ONU diz que Israel protege colonos em ataques na Cisjordânia ocupada
Autoridades israelenses estão diretamente envolvidas em ataques de colonos que mataram, feriram e deslocaram palestinos na Cisjordânia ocupada, enquanto as forças de segurança israelenses fornecem proteção aos colonos, afirmou uma investigação da ONU na terça-feira (9).
O relatório da Comissão de Inquérito sobre o Território Palestino Ocupado concluiu que as autoridades israelenses permitiram ataques de colonos por meio de apoio financeiro e militar, em um clima de impunidade fomentado por órgãos judiciais e policiais.
O relatório afirma que os ataques contra aldeias palestinas e terras agrícolas aumentaram 130% desde 2023, incluindo incidentes envolvendo grupos de agressores mascarados. Segundo o relatório, as forças de segurança israelenses acompanham os colonos rotineiramente e servem de escudo contra a violência.
O gabinete do primeiro-ministro israelense e as forças armadas não responderam imediatamente a um pedido de comentário.
Israel rejeita as acusações de que suas tropas protegem colonos durante ataques contra palestinos na Cisjordânia, alegando que tais ações são incidentes isolados que violam o protocolo militar e são investigados.
Grupos de direitos humanos israelenses e palestinos afirmam que essas investigações raramente resultam em punições.
Milhares de colonos israelenses vivem entre milhões de palestinos em terras que Israel capturou na guerra de 1967, onde os palestinos esperam construir um Estado.
A maioria dos países e o principal tribunal da ONU consideram esses assentamentos uma violação do direito internacional, o que Israel contesta, citando laços históricos e bíblicos com a terra.

Pelo menos sete palestinos foram mortos e 832 ficaram feridos no ano passado, e a violência continua em 2026 na forma de ataques quase diários, segundo as Nações Unidas.
“A crescente participação das forças de segurança israelenses em ataques de colonos equivale a um colapso de fato da distinção entre colonos e soldados”, concluiu o relatório.
Foi afirmado que essa violência tem sido usada para promover a política do Estado, incluindo a ocupação ilegal, o deslocamento de palestinos e a anexação de território palestino.
A Comissão documentou casos de agressões, sequestros e abusos de crianças palestinas por colonos.
Em um incidente ocorrido em 19 de abril de 2025, uma menina de 12 anos e seu irmão de 3 anos foram sequestrados sob a mira de uma faca, arrastados para um olival e amarrados a uma árvore com abraçadeiras de plástico até que sua família interveio.
Em julho de 2024, o Tribunal Internacional de Justiça emitiu um parecer consultivo não vinculativo afirmando que a ocupação israelense dos territórios palestinos e seus assentamentos ali são ilegais e devem ser suspensos o mais rápido possível, sendo essa a sua conclusão mais contundente até o momento sobre o conflito.
A Comissão também afirmou que os colonos cometeram ou ameaçaram cometer violência sexual para incitar o medo e assediaram mulheres palestinas.
“Os ataques diários e implacáveis dos colonos israelenses contra os palestinos são intoleráveis — e devem acabar”, disse o chefe da comissão, S. Muralidhar, um ex-juiz sênior indiano. Ele instou a comunidade internacional a pressionar Israel para desmantelar os assentamentos e postos avançados e conter a violência.
Apesar das condenações periódicas e do desmantelamento de alguns postos avançados não autorizados, as autoridades israelenses não tomaram medidas consistentes para impedir os ataques, afirmou o relatório.