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Ainda o Transporte Público Gratuito

VTM

Penso que não será a última.

Há 5 anos, enquanto candidato à Câmara Municipal de Vila Real pela coligação “Vila Real à Frente”, propus no meu programa eleitoral uma medida que considerava estruturante para o desenvolvimento do concelho: os transportes públicos gratuitos em todo o concelho.

Esta proposta foi prontamente criticada pelos nossos adversários — um sinal inequívoco da sua relevância, utilidade e importância no debate político.

As eleições autárquicas de 2025 trouxeram uma novidade, o PSD, inacreditavelmente, não apresentou ao eleitorado esta proposta, e, a candidatura vencedora também não. Ficamos então com uma certeza, até às próximas eleições, esta proposta fica em banho-maria, e os vila-realenses terão de esperar por melhores dias.

Em Vila Real, onde vemos carros, vemos problemas.

Temos pouco espaço e muitos carros, o que afeta a nossa qualidade de vida.

A quantidade de carros por habitante não para de crescer.

Se todos nós, tivéssemos de sair de casa ao mesmo tempo, não é preciso um exercício de grande imaginação para perceber o caos que se instalaria. Já hoje esse caos existe.

Este problema dificilmente se resolve, apenas, com apelos ao bom senso, são necessárias políticas públicas, é preciso decisão. Porque no fundo o que é visível no dia a dia é: mais trânsito, mais emissões, mais tempo perdido e menos cidade.

A alternativa não é simples, mas é clara: passa por investir seriamente no transporte público.

Em Portugal, Cascais e Loulé foram cidades pioneiras e têm o sistema de transporte público gratuito implementado desde 2021. Em abril passado, Viseu aprovou esta medida, o Porto aprovou a mesma medida em maio. Até ao fim do ano Guimarães prevê implementar esta medida.

E nós?

O silêncio em torno desta matéria contrasta com a dinâmica observada noutras cidades, onde a mobilidade pública assume um papel cada vez mais central nas políticas urbanas.

Numa altura em que cada vez mais cidades portuguesas avançam para a gratuitidade dos transportes públicos, encarando-a como um investimento na qualidade de vida, na coesão social e na sustentabilidade ambiental, em Vila Real o assunto parece não despertar interesse político.

Entretanto as vozes nas redes sociais aumentam o tom de indignação, perante a possibilidade dos nossos impostos pagarem a ousadia das cidades que optaram por esta medida.

Em 2021, Vila Real não quis ir para a frente, e, neste caso também não avançou.

A interioridade e o atraso em relação ao país, não é culpa, apenas, do estado central.

Todos nós temos a nossa quota-parte de responsabilidade pelos caminhos que se vão escolhendo, pelas decisões que apoiamos e por aquelas que deixamos passar em silêncio. No fundo, também enquanto sociedade, participamos ativa ou passivamente, na definição das prioridades e das escolhas que moldam o nosso quotidiano.

Um dia teremos o transporte público gratuito, e nesse dia, as vozes repetirão a frase batida do nosso eterno atraso: “mais vale tarde do que nunca!”

É este o nosso fado.

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Guimarães ganha prémio internacional por projeto de recolha de resíduos orgânicos

A Vitrus Ambiente foi premiada com a Escoba de Ouro 2026, “um dos mais prestigiados galardões internacionais”, que distingue as melhores práticas nas áreas do ambiente, limpeza urbana e gestão de resíduos, atribuído pela Associação Técnica para a Gestão de Resíduos e Meio Ambiente (ATEGRUS).

Em comunicado, a empresa municipal vimaranense explica que a entrega do prémio decorreu ontem, no âmbito do XX Concurso Escobas, integrado na TECMA – Feira Internacional de Urbanismo e Meio Ambiente, realizada na IFEMA Madrid.

Nesta edição, foram distinguidas 116 entidades provenientes de diversos países ibero-americanos, entre os quais Portugal, Espanha, México, Chile, Argentina, Peru e El Salvador. Entre todas as organizações premiadas, apenas 21 receberam a Escoba de Ouro, grupo restrito do qual faz agora parte a Vitrus Ambiente.

O júri destacou a estratégia integrada de recolha seletiva de resíduos orgânicos implementada pela empresa municipal de Guimarães, reconhecendo um projeto alinhado com os princípios da economia circular, da neutralidade climática, da inovação operacional e da proximidade aos cidadãos.

Para o presidente do Conselho de Administração da VITRUS, Alexandre Barros da Cunha, esta distinção representa “um reconhecimento internacional do trabalho desenvolvido pela empresa e os seus colaboradores. É também um prémio que a Vitrus recebe para entregar a Guimarães e aos Vimaranenses. Sem a participação ativa dos Vimaranenses na separação dos biorresíduos este prémio não seria possível”.

Citado no comunicado, o responsável salienta que “o Município de Guimarães tem afirmado uma posição de liderança nas melhores práticas ambientais e este prémio é também o reflexo do compromisso da comunidade Vimaranense, que tem aderido de forma exemplar aos novos modelos de recolha seletiva e valorização de resíduos. Vamos alargar a recolha de orgânico a mais freguesias e contamos com os vimaranenses para continuarmos a ser um exemplo a seguir em Portugal e na Europa”.

A empresa adianta que “continuará a investir em soluções inovadoras, sustentáveis e centradas nas pessoas, no ano em que alargará a recolha de resíduos orgânicos a mais 13 freguesias num total de 22”.

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Ex-autarca de Guimarães é mandatário de Sérgio Castro Rocha à Distrital de Braga do PS

O ex-presidente da Câmara de Guimarães, Domingos Bragança, é o mandatário de Sérgio Castro Rocha à presidência da Federação Distrital de Braga do PS.

A candidatura foi oficializada na passada sexta-feira e, hoje, em comunicado, a candidatura adianta que a Comissão Organizadora do Congresso (COC) validou-a, tendo atribuído a Lista B para a eleição.

A lista de Delegados ao Congresso Federativo que a candidatura apresenta-se igualmente sob a designação Lista B – “Um Outro Caminho. Uma Federação para Todos”.

A candidatura anunciou também a constituição da sua equipa de mandatários, entre os quais Maria Torcato Ribeiro, conhecida por “Mariazinha”, como Mandatária para as Mulheres.

Citado no comunicado, Sérgio Castro Rocha reafirmou o seu compromisso com uma liderança agregadora, mobilizadora e aberta à participação de todos os militantes, assente na ética, na proximidade, no respeito pelas estruturas partidárias e na valorização do trabalho coletivo.

“Com uma visão de futuro para o Partido Socialista no distrito de Braga, assume o compromisso de colocar a sua competência, experiência, conhecimento e sentido ético ao serviço da construção de uma Federação mais forte, mais unida e mais próxima dos militantes, onde todas as concelhias contam, todos têm voz e ninguém fica para trás”, refere o comunicado.

As eleições para a Distrital de Braga do PS realizam-se no próximo dia 20 de junho.

Ricardo Costa, vereador da Câmara de Guimarães, também é candidato.

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Transição energética, o contributo a nível local

VTM

No passado dia 27 de maio, a RTP apresentou um muito interessante programa – o Episódio nº 3 do Grande Debate – exatamente, sobre esta problemática. Vários especialistas em presença, nomeadamente, dois ex-responsáveis governativos pelas questões da energia – Nuno Ribeiro da Silva e João Galamba. Integravam, ainda, o painel pessoas da área empresarial ou da investigação, claramente competentes. Dois dias depois, pude ler na newsletter “The European Correspondent” um trabalho sobre a crise energética e a sua resolução a nível local. Deve notar-se que esta newsletter, fundada por Julius Fintelman em 2022, é feita por jornalistas de toda a Europa que tratam temas das suas regiões com interesse não só para Bruxelas, mas para todo o continente, designadamente, na área da política, economia e cultura, e procuram fazê-lo de modo independente. Este trabalho trata a crise energética e a sua resolução a nível local. Por isso mesmo me despertou especial interesse.

Começa por apresentar o desafio: «será que a sua cidade está a fazer o suficiente para garantir energia segura?» E afirma que «os municípios podem fornecer energia limpa, local e acessível durante e após uma crise.» Apresenta três exemplos de municípios europeus que desenvolvem uma especial atividade procurando respostas para alcançar esse objetivo: Guimarães, Malaunay, no norte da França e Valencia, em Espanha. De Guimarães destaca o ser no presente ano Capital Verde Europeia e algumas atividades que envolvem os habitantes locais bem como o desenvolvimento de uma comunidade energética destinada a abastecer edifícios públicos e residenciais; de Malaunay realça a produção de energia com painéis solares nos edifícios do município e a expansão para edifícios privados criando comunidades energéticas; em Valência, as autoridades oferecem os telhados do município a organizações de cidadãos que produzem energia para si, comprometendo-se a ceder 10% ao município e a 5% a famílias vulneráveis ​​identificadas pelos serviços sociais locais para ajudar a reduzir seus custos com eletricidade. Experiências bem interessantes.

Por cá conheço um caso que tem tanto de inovador como de frustrante. Exatamente, no âmbito do programa INOVAR+2.0. Foi a tentativa de criar numa aldeia um bairro solar. Algo de semelhante ao que acontece em Malaunay. Um morador dispunha-se a distribuir o excedente da sua produção em painéis fotovoltaicos pelos vizinhos. A E-Redes criou problemas. E as expetativas goraram-se. Frustração, pois!

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