Museu Zer0 entra numa nova etapa com “lugar-depois”
Um “lugar-depois”, que marca uma nova etapa do Museu Zer0, com forte dimensão crítica, experimental e internacional, sem nunca deixar de estar alinhada com o pensamento visionário que esteve na origem deste projeto vivo.
Em Setembro de 2025, os antigos silos e armazéns da Cooperativa Agrícola de Santa Catarina da Fonte do Bispo, no concelho de Tavira, passaram de espaço industrial desativado há décadas a «centro vivo de criação artística».
Nesse mês, resultado de um trabalho e ambição de anos, nascia oficialmente o primeiro museu de arte digital do país. Fundado por Paulo Teixeira Pinto, antigo presidente do Banco Comercial Português (BCP), que se mudou para o Algarve e iniciou o desafio de criar, no interior da região, um espaço dedicado à arte digital, este Museu entra agora numa nova fase, com uma nova direção, que quer fazer cumprir os valores de sempre, mas levar o projeto ainda mais longe.
Para marcar esta transição, o Zer0 reabre com “lugar-depois”, exposição inaugurada oficialmente esta terça-feira, 9 de Junho, e que estará patente até ao dia 7 de Dezembro.
Para Fátima Marques Pereira, atual presidente, «o nome da exposição diz tudo».
«Houve uma inauguração que foi, na verdade, um sucesso e da qual nós nos orgulhamos muito. Agora, este é o momento mais difícil do museu, porque este é o momento em que toda a gente tem os olhos no Museu Zer0 e quer saber o que é que esta nova direção vai fazer, do ponto de vista artístico e do ponto de vista do funcionamento», diz, em entrevista ao Sul Informação.
A poucos dias da grande inauguração, Fátima Marques Pereira falava com o nosso jornal sobre o desafio que esta nova direção enfrenta e sobre o gosto que é poder estar aos comandos de um projeto como este: «um projeto com o qual me identifiquei desde o início», confessa.

Ao lado de Mónica Félix, vice-presidente, Fátima Marques Pereira não tem qualquer pudor em afirmar que este é «o projeto mais difícil e desafiante» da sua vida.
O convite para fazer parte da direção – que conta ainda com as vogais Dália Paulo, Sónia Gemas Donário e Madalena Duarte – surge em resultado do sucesso do segundo momento de inauguração do Museu, em Outubro de 2025, pelo qual foi responsável pela programação, e foi, para Fátima «irrecusável».
«É irrecusável, mas também é um desafio porque uma coisa é trabalharmos, como eu sempre trabalhei, como gestora pública. Aí eu sei com que linhas é que me coso, porque o Estado, desde logo, tem um orçamento estipulado para o projeto. Aqui nós temos que ir à procura», diz, realçando a importância do mecenato nestes projetos.
«Eu espero que a comunidade empresarial compreenda que a cultura é transformadora de tudo e que as empresas percebam a importância de apoiarem a cultura e as artes. Dinamizar o território do ponto de vista empresarial também tem que ser dinamizar o território do ponto de vista social e cultural. E isso é fundamental para nós e para a região», salienta.
“lugar-depois” surge ainda num momento particularmente significativo para a instituição, já que o Museu Zer0 foi distinguido, no passado dia 17 de Maio, com o Prémio de Arquitetura do Algarve 2025, na categoria Equipamento, Serviço e Indústria.
Este novo ciclo ficou ainda marcada pela realização, no passado dia 8 de Junho, véspera da inauguração da exposição, do Fórum Cultura dedicado à relação entre arte e tecnologia, promovido pela ministra da Cultura Margarida Balseiro Lopes.

«A realização deste Fórum no Museu Zer0 representa um reconhecimento institucional da relevância crescente do Museu enquanto plataforma ativa de pensamento, criação e produção e articulação territorial. Simultaneamente, posiciona “lugar-depois” como o primeiro gesto curatorial desta
nova direção, uma afirmação artística, contemporânea e de compromisso com o futuro», refere a direção.
Reunindo artistas cujas práticas atravessam instalação, som, media arte, imagem e experimentação contemporânea, a exposição propõe o Barrocal algarvio como «espaço ativo de pensamento e produção cultural situada», já que o território surge como «campo de relação entre natureza, tecnologia, memória, matéria e transformação social», refletindo preocupações como a ecologia, sustentabilidade, identidade, pertença, inteligência tecnológica e modos futuros de habitar.
Ao longo de sete meses, a mostra expande-se além do espaço expositivo através de um programa contínuo de mediação, conversas, ativação territorial e produção de conhecimento, criando condições para que artistas, curadores, investigadores, comunidade e instituições participem ativamente na sua construção.
Será ainda acompanhada por uma programação paralela que inclui encontros com artistas e curadores, conversas públicas, visitas mediadas, sessões de reflexão, atividades educativas e momentos de partilha entre diferentes agentes culturais e criativos.
«O Museu Zer0 é um projeto único em Portugal. Eu não tenho qualquer dúvida relativamente a isso. Tenho muitas dúvidas relativamente a outras questões, mas não de que é um projeto único e transformador para a região – porque não se encontra, aos pontapés, museus ou centros de arte no interior do país, mas também porque tem uma dimensão colaborativa e comunitária muito grande», salienta ainda ao nosso jornal Fátima Marques Pereira.
De acordo com a presidente, este é um Museu que nasceu para «estar de portas abertas a todos» e é nesse sentido que a direção continuará a trabalhar.
“lugar-depois” pode ser visitado de quarta a segunda-feira, das 11h00 às 19h30. Nas últimas sextas-feiras de cada mês, o horário é das 15h00 às 23h00.
Fotos: Luz Venceslau | Sul Informação
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