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Franceses protestam contra sistema judiciário após morte de criança

A França viveu uma semana marcada por protestos em diversas cidades após o assassinato de Lyhanna, uma criança de 11 anos.

Ela estava desaparecida desde o dia 29 de maio, em Fleurance, após sair da escola. O corpo da menina foi encontrado seis dias depois, no dia 4 de junho, em uma área rural. A causa da morte ainda não foi divulgada.

A mobilização ganhou força depois que veio à tona a informação de que o principal suspeito do crime, Jérôme Barella – pai de uma colega de Lyhanna -, já havia sido acusado, em agosto de 2025, por estupro contra outra criança. Apesar das acusações, ele não chegou a ser interrogado pelas autoridades.

Manifestantes foram às ruas para exigir explicações e cobrar mudanças no sistema judicial francês.

Durante os atos, participantes denunciaram o que consideram negligência institucional e defenderam medidas mais rigorosas para prevenir a reincidência de crimes sexuais contra mulheres e crianças.

Anne-Cecile Mailfert, da Fundação de Mulheres (Fondation des Femmes), criticou o governo durante um protesto em Paris na segunda-feira (8).

“Estamos cansados ​​de sermos tratados como idiotas. É evidente que o sistema não funciona e que aqueles em posições de responsabilidade não estão fazendo o que deveriam.”

A pressão popular alcançou o governo. Diante da repercussão do caso, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, convocou uma reunião de emergência na terça-feira (9), na qual exigiu o fortalecimento de um projeto de lei de proteção à criança e requisitos mais rigorosos para o arquivamento de casos.

O governo planeja propor, ainda, o aumento das penas máximas de prisão para condenados por estupro de crianças, de 20 anos para prisão perpétua.

O presidente Emmanuel Macron se pronunciou sobre o caso quando Lyhanna ainda estava desaparecida. Ele reconheceu a existência de “disfunções” e falhas no sistema judicial francês e afirmou que o governo trabalhará para identificar responsabilidades e corrigir eventuais problemas estruturais que possam ter contribuído para a situação.

Os protestos aumentaram a pressão sobre o ministro da Justiça e sobre todo o governo francês, que já se prepara para a eleição presidencial do ano que vem.

Além disso, eles surgem na sequência de uma série de escândalos envolvendo menores de idade na França. O sistema escolar de Paris enfrenta alegações de abuso generalizado por parte de funcionários não docentes.

No ano passado, segundo a polícia francesa, mais de 75 mil menores foram vítimas de violência sexual, um aumento de 5% em relação a 2024.

Organizações de defesa dos direitos da criança e das mulheres afirmam que 160 mil crianças são vítimas de abuso sexual na França todos os anos e que as denúncias não são tratadas com a devida prontidão devido à falta de recursos, deixando as crianças expostas aos abusadores.

Esse, inclusive, é um dos pontos levantados pela defesa da família de Lyhanna. O advogado François de Roujou de Boubée afirma que maiores recursos judiciais poderiam ter evitado a morte da garota.

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Genebra reforça segurança para manifestação durante cúpula do G7 na França

A França sediará uma cúpula do G7 na próxima semana, mas são os comerciantes da vizinha Suíça que já começaram a proteger seus estabelecimentos, fechando fachadas com painéis de madeira antes de um protesto anti-G7 que deve percorrer Genebra neste fim de semana.

Autoridades de segurança de Genebra apresentaram, na quinta-feira (11), seus planos para o protesto de domingo (14), que deve reunir cerca de 50 mil pessoas. As medidas incluem o fechamento e controle de 27 postos de fronteira entre França e Suíça a partir da noite de sexta-feira (12).

Os líderes do G7 desembarcarão em Genebra, na região francófona do oeste da Suíça, antes de serem transportados pela fronteira até o local da cúpula, na cidade francesa de Évian-les-Bains.

A Suíça está mobilizando 4 mil soldados em seu território para garantir a segurança durante os três dias de reunião dos líderes de Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Estados Unidos, além da União Europeia, informou o Exército na semana passada.

A França anunciou o envio de 8 mil policiais para a cúpula em Évian, que começa na segunda-feira.

Dezenas de lojas em Genebra foram protegidas com tapumes devido ao temor de danos durante a manifestação.

Damien Gall, proprietário da empresa de carpintaria Espace, afirmou que sua equipe instalou mais de 2 mil metros quadrados de painéis de madeira para ajudar empresas a proteger seus imóveis.

O taxista Lamine Lasbet disse que os preparativos para o protesto estão causando um impacto “catastrófico” nos negócios. “Vamos ficar em casa, para ser sincero. Serão três ou quatro dias sem trabalhar”, afirmou.

Impacto econômico

Alguns moradores de Genebra demonstraram preocupação com os efeitos da cúpula na cidade.

“Genebra não fica na França, então o problema está transbordando para outro país”, disse Eric Affolter, dono de uma loja de souvenirs. Ele relembrou os danos causados a propriedades em 2013, quando uma cúpula do então G8 foi realizada em Évian e manifestantes entraram em confronto com a polícia na margem esquerda de Genebra.

Carole-Anne Kast, integrante da administração local, afirmou que o cantão de Genebra provavelmente terá de gastar cerca de US$ 25 milhões em custos de segurança.

Segundo ela, as autoridades têm buscado reduzir ao máximo os riscos de violência e danos ao patrimônio.

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Kamel Daoud: “Quando tens uma pergunta sem resposta, escreve um romance”

Regressar à realidade depois de assistir ao hediondo é o mais difícil. Podemos deixar-nos corroer pela raiva ou pela loucura. Ou podemos escrever. Kamel Daoud, escritor, jornalista e cronista franco-argelino, escolheu escrever. As suas obras estão proibidas na Argélia, país que o viu nascer e tornar-se homem das Letras. É um “inimigo do Islão”. Exilou-se em França. A cidadania francesa faz do autor um cidadão europeu, estatuto que Daoud traduz como liberdade do corpo, de acesso ao espaço público.

Na sua passagem por Lisboa, por ocasião do Choix Goncourt du Portugal, o escritor duplamente distinguido com o mais prestigiado prémio das letras francesas, o Goncourt, conversou com o JE. As obras distinguidas estão editadas em português: “Meursault, contra-investigação”, o seu romance de estreia, e “Huris”, um relato ficcional dos massacres durante a “década negra” da Argélia (1992-2002). Ele que viveu a guerra civil, que caustica o islamismo radical, que não abdica dos seus princípios éticos e cujas crónicas em diversas publicações francesas e internacionais são peças relevantes para compor o ‘puzle Kamel Daoud’.

O otimismo é possível?

A pergunta é inevitável após uma troca de impressões sobre a nossa relação com os ecrãs, com a omnipresença da tecnologia e com os perigos que ela encerra, por exemplo, no que toca à leitura. Daoud diz que a leitura sofre, claro, mas que o mais preocupante são as consequências. E sintetiza: “falta de compaixão, insensibilidade para com o outro.” O discurso parece pessimista ante o comportamento humano, mas Kamel Daoud diz ter “esperança”, apesar das convulsões que hoje vivemos. “Quando há um grande avanço tecnológico, existe sempre um momento de hesitação. Depois, inventamos instrumentos regulatórios”. E dá um exemplo. “Quando a imprensa foi inventada, explodiram as seitas, a pornografia. Mas, depois, inventou-se o depósito legal, os direitos de autor.” Levámos 150 anos, mas fizemos progressos, recorda. Por isso mantém-se otimista. “Penso que haverá instrumentos regulatórios para a internet, as redes sociais e a IA. Não são os do nosso tempo, mas acabarão por ser criados. Até lá, haverá um grande choque”. Não faz futurologia, mas por tudo o que tem lido, acha plausível que haja um grande choque económico, num primeiro momento.

A geopolítica também está a abanar alicerces – económicos e de ordem moral, para não irmos mais longe. Daoud é muito claro quando o assunto são as guerras. “Proíbo-me eticamente de falar sobre guerras e lugares que não conheço. Porquê? Porque quando vivi a guerra civil argelina, não gostava de ouvir pessoas que falavam do que não sabiam. Quando os islamistas tomaram o poder na Argélia, em 1991, as pessoas disseram, em França, na Europa e noutros lugares: ‘mas isto é a democracia a funcionar’.” Pausa. Fala na sua revolta, nos direitos humanos. “Sim, mas no dia em que a tua filha é raptada, violada e degolada, o que fazes aos princípios?” O que mais gosta na literatura é que ela “nos mostra os nossos limites em relação a isso. É por isso que existem duas realidades sobre o Irão, Israel, a Palestina. Existe a própria realidade, aquela que podes descobrir se lá fores. É humano, portanto é complexo. E há a realidade das projeções que fazemos sobre os outros. À distância, fazemos muitas projeções. E toda a gente fala da Palestina, mas não vemos um único palestiniano falar sobre o que se passa.”

Nada disto é simples. E menos ainda simplista para quem vem de uma guerra que matou 200 mil pessoas. “Mas não tenho direito a falar sobre ela porque sou filho da terra. Em França, tenho sofrido muitos ataques de certos meios de comunicação, que me rotulam de islamofóbico”, partilha. “O que quero dizer é que são as nossas histórias que condicionam a nossa forma de ver o mundo. Assim, a posição mais honesta é tomar consciência da sua própria história íntima.” Porquê? – questionamos. “Porque te permite compreender o outro, que é diferente, mas consciente de quem tu és.” E cita Albert Camus. “Admiro-o porque disse ‘não’. Porque disse que o homem deve estar acima dos princípios. Não abaixo deles.”

A espada de Dâmocles

A literatura regressa à conversa, cortesia de Camus. O direito à ficção está em perigo? “Primeiro, a ficção está ameaçada pelo populismo. Os populistas são grandes romancistas falhados. Vendem-nos ficção mal escrita, e, quando acreditamos nisso, ou vamos para a prisão ou assediam-nos nas redes sociais. Segundo, a ficção está ameaçada pelos ecrãs e pelas redes sociais. O ‘fake’ matou a ficção, porque ficção e ‘fake’ não são a mesma coisa. A ficção é a portadora da verdade. O ‘fake’ está lá para te enganar. Terceiro, temos as leis.” E detalha. “Na Argélia, fui condenado a três anos de prisão por um romance que escrevi. Mais grave, a 20 de maio deste ano, foi publicada uma nova lei que proíbe que se escreva sobre a guerra da independência da Argélia.” Esta nova lei prevê uma condenação de 5 a 10 anos de prisão para quem escrever fora da narrativa oficial. “Imagine um escritor que é refugiado em Portugal, em França, onde quer que seja. Vai ter medo. Ninguém vai escrever sobre a guerra civil argelina. Sobre o que realmente se passou.”

O que diria a um jovem que quer ser escritor, mas sem uma espada de Dâmocles a pesar-lhe sobre a cabeça? “Quando tens uma resposta, escreve um artigo. Quando tens uma pergunta sem resposta, escreve um romance.” Resposta rápida, objetiva. “Para escrever um bom romance é preciso uma pergunta que ainda não tem uma resposta definitiva”, reforça Kamel Daoud, antes de dizer que escreveu uma carta aberta ao Papa, já publicada, quando da sua visita, em abril, à Argélia. Pediu-lhe para não esquecer uma história de Camus – de novo o seu compatriota nos acompanha. “É uma história sublime, muito curta. São Demétrio tinha um encontro com Deus. No caminho, encontra um camponês com uma carroça partida. Então, coloca-se-lhe um dilema: ‘Se ajudar o camponês, vou perder o encontro com Deus. Sou um santo, esse é o propósito da minha vida. Mas se me encontrar com Deus tendo deixado um camponês a sofrer, não serei santo’.” Pausa.

“Não há uma única resposta certa. Há escolhas a fazer”, realça o escritor. E reflexões. Como esta: será que demasiada democracia mata a democracia? É uma questão que Daoud por vezes formula perante uma plateia. “Há os que radicalizam a sua posição dizendo que é por termos demasiada democracia que somos fracos. Outros dizem que só temos esta democracia para nos defender. E há ainda os que escolhem por desespero e votam na extrema-direita. Sabemos bem que, entre segurança e democracia, as pessoas escolhem a segurança.”

O escritor lembra que vive em França desde 2023 e tem a cidadania francesa há poucos anos. Continua “impressionado com a liberdade do corpo”, com o acesso ao espaço público na Europa. “Podemos ir a um jardim e sentarmo-nos a desfrutar do sol. Estarmos aqui sentados, tu com o teu caderno, o teu gravador… Na Argélia haveria polícia no local.” Ou pior. E, agora, com as redes sociais e a extrema-direita na Argélia, “os ânimos estão cada vez mais exaltados.” Viajar é impossível. Por isso dedicou uma das suas mais recentes crónicas ao ato extraordinário que é poder viajar. “Quando viajas para a Europa descobres a liberdade. Por mais que os soberanistas, a extrema-direita, os entusiastas do Brexit digam ‘não, temos de recuar’, o facto de se poder viajar é, a meu ver, a maior conquista da Europa.”

Daoud pesa as palavras. “Agora, o Ocidente é acusado de ter fronteiras fechadas. As fronteiras mais mortíferas estão, de facto, por toda a Europa, mas as fronteiras mais mortíferas também estão em casa, do outro lado. Aqueles que vêm do Sul para Marrocos, para a Tunísia, para a Argélia, morrem. São rejeitados. São colocados em camiões e abandonados no deserto. As fronteiras do outro lado são mortais.” A expressão retoma a serenidade. “Para mim, este é o maior sucesso da Europa: esta liberdade do corpo, esta fronteira vivida sem violência. Nunca me senti tão europeu como hoje.” E as fronteiras mortais? “Muitos acusam a Europa, mas esquecem-se que, primeiro, [as fronteiras] despertam a paixão violenta das ditaduras.”

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Quem são os favoritos ao título? Veja ranking das seleções da Copa

A Copa do Mundo FIFA 2026 será a maior da história em número de participantes e reúne algumas das principais seleções do planeta na disputa pela tão sonhada taça. O ranking masculino da Fifa ajuda a indicar quais equipes chegam ao torneio entre as favoritas.

Atualmente, a Seleção da Argentina, liderada por Lionel Messi e atual campeã mundial, ocupa a liderança do ranking masculino. A equipe venceu os últimos cinco jogos e soma 1.877,27 pontos.

Logo atrás aparece a Seleção da Espanha, considerada por muitos uma das equipes que apresentam o melhor futebol do momento. O time comandado por Luis de la Fuente tem como principal destaque o jovem Lamine Yamal. O camisa 10 do Barcelona, no entanto, deve desfalcar os primeiros jogos por conta de uma lesão.

A Seleção da França fecha o top 3. Vice-campeã no Catar e campeã mundial em 2018, a equipe segue com uma geração estrelada, liderada por Kylian Mbappé, além de nomes como Désiré Doué e Michael Olise, destaque recente do Bayern de Munique.

Veja o top 10 do ranking:

  • 1- Argentina (1877.27 pontos)
  • Messi marcou o segundo gol da Argentina
    Messi marcou o segundo gol da Argentina contra a Islândia • Photo by Omar Vega/Getty Images

  • 2 – Espanha (1874.71 pontos)
  • Yamal durante amistoso entre Espanha e Egito
    Yamal durante amistoso entre Espanha e Egito • David Ramos/Getty Images

  • 3 – França (1870.70 pontos)
  • Mbappé comemora gol contra a Seleção Brasileira
    Mbappé comemora gol contra a Seleção Brasileira • Foto: Divulgação/ @equipedefrance

  • 4 – Inglaterra (1828.02 pontos)
  • 5 – Portugal (1767.85 pontos)
  • 6 – Brasil (1765.86 pontos)
  • Raphinha e Vinicius Jr. comemoram o gol que abriu o placar para o Brasil contra a Colômbia
    Raphinha e Vinicius Jr. em jogo pela Seleção Brasileira • Buda Mendes/Getty Images

  • 7 – Marrocos (1755.10 pontos)
  • 8 – Holanda (1753.57 pontos)
  • 9 – Bélgica (1742.24 pontos)
  • 10 – Alemanha (1735.77 pontos)

Como o ranking é feito?

O atual modelo de pontuação do ranking, adotado desde agosto de 2018, funciona por meio da soma ou subtração de pontos após cada partida, considerando fatores como força do adversário, importância do jogo e expectativa de resultado.

Diferente do sistema anterior, o cálculo não é mais feito com base em médias ao longo de um período. Veja o ranking completo aqui.

Premiação

Além de ganhar a tão sonhada taça, o campeão da Copa do Mundo FIFA 2026 também vai faturar uma premiação milionária. A FIFA vai pagar US$ 50 milhões (cerca de R$ 275 milhões) para a seleção campeã do torneio.

Ao todo, serão distribuídos US$ 727 milhões (aproximadamente R$ 3,99 bilhões) entre as seleções participantes, valor 50% superior ao pago na Copa de 2022, no Catar.

A maior parte da quantia, US$ 655 milhões (cerca de R$ 3,60 bilhões), será destinada exclusivamente à premiação esportiva das 48 seleções classificadas.

Veja o ranking dos elencos mais valiosos da Copa do Mundo

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França acusa empresa israelita de interferir em eleições

Relatório da agência francesa detalha quatro interferências pela "empresa de elite" BlackCore, "concebida para a era moderna da guerra de informação". Em março, era suspeita de interferir em França.

© Bloomberg via Getty Images

A BlackCore removeu todo o conteúdo do seu site logo após ter sido contactada pelos jornalistas, não tendo igualmente respondido a pedidos de esclarecimento
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