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Subida das taxas de juro “não era absolutamente necessária”, diz ministro das Finanças

O ministro das Finanças considerou hoje que a subida das taxas de juro anunciada pelo Banco Central Europeu devido às pressões inflacionistas da guerra no Médio Oriente “não era absolutamente necessária”, sendo uma “crise diferente da de 2022”.

“Naturalmente há uma preocupação do Banco Central Europeu [BCE]. O BCE, que teve uma ação muito importante em 2022 [na anterior crise energética], entendeu dar este primeiro sinal ao mercado, mas veremos nos próximos meses. Eu mantenho a minha opinião de que podia não ter dado este sinal e não era absolutamente necessário, mas respeito naturalmente o mandato e a independência do BCE”, disse Joaquim Miranda Sarmento.

Falando aos jornalistas portugueses no Luxemburgo, à chegada para a reunião do Eurogrupo, o governante apontou que “esta é uma crise diferente de 2022”, que foi causada pela invasão russa da Ucrânia e que levou a máximos da inflação.

“O Banco Central Europeu, em todo caso, decidiu subir as taxas de juros, mas estamos numa situação muito diferente, quer do ponto de vista da inflação, quer do ponto de vista das taxas de juros do Banco Central”, adiantou o ministro das Finanças.

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BCE deve subir juros como "tiro de aviso" contra a inflação

Primeira subida de juros em três anos deverá ser de 25 pontos-base. Intenção é sinalizar que BCE não irá tolerar que se forme uma escalada súbita da inflação, como aconteceu em 2022.

© CHRISTOPHE PETIT TESSON/EPA

Christine Lagarde sucedeu a Mario Draghi na liderança do BCE
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BCE deve subir juros como "tiro de aviso" contra a inflação

Primeira subida de juros em três anos deverá ser de 25 pontos-base. Intenção é sinalizar que BCE não irá tolerar que se forme uma escalada súbita da inflação, como aconteceu em 2022.

© CHRISTOPHE PETIT TESSON/EPA

Christine Lagarde sucedeu a Mario Draghi na liderança do BCE
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Banco Central Europeu deverá aumentar taxas de juro

Michael Krautzberger, diretor de Investimento Global de Mercados Públicos, Allianz GI, antecipou, numa nota de análise, que o BCE deve subir a taxa de juro diretora em 25 pontos-base, para os 2,25%, em linha com as orientações que tem dado desde março.

“A restrição monetária continua a justificar-se: uma sucessão de choques na oferta mantém a inflação acima do objetivo, e o BCE está empenhado em evitar a repetição do cenário pós-Covid, em que o atraso na adoção de medidas acabou por exigir aumentos de juros mais agressivos”, explicou.

O analista sinalizou ainda que é provável que a presidente do BCE, Christine Lagarde, mantenha a porta aberta a subidas adicionais, com um aumento final de 25 pontos-base em setembro, enquanto em julho a possibilidade de uma subida dependa de uma deterioração adicional significativa das perspetivas de inflação.

Para Martin Wolburg, o aumento da taxa de juro em junho “serviria principalmente para preservar a credibilidade anti-inflacionista do BCE e ajudar a ancorar as expectativas”.

Ainda assim, com as esperanças de um acordo de paz no conflito com o Irão a dissiparem-se novamente e os riscos de estagflação a manterem-se elevados, “é provável que a presidente Lagarde queira manter a porta aberta para um maior aperto monetário, se necessário”, notou.

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