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Lil Nas X fala sobre diagnóstico: “Negro, gay e bipolar?”

O cantor Lil Nas X, 27, falou em vídeo nas redes sociais sobre sua jornada de saúde mental, após ter sido diagnosticado com transtorno bipolar. Nesta quarta-feira (17), o artista revelou que sua ausência dos palcos se deve à reabilitação e que, após o início do tratamento, passou um tempo em Atlanta, na Geórgia, EUA, com família e amigos.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o artista contou que lutou contra o quadro de saúde. “Quando recebi o diagnóstico de transtorno bipolar, senti que já sabia disso há alguns anos, mas não queria admitir porque não queria ter que tomar remédios e que as pessoas pensassem diferente de mim”, confessou.

“Eu já sou negro e gay, tipo, caramba, meu Deus. Fala sério, negro, gay e bipolar? Estou vivendo a vida no modo extremamente difícil”, completou.

“Estive em reabilitação por alguns meses e, desde então, estou tentando me reconectar com a realidade e sair da minha própria cabeça”, contou ele. “Agora tenho um terapeuta e um psiquiatra, o que tem sido muito útil desde que recebi o diagnóstico de transtorno bipolar.”

O transtorno bipolar é um distúrbio psiquiátrico que causa alterações severas no humor, na energia e no nível de atividade. De acordo com o MSD Saúde, existem quatro tipos básicos do transtorno, caracterizados por períodos de euforia e hiperatividade, conhecidos como episódios maníacos. Ele afeta cerca de 2% da população dos Estados Unidos em algum grau.

No vídeo, Nas — cujo nome verdadeiro é Montero Hill — compartilhou que, após o tratamento, está muito melhor e agradeceu aos fãs e amigos pelo suporte: “Estou melhor, me sentindo melhor. Estou criando livremente e com menos medo no coração. Estou curtindo a vida, cara. Já faz sete anos que faço música”, disse ele, acrescentando que tem novos projetos a caminho.

Os problemas de saúde mental de Nas vieram à tona em agosto de 2025, após sua prisão e acusação de crimes. Ele havia sido preso depois de ser encontrado andando de cueca e botas de caubói em via pública, supostamente sob influência de drogas.

Na época, Lil Nas X foi acusado formalmente de quatro crimes, sendo três por agressão com lesão corporal contra um policial e um por resistência à prisão. No mês seguinte, o vencedor do Grammy internou-se em uma clínica de reabilitação.

Pessoas com transtorno bipolar vivem menos?

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Ordem recebe até seis queixas por mês por conflitos

Em 2025, foram registados 3.429 episódios de violência, dos quais 730 ao nível físico. Médicos queixam-se de assédios prolongados, "humilhações e desvalorização" que levam a "burnout" e depressões.

© ESTELA SILVA/LUSA

A Ordem dos Médicos recebe por mês entre quatro e seis queixas relacionadas com questões laborais
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Ordem recebe até seis queixas por mês por conflitos

Em 2025, foram registados 3.429 episódios de violência, dos quais 730 ao nível físico. Médicos queixam-se de assédios prolongados, "humilhações e desvalorização" que levam a "burnout" e depressões.

© ESTELA SILVA/LUSA

A Ordem dos Médicos recebe por mês entre quatro e seis queixas relacionadas com questões laborais
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“Aparência, dinheiro e status”: o que realmente importa no relacionamento

Considere o empresário experiente e viajante do mundo que afirma preencher os requisitos de “mais de 1,80 m” e “mais de 1,80 m de renda”. Ou o CEO em busca de uma musa inspiradora para compartilhar “aventuras internacionais” e um “estilo de vida selecionado”. E ainda tem o cara na foto, ao volante de um conversível azul, que insiste ser “menos babaca do que aparento”.

Ao percorrer os perfis de sites de relacionamento, você encontrará publicações que destacam três qualidades específicas repetidamente: “aparência, dinheiro e status” — ou ADS para quem está por dentro da linguagem moderna dos encontros.

Claro, destacar as funcionalidades podem fazer com que mais pessoas deem “match”, mas se você busca um relacionamento duradouro, essa mesma estratégia pode te deixar sozinho(a).

A atratividade física, a segurança financeira e o status social podem impressionar as pessoas inicialmente, gerando atração e interesse sexual a curto prazo. Mas, em última análise, estudos mostram que esses fatores criam distância em vez de proximidade e podem impedir uma conexão verdadeira.

Muitos americanos acreditam que, se fossem mais ricos, mais realizados ou mais bonitos, se sentiriam mais amados, explicam a especialista em felicidade Sonja Lyubomirsky e o pesquisador de relacionamentos Harry Reis.

A ciência conta uma história diferente.

Em vez de tentar impressionar, busque ser conhecido, incentivam os autores em seu livro recente, “Como se Sentir Amado: As Cinco Mentalidades que lhe Conquistam Mais daquilo que Mais Importa”. Lyubomirsky, um distinto professor de psicologia da Universidade da Califórnia, Riverside, e Reis, professor de psicologia da Universidade de Rochester, em Nova York, oferecem estratégias baseadas em evidências para forjar laços significativos e amorosos — conexões de qualidade que, segundo estudos, têm impacto tanto na saúde quanto na doença.

Em pé de igualdade com comida e água.

Muito mais do que um mero luxo, uma conexão amorosa é um requisito essencial para o bem-estar.

Isso porque os humanos são uma espécie social. Nossos cérebros mamíferos codificam o sentimento de não ser amado como uma ameaça à sobrevivência. Como as raízes do sentimento de ser amado estão profundamente enraizadas nas partes mais antigas do cérebro, Lyubomirsky e Reis levantam a hipótese em seu livro de que “os humanos não teriam sobrevivido como espécie sem o sentimento de ser amado”.

Décadas de evidências que demonstram o papel crucial da conexão social para a saúde mental e física reforçam esse ponto. E a influência que os relacionamentos, tanto românticos quanto platônicos, exercem ao longo da vida de uma pessoa levanta preocupações sobre o atual declínio da saúde social.

Custos das conexões perdidas

“A conexão é tão essencial quanto comida e água”, escreveu Kasley Killam em seu livro “A Arte e a Ciência da Conexão : Por que a Saúde Social é a Chave que Faltava para Viver Mais, com Mais Saúde e Mais Felicidade”.

“Nos últimos 30 anos, a porcentagem de americanos com 10 ou mais amigos próximos caiu 20%”, explicou Killam. No entanto, os americanos anseiam por maior proximidade.

Embora mais de 75% dos participantes do Projeto Amizade Americana de 2024 tenham afirmado estar satisfeitos com o número de amigos que tinham, mais de 40% sentiam que não eram tão próximos de seus amigos quanto gostariam. Sentir falta de conexão é extremamente perigoso, segundo Killam. Isso aumenta o risco de acidente vascular cerebraldemência e morte prematura.

Mitos como obstáculos a esse sentimento de amor

Se os riscos são tão altos — e os benefícios tão poderosos — por que não somos melhores em criar e manter esse sentimento de amor? Porque ficamos presos a crenças equivocadas sobre o que exatamente nos trará o amor de que precisamos, disseram Lyubomirsky e Reis.

Eles apontam para cinco mitos centrais que interferem na sensação de ser amado:

  • Se ao menos eu fosse mais atraente, poderoso ou bem-sucedido
  • Se ao menos eu pudesse garantir que os outros conhecessem minhas qualidades positivas e meus sucessos!
  • Se ao menos eu pudesse esconder minhas falhas
  • Se ao menos meu parceiro pudesse falar a minha língua do amor
  • Se ao menos eu conseguisse fazer meu parceiro me amar mais

Descobriu-se que o sentimento de ser amado não vem de mudarmos a nós mesmos ou aos outros. Em vez disso, pesquisas mostram que ele vem de mudarmos nossas conversas.

O impacto do amor em uma conversa franca.

Para dar e receber mais amor, Lyubomirsky e Reis aconselham aprimorar sua abordagem à comunicação com estas estratégias:

  • Escute para aprender. Da próxima vez que estiver em uma conversa, em vez de esperar para responder, silencie sua voz interior e escute como se sua única tarefa fosse compreender. Pergunte a si mesmo: Como é estar no lugar deles agora?

Experimente isto: Ouça sem interromper. Concorde com a cabeça, reflita, faça uma pergunta complementar e evite dar conselhos a menos que seja solicitado. Simplesmente mostre à outra pessoa que ela é importante.

  • Demonstre curiosidade genuína fazendo perguntas melhores. Vá além de um simples “Como foi seu dia?” com convites para compartilhar, como estes: “O que aconteceu esta semana que te fez refletir?” ou “O que as pessoas geralmente não entendem sobre você?”.

Experimente isto: faça uma pergunta que você nunca fez antes, por exemplo: “Sobre o que você mudou de ideia?” Depois, ouça.

  • Compartilhe partes importantes de si mesmo, não tudo de uma vez, mas gradualmente. Você não precisa revelar seus segredos mais profundos imediatamente; comece aos poucos.

Experimente isto: em vez de dizer “Estou bem”, ofereça algo real, como “Estou nervoso(a) com a apresentação de amanhã” ou “Estou com dificuldades hoje”.

  • Compartilhe carinho e gentileza. Demonstre que se importa com o bem-estar do outro oferecendo um sorriso acolhedor, um tom de voz suave, uma rápida mensagem de texto ou uma mensagem atenciosa.

Experimente isto: partilhe um elogio sincero que normalmente guardaria para si. Pequenos gestos de gentileza que deixam transparecer a sua bondade fazem toda a diferença.

  • Demonstre compaixão sem julgamentos. Abra as portas para a empatia oferecendo compreensão e substituindo rótulos por perguntas. Em vez de “Eles são egoístas”, pergunte-se: “Que fardo eles estão carregando agora que pode estar motivando esse comportamento?”

Experimente isto: amplie a perspectiva. Em vez de definir uma pessoa por um momento ruim, considere as circunstâncias atenuantes. Ela pode estar cansada, estressada, de luto ou com medo — em outras palavras, humana. Parta do princípio de que você pode não conhecer toda a história.

Essas abordagens também funcionam em relacionamentos de longo prazo. Muitas vezes achamos que conhecemos nossos parceiros por completo, mas essa falsa suposição pode nos impedir de fazer as perguntas curiosas que podem fomentar uma conexão real. Lembre-se de que você não sabe tudo sobre a outra pessoa e considere fazer perguntas que possam gerar respostas surpreendentes.

O problema não é o excesso de informação, mas sim o excesso de informação.

Outra ideia equivocada que impede o sentimento de ser amado é a presunção de que fazer perguntas parecerá intrometido. Na verdade, a maioria das pessoas, quando abordadas respeitosamente e com genuína curiosidade, aprecia a oportunidade de compartilhar algo sobre si mesmas com os outros.

Da mesma forma, embora a maioria de nós se preocupe em compartilhar TMI (informação em excesso), pesquisas mostram que o verdadeiro problema surge, com mais frequência, da TLI (informação insuficiente).

A autorrevelação está entre as ferramentas mais subestimadas para construir confiança, conexão e influência, argumenta a cientista da tomada de decisões Leslie John em seu livro ” Revealing: The Underrated Power of Oversharing ” (Revelando: O Poder Subestimado do Compartilhamento Excessivo). Ela vê a revelação como um investimento — um “risco a serviço da confiança”. Mostrar vulnerabilidade é “uma das maneiras mais antigas e belamente humanas de construirmos conexão”, escreveu John.

Seja em contextos pessoais ou profissionais, e mesmo quando parece imprudente, revelar mais sobre si mesmo pode ser uma ferramenta interpessoal poderosa. Isso até nos cura, “emocionalmente, mentalmente e fisicamente”, explicou John, citando estudos que mostram que compartilhar pode fortalecer o sistema imunológico, reduzir a depressão e até acelerar a recuperação.

Pense em diálogo, não em monólogo.

Se compartilhar é tão eficaz para unir as pessoas, por que, quando confrontadas com um interminável monólogo de autorrevelação, tantas sentem vontade de fugir? Não é de surpreender que o excesso de compartilhamento unilateral careça do ritmo de reciprocidade que ajuda as pessoas a se sentirem mais próximas.

Compartilhar com habilidade, de maneiras que promovam a conexão, nem sempre é fácil, insistem Lyubomirsky e Reis. O sucesso requer sintonia mútua entre os indivíduos, quando “a interação flui suavemente, aprofundando o vínculo entre eles à medida que coordenam seus passos”.

Mesmo que alguns tropeços e erros sejam inevitáveis ​​na prática desse tipo de comunicação, desenvolver conexões profundas é importante demais para não tentar.

Ao se tornar um ouvinte ativo e encorajador, você demonstra que reconhece a humanidade da outra pessoa e deseja que ela seja feliz. Mostrar amor, concedendo esse tipo de atenção, ajuda a fortalecer suas crenças, seus valores e até mesmo sua autoestima. Esse é o tipo de amor que tem maior probabilidade de ser retribuído.

Não é à toa que alguns juram que as três palavras mais irresistíveis da língua inglesa são: “Conte-me mais”.

Procurando mais amor? Faça este teste, desenvolvido por Lyubomirsky para os leitores de “Como se Sentir Amado”, para descobrir quais abordagens tornam isso mais fácil ou mais difícil para você.

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Pais estão monitorando os filhos adultos. Atitude é realmente segura?

O rastreamento da localização por smartphone pode ajudar os pais a terem um pouco de tranquilidade em relação ao paradeiro de seus filhos menores de idade — e algumas famílias podem até tornar seu uso obrigatório para seus filhos.

Mas e quanto aos pais que monitoram seus filhos adultos? Isso está aliviando as preocupações dos pais ou causando ainda mais angústia?

Mais da metade dos pais monitoram seus filhos adultos usando tecnologia digital, segundo uma nova pesquisa publicada pelo Hospital Infantil CS Mott da Universidade de Michigan, em Ann Arbor.

De acordo com a pesquisa, quase 25% dos pais que monitoram seus filhos adultos disseram que o acompanhamento às vezes pode aumentar suas apreensões em vez de tranquilizá-los.

“Esse tipo de monitoramento pode alimentar e causar ansiedade nos pais, porque quando você só tem um dado, seu cérebro precisa preencher o resto”, disse a colaboradora da CNN, Kara Alaimo, professora de comunicação na Universidade Fairleigh Dickinson, em Nova Jersey, que não participou da pesquisa. “Você precisa fazer suposições e tirar conclusões precipitadas, que podem ou não ser precisas.”

Aproximadamente 68% dos pais disseram que usavam o rastreamento para aliviar suas próprias preocupações, 64% disseram que o utilizavam em caso de emergências e 17% disseram que era para garantir que seu filho — legalmente um adulto — estivesse em um local que considerassem seguro.

Sarah Clark, pesquisadora científica da Universidade de Michigan e codiretora da pesquisa Mott, afirmou que, em sua opinião, nenhum dos motivos justificava o monitoramento de filhos adultos. Sem comunicação clara e limites definidos, Clark disse que o monitoramento remoto poderia não apenas prejudicar o relacionamento entre pais e filhos, mas também impedir o desenvolvimento do pensamento crítico e independente em jovens adultos.

“Não estou sugerindo que todo rastreamento de localização seja ruim, mas pode facilmente entrar em um território problemático quando os pais se intrometem na vida dos filhos”, disse Clark.

Monitorar filhos adultos em relação à percepção de segurança.

Os dois motivos mais comuns relatados para o rastreamento — tranquilidade e em caso de emergências — destacam a importância da segurança para os pais. A nova pesquisa incluiu respostas de mais de 1.500 pais com pelo menos um filho entre 18 e 25 anos.

Ainda assim, Clark e Alaimo alertaram os pais para não superestimarem sua capacidade de garantir a segurança dos filhos à distância. Embora possa ser tentador sentir-se seguro sabendo onde estão os filhos adultos, isso pode gerar uma falsa sensação de segurança.

“Só porque você está rastreando alguém não significa que você entende a situação e está lá para intervir”, disse Clark.

Além disso, a criação superprotetora não ensina as crianças a serem autônomas e independentes, disse Alaimo.

“Acredito que ensinar os jovens adultos a tomar decisões responsáveis ​​por si mesmos os tornaria muito mais seguros”, disse Alaimo. “Do contrário, depois de tomarem uma decisão terrível, saber onde estão não necessariamente resolverá o problema.”

Em vez disso, Alaimo sugeriu acompanhar as crianças durante o ensino fundamental e médio para oferecer apoio e garantir sua segurança quando elas começam a conquistar alguma independência.

Iniciar conversas

Quase todos os participantes da pesquisa disseram que seus filhos estavam cientes de seu rastreamento, mas apenas metade dos pais afirmou que o rastreamento era opcional.

Clark apontou a transição entre a infância e a idade adulta como um momento em que as famílias devem discutir se o monitoramento de localização obrigatório ainda é apropriado.

“A falta de diálogo realmente me incomoda. Não é que as crianças não soubessem, mas simplesmente não tiveram participação na definição de como isso seria”, disse Clark.

O rastreamento de localização pode ser benéfico, disseram especialistas. Mas os pais devem ser transparentes sobre essas preocupações e construir confiança com seus filhos, enfatizaram Clark e Alaimo.

Segundo Alaimo, o monitoramento é útil quando uma filha sai para um primeiro encontro ou quando uma criança visita um lugar novo. Incentivar seu filho a compartilhar sua localização com um amigo de confiança também pode ser uma boa alternativa.

O rastreamento não deve ser a única precaução de segurança tomada.

“Nessa idade, já deveríamos ter ensinado os jovens adultos a reconhecer quando as situações podem se tornar perigosas e a evitá-las completamente, em vez de depender dos pais para monitorá-los constantemente”, disse Alaimo.

Quando crianças pequenas, especialmente filhos adultos, não têm autonomia para tomar suas próprias decisões, isso pode prejudicar o relacionamento com os pais e contribuir para uma percepção de desconfiança, disse Clark.

Para iniciar essas conversas com seus filhos, Clark incentivou os pais a refletirem sobre sua própria criação. Numa época em que seus pais não tinham como monitorá-los, eles dependiam de contatos ocasionais para saber como estavam.

“Se o que os pais querem são contatos ocasionais dos filhos, isso pode ser negociado sem vigilância”, disse Clark. “Essa pode ser uma boa maneira para os filhos adultos dizerem: ‘Tudo bem, eu respondo às suas mensagens’.”

Alaimo pediu aos pais que tratassem seus filhos adultos como o que eles são — adultos.

“Como adultos, eles devem tomar decisões sobre se querem ou não ser vigiados, mas também porque isso ensina às nossas crianças que isso é de alguma forma normal”, disse Alaimo. “Esse tipo de monitoramento pode torná-los menos seguros e facilitar relacionamentos abusivos.”

Dar espaço para as crianças crescerem e aprenderem é extremamente benéfico, disse Clark, e é algo que os pais devem entender como necessário para a vida adulta.

“Eles não aprenderam a deixar ir e permitir que seus filhos tentem voar sozinhos. Isso inclui cometer erros, faltar às aulas ou chegar atrasado ao trabalho”, disse Clark. “Acho que os pais precisam ser honestos consigo mesmos sobre os motivos que os levam a fazer isso.”

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Já se sofria de burnout na era vitoriana. A solução era passar férias em França

Com a industrialização a todo o gás, o “excesso de trabalho” na era vitoriana era o equivalente ao atual burnout. Uma viagem a Menton, na Riviera Francesa, era recomendada como o melhor tratamento. O conceito de burnout parece totalmente moderno – surgido na nossa era de comunicação digital global e de longas jornadas de trabalho. Mas os vitorianos também tinham uma noção de burnout, a que chamavam “excesso de trabalho“. O médico vitoriano C.H.F. Routh, por exemplo, publicou “Sobre o Excesso de Trabalho e o Declínio Mental Prematuro: o seu Tratamento”, que teve quatro edições entre 1873 e 1888. Embora

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Ver o Mundial pode fazer bem à saúde, segundo a ciência

Várias pesquisas apontam benefícios de ver futebol, tanto presencialmente como na televisão, devido ao sentimento de pertença social que desperta. Ser fã de desporto, seja a ver jogos de futebol da primeira divisão, aos Jogos Olímpicos ou à sua equipa local favorita, pode ser uma montanha-russa de emoções. Alegria incrível quando se ganha, tristeza profunda quando se perde e muitos sentimentos stressantes pelo caminho. Felizmente, o impacto global deverá ser positivo, uma vez que a investigação mostra que as pessoas que assistem a desporto experimentam um maior bem-estar do que aquelas que não assistem – e que isso está provavelmente

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Uma crônica de dia dos namorados

O vídeo segue a praxe das redes sociais, em que é preciso capturar a atenção da audiência frenética em dois ou três segundos: começa com um meme. “POV: você resolve dormir às 20h30 porque não recebeu aquela mensagem” — e a imagem é de um jovem se revirando na cama. Corta a cena e o jovem, na verdade, é um “psi” — como tantos se autodenominam nesse universo que outrora pensamos que seria a ágora da idade pós-moderna e hoje é apenas uma mistura de propaganda, desinformação e manual de existência — que fala pra câmera e explica: a ansiedade de esperar “aquela” mensagem trata-se de “hipervigilância emocional”.

E reflete, listando outros sintomas dessa condição, como perda de apetite e dificuldade de concentração: será que o problema é não ter recebido a mensagem, ou será o medo que você sente de ter sido esquecido ou rejeitado? Você está vivendo num círculo vicioso, em que receber a tal mensagem gera alívio, e não recebê-la tira sua paz? Isso é hipervigilância emocional.

Tomando meu café amargo de todos os dias, sinto como se meus quarenta anos tivessem virado oitenta e respondo em voz cansada: “Não, jovem. O nome disso é estar apaixonado”. “É o velho amor ainda e sempre”, como cantou o mineirinho Samuel Rosa nos anos 1990. É “o que cantam os poetas mais delirantes” (Chico Buarque), “a coisa que machuca tanto”, nas palavras do Só Pra Contrariar. É o que fez chorar Noel Rosa e Álvares de Azevedo e o que fez Ângela Ro Ro pedir: “não chegue na hora marcada”. Porque se apaixonar, jovens, incomoda.

​A paixão é disruptiva e não combina com manter o foco nem com preservar a sua paz. Lembro de uma conversa que tive com uma amiga que, do alto dos seus 50 e alguns anos, estava lá, de novo, apaixonada. Sem fome, sem sono, queimando a comida, sorrindo pro celular. Sem saber se era correspondida na mesma medida — o eterno receio do apaixonado. Reclamou de tudo isso e, no fim, disse: “Mas o comichão é bom, né?”. E é. Aquilo que importamos do inglês e hoje chamamos de “borboletas no estômago”, aquele frio na barriga, aquela sensação que (quase) todo mundo sabe qual é (e quem não sabe, desejo do fundo do coração que chegue sua hora): é paixão. Mas me parece que tem muita gente querendo transformar em sintoma ou em condição. Apego ansioso. Dependência emocional. Hipervigilância. Etcetera.

​E eu sei que aqui devo fazer um disclaimer, mesmo um tanto a contragosto, não apenas porque não quero ser cancelada, mas também porque não quero magoar ninguém. É claro que existem condições e sintomas psíquicos que devem ser observados com cuidado. E sim, recomendo a todos que façam terapia e busquem o equilíbrio emocional. Mas a que me refiro nesse texto não é isso. O meu medo é que estejamos tentando aprisionar e medicalizar a paixão (“que dá dentro da gente e que não devia”), numa busca por uma suposta estabilidade emocional que me parece mais uma estratégia do capital para nos tornar cada vez mais obedientes consumidores e trabalhadores. Funcionais. E a paixão, meus caros, não é funcional.

​Por isso, ainda que tomando meu café amargo e sem grandes perspectivas para este Dia dos Namorados, peço aos jovens que escutem mais os conselhos de Paulinho da Viola (Ame, seja como for/ Sem medo de sofrer) e menos os dos coaches e psis da internet. Porque, como diria nossa eterna Marília Mendonça, “todo mundo vai sofrer”. Mas se não, que graça tem?

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Por que professores estão adoecendo em São Paulo?

“Chegava na esquina da escola onde trabalhava e sentia tonturas e dores no estômago. A pressão disparava e minhas pernas se recusavam a dar o próximo passo”, conta uma professora que é moradora do Conjunto Habitacional Sítio Conceição, em Cidade Tiradentes, no extremo leste de São Paulo.

Ela lecionou por 14 anos no ensino infantil em escolas públicas e particulares e que preferiu não se identificar por medo de represálias. Casos como esse estão longe de ser isolados.

Só na Grande São Paulo, foram registrados quase 37 mil casos de afastamento de professores por questões de saúde mental, entre janeiro de 2024 e setembro de 2025. Os dados se referem apenas à rede estadual e são o equivalente a 58 profissionais fora das salas de aula por dia, por causa desse desgaste.

As informações são da Diretoria de Perícias Médicas e foram obtidas pelo CPP (Centro do Professorado Paulista), por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação).

Correspondentes da Agência Mural de Embu das Artes e Itapecerica da Serra, da Grande São Paulo, Cidade Tiradentes, na zona leste, e Jardim São Luís, na zona sul de São Paulo, ouviram professores da rede pública sobre a situação.

Eles relatam jornadas diárias de 10 a 12 horas, baixos salários, violência física e moral, infraestrutura precária e cobrança excessiva por resultados estão entre os principais fatores que contribuem para o adoecimento de educadores nas periferias.

Professores no limite

“Quando eu me aproximava da escola, minha frequência cardíaca disparava”, relata o professor de educação física Sílvio Benedito, 60, morador do Jardim São Luís, na zona sul de São Paulo.

Ele atua há cerca de 22 anos na escola municipal Edvaldo dos Santos Dantas e foi diagnosticado, em 2024, com ansiedade e depressão, quadro associado à síndrome de burnout, ligada ao esgotamento físico e emocional provocado pelo trabalho.

Acordava já com o peso de saber que chegaria ali e encontraria tudo aquilo que me adoecia. Quando recebi o diagnóstico, fiquei assustado. Imagina: um professor de educação física com depressão
Silvio
Professor na zona sul de SP

Em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, a professora Talita da Silva Vitoriano Leal, 35, também enfrentou o adoecimento mental ligado ao trabalho.

Docente há 14 anos no município, precisou se afastar por 10 meses para tratar de dois problemas: um pólipo nas cordas vocais (são lesões que surgem nas pregas vocais semelhantes a pequenas bolhas ou tumores não benignos) e o TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada).

“Em 5 de agosto de 2024 perdi a voz, fiquei 45 dias totalmente afônica, não saía nada. Fui de atestado em atestado, no primeiro o médico me deu 10 dias, voltei a trabalhar, mas não consegui retomar as atividades porque a voz não saia”, conta.

Talita leciona nas escolas E.E. Dr. Honório Monteiro e EMEF Acácia e relata que a rotina em busca de tratamento não foi fácil, porque precisou fazer vários exames. Em outubro de 2024, ela encaminhou o pedido de readaptação para as secretarias municipal e estadual, mas só conseguiu no município.

Sala de aula do 2° ano do fundamental II, escola estadual Dr Honório Monteiro localizado no bairro Chácara Sonho Azul
Sala de aula do 2° ano do fundamental II, escola estadual Dr Honório Monteiro localizado no bairro Chácara Sonho Azul

Talita, ao retornar da licença, não imaginava que o corpo entraria em colapso com o ambiente escolar. “Não sei o que aconteceu, se eu saí correndo, se eu gritei ou passei mal. Só sei que acordei na secretaria, com os meus colegas me chamando, e já ligaram para o meu marido”, diz. Ali manifestou o transtorno de ansiedade.

Ao retornar ao colégio após sofrer a crise de ansiedade, a educadora detalha que ficou atônita ao faltar o ar, e outros sintomas como crises de choro.

Quando o sinal tocou ao retornar do intervalo, não cheguei nem na porta. Tive uma crise de pânico no meio do corredor
Talita
Educadora em Itapecerica da Serra

Na escola Acácia ela foi readaptada e assumiu as funções administrativas com a mesma carga horária e sem contato direto com alunos mas na escola EE Dr. Honório Monteiro suas funções eram as mesmas e a todo momento seu pesadelo diário em ter que continuar lecionando.

O processo de readaptação de professores é um direito garantido por lei para docentes que enfrentam restrições físicas ou mentais que os impedem de exercer suas funções habituais e assegura-se a manutenção da remuneração carga horária adequada, progressão na carreira e o direito à aposentadoria especial.

Sílvio, por sua vez, permaneceu seis meses longe das atividades após ser intimidado por uma pessoa em situação de rua que ocupava a quadra da escola durante uma das aulas. Ao retornar ao trabalho, os professores lembraram de enfrentar crises de ansiedade ainda nos primeiros dias.

“A escola era muito aberta. No fim de semana, muita gente usava o espaço como se fosse um clube. Tinha que recolher de tudo: desde preservativo até espetinho de churrasco”, conta Silvio.

“Sempre reclamava, mas diziam que ‘na periferia é assim mesmo’”, relembra. “Eu respondia que trabalho na periferia desde que me conheço por gente e sei que não precisa ser assim.”

Plataformas e pressão por desempenho

Moradora do bairro Jardim Pinheirinho, em Embu das Artes, na Grande São Paulo, a professora Angela Saraiva, 43, afirma que o comportamento dos alunos não é um problema, o que pesa mesmo é a intensa cobrança do governo do Estado de São Paulo.

Angela leciona para ensino fundamental 2 na Escola Estadual Maria Antonieta Martins de Almeida e conta que começou a desenvolver ansiedade após a perda dos pais em 2002.

Além de sintomas como insônia e palpitações, ela diz que tem sentido muita dor no corpo, o que, segundo o médico, pode ser fibromialgia.

A saúde mental da educadora foi ainda mais prejudicada com a pressão escolar, que se intensificou com a implementação de plataformas digitais de educação.

Uma delas é o Centro de Mídias SP, implementado em março de 2020. Com o isolamento social imposto pela pandemia da Covid-19, a iniciativa ofertou aulas remotas por meio de aplicativos e ferramentas de videoconferência com a finalidade de não impactar o desempenho dos alunos.

Porém, a Secretaria de Educação descontinuou a plataforma em 2025 e foi substituído pela ferramenta “Sala do Futuro”.

Angela afirma que incentiva o uso da plataforma digital em sala de aula, mas que precisa lidar com limitações de aprendizagem e dificuldades técnicas dos alunos fora da escola. “Tem uma boa parte que não faz porque não tem celular, alguns não tem internet em casa.” Mesmo assim, a cobrança tem sido em cima dos educadores.

A outra é a Secretaria Escolar Digital que contém um sistema de indicadores chamado “Farol do Desempenho”. É nele que são avaliados o desempenho dos professores e a gestão escolar, como frequência, formação e metas, em cumprimento do PDI (Plano de Desenvolvimento Individual).

De acordo com Angela, a escola está sempre no indicador vermelho, ou seja, rendimento insatisfatório. Com isso, o governo do estado intensifica a cobrança por melhores resultados.

Essa pressão leva a educadora a tirar licenças esporádicas e de curta duração, de no máximo 7 dias. Ela afirma que nem mesmo a falta de recursos básicos é pior do que a forma como ela e os colegas são tratados.

Angela cita o chamado “leilão de professores”, um termo usado pelos sindicatos e pela oposição à administração do atual Secretário de Educação, Renato Feder, que tem se concentrado em regras mais rígidas para a renovação dos contratos dos professores.

A Resolução SEDUC nº 08/2026 propõe a rescisão contratual de professores da categoria “O” que se ausentam do trabalho por 30 dias ou mais. O decreto também confere ao diretor da escola o poder de decidir sobre a continuidade do vínculo empregatício do professor.

A educadora pontua que a situação é complicada, mas que o fato dela ser efetivada permite que ela possa pegar atestados, enquanto um professor na categoria O não tem a mesma possibilidade. A categoria “O” envolve docentes contratados de forma temporária na rede estadual de ensino.

Não costumo pedir licença médica, mas agora sou obrigada a priorizar a minha saúde

Angela espera conseguir a licença não remunerada para não perder a carga horária de ensino e poder realizar outras atividades.

A educadora atua na profissão há 20 anos e afirma que não costumava pedir licença médica, mas agora é obrigada a priorizar a saúde.

Ela espera obter licença não remunerada para não perder a carga horária de ensino e ter a oportunidade de realizar outras atividades de forma mais flexível e saudável para sua rotina.

Segundo o Sindicato dos Professores de São Paulo, essa licença tem validade máxima de dois anos, e esse período de ausência não é contabilizado para a suspensão do tempo de serviço nem para qualquer outra finalidade, inclusive legal.

Violência em sala de aula

Trabalhando 12 horas por dia com crianças com idades de 0 a 6 anos, a professora citada no início desta reportagem, viveu uma situação traumática, em 2024, dentro de uma escola particular na Vila Mariana, zona sul de São Paulo.

Ela foi agredida por uma aluna que, de acordo com os educadores da instituição, era muito inteligente, mas sofria com problemas familiares. “O dia que apanhei pela primeira vez dessa menina, não esperava uma situação dessa. Foi do nada”, relembra.

A estudante mordeu os colegas e desferiu tapas e socos na profissional pelo fato de dizer não por três vezes para que ela não ficasse em pé durante uma tarefa em sala.

“Foi uma sequência de socos no meu rosto”, desabafa. “Enquanto gritava socorro para a minha colega da sala ao lado, os alunos pediram ajuda para a coordenadora”, relembra.

Para impedir as agressões, a educadora tomou a atitude de abraçar a aluna. No entanto, a mãe de outro aluno viu a situação e fez uma reclamação para direção achando que a agressão vinha da profissional. “A mãe não viu antes que fui chutada e mordida”, conta.

Depois do fato, a educadora conta que a pressão arterial chegou a 23 por 18, fora o desespero diante da possibilidade de perder o emprego. “Vou ser mandada embora por justa causa e por ser mulher preta, posso ser presa porque a menina é branca”, lamenta.

O que são CIDs?

CID é a sigla para Classificação Internacional de Doenças, sistema da Organização Mundial da Saúde (OMS) que padroniza diagnósticos médicos.

Na saúde mental, alguns dos CIDs mais frequentes são:

  • CID F41 – transtornos de ansiedade
  • CID F32 / F33 – depressão
  • CID Z73.0 – síndrome de burnout (relacionada ao trabalho)

Diferente de outros transtornos mentais, o burnout não é um diagnóstico clínico isolado, mas um quadro associado às condições de trabalho, que pode envolver sintomas registrados sob diferentes CIDs, como ansiedade e depressão.

Entre a naturalização da agressão e o burnout

Toda a situação foi flagrada pelas câmeras de segurança do colégio. E mesmo que as imagens provassem a atitude da profissional, o incidente, para a direção, deveria ser mantido em segredo.

“Eu vou apanhar, ser mordida? Estou me protegendo e protegendo os alunos e mesmo assim estou errada?”, disse ela surpresa à direção. “Sim, você está errada. Por ser uma escola particular e por ter câmeras, são eles [os pais] que pagam o seu salário”, disse a pessoa que estava na direção à época.

Ao longo de seis meses, a rotina dela se tornou insustentável. Além de lidar com os alunos, caso algum colega de trabalho faltasse, cobria outras turmas com alunos que tinham comportamentos semelhantes, o que fez a saúde dela piorar.

Cheguei a entregar 15 atestados porque todos os dias eu ia para o pronto-socorro porque sentia dores, ansiedade, não levantava mais da cama e sentia medo de ir sozinha
Educadora de Cidade Tiradentes

A ficha da educadora caiu quando a médica que a atendeu deu o diagnóstico de Síndrome de Burnout e a aconselhou que o trabalho estava lhe adoecendo.

“Não é uma coisa só de pronto-socorro. Você tem que procurar ajuda”, alerta a médica a educadora.

Com o acolhimento e orientações da médica, a professora tomou a decisão de pedir as contas, em junho de 2024, da unidade escolar. “Se eu não pedisse as contas talvez eu não chegaria até o final do ano. E se eu chegasse até o final do ano, eu não chegaria saudável”, conclui.

Como reconhecer o problema e pedir ajuda?

Especialista indica os pontos de atenção

  1. A psicóloga Keissy de Oliveira Silva explica que o adoecimento de professores está diretamente relacionado às condições de trabalho enfrentadas diariamente nas escolas. “Há uma cobrança para que o professor seja sempre resiliente e criativo, mesmo sem condições reais de trabalho. Quando esse desgaste vira rotina, o adoecimento se instala”, afirma.
  2. O primeiro passo é reconhecer que há um problema. Cansaço extremo, insônia, dores frequentes, irritabilidade, dificuldade de concentração, desânimo e sensação constante de esgotamento estão entre os principais sinais de alerta. Segundo ela, o corpo costuma dar sinais antes que a situação se torne insustentável.
  3. Para além da identificação individual, a especialista afirma que a escola também precisa se tornar um espaço de escuta — e não apenas de cobrança. Isso envolve rever práticas que adoecem os profissionais, criar espaços reais de diálogo, oferecer apoio psicológico e construir uma gestão mais humana, capaz de reconhecer limites e distribuir responsabilidades de forma mais justa.
  4. A psicóloga destaca ainda que muitas dessas questões ultrapassam a capacidade de ação das próprias escolas e estão ligadas a problemas estruturais, tanto da rede pública quanto das instituições privadas. “É fundamental que os professores sejam vistos como pessoas, com limites, subjetividades e direitos, e não como responsáveis por todas as falhas do sistema”, afirma. “Quando a comunidade escolar entende o professor como parceiro, e não como adversário, o fortalecimento é coletivo.”

Governo do estado

Em nota, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou que acompanha os indicadores de saúde dos servidores em parceria com a Diretoria de Perícias Médicas do Estado.

Segundo a pasta, 16.216 professores da rede estadual estavam em licença médica em 2025.

A secretaria também afirma que mantém ações voltadas à saúde mental dos educadores, como o programa “Programa Cuidar de Quem Educa”, que é um serviço de teleatendimento em psicologia e psiquiatria. De acordo com a Seduc, já foram realizados 875.424 atendimentos psicológicos e 52.599 teleconsultas psiquiátricas até janeiro de 2026.

O órgão informou ainda que 8.846 docentes estão atualmente readaptados na rede estadual. Os dados referem-se apenas ao sistema estadual de ensino.

A reportagem também procurou as prefeituras de Embu das Artes e Itapecerica da Serra, mas não obteve retorno até a publicação.

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