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Análise: Dependência de Trump de funcionários interinos testa Constituição

Parece estranho que o presidente Donald Trump tenha nomeado um especialista em habitação para supervisionar a comunidade de inteligência dos Estados Unidos.

Mas Trump mantém sua decisão de nomear de forma temporária Bill Pulte, o funcionário da área de habitação que o presidente quer que comece na próxima semana a “revolucionar as coisas” e sanear a instituição durante sua designação temporária à frente da comunidade de inteligência.

Os democratas, em protesto contra essa contratação, podem permitir que expire uma lei importante sobre vigilância estrangeira, enquanto os republicanos no Congresso estão agindo com urgência, segundo o mais recente relatório da CNN.

Parece um problema semelhante ao de líderes qualificados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças e da Administração de Alimentos e Medicamentos, que foram destituídos e ainda não foram substituídos.

O cargo de diretor-geral de Saúde Pública ainda não foi preenchido de forma permanente durante o segundo mandato de Trump.

O poder de Trump de avançar suas propostas de indicados para cargos-chave no Senado está diminuindo à medida que seu partido se prepara para as eleições de novembro, nas quais seus baixos índices de aprovação podem ser um peso para outros republicanos.

Como já fez em seu primeiro mandato, é provável que Trump recorra cada vez mais a diretores interinos em determinadas agências, ao menos enquanto a lei permitir.

Enquanto isso, ele continuará testando a própria lei, a Lei de Reforma de Vacâncias Federais de 1998, ao conceder a alguns assessores próximos uma enorme responsabilidade sobre múltiplas agências.

Esse não é um conceito novo no governo Trump, no qual o secretário de Estado Marco Rubio também atuou como arquivista interino, ou onde o diretor da Administração da Seguridade Social desempenha uma função dupla no cargo inventado de CEO do IRS, já que essa posição não pode mais ser ocupada legalmente de forma temporária.

O fio condutor de Pulte, o futuro diretor interino de Inteligência Nacional e diretor da Agência Federal de Financiamento da Habitação, cuja nomeação foi confirmada pelo Senado, não é nem a habitação nem a inteligência, mas sim, como informou a CNN, seu histórico de usar seu cargo federal para atacar os inimigos políticos de Trump.

Em 4 de junho, no Salão Oval, o presidente deixou claro que Pulte não permaneceria no cargo por muito tempo: “É um cargo interino, não é permanente”, declarou Trump.

E, em vez de alegar a necessidade de coordenar a inteligência em tempos de guerra, o presidente espera que, com Pulte no cargo, “ele possa descobrir algumas coisas sobre as eleições fraudulentas”.

“É um acúmulo de problemas de gestão”, comentou Max Stier, CEO da Partnership for Public Service, um grupo apartidário que defende um governo eficiente.

A administração pública, que já tem sido intimidada por tentativas de cortar cargos e eliminar o que Trump acredita ser um “estado profundo” conspirando contra ele, também precisa lidar com líderes que não têm experiência nas agências que dirigem.

“É uma receita para desperdício, corrupção, incompetência e um mau resultado para o povo americano”, afirmou Stier.

A escolha de Pulte por parte de Trump levanta questionamentos

A ascensão de Pulte, em particular, levanta duas questões distintas sobre como Trump tem conduzido o governo dos Estados Unidos:

  • O primeiro problema é o uso que Trump faz de funcionários interinos para contornar, temporariamente, o processo de confirmação do Senado, que pode ser controverso e político mesmo nas melhores circunstâncias. Todos os presidentes já fizeram isso, mas Trump o faz com muito mais frequência e de forma mais aberta. Em seu primeiro mandato, ele falou da “flexibilidade” que a ausência do processo de confirmação lhe proporcionava. Sem se importar com o fato de isso estar previsto na Constituição.
  • O segundo problema é o acúmulo de responsabilidades não relacionadas entre o grupo de assessores de confiança de Trump, o que criou múltiplas combinações de funções incomuns.

Em última análise, ambos os assuntos acabam sendo objeto de leis.

A lei que criou o cargo de diretor de Inteligência Nacional (DNI, na sigla em inglês), por exemplo, exige que qualquer pessoa indicada “possua ampla experiência em segurança nacional”.

Quando o anúncio foi feito, Pulte nem sequer tinha autorização de segurança, embora também não tenha sido indicado para o cargo permanente.

No entanto, outra parte da lei estabelece que, se ocorrer uma vacância, o vice-diretor principal de Inteligência Nacional “atuará em substituição” ao DNI durante esse período. O atual vice-diretor principal de Inteligência Nacional é um experiente ex-funcionário da CIA chamado Aaron Lukas.

Mas aqui entra outra lei.

A Lei de Vacâncias Federais de 1998 foi aprovada com apoio bipartidário para limitar a capacidade do presidente Bill Clinton de contornar a aprovação dos legisladores em nomeações políticas importantes que exigem confirmação do Senado. Em Washington, essas vagas são chamadas de PAS.

A Lei de Vacâncias estabelece um sistema um tanto complexo para preencher essas vagas.

Em primeiro lugar, determina que cargos de nomeação presidencial com confirmação do Senado só podem ser ocupados por seus vice-diretores, outros altos funcionários da agência ou outro funcionário confirmado pelo Senado. Pulte é um funcionário confirmado pelo Senado.

Mas também existem limites de tempo. Um funcionário interino só pode exercer o cargo por 210 dias após a abertura da vaga.

Se o presidente nomeia um substituto permanente, esse prazo de 210 dias é interrompido durante o processo de indicação. O presidente dispõe de mais um período de 210 dias para um interino caso a primeira indicação falhe ou seja retirada. Mas não há um terceiro período.

Segundo o Escritório de Responsabilidade Governamental dos EUA, presidentes de ambos os partidos têm violado sistematicamente essa lei.

Trump deixou cargos vagos em vez de nomear candidatos permanentes

O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, já estava ocupado com a guerra comercial de Trump quando também recebeu a função de chefiar o Escritório de Ética Governamental.

Essa entidade deveria, em teoria, prevenir conflitos de interesse na administração, assim como o Escritório do Conselheiro Especial, que desempenha um papel importante no apoio a denunciantes do governo.

Trump não parece ver muita utilidade para nenhum dos dois cargos em seu segundo mandato. Nenhum deles tem atualmente um líder permanente.

As comissões estão sem figuras-chave

A Comissão Eleitoral Federal, que deveria ser bipartidária, atualmente não conta com comissários suficientes para iniciar investigações.

A Junta de Proteção dos Sistemas de Mérito dos EUA, responsável por lidar com reclamações de funcionários federais, conta de certa forma com quórum, mas apenas porque seu presidente, Henry Kerner, aprovado pelo Senado, também atua como vice-presidente interino.

Centenas de cargos políticos vagos

Segundo a organização sem fins lucrativos Partnership for Public Service, de Stier, existem cerca de 1.300 cargos que exigem aprovação do Senado.

Essa organização monitora mais de 800 cargos importantes, e mais de 270 deles não têm um indicado pela administração Trump.

Cerca de 100 cargos têm um candidato indicado, mas ainda não confirmado pelo Senado. De fato, essa taxa de confirmação para o “Trump 2.0” é ligeiramente superior à da administração Biden ou do primeiro governo Trump.

Mas a forma como Trump se apoia em funcionários interinos coloca à prova as leis que definem como essas vagas devem ser preenchidas e o espírito da Constituição, que tentou forçar um compromisso entre legisladores e o presidente ao exigir o “aconselhamento e consentimento” do Senado para altos funcionários do governo.

“Essa parece ser a principal lição que ele aprendeu em seu primeiro mandato: escolher pessoas que façam o que ele quer, não importa o quê, em vez de escolher pessoas que defendam a Constituição, o Estado de Direito e que sejam capazes de liderar essas organizações tão importantes e complexas, que tiveram um enorme impacto no público americano”, afirmou Stier.

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PR dá posse na segunda-feira aos quatro novos juízes do Tribunal Constitucional

O Presidente da República, António José Seguro, vai dar posse na segunda-feira, às 12:30, aos quatro novos juízes do Tribunal Constitucional, hoje eleitos pelo Parlamento, em lista conjunta de PSD, Chega e PS.

“Eu já marquei a tomada de posse para segunda-feira ao meio-dia e meia”, anunciou o chefe de Estado, em resposta aos jornalistas, que o questionaram sobre a eleição dos novos juízes, à saída da Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, onde participou numa cerimónia comemorativa dos 100 anos da Ordem dos Advogados.

O Parlamento elegeu hoje quatro novos juízes para o Tribunal Constitucional, através de uma lista conjunta apresentada por PSD, Chega e PS, que teve 176 votos favoráveis, alcançado a necessária maioria de dois terços.

Após sucessivos adiamentos ao longo da atual sessão legislativa, os três partidos com maior representação parlamentar entregaram em 29 de maio uma lista conjunta de candidatos para substituir quatro juízes do Tribunal Constitucional: dois indicados pelo PSD, um pelo Chega e um pelo PS.

O PSD indicou Joaquim Cardoso da Costa, antigo secretário de Estado e atual diretor do Centro Jurídico do Estado, e a professora catedrática Maria Paula Ribeiro Faria.

O PS indicou Gabriela Cunha Rodrigues, juíza desembargadora que exerce atualmente as funções de chefe de gabinete do presidente do Supremo Tribunal de Justiça, e o Chega propôs Luís Filipe Brites Lameiras, que foi juiz desembargador nos tribunais da Relação de Lisboa e do Porto.

O Tribunal Constitucional funcionava desde o ano passado com menos dois juízes, depois de José António Teles Pereira e Gonçalo Almeida Ribeiro, ambos eleitos por proposta do PSD, terem renunciado ao cargo em 01 de outubro.

Os outros dois juízes que vão ser substituídos são Joana Fernandes Costa, que aguardava substituição por ter ultrapassado os nove anos de mandato, e o atual presidente do Tribunal Constitucional José João Abrantes, que decidiu renunciar às suas funções. Os dois tinham sido eleitos pelo parlamento por proposta do PS.

José João Abrantes, juiz do Tribunal Constitucional desde julho de 2020 e presidente desde abril de 2023, comunicou há um mês que decidiu renunciar às funções com efeitos a partir da posse do seu substituto, por “razões pessoais e institucionais”.

Se a renúncia de José João Abrantes tivesse tido efeitos imediatos, os atuais 11 juízes do Tribunal Constitucional teriam de eleger um novo presidente. Assim, essa eleição só ocorrerá com a nova composição do tribunal, com 13 juízes.

Nos termos da Constituição, o Tribunal Constitucional é composto por 13 juízes, sendo dez designados pela Assembleia da República e os outros três cooptados por estes. Dos 13, seis são obrigatoriamente escolhidos de entre juízes dos restantes tribunais e os demais de entre juristas.

Os juízes do Tribunal Constitucional são designados por um período de nove anos, contados da data da posse, mas apenas cessam funções com a posse do juiz designado para ocupar o respetivo lugar, salvo situações como a renúncia.

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Revisão Constitucional. BE pede audiência a Seguro

Pureza exige audiência a Seguro para manifestar a sua "extrema preocupação" com projeto de revisão constitucional do Chega e critica Aguiar-Branco por prescindir das suas "obrigações constitucionais".

© JOÃO RELVAS/LUSA

O anúncio aconteceu um dia depois de o Parlamento ter votado e rejeitado um recurso apresentado pelo PS sobre a decisão do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, relativo ao projeto do Chega de revisão constitucional, no qual os socialistas pretendiam que o processo de admissão fosse concluído
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Ferro nega decisão igual à de Aguiar-Branco

O atual presidente do Parlamento, José Pedro Aguiar-Branco, afirmou que Ferro Rodrigues tomou idêntica posição à sua em matéria de processo de revisão constitucional e também perante projeto do Chega.

© TOMÁS SILVA/OBSERVADOR

Numa mensagem enviada à agência Lusa, Ferro Rodrigues diz que "o senhor presidente da Assembleia da República faltou à verdade"
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6h. Ferro Rodrigues nega decisão idêntica à de Aguiar-Branco

Ferro Rodrigues nega ter tomado posição idêntica num processo de revisão constitucional em 2020, depois da acusação de Aguiar-Branco. No desporto, a seleção portuguesa parte hoje para os EUA.

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Livre pediu audiência com Seguro sobre projeto do Chega

A líder parlamentar do Livre considerou "inadmissível" o chumbo do recurso do PS pela direita, e afirmou que o prolongamento do prazo da revisão constitucional é uma "golpada constitucional".

© DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Isabel Mendes Lopes lamentou que a decisão da direita parlamentar tenha dado razão à posição de Aguiar-Branco
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Aguiar-Branco admite recurso do PS sobre projeto Chega

De acordo com o PS, o projeto do Chega de revisão constitucional, ao contrário do que foi decidido por José Pedro Aguiar-Branco, tinha de ser admitido ou não admitido pelo presidente da AR.

© ANTONIO COTRIM/EPA

A posição do PS contra a decisão de Aguiar-Branco foi também acompanhada pelo Livre
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