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Feira de São Pedro ao Parque Municipal de Exposições

VTM

De 27, 28 e 29 de junho e de 3, 4 e 5 de julho, o Parque Municipal de Exposições de Macedo de Cavaleiros volta a receber milhares de visitantes para celebrar aquilo que faz da Feira de São Pedro uma referência em Trás-os-Montes: a capacidade de unir negócios, tradição, cultura, gastronomia, animação e entretenimento num único espaço.

A componente empresarial surge este ano particularmente reforçada, com a presença de dezenas de empresas locais, regionais e nacionais, consolidando a Feira de São Pedro como a maior feira empresarial de Trás-os-Montes. Como grande novidade, será inaugurada uma nova área expositiva dedicada a empresas ligadas aos setores do turismo, hotelaria, restauração e atividades económicas complementares, reforçando a diversidade e a qualidade da oferta empresarial presente no certame.

A programação musical promete igualmente marcar esta edição, com nomes de grande destaque do panorama nacional e internacional, como Rui Veloso, Nininho Vaz Maia, MC Kevinho e ProfJam, sem esquecer a grande Noite dos 40 Anos da Rádio Onda Livre, os DJs da Rádio Comercial e da RFM, os momentos after hours e um dia inteiramente dedicado às famílias e às crianças com a presença da Masha e o Urso, Super Wings e My Little Pony.

A tudo isto juntam-se a gastronomia regional, a nova Praça da Alimentação inspirada nos Santos Populares, demonstrações empresariais, animação permanente e muitas surpresas preparadas para visitantes de todas as idades.

Mais do que uma feira, a Feira de São Pedro é um ponto de encontro de gerações, empresas, famílias e amigos. É uma celebração da nossa identidade, da nossa capacidade empreendedora e da vitalidade do nosso território.

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A ‘aldeia dos hobbits’ do Alto Minho só tem um habitante mas ainda se vai festejar o Santo António

Santo António, no alto de Val de Poldros, em Riba de Mouro (Monção), prepara-se para a festa. Este ano, o dia grande é já no sábado, dia 13, o mesmo em que se festeja por toda a Lisboa. 

Cá em cima, na ‘aldeia dos hobbits’, como é popularmente conhecida, o santo não perde poder de intercessão, mas mais do que casamenteiro ou namoradeiro, é advogado das coisas e causas perdidas. Desde o gado no monte às mais comezinhas – um baraço do carro de vacas ou uma enxada, perdida desde a sementeira –, vale tudo para apelar ao santo.

Agora, é momento de reflexão e de louvar. A um dia do início das celebrações, junto à capela, os homens da empresa de montagem de arcos e iluminação começam a levantar as estruturas. Na capela, João Alves, de 72 anos, mesário há quatro, natural de Riba de Mouro, garante que o templo está preparado para as celebrações que vão encher o espaço vernacular no sábado e domingo.

Este ano, os mesários – João Alves, João Alípio, José António e Cedric Pinto – providenciaram para que fosse comprada uma imagem de Nossa Senhora da Orada (padroeira dos Bombeiros e celebrada em Melgaço) de dimensões mais razoáveis para colocar no andor, “de 60 centímetros de altura”, avança João Alves.

A ‘aldeia dos hobbits’ do Alto Minho só tem um habitante mas ainda se vai festejar o Santo António
Foto: João Martinho / O MINHO

Durante muito tempo, fazia-se o clamor a Nossa Senhora da Orada. Foi colocada uma réplica na capela de Santo António (muito parecida com a de Melgaço, diga-se em reconhecimento do artista) há muitos anos, mas a imagem venerada exigia um esforço hercúleo aos homens que a levavam no andor, a cada dia de festa. A partir deste ano, a imagem que sai é a nova, mais leve e mais pequena, e as ‘joias’ deste altar da montanha permanecem no templo.

Limpo e de relva cortada, o espaço em torno da capela, emoldurado de um dos lados por uma fileira de quartéis onde os romeiros pernoitavam, assemelha-se a São João d’Arga pela rusticidade da moldura. Contudo, os conhecedores do património religioso alto-minhoto poderão ir buscar-lhe outras tantas referências a templos que se refugiam no alto da serra e criam aí um certo habitat de devoção e particular comunhão com a natureza envolvente.

Um dos devotos é Fernando Fernandes, natural de Fundegos (Riba de Mouro). Junto a uma cardenha emprestada por um amigo, reforçava com lenha uma fogueira improvisada num grelhador, onde um pote de ferro fervia a todo o vapor. Dentro, chouriça, um naco de carne de vaca, outro de porco, os chispes… O resto que é devido a um cozido, é deitado depois de cozidas as carnes.

A ‘aldeia dos hobbits’ do Alto Minho só tem um habitante mas ainda se vai festejar o Santo António
Foto: João Martinho / O MINHO
A ‘aldeia dos hobbits’ do Alto Minho só tem um habitante mas ainda se vai festejar o Santo António
Foto: João Martinho / O MINHO

A esposa, Lurdes, natural de Vila Real, de um olho no pote e outro no ‘smartphone’ – onde a falta de cobertura de rede não deixava aceder ao Facebook para mandar fotos nem pesquisar a página d’O MINHO para “pôr like” e ficar atenta ao momento em que este texto sair -, assistia também às tarefas de Fernando, mais experiente na vida da branda e que, entre dois goles de rosé de Favaios, providenciava o necessário para manter o pote na fervura.

A ‘aldeia dos hobbits’ do Alto Minho só tem um habitante mas ainda se vai festejar o Santo António
Foto: João Martinho / O MINHO

Num momento ia à lenha, no seguinte ia à fonte buscar água para reforçar o cozido, que o pote, cercado de chamas, fazia ferver até lhe saltar o testo. “É assim que os potes devem ferver, assim é que eu gosto de ver”, diz Fernando.

A ‘aldeia dos hobbits’ do Alto Minho só tem um habitante mas ainda se vai festejar o Santo António
Foto: João Martinho / O MINHO

“Sabe-me melhor uma sardinha aqui do que um bife na vila de Monção”, assume ainda o tornado brandeiro por uns dias. De sexta à noite até domingo, a branda de Val de Poldros, às portas do Parque Nacional da Peneda-Gerês, será a sua casa.

A ‘aldeia dos hobbits’ do Alto Minho só tem um habitante mas ainda se vai festejar o Santo António
Foto: João Martinho / O MINHO

Mais acima, outro Fernando olha para a sua cozinha com mais tranquilidade. O histórico habitante da serra – o último residente de Val de Poldros, como tantas vezes foi referenciado em reportagens pelos media -, viu-se obrigado a descer à aldeia por motivos de saúde: uma perna a precisar de prótese na anca, à espera de cirurgia. Viveu uma temporada com a mãe, em Riba de Mouro.

“Nunca me atrapalhou estar sozinho aqui”, confessa Fernando Gonçalves a O MINHO, mas admite ser um desafio cada vez maior manter a porta aberta todos os dias.

“Estamos abertos durante a semana, mas o melhor é fazer marcação”, avisa. “Não tenho gente para trabalhar. É o meu grande problema, como o de muita gente.”

A ‘aldeia dos hobbits’ do Alto Minho só tem um habitante mas ainda se vai festejar o Santo António
Foto: João Martinho / O MINHO

Nos feriados e fins de semana, conta com mais duas ou três pessoas, a quem vai delegando a cozinha e o serviço de mesa. Continua a ser o garante da qualidade das carnes e do serviço que o tornaram referência na montanha: o costeletão, as carnes grelhadas, o cabrito (por encomenda), o bacalhau “e a simplicidade do serviço” continuam a valer a visita.

Espera um aumento de movimento nos dias 12, 13 e 14 de junho, se a meteorologia ajudar, e uns bons dias de romaria, mas recorda com saudosismo as ‘peregrinações’ de outros tempos. “Juntava muita gente; era uma festa muito famosa. Agora, como em todas as romarias, há muito menos gente. A população diminuiu”, observa.

Para os que não levarem merendeiro, o restaurante Val de Poldros é porto seguro para quem “quer uma comida diferente, uma comida daqui” – e os vinhos a preços de bom senso.

A ‘aldeia dos hobbits’ do Alto Minho só tem um habitante mas ainda se vai festejar o Santo António
Foto: João Martinho / O MINHO

O preço do prato não será o mesmo de outrora, mas Fernando diz que foi o governo e as taxas a fazer toda a gente entrar em maior esforço.

“O bacalhau subiu, mas não é por causa da guerra, acho que os da guerra não estão a matar o bacalhau, esse vai por outro lado, passa por outro ‘estreito’. O problema são as taxas que temos de pagar”, atira.

Desanimado pelo problema de saúde que não o deixa mexer e fazer mais pela montanha, critica alguma imobilidade das entidades na preservação da branda e das suas características originais, para dar lugar a uma branda “imaginada por arquitetos”.

A ‘aldeia dos hobbits’ do Alto Minho só tem um habitante mas ainda se vai festejar o Santo António
Foto: João Martinho / O MINHO

“Não há muito tempo fizeram um plano de pormenor, mas nesses planos escreve-se muito, põem-se muitas letras e diz-se pouco. Temos caminhos antigos aqui, que eram da branda, que se estão a eliminar para fazer outros, porque isto é tudo movido por interesses. Tem-se feito alguma coisa e já se limpam os caminhos, mas pouco mais. Tivemos um ex-presidente da Junta que ainda fez algo por isto, que se interessou, mas eu tive mais reconhecimento de Melgaço do que de Monção, porque Monção é vila e arredores”, considerou.

O gerente do restaurante que mantém a última das luzes acesas na branda a cada dia – em algumas das cardenhas ainda é preciso levar painel solar, como fez Fernando Fernandes, para utilizar à noite – diz não ter receio que alguns visados fiquem “chocados” e olha, a partir do seu miradouro sobre a serra, para as incongruências de projetos e até de inusitados percalços que acontecem em zona remota.

Um cruzeiro de pedra, logo abaixo do seu estabelecimento, está partido em três ou mais peças. Um choque de carro ou trator? Fernando Gonçalves admite que há ali algo mais que infelicidade na manobra: “Está assim há uma semana. Já no passado o partiram, uma semana antes [da festa de Santo António]; não sei se há alguém a quem isso interessa ou incomoda. O melhor será meter ali umas grades a protegê-lo”, atira ainda.

A ‘aldeia dos hobbits’ do Alto Minho só tem um habitante mas ainda se vai festejar o Santo António
Foto: João Martinho / O MINHO

A sua luta é agora a preservação dos caminhos antigos da branda e para que os ‘ex-líbris’ do imobiliário daquela branda não vão mudando conforme o traço dos novos desenhadores.

Para já, a luz da branda continua acesa a receber quem precise de algo para beber num dia de passeio pela serra; mas, face à falta de pessoal e o desânimo de Fernando – que admite estar a lutar contra moinhos de vento -, quanto tempo durará?

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Eletrificação não trouxe melhorias ao Algarve e ainda circulam comboios com mais de meio século

“Os comboios refletem de forma precisa a cultura do país: o país sórdido e miserável tem caminhos de ferro sórdidos e miseráveis; a nação orgulhosa e eficiente reflete-se de forma semelhante no seu parque ferroviário” — Paul Theroux em O velho Expresso da Patagónia

Às seis e cinquenta e quatro da manhã – horário cumprido com sucesso - tem início em Lagos uma viagem de três horas e pouco de comboio. Na verdade, teve início um pouco antes com a chegada do maquinista para “aquecer os motores” e ver se está tudo em ordem. Engane-se quem pensa que o destino é Lisboa ou outro distrito qualquer ou até um país europeu vizinho. A aventura é do Algarve até ao Algarve. Há uma linha que separa o homem da natureza; a linha férrea à saída de Lagos: à direita vê-se o sol roubar, aos poucos, a escuridão ao céu; vê-se o mar, ondas, areia, dunas, ervas e, ao longe, uma miniatura da Ponta da Piedade. Do lado esquerdo hotéis, casas que dificilmente um habitante local consegue pagar, obras e campos de golfe. No meio, viaja uma centopeia cansada, a arfar e a arrastar-se, como faz diariamente desde os anos 50.

O laranja começou cedo a pincelar a cidade porque o verão aproxima-se. Se fosse inverno, o passageiro teria de levantar os pés para evitar ser atingido pelo vento gelado proveniente das saídas de ar que estão perto do chão, logo após o ar condicionado da automotora ser ligado. Demora uns minutos até sair quente. Desta vez o azar falou mais alto e os passageiros têm ao seu dispor um transporte modernizado, mas não é a modernização que esperam há anos; são apenas os graffitis que decoram o seu exterior. Nem os vidros escaparam. Afinal, o que é uma viagem de comboio sem janelas? Apenas uma carruagem possui bancos com encosto de cabeça. As restantes têm uma espécie de ferro que não é muito amigo de nucas. Esta diferença faz o passageiro não-habitual achar que viaja em primeira classe, pelo menos até entrar na casa de banho e perceber que a sanita é um buraco com vista para os carris. Como não existem cortinas, o utente tem de conhecer a posição do sol em relação ao comboio se quiser evitar que, durante a viagem, o lado da cara que está virado para a janela fique vermelho. Talvez os «artistas» que vandalizaram os comboios estivessem, na verdade, a lutar contra escaldões. “Que incrível este comboio «novo» que circula no Algarve” é uma frase que nas últimas décadas seria impossível de proferir (e ainda é). Hoje, e já há vários anos, uma das maiores reivindicações dos algarvios é a aquisição de comboios modernos. O Jornal do Algarve questionou a CP e a Infraestruturas de Portugal sobre esta e outras questões, mas até ao fecho desta edição não obteve respostas. "A Chegada do Comboio à Estação", dos irmãos Lumière, foi um dos primeiros filmes da história do cinema, no final do século 19. Já “A Chegada dos Comboios Elétricos ao Algarve” também poderia ser um filme, talvez de ficção científica. O trailer foi lançado mais ou menos há um ano quando um comboio elétrico cir...

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Caminhos da Reportagem aborda Pink money e o valor da diversidade

O termo pink money ou dinheiro rosa, em tradução livre, ganhou força nos Estados Unidos na década de 1980 e se refere ao poder de consumo da população LGBTQIAPN+.

De acordo com a consultoria Out Now, esse consumo pode chegar a R$ 420 bilhões por ano no Brasil. Ricardo Sales, presidente do Instituto Mais Diversidade, explica que, historicamente, esse mercado era associado a nichos específicos de consumo:

"Nos anos 80 e 90, a gente associava a noção de pink money muito à viagem, lazer, entretenimento e muitas vezes o fazia isso de uma forma até bastante estereotipada.” 

Nos anos 1990, o mercado brasileiro esteve muito ligado aos espaços considerados seguros para a comunidade, com bares e casas noturnas. Com isso, a noite paulistana moldou a carreira de figuras icônicas como a drag queen e apresentadora Silvetty Montilla. 

“Quando eu comecei, eu falei: ‘eu não quero ser artista de um lugar só’. [...] Quando eu vi que o dinheiro estava entrando, aí eu decidi ficar só na noite”, explica.

A partir dos anos 2000, o mercado voltado para pessoas LGBT+ começou a crescer no país. “Foi quando a gente sentiu, por exemplo, que a Parada de São Paulo teve um grande crescimento. Por quê? As pessoas estavam mais tranquilas em ficar fora do armário”, afirma Clovis Casemiro, gerente de membros da Associação Mundial de Turismo LGBT+ (IGLTA).

Dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) mostram que, em 2025, o evento movimentou cerca de R$ 550 milhões na economia paulistana. Contudo, a dificuldade para captar patrocínios ainda é uma questão:

"As empresas aqui no Brasil investem pouco em relação ao que elas investem em outros eventos”, enfatiza Nelson Matias Pereira, presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP).

Pink washing

Muitas empresas lucram com os símbolos LGBT+, especialmente em junho, Mês do Orgulho, mas sem promover direitos para essa comunidade. Tal conceito é conhecido como pink washing.

Para combater essa prática, o Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+ reúne empresas que assinaram a carta Dez Compromissos da Empresa com a Promoção dos Direitos LGBTI+.

O Grupo Heineken é uma delas. A multinacional investe no empoderamento de funcionários LGBT+ e na formação de bares parceiros para o mundo dos negócios:

“A gente apadrinhou esses bares que eram de proprietários LGBT para que a gente fizesse essa jornada, uma trilha de desenvolvimento mesmo, para que esse dinheiro volte e prospere para a comunidade de maneira saudável e segura”, explica Vetusa Pereira, gerente de diversidade, equidade e inclusão do Grupo Heineken.

Outros eventos têm chamado a atenção do público LGBT+, como o Todo Mundo no Rio, que arrastou milhões de pessoas para a praia de Copacabana com os shows de Madonna (2024), Lady Gaga (2025) e Shakira (2026).

São Paulo (SP), 03/06/2026 - Caminhos da Reportagem PINK MONEY - A drag queen Silvetty Montilla se apresenta no show “Segunda Dose com Montilla”, em uma casa noturna de São Paulo..
Frame TV Brasil São Paulo (SP), 03/06/2026 - Caminhos da Reportagem PINK MONEY - A drag queen Silvetty Montilla se apresenta no show “Segunda Dose com Montilla”, em uma casa noturna de São Paulo..
Frame TV Brasil
A drag queen Silvetty Montilla apresenta o show Segunda Dose com Montilla, em uma casa noturna de São Paulo - Frame TV Brasil

De acordo com a Prefeitura do Rio, o evento movimentou cerca de R$ 800 milhões na economia carioca, um retorno financeiro quarenta vezes maior que o investimento no show: “90% do público que frequenta a loja nessas datas são LGBT”, diz Siluana Bezerra, dona de uma loja no Saara, coração do comércio popular carioca, que vende roupas e acessórios para fãs de divas pop.

A rede hoteleira também tem faturado: “A gente acabou de passar por uma expansão que fez com que a gente dobrasse a capacidade até para conseguir pegar mais esse público agora nesse momento”, explica Pedro Barroso, general manager de um hostel que fica a quatro quadras da praia de Copacabana.

Apesar dos avanços, o preconceito ainda traz grandes prejuízos para a economia brasileira. De acordo com um estudo do Banco Mundial, o país perde anualmente mais de R$ 94 bilhões com a exclusão de pessoas LGBT+ do mercado de trabalho.

População trans

A população trans é ainda mais afetada pelo desemprego. Em 2023, segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, apenas 25% tinham emprego formal, com salários 32% menores que a média nacional. 

A assessora parlamentar Andréa Brazil teve dificuldades para permanecer no mercado de trabalho formal. “Eu fui operadora de telemarketing por mais de três anos na minha vida. Eu tomava bronca por causa da minha voz”, explica.

Ter seu próprio negócio foi a forma que Andréa encontrou para ter mais dignidade. Ela abriu um salão de beleza e, logo após, conseguiu realizar o sonho de ser estilista:

“Eu comecei a pensar nos looks que tivessem as bandeiras para que as pessoas se sentissem vestindo, abraçando a causa.”

O empreendimento da Andréa cresceu e se tornou um projeto social, o Capacitrans, que capacita a população LGBT+, especialmente pessoas trans e travestis, em ofícios como maquiagem, corte de cabelo e design de roupas. 

O jornalista Francisco Borges, pai solo de seis filhos adotivos, vê essa transformação de perto. Para ele, a sociedade está mais atenta à maneira como empresas e demais instituições trabalham com as pautas do universo LGBT+.

"Quando eu vou colocar um filho na escola, eu não quero só saber se eles têm Dia da Família, porque isso é o mínimo. Eu quero entender como eles se colocam frente aos personagens históricos, de livros infantis, por exemplo, que tipo de histórias, que tipo de autores eles têm ali?”, explica.

O episódio Pink Money: o Valor da Diversidade, do Caminhos da Reportagem, vai ao ar às 23h desta segunda-feira (8), na TV Brasil.

>> Clique aqui e saiba como sintonizar a TV Brasil

Ficha técnica

Produção e reportagem: Thiago Padovan
Apoio à produção: Lucas Cruz
Apoio operacional à produção: Acácio Barros
Reportagem cinematográfica: JM Barboza e Marcelo Padovan
Apoio à reportagem cinematográfica: Denis Vianna, Eduardo Guimarães e Rodolpho Rodrigues
Auxílio técnico: Rafael Carvalho e Caio Araujo
Apoio à imagem: Yuri Ledesma
Edição de texto: Márcio Garoni
Edição e finalização de imagem: Rodrigo Botosso
Assessoria: Maura Martins
Arte: André Maciel, Aleixo Leite e Carol Ramos

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Caminhos da Reportagem aborda Pink money e o valor da diversidade

O termo pink money ou dinheiro rosa, em tradução livre, ganhou força nos Estados Unidos na década de 1980 e se refere ao poder de consumo da população LGBTQIAPN+.

De acordo com a consultoria Out Now, esse consumo pode chegar a R$ 420 bilhões por ano no Brasil. Ricardo Sales, presidente do Instituto Mais Diversidade, explica que, historicamente, esse mercado era associado a nichos específicos de consumo:

"Nos anos 80 e 90, a gente associava a noção de pink money muito à viagem, lazer, entretenimento e muitas vezes o fazia isso de uma forma até bastante estereotipada.” 

Nos anos 1990, o mercado brasileiro esteve muito ligado aos espaços considerados seguros para a comunidade, com bares e casas noturnas. Com isso, a noite paulistana moldou a carreira de figuras icônicas como a drag queen e apresentadora Silvetty Montilla. 

“Quando eu comecei, eu falei: ‘eu não quero ser artista de um lugar só’. [...] Quando eu vi que o dinheiro estava entrando, aí eu decidi ficar só na noite”, explica.

A partir dos anos 2000, o mercado voltado para pessoas LGBT+ começou a crescer no país. “Foi quando a gente sentiu, por exemplo, que a Parada de São Paulo teve um grande crescimento. Por quê? As pessoas estavam mais tranquilas em ficar fora do armário”, afirma Clovis Casemiro, gerente de membros da Associação Mundial de Turismo LGBT+ (IGLTA).

Dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) mostram que, em 2025, o evento movimentou cerca de R$ 550 milhões na economia paulistana. Contudo, a dificuldade para captar patrocínios ainda é uma questão:

"As empresas aqui no Brasil investem pouco em relação ao que elas investem em outros eventos”, enfatiza Nelson Matias Pereira, presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP).

Pink washing

Muitas empresas lucram com os símbolos LGBT+, especialmente em junho, Mês do Orgulho, mas sem promover direitos para essa comunidade. Tal conceito é conhecido como pink washing.

Para combater essa prática, o Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+ reúne empresas que assinaram a carta Dez Compromissos da Empresa com a Promoção dos Direitos LGBTI+.

O Grupo Heineken é uma delas. A multinacional investe no empoderamento de funcionários LGBT+ e na formação de bares parceiros para o mundo dos negócios:

“A gente apadrinhou esses bares que eram de proprietários LGBT para que a gente fizesse essa jornada, uma trilha de desenvolvimento mesmo, para que esse dinheiro volte e prospere para a comunidade de maneira saudável e segura”, explica Vetusa Pereira, gerente de diversidade, equidade e inclusão do Grupo Heineken.

Outros eventos têm chamado a atenção do público LGBT+, como o Todo Mundo no Rio, que arrastou milhões de pessoas para a praia de Copacabana com os shows de Madonna (2024), Lady Gaga (2025) e Shakira (2026).

São Paulo (SP), 03/06/2026 - Caminhos da Reportagem PINK MONEY - A drag queen Silvetty Montilla se apresenta no show “Segunda Dose com Montilla”, em uma casa noturna de São Paulo..
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A drag queen Silvetty Montilla apresenta o show Segunda Dose com Montilla, em uma casa noturna de São Paulo - Frame TV Brasil

De acordo com a Prefeitura do Rio, o evento movimentou cerca de R$ 800 milhões na economia carioca, um retorno financeiro quarenta vezes maior que o investimento no show: “90% do público que frequenta a loja nessas datas são LGBT”, diz Siluana Bezerra, dona de uma loja no Saara, coração do comércio popular carioca, que vende roupas e acessórios para fãs de divas pop.

A rede hoteleira também tem faturado: “A gente acabou de passar por uma expansão que fez com que a gente dobrasse a capacidade até para conseguir pegar mais esse público agora nesse momento”, explica Pedro Barroso, general manager de um hostel que fica a quatro quadras da praia de Copacabana.

Apesar dos avanços, o preconceito ainda traz grandes prejuízos para a economia brasileira. De acordo com um estudo do Banco Mundial, o país perde anualmente mais de R$ 94 bilhões com a exclusão de pessoas LGBT+ do mercado de trabalho.

População trans

A população trans é ainda mais afetada pelo desemprego. Em 2023, segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, apenas 25% tinham emprego formal, com salários 32% menores que a média nacional. 

A assessora parlamentar Andréa Brazil teve dificuldades para permanecer no mercado de trabalho formal. “Eu fui operadora de telemarketing por mais de três anos na minha vida. Eu tomava bronca por causa da minha voz”, explica.

Ter seu próprio negócio foi a forma que Andréa encontrou para ter mais dignidade. Ela abriu um salão de beleza e, logo após, conseguiu realizar o sonho de ser estilista:

“Eu comecei a pensar nos looks que tivessem as bandeiras para que as pessoas se sentissem vestindo, abraçando a causa.”

O empreendimento da Andréa cresceu e se tornou um projeto social, o Capacitrans, que capacita a população LGBT+, especialmente pessoas trans e travestis, em ofícios como maquiagem, corte de cabelo e design de roupas. 

O jornalista Francisco Borges, pai solo de seis filhos adotivos, vê essa transformação de perto. Para ele, a sociedade está mais atenta à maneira como empresas e demais instituições trabalham com as pautas do universo LGBT+.

"Quando eu vou colocar um filho na escola, eu não quero só saber se eles têm Dia da Família, porque isso é o mínimo. Eu quero entender como eles se colocam frente aos personagens históricos, de livros infantis, por exemplo, que tipo de histórias, que tipo de autores eles têm ali?”, explica.

O episódio Pink Money: o Valor da Diversidade, do Caminhos da Reportagem, vai ao ar às 23h desta segunda-feira (8), na TV Brasil.

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Ficha técnica

Produção e reportagem: Thiago Padovan
Apoio à produção: Lucas Cruz
Apoio operacional à produção: Acácio Barros
Reportagem cinematográfica: JM Barboza e Marcelo Padovan
Apoio à reportagem cinematográfica: Denis Vianna, Eduardo Guimarães e Rodolpho Rodrigues
Auxílio técnico: Rafael Carvalho e Caio Araujo
Apoio à imagem: Yuri Ledesma
Edição de texto: Márcio Garoni
Edição e finalização de imagem: Rodrigo Botosso
Assessoria: Maura Martins
Arte: André Maciel, Aleixo Leite e Carol Ramos

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Chapéus-de-sol dividem banhistas e concessionários no Algarve

A poucos dias do arranque oficial da época balnear, as praias algarvias tornaram-se palco de uma crescente controvérsia em torno da colocação de chapéus-de-sol particulares em frente às zonas concessionadas. A ausência de uma clarificação definitiva das regras está a gerar conflitos entre banhistas e concessionários, com situações que já obrigaram à intervenção da Polícia Marítima. A Praia de Monte Gordo é um dos exemplos mais visíveis desta disputa. Muitos veraneantes chegam ao areal convencidos de que já não existem restrições à instalação de chapéus-de-sol em frente às concessões, mas acabam por ser confrontados com indicações para se deslocarem para outras áreas da praia. Na origem da polémica está a interpretação de que não existe qualquer legislação que proíba explicitamente a colocação de chapéus-de-sol particulares nessas zonas. As recentes declarações do presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que classificou como abusiva a proibição imposta em algumas praias, alimentaram a expectativa de mudança. Contudo, essa posição ainda não se refletiu na sinalização existente em vários areais. Enquanto algumas praias já começaram a flexibilizar as regras, outras mantêm o modelo tradicional. Na Praia da Galé, em Albufeira, os banhistas voltaram a ocupar áreas anteriormente reservadas às concessões. Já em Vila Real de Santo António, a proibição continua em vigor. Os operadores de praia argumentam que a manutenção da atual organização é essencial para garantir a segurança dos utilizadores e evitar situações de desordem no areal. Alguns receiam mesmo que uma liberalização total da ocupação das praias transforme determinadas zonas numa verdadeira “selva”, dificultando a circulação e a gestão do espaço. Além das preocupações relacionadas com a segurança, existe também apreensão quanto ao impacto económico da medida. Atualmente, muitos turistas e frequentadores pagam cerca de 20 euros para usufruir dos serviços disponibilizados pelas concessões, incluindo chapéus, espreguiçadeiras e apoio de praia. A possibilidade de qualquer banhista instalar os seus próprios equipamentos em frente a essas áreas poderá reduzir a procura pelos serviços concessionados.

Praia de Monte Gordo

Concessionários pedem regras clarasOs concessionários das praias algarvias defendem que a situação resulta essencialmente da falta de orientações uniformes por parte das entidades competentes. André Sousa, concessionário na Praia do Garrão, afirma que os operadores têm seguido as regras constantes da sinalética e dos editais de praia. “A verdade é que parece que nunca houve nenhuma lei, mas nos editais de praia vinha sempre a dizer que era obrigatório cumprir a sinalética em vigor”, explicou. O empresário rejeita ainda a ideia de que os concessionários tenham atuado de forma abusiva, defendendo que apenas informavam os utentes sobre as zonas destinadas à colocação de chapéus-de-sol particulares. “Nunca obrigámos ninguém a sair. Sempre recomendámos às pessoas, informando tod...

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