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China e EUA nunca irão reatar — mas foi Pequim quem acabou o relacionamento. Analista explica

“A China, não os EUA, foi a primeira a iniciar o desacoplamento económico”. E “de facto, não há maneira de os EUA e a China regressarem ao que eram há 10 anos”. Um analista afirmou esta sexta-feira que os Estados Unidos e a China “não podem regressar” à relação que tinham há uma década e disse que o afastamento das duas economias começou muito antes da guerra comercial. Durante uma palestra na Universidade de Macau, Kevin Zhang, professor na Universidade Estadual de Illinois, no centro dos Estados Unidos, foi questionado sobre se existe um “desacoplamento ideal” entre as duas superpotências.

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Magnifica Humanitas: inteligência e bom senso

A encíclica Magnifica Humanitas constitui um notável exercício de inteligência e de bom senso num contexto de profunda irracionalidade global. Oferece uma leitura integrada da crise contemporânea – simultaneamente geopolítica, geoeconómica e civilizacional – recentrando o debate na primazia do ser humano sobre as lógicas de poder, superioridade ou domínio tecnológico.

Sem cair no proselitismo, o texto formula uma crítica incisiva às dinâmicas dominantes: a naturalização da competição entre potências, a instrumentalização da economia e a crescente militarização das relações internacionais. Ao fazê-lo, desmonta a ideia de inevitabilidade que frequentemente acompanha as leituras da ordem mundial, alertando para um défice crescente de inteligência e de bom senso nas decisões coletivas.

É neste quadro que surge a sua tese mais incisiva: no mundo atual, a guerra deixou de poder ser considerada justa. A capacidade destrutiva dos meios disponíveis, amplificada pela tecnologia e pela inteligência artificial, transforma qualquer conflito numa falência da política e da razão.

As guerras em curso – na Europa e no Médio Oriente – constituem, no seu conjunto, uma expressão paradigmática dessa falha. Deixaram de exprimir qualquer racionalidade estratégica compreensível, mas antes a incapacidade de conter a escalada e de privilegiar soluções políticas. São sinais de desordem e manifestações de ausência de inteligência prática e de bom senso que se tornam particularmente perigosas no contexto de fragmentação global e confronto acrescido que estamos a atravessar.

A mensagem é clara e traduz uma visão exigente: a persistência da lógica de confronto conduz a situações cada vez mais críticas. Por isso, a encíclica afirma a prioridade da cooperação, da negociação e do multilateralismo, propondo uma reconstrução ativa da confiança no sistema internacional.

Na Magnifica Humanitas, o Papa Leão XIV emerge como um dos dirigentes mais lúcidos do espaço europeu contemporâneo. E é interessante notar que a sua postura converge de forma notável com a de Mario Draghi sobre a crise económica e política da União Europeia. Ambos recusam as narrativas imobilistas e insistem na necessidade de encarar a realidade tal como ela é – e não como desejaríamos que fosse. Quer na análise das fragilidades estruturais da Europa, quer na perceção da nova centralidade da geoeconomia e da tecnologia, encontramos em ambos uma mesma atitude intelectual de rigor analítico, ausência de ilusões e sentido de responsabilidade histórica.

A encíclica remete-nos para a estupidez inteligente de Robert Musil – essa forma moderna de irracionalidade que se disfarça sob a aparência da racionalidade técnica — e lembra-nos, ainda, a reflexão posterior de Carlo Cipolla, de que a verdadeira estupidez reside na capacidade de causar simultaneamente dano aos outros e a si próprio. Muitas dinâmicas atuais – da escalada geopolítica à fragmentação económica – parecem materializar esta combinação paradoxal: sistemas altamente complexos, orientados por racionalidades parciais, mas que convergem para irracionalidades integradas e globais altamente destrutivas.

Em síntese, Magnifica Humanitas afirma que, na fase atual da crise geoeconómica e geopolítica, a escassez decisiva não é de recursos, mas de inteligência e de bom senso. E, neste contexto, afirmar que a guerra só pode ser injusta não é apenas um imperativo ético – é uma expressão de inteligência e de lucidez estratégica, condição hoje indispensável à própria sobrevivência civilizacional.

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