos direitos dos povos indígenas e pela defesa da Amazônia. Uma nova campanha foi realizada em 2019, na qual Cacique Raoni advertiu o mundo sobre o desmatamento na Amazônia e as ameaças que exploram a floresta, buscando apoio para garantir a condições para a proteção territorial e o fortalecimento sociocultural de seus povos.

Em janeiro de 2020, Raoni convocou um encontro histórico de lideranças de povos da floresta, no qual reiterou a importância de sua união contra os ataques e retrocessos aos direitos e políticas indígenas e ambientais.

*Sob supervisão de AR.

Mutirões do SUS farão 13 mil atendimentos em terras indígenas em junho

15 June 2026 at 17:04

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O Programa Agora Tem Especialistas fará, neste mês de junho, mais de 13 mil atendimentos entre consultas, exames e cirurgias em territórios indígenas dos estados do Ceará, Pernambuco, Amapá e Pará. Os procedimentos serão executadas pela Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS).

Para a secretária de Saúde Indígena do Ministério da Saúde (Sesai), Lucinha Tremembé, ampliar o acesso dos povos indígenas à atenção especializada é um compromisso do SUS com a equidade.

Notícias relacionadas:

“O que estamos fazendo é aproximar o Sistema Único de Saúde (SUS) desses territórios, reduzindo desigualdades e ampliando a capacidade de resposta da rede de saúde indígena.”

A programação inclui consultas, exames diagnósticos, procedimentos especializados e cirurgias oftalmológicas em áreas como pediatria, ginecologia e obstetrícia, cardiologia, clínica médica, dermatologia e cirurgia geral.

As ações contam com a parceria de instituições com experiência em territórios indígenas e regiões remotas, como o projeto Aldeia em Foco, a Associação Médicos da Floresta, o Hospital Einstein Israelita e a Organização não governamental Zoé.

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Desde o início da estratégia, em agosto de 2025, já foram realizados 14 mutirões em diferentes regiões do país. Para o diretor-presidente da AgSUS, André Longo, a iniciativa amplia o acesso dos povos indígenas à atenção especializada.

“Essa estratégia reduz barreiras de acesso, diminui o tempo de espera por atendimento e fortalece a integralidade do cuidado, respeitando as especificidades culturais e as realidades de cada povo indígena.”

Mutirões nos territórios indígenas

No território Xukuru do Ororubá, atendido pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Pernambuco, o mutirão de oftalmologia ocorrerá até 20 de junho, com atendimento a mais de 30 aldeias. Nos dias 1º e 2 de julho, serão feitas cirurgias de catarata e pterígio em pacientes já cadastrados.

A ação contemplará os polos-base Anacé, Potyrô Tapeba, Aquiraz e Maracanaú, no Ceará.

No Amapá e norte do Pará, a Casa de Saúde Indígena (Casai) de Macapá concentrará atendimentos especializados em ginecologia e obstetrícia, pediatria, cardiologia, anestesiologia e ultrassonografia. No território indígena Tumucumaque, os polos-base Bona e Missão Tiriyó receberão equipes de oftalmologia, pediatria, ginecologia e obstetrícia, clínica médica e odontologia.

A Terra Indígena Zo’é, em Tocantins, receberá atendimento especializado em 20 e 21 de junho. Serão ofertadas consultas, exames de imagem e cirurgias, com o apoio de um profissional fluente na língua Zo’é para garantir a mediação cultural e facilitar a comunicação com a comunidade.

Mutirões do SUS farão 13 mil atendimentos em terras indígenas em junho

15 June 2026 at 17:04

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O Programa Agora Tem Especialistas fará, neste mês de junho, mais de 13 mil atendimentos entre consultas, exames e cirurgias em territórios indígenas dos estados do Ceará, Pernambuco, Amapá e Pará. Os procedimentos serão executadas pela Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS).

Para a secretária de Saúde Indígena do Ministério da Saúde (Sesai), Lucinha Tremembé, ampliar o acesso dos povos indígenas à atenção especializada é um compromisso do SUS com a equidade.

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“O que estamos fazendo é aproximar o Sistema Único de Saúde (SUS) desses territórios, reduzindo desigualdades e ampliando a capacidade de resposta da rede de saúde indígena.”

A programação inclui consultas, exames diagnósticos, procedimentos especializados e cirurgias oftalmológicas em áreas como pediatria, ginecologia e obstetrícia, cardiologia, clínica médica, dermatologia e cirurgia geral.

As ações contam com a parceria de instituições com experiência em territórios indígenas e regiões remotas, como o projeto Aldeia em Foco, a Associação Médicos da Floresta, o Hospital Einstein Israelita e a Organização não governamental Zoé.

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Desde o início da estratégia, em agosto de 2025, já foram realizados 14 mutirões em diferentes regiões do país. Para o diretor-presidente da AgSUS, André Longo, a iniciativa amplia o acesso dos povos indígenas à atenção especializada.

“Essa estratégia reduz barreiras de acesso, diminui o tempo de espera por atendimento e fortalece a integralidade do cuidado, respeitando as especificidades culturais e as realidades de cada povo indígena.”

Mutirões nos territórios indígenas

No território Xukuru do Ororubá, atendido pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Pernambuco, o mutirão de oftalmologia ocorrerá até 20 de junho, com atendimento a mais de 30 aldeias. Nos dias 1º e 2 de julho, serão feitas cirurgias de catarata e pterígio em pacientes já cadastrados.

A ação contemplará os polos-base Anacé, Potyrô Tapeba, Aquiraz e Maracanaú, no Ceará.

No Amapá e norte do Pará, a Casa de Saúde Indígena (Casai) de Macapá concentrará atendimentos especializados em ginecologia e obstetrícia, pediatria, cardiologia, anestesiologia e ultrassonografia. No território indígena Tumucumaque, os polos-base Bona e Missão Tiriyó receberão equipes de oftalmologia, pediatria, ginecologia e obstetrícia, clínica médica e odontologia.

A Terra Indígena Zo’é, em Tocantins, receberá atendimento especializado em 20 e 21 de junho. Serão ofertadas consultas, exames de imagem e cirurgias, com o apoio de um profissional fluente na língua Zo’é para garantir a mediação cultural e facilitar a comunicação com a comunidade.

Mostra em SP celebra arte e modo de aprender indígenas

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Com obras coletivas, uma mostra em São Paulo reúne registros e experiências do movimento indígena das Escolas Vivas. As obras apresentam modos de transmissão de saberes ligados aos povos Guarani Mbya, Baniwa, Huni Kuin, Maxakali e Tukano-Desana-Tuyuka. A exposição está em cartaz no Instituto Tomie Ohtake até 9 de agosto e a entrada é gratuita.

O visitante poderá conhecer práticas pedagógicas, saberes e obras construídas a partir da relação entre território, memória, espiritualidade e vida coletiva. A mostra é uma correalização do Tomie Ohtake com a Associação Selvagem e teve a colaboração dos coordenadores das Escolas Vivas.

Notícias relacionadas:

“Historicamente, a colonização do Brasil foi tão violenta que atravessou profundamente os nossos corpos, as nossas memórias e os nossos territórios. O movimento das Escolas Vivas vem dizendo que a transmissão de conhecimento, para nós, não se dá só através das letras e números, mas se dá através das artes, das espiritualidades, de todos os conhecimentos antigos das nossas avós e avôs”, explica a filósofa e educadora Cristine Takuá.

Curadora da mostra, Cristine Takuá, detalha, em entrevista à Agência Brasil, que o projeto Escolas Vivas trata-se de um coletivo que busca transformar a relação do ensinar-aprender, valorizando o que é realmente útil e necessário "na troca constante de saberes que são ancestrais, mas que, por uma arrogância colonial e epistemológica, foram desfigurados numa escola clássica e quadrada”. 

“[A exposição revela] que nós estamos existindo, que os povos indígenas existem e que sempre semearam esses pensamentos e essa forma própria de transmitir saberes. Na verdade, todo o território indígena é Escola Viva",  conclui a curadora.

As obras presentes na exposição foram produzidas no âmbito de oficinas nos territórios das Escolas Vivas e também na residência Casa Escola Viva, realizada em outubro de 2025 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. O encontro reuniu dez artistas indígenas em um processo de criação e troca de saberes. 

Obras

11/06/2026 - São Paulo - A exposição Viva Viva Escola Viva, dedicada ao movimento indígena das Escolas Vivas, está em cartaz no Instituto Tomie Ohtake, na capital paulista. Com obras coletivas, a mostra apresenta modos de transmissão de saberes ligados aos povos Guarani Mbya, Baniwa, Huni Kuin, Maxakali e Tukano-Desana-Tuyuka. A entrada é gratuita.  Na foto Oficina na Escola Viva Huni Kuin. Foto: Acervo Selvagem 11/06/2026 - São Paulo - A exposição Viva Viva Escola Viva, dedicada ao movimento indígena das Escolas Vivas, está em cartaz no Instituto Tomie Ohtake, na capital paulista. Com obras coletivas, a mostra apresenta modos de transmissão de saberes ligados aos povos Guarani Mbya, Baniwa, Huni Kuin, Maxakali e Tukano-Desana-Tuyuka. A entrada é gratuita.  Na foto Oficina na Escola Viva Huni Kuin. Foto: Acervo Selvagem
A exposição Viva Viva Escola Viva, dedicada ao movimento indígena das Escolas Vivas, está em cartaz no Instituto Tomie Ohtake, na capital paulista. Foto: Acervo Selvagem 

Do povo Baniwa, vem a instalação O umbigo do mundo, com trançados de fibra de tucum produzidos pelas mãos de mulheres Baniwa. Os Huni Kuĩ apresentam um pano professor com kenes, grafismos tradicionais que orientam o aprendizado e a transmissão de conhecimentos ligados à sua visão de mundo.

Entre os Maxakali, a instalação coletiva se organiza a partir de mastros - os mīmãnãns - que, segundo a tradição, orientam e tornam possível a presença dos espíritos nos rituais. A instalação Pytü, o Escuro, dos Guarani Mbya, é uma representação do escuro intenso, de onde pode surgir o primeiro suspiro, o primeiro ser, a primeira vida.

Para completar o conjunto, a mostra conta com uma farmácia amazônica, com plantas medicinais, elixires e bálsamos trazidos pelos povos Tukano, Desana e Tuyuka.

Um núcleo dedicado aos mais velhos integra a exposição, com obras de Ailton Krenak, Ehuana Yanomami, Tõrãmu Kẽhíri (Luiz Lana) e Moisés Piyãko. Considerados referências na preservação e transmissão dos conhecimentos indígenas, os mais velhos, afirma a curadora, são aqueles que sustentam - por meio de histórias, cantos e práticas cotidianas - a memória que atravessa o tempo e conecta diferentes planos de existência.

“Para nós, educação não é só alfabetização, não é só teoria, não é só entrar na faculdade. É a gente conseguir lançar uma flecha em encontro ao bem-viver, em encontro à vida. Aprender a pedir licença para entrar, aprender a respeitar todas as formas de vida. Essa é a educação que para nós é verdadeira”, ressalta a curadora.

Ela avalia que as Escolas Vivas podem contribuir para inspirar a sociedade a repensar o modelo de educação vigente no Brasil, mesmo para fora dos territórios indígenas. Ela menciona que o currículo das escolas, muitas vezes, prioriza referências de fora do país.

“Por exemplo, na alfabetização aparece a zebra, o tigre, o elefante, a girafa. E os alunos, as crianças, que estudam na Mata Atlântica não conhecem a cutia, a paca, a lontra, os seres que habitam a Nhe'ẽry [a Mata Atlântica].”

Ela afirma que a mostra é um convite à sociedade  para repensar a educação e a relação com a natureza.

"Porque a natureza não é nossa, nós somos uma parte da natureza, uma pequena partícula que constitui toda essa teia de relações. É um convite também a esse despertar de consciência para que todos possam se somar nessa luta para cuidar, para respeitar a natureza como um todo”, diz.

 

 

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O visitante poderá conhecer práticas pedagógicas, saberes e obras construídas a partir da relação entre território, memória, espiritualidade e vida coletiva. A mostra é uma correalização do Tomie Ohtake com a Associação Selvagem e teve a colaboração dos coordenadores das Escolas Vivas.

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“Historicamente, a colonização do Brasil foi tão violenta que atravessou profundamente os nossos corpos, as nossas memórias e os nossos territórios. O movimento das Escolas Vivas vem dizendo que a transmissão de conhecimento, para nós, não se dá só através das letras e números, mas se dá através das artes, das espiritualidades, de todos os conhecimentos antigos das nossas avós e avôs”, explica a filósofa e educadora Cristine Takuá.

Curadora da mostra, Cristine Takuá, detalha, em entrevista à Agência Brasil, que o projeto Escolas Vivas trata-se de um coletivo que busca transformar a relação do ensinar-aprender, valorizando o que é realmente útil e necessário "na troca constante de saberes que são ancestrais, mas que, por uma arrogância colonial e epistemológica, foram desfigurados numa escola clássica e quadrada”. 

“[A exposição revela] que nós estamos existindo, que os povos indígenas existem e que sempre semearam esses pensamentos e essa forma própria de transmitir saberes. Na verdade, todo o território indígena é Escola Viva",  conclui a curadora.

As obras presentes na exposição foram produzidas no âmbito de oficinas nos territórios das Escolas Vivas e também na residência Casa Escola Viva, realizada em outubro de 2025 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. O encontro reuniu dez artistas indígenas em um processo de criação e troca de saberes. 

Obras

11/06/2026 - São Paulo - A exposição Viva Viva Escola Viva, dedicada ao movimento indígena das Escolas Vivas, está em cartaz no Instituto Tomie Ohtake, na capital paulista. Com obras coletivas, a mostra apresenta modos de transmissão de saberes ligados aos povos Guarani Mbya, Baniwa, Huni Kuin, Maxakali e Tukano-Desana-Tuyuka. A entrada é gratuita.  Na foto Oficina na Escola Viva Huni Kuin. Foto: Acervo Selvagem 11/06/2026 - São Paulo - A exposição Viva Viva Escola Viva, dedicada ao movimento indígena das Escolas Vivas, está em cartaz no Instituto Tomie Ohtake, na capital paulista. Com obras coletivas, a mostra apresenta modos de transmissão de saberes ligados aos povos Guarani Mbya, Baniwa, Huni Kuin, Maxakali e Tukano-Desana-Tuyuka. A entrada é gratuita.  Na foto Oficina na Escola Viva Huni Kuin. Foto: Acervo Selvagem
A exposição Viva Viva Escola Viva, dedicada ao movimento indígena das Escolas Vivas, está em cartaz no Instituto Tomie Ohtake, na capital paulista. Foto: Acervo Selvagem 

Do povo Baniwa, vem a instalação O umbigo do mundo, com trançados de fibra de tucum produzidos pelas mãos de mulheres Baniwa. Os Huni Kuĩ apresentam um pano professor com kenes, grafismos tradicionais que orientam o aprendizado e a transmissão de conhecimentos ligados à sua visão de mundo.

Entre os Maxakali, a instalação coletiva se organiza a partir de mastros - os mīmãnãns - que, segundo a tradição, orientam e tornam possível a presença dos espíritos nos rituais. A instalação Pytü, o Escuro, dos Guarani Mbya, é uma representação do escuro intenso, de onde pode surgir o primeiro suspiro, o primeiro ser, a primeira vida.

Para completar o conjunto, a mostra conta com uma farmácia amazônica, com plantas medicinais, elixires e bálsamos trazidos pelos povos Tukano, Desana e Tuyuka.

Um núcleo dedicado aos mais velhos integra a exposição, com obras de Ailton Krenak, Ehuana Yanomami, Tõrãmu Kẽhíri (Luiz Lana) e Moisés Piyãko. Considerados referências na preservação e transmissão dos conhecimentos indígenas, os mais velhos, afirma a curadora, são aqueles que sustentam - por meio de histórias, cantos e práticas cotidianas - a memória que atravessa o tempo e conecta diferentes planos de existência.

“Para nós, educação não é só alfabetização, não é só teoria, não é só entrar na faculdade. É a gente conseguir lançar uma flecha em encontro ao bem-viver, em encontro à vida. Aprender a pedir licença para entrar, aprender a respeitar todas as formas de vida. Essa é a educação que para nós é verdadeira”, ressalta a curadora.

Ela avalia que as Escolas Vivas podem contribuir para inspirar a sociedade a repensar o modelo de educação vigente no Brasil, mesmo para fora dos territórios indígenas. Ela menciona que o currículo das escolas, muitas vezes, prioriza referências de fora do país.

“Por exemplo, na alfabetização aparece a zebra, o tigre, o elefante, a girafa. E os alunos, as crianças, que estudam na Mata Atlântica não conhecem a cutia, a paca, a lontra, os seres que habitam a Nhe'ẽry [a Mata Atlântica].”

Ela afirma que a mostra é um convite à sociedade  para repensar a educação e a relação com a natureza.

"Porque a natureza não é nossa, nós somos uma parte da natureza, uma pequena partícula que constitui toda essa teia de relações. É um convite também a esse despertar de consciência para que todos possam se somar nessa luta para cuidar, para respeitar a natureza como um todo”, diz.

 

 

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