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Associação Bino cria guia de apoio para famílias neurodivergentes

Depois de apoiar crianças através do projeto “ParaKarate Inclusão”, Albino Sousa, presidente da Associação Bino Academia Desportiva Inclusiva e mestre de karaté há mais de 18 anos, decidiu alargar a sua intervenção para fora do dojo. Inspirado pela própria experiência enquanto pai e pelo contacto próximo com famílias de crianças neurodivergentes, lançou um guia prático que reúne direitos, benefícios e medidas disponíveis em Portugal para crianças neurodivergentes e com síndrome de Down.

O documento, pensado para pais e cuidadores, procura simplificar um processo que muitas famílias descrevem como “confuso”, burocrático e emocionalmente desgastante, sobretudo após um diagnóstico ou perante as primeiras suspeitas de alterações no desenvolvimento infantil.

A publicação, intitulada “Guia de Direitos e Apoios para Crianças e Jovens com Deficiência”, reúne informação sobre prestações como o Abono de Família, Bonificação por Deficiência, Prestação Social para a Inclusão (PSI), Subsídio de Educação Especial, Subsídio por Assistência de Terceira Pessoa e ainda o acesso ao Atestado Médico de Incapacidade Multiuso (AMIM).

Além de explicar os direitos existentes, o guia alerta também para a importância da ordem dos pedidos, já que algumas candidaturas podem influenciar o acesso a outros benefícios. O objetivo passa por evitar que famílias percam apoios sociais por desconhecimento ou falta de orientação.

A iniciativa surge na sequência do trabalho desenvolvido por Albino Sousa no ParaKaraté, projeto ligado à inclusão através do desporto que o colocou em contacto próximo com crianças neurodivergentes e respetivas famílias. No entanto, foi a experiência pessoal recente que acabou por acelerar a criação do guia.

“Em março de 2025 estávamos no início de um percurso muito intenso a nível emocional e de decisões. E digo ‘estávamos’ porque vivi tudo lado a lado com a minha esposa. Quando descobrimos a condição do nosso bebé, percebemos rapidamente que, apesar do enorme esforço e boa vontade das equipas médicas, muitas vezes não existia informação clara sobre os recursos disponíveis e os passos a seguir”, explicou Albino Sousa.

Segundo o responsável, uma das maiores dificuldades foi precisamente navegar entre processos e medidas muitas vezes desconhecidas até pelos próprios serviços.

“O próprio gabinete de apoio do Hospital de Faro chegou a contactar-nos porque sabia que o nosso bebé iria ser avaliado numa junta médica da Segurança Social para atribuição, ou não, da bonificação. Pediram-nos depois que partilhássemos o resultado, porque tinham conhecimento de um caso semelhante em Portimão em que esse benefício tinha sido recusado a outra bebé”, contou.

Ao longo do processo, Albino admite que houve momentos de frustração e desorientação: “Sentimos também muitas dificuldades no acesso à informação. Em vários momentos tivemos a sensação de que até os próprios serviços de atendimento da Segurança Social desconheciam determinados direitos. Foi aí que nasceu a vontade de criar algo que pudesse realmente ajudar outras famílias como a nossa.”

Foi precisamente dessa necessidade que nasceu a ideia do guia: “Lembro-me perfeitamente de um dia, enquanto esperávamos por mais uma consulta, em que comecei a pesquisar informação online. Encontrei muitos conteúdos úteis, mas quase sempre dispersos, difíceis de compreender ou acessíveis apenas após pesquisas demoradas. Nesse momento pensei: ‘Tenho de transformar isto em algo simples, prático e direto, que qualquer família consiga consultar facilmente.’”

Para Albino Sousa, o principal objetivo passa por aliviar o peso sentido por muitas famílias após um diagnóstico: “Quando uma família recebe uma notícia destas, já tem preocupações emocionais, médicas e pessoais mais do que suficientes. Não deveria ter de travar uma luta adicional para perceber a que apoios tem acesso ou por onde começar.”

Mais do que informação técnica, o autor espera que o guia consiga transmitir proximidade e esperança: “Gostava que, ao lerem o guia pela primeira vez, as famílias sentissem sobretudo duas coisas: que não estão sozinhas e que existe um caminho possível. Mesmo no meio da incerteza, é importante sentir que há alguém que já passou por isso e que está disposto a ajudar.”

Apesar de recente, a partilha do guia já começou a gerar reações emocionais entre famílias: “Recebi uma mensagem que me marcou muito. Dizia apenas: ‘Muito obrigado pela partilha. Para uns pode parecer insignificante, mas para nós fez a diferença.’ Foi uma frase simples, mas teve um impacto enorme em mim. Porque no fundo é exatamente esse o objetivo: fazer a diferença, mesmo que seja de forma pequena, na vida de uma família que naquele momento precisa de orientação ou apenas de sentir que alguém compreende aquilo que está a viver.”

Albino Sousa refere ainda que essa visão está diretamente ligada ao lema da associação que criou recentemente: “Continua sendo diferente. Isso é o que te torna genial.”

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Le zone rosse sono un’illusione: dietro la promessa di maggior sicurezza, si nasconde qualcosa di molto diverso

Le cosiddette Zone Rosse rappresentano una delle più grandi illusioni prodotte oggi in materia di sicurezza. Dietro un’espressione che richiama rigore e spazi interdetti si nasconde qualcosa di molto diverso da ciò che quel termine ha sempre significato. Nel linguaggio tecnico dell’ordine pubblico, la Zona Rossa indica l’applicazione operativa di una previsione di legge avente carattere eccezionale e temporaneo: la protezione dei luoghi che ospitano vertici internazionali o manifestazioni ad alto rischio, attraverso la materiale delimitazione delle aree sottoposte a controllo con varchi e filtraggi per il tempo strettamente necessario e non oltre.

Oggi le nuove zone rosse, così chiamate da direttive ministeriali esplicative del recente decreto sicurezza, indicano altro: porzioni di città da sottoporre a “vigilanza rafforzata”, con possibilità di adottare ordini di allontanamento e Daspo urbani, asseritamente intrapresi per ripristinare la legalità in quel territorio. Non viene spiegato, tuttavia, in che modo o con quali risorse sarebbe assicurato il potenziamento auspicato, atteso che esso verrebbe di norma garantito con risorse già impiegate in altri contesti.

Il problema nasce proprio qui: chiamare con lo stesso nome due strumenti che non hanno quasi nulla in comune, alimentando l’illusione di una sicurezza che esiste più nella comunicazione che nella realtà. Chi ha fatto davvero polizia sulle strade sa bene quanto queste misure incidano poco o nulla sui fenomeni che dichiarano di voler contrastare. Molti avevano creduto che una politica che aveva fatto della sicurezza la propria bandiera avrebbe finalmente affrontato il problema in modo strutturale. Invece, dietro slogan, decreti e annunci, i risultati sono quelli di molta rappresentazione e poca capacità di incidere sulla vita reale delle città.

Degrado e illegalità non si combattono disegnando perimetri simbolici ma governando ciò che accade dentro e intorno, soprattutto nelle periferie, che non possono più essere considerate semplici dormitori da sottoporre solo a cicliche operazioni di polizia ma diventare invece luoghi vissuti, con scuole aperte, impianti sportivi accessibili, centri culturali, occasioni di incontro e socializzazione. Una piazza piena di vita è il primo e più efficace presidio di sicurezza: dove c’è vita arretrano delinquenza e paura.

Perché i territori non si amministrano con gli evidenziatori sulle mappe ma con la presenza dello Stato, che deve dimostrare di essere in grado di rendere effettive le regole che impone. Ciò accade solo se sicurezza e certezza del diritto sono considerate parti dello stesso sistema, tale da garantire una reale presenza delle forze di polizia e processi rapidi per chi delinque, grazie a strutture giudiziarie efficienti e organici adeguati.

È qui che emerge la contraddizione. Nell’opinione pubblica è alimentata l’idea di una svolta securitaria che, invece, esiste soltanto nella sua rappresentazione. E le zone rosse diventano così il simbolo di una fermezza più proclamata che praticata.

Qualche sera fa, in una via del centro della mia città (che potrebbe essere una qualunque città italiana), tra famiglie, ragazzi e locali affollati, era percepibile un inequivocabile odore di hashish. Non in una periferia dimenticata ma nel cuore della stessa, peraltro già dichiarata zona rossa con tanto di roboante comunicazione, senza che fosse visibile una divisa ma solo una diffusa percezione di precarietà.

È da qui che bisognerebbe partire. La sicurezza nasce quando un cittadino vede lo Stato prima di tutto, quando il degrado viene contrastato prima che diventi normalità, quando si vedono strade pulite e frequentate, negozi aperti, parchi curati, illuminazione funzionante, residenti che non hanno timore di vivere il proprio quartiere e forze di polizia che controllano. È lì che si costruiscono legalità e sicurezza attraverso una strategia politica seria e di lungo periodo.

Invece le cronache raccontano la stessa storia in tutta Italia. Zone rosse, degrado e violenza che non arretrano, nuove aree e continue proroghe di quelle esistenti. Nessun vero miglioramento sostanziale: al massimo lo spostamento dei problemi di qualche centinaio di metri. È evidente, allora, che il problema non è la durata della misura ma la sua efficacia. Ecco perché, non solo per me che ho vissuto la sicurezza sul campo per una vita, le zone rosse appaiono solo un inganno: quello che pretende di costruire sicurezza colorando una cartina e sostituendo la realtà con una rappresentazione artefatta.

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