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Exposição “lugar-depois” assinala nova etapa do Museu Zer0 em Tavira

A exposição “lugar-depois” inaugurou esta terça-feira, 9 de junho, uma nova fase do Museu Zer0, em Santa Catarina da Fonte do Bispo, no concelho de Tavira.

A apresentação teve início por volta das 21:30, na Cooperativa Agrícola de Santa Catarina da Fonte do Bispo, onde foram projetadas imagens nos edifícios do espaço, alusivas ao conceito do museu e da exposição.

A mostra reúne artistas de diferentes áreas da arte contemporânea e propõe uma reflexão sobre as crises ecológicas, as transformações climáticas, a perda da biodiversidade e a relação entre território e humanidade.

Nova direção marca arranque de ciclo no Museu Zer0

Segundo Fátima Pereira, curadora da exposição e membro da nova direção do museu, esta etapa fica marcada pela entrada em funções de uma direção composta por cinco mulheres.

“A principal diferença é uma nova direção, completamente assumida por cinco mulheres”, afirmou ao POSTAL, acrescentando que o objetivo passa por dar continuidade à visão do fundador do museu, Paulo Teixeira Pinto, através de um trabalho conjunto.

O conceito de lugar-depois nasce de um questionamento sobre os desafios contemporâneos, desde as alterações climáticas à perda de biodiversidade. “Andamos aqui todos, mas ainda temos tempo de fazer qualquer coisa ou tudo”, referiu a curadora.

Barrocal algarvio e Ria Formosa inspiram criação artística

O Barrocal algarvio surge como elemento central da exposição, não apenas por acolher o Museu Zer0, mas também através das residências artísticas promovidas pela instituição.

Estes programas incentivam os artistas a trabalhar o território e as suas especificidades, dando origem a projetos ligados à realidade local.

Uma das salas da exposição resulta de um trabalho desenvolvido em torno da Ria Formosa, abordando questões relacionadas com este ecossistema e as transformações que o afetam, explicou a responsável ao POSTAL.

A exposição parte da ideia de que o território não se esgota na sua dimensão visível ou geográfica, sendo entendido como um espaço em permanente transformação, onde persistem memórias, vestígios e relações entre paisagem, comunidade, ecossistema e tempo.

“O museu abriu no ano passado, mas agora este é o tempo do museu”, concluiu Fátima Pereira, destacando o início de um novo ciclo para a única instituição portuguesa dedicada exclusivamente à arte digital.

EJ/CM

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Atraso na Linha do Algarve bloqueia reforço ferroviário no Alentejo

A reafetação de material circulante ferroviário a ‘diesel’ para responder às necessidades da Linha do Alentejo continua condicionada pelo atraso no processo de certificação da modernização da Linha do Algarve, indicou o Governo.

O argumento consta da resposta do gabinete do ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, a uma pergunta apresentada há cerca de um mês pelo deputado do Bloco de Esquerda Fabian Figueiredo, consultada hoje pela agência Lusa no ‘site’ do parlamento.

Na resposta, a tutela afirma ter conhecimento da “existência de constrangimentos na disponibilidade de material circulante ferroviário” no país, atribuindo a situação a “um prolongado período de desinvestimento na renovação da frota”.

Segundo o Governo, esse contexto leva à utilização de “material com elevada antiguidade, o qual exige níveis acrescidos de manutenção e, consequentemente, condiciona a sua disponibilidade operacional”.

Atraso na Linha do Algarve condiciona frota

No caso da Linha do Alentejo, o ministério de Pinto Luz explica que “o atraso no processo de certificação da modernização da Linha do Algarve tem vindo a impedir a reafetação de material circulante ‘diesel’ atualmente afeto àquela linha”.

“Essa circunstância limita a flexibilidade na gestão da frota e na programação das intervenções de manutenção, com impacto na oferta disponível”, salienta.

De acordo com o gabinete do ministro, a conclusão da eletrificação da Linha do Algarve está prevista para julho, o que vai permitir “uma gestão mais eficiente da frota ‘diesel’ da CP” e o reforço dos serviços ferroviários não eletrificados.

A tutela diz que há um acompanhamento do cumprimento das obrigações de serviço público, revelando estarem “em curso ações de monitorização e fiscalização, através das quais se avaliam os níveis de serviço prestado e se identificam medidas corretivas”.

Segundo o Governo, a CP “dispõe de mecanismos operacionais para mitigar situações de rutura de oferta, incluindo a reafetação de material circulante entre linhas, adaptação de horários e, sempre que possível, reforço de meios alternativos de transporte”.

Governo admite aluguer e compra de novas automotoras

O gabinete do ministro admite que o aluguer de material circulante é “uma solução que tem vindo a ser analisada no contexto da gestão global da frota, tendo em consideração as limitações técnicas, operacionais e financeiras associadas”.

Nesta resposta, a tutela destaca ainda a compra de 22 automotoras da Stadler e de 153 da Alstom para reforço e substituição gradual do material circulante existente.

“Prevê-se que as primeiras três automotoras bimodo [diesel e elétrica] da Stadler entrem ao serviço no primeiro trimestre de 2027, estando prevista a sua alocação à Linha do Alentejo”, acrescentou.

BE questionou degradação do serviço no Alentejo

Em meados de maio, o deputado Fabian Figueiredo questionou o Governo sobre o que dizia ser a “degradação do serviço ferroviário na Linha do Alentejo”, alertando para dois incidentes ocorridos no troço Beja-Casa Branca, no dia 05 daquele mês.

Um dos episódios está relacionado com uma automotora, que, devido a uma avaria, ficou parada com os passageiros no seu interior, a cerca de cinco quilómetros da estação ferroviária de Casa Branca, referia então o parlamentar.

O outro diz respeito ao transporte rodoviário substituto de uma automotora avariada, que, por causa de uma estrada cortada devido a obras, “acabou por se desviar para um caminho de terra batida”, quando seguia para Casa Branca.

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Loulé distingue Lídia Jorge com Medalha de Mérito Cultural

Lídia Jorge recebeu, em Loulé, a Medalha de Mérito Cultural, numa cerimónia que juntou várias personalidades da vida pública, política e cultural da região no Solar da Música Nova, “casa” do Conservatório de Música de Loulé – Francisco Rosado.

A distinção foi entregue pela ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, em nome do Governo, poucos dias antes de a escritora celebrar 80 anos, assinalados a 18 de junho.

Segundo o Município de Loulé, a homenagem pretendeu reconhecer um percurso de 50 anos de uma das maiores figuras do pensamento europeu contemporâneo, cuja obra se tem centrado na memória, na condição humana e na democracia.

Escritora reafirma ligação ao Algarve e a Loulé

Visivelmente emocionada, Lídia Jorge assumiu a distinção como um momento “inesquecível”, sublinhando a importância de a homenagem acontecer “ao fim da tarde, entre amigos”, na sua terra natal.

No discurso, a escritora reafirmou o orgulho nas suas origens e a ligação ao Algarve. “Por natureza, e não por plano, nunca enjeitei o espaço da origem. Pelo contrário, fui somando à experiência primordial da infância, sucessivos círculos concêntricos que se foram alargando, pelas vivências geograficamente longínquas que a vida me tem proporcionado”, afirmou.

A escritora acrescenta que “a propósito desta fidelidade intrínseca, certa vez escrevi sobre este sentimento de pertença – Algarve, minha primeira pátria. O resto do mundo é apenas o seu deslumbrante prolongamento. E assim é. Por isso, Senhora Ministra, à Medalha de Mérito de âmbito nacional, que me atribui, eu devo acrescentar – Medalha de Mérito atribuída em Loulé, Algarve. Esta localização precisa não a restringe, aumenta-a”, declarou.

Para Margarida Balseiro Lopes, a distinção reconhece o impacto internacional da obra de Lídia Jorge e o seu contributo para a cultura nacional. A ministra destacou ainda a relevância de “O Dia dos Prodígios”, primeiro livro da autora, publicado em 1980, considerando-o “uma das obras mais marcantes da literatura portuguesa do pós-25 de Abril”.

Dino D’Santiago homenageia percurso literário

O músico Dino D’Santiago foi chamado a assumir o papel de “padrinho mais jovem” da homenagem, dirigindo palavras de admiração e amizade à escritora louletana.

“Lídia Jorge nasceu a 18 de junho de 1946. O céu sorriu! Sorriu porque, de vez em quando, nasce alguém capaz de recordar à Humanidade aquilo que ela se esforça tanto por se esquecer: a sua própria Humanidade!”, afirmou o artista.

Recordando as raízes da romancista em Boliqueime, Dino D’Santiago descreveu Lídia Jorge como “filha daqueles que conhecem o peso do sol sobre os ombros” e destacou o legado humano da sua obra. “Há pessoas que herdam propriedades, outras herdam apelidos, Lídia Jorge herdou uma coisa mais rara: o conhecimento profundo da condição humana”, afirmou.

O músico acrescentou ainda que, “num tempo em que tanto se escolhe o ruído, ela escolheu escutar”, defendendo que a obra da autora permanece viva porque “não nasce da ideologia, nasce da compaixão, uma forma superior de inteligência”.

Lídia Jorge será patrona da candidatura de Loulé

Também Telmo Pinto, presidente da Câmara Municipal de Loulé, destacou a ligação afetiva da escritora a Boliqueime e ao concelho, lembrando “a cidadã que ama a sua terra”.

O autarca sublinhou a capacidade de Lídia Jorge transformar histórias simples e a memória coletiva algarvia numa dimensão universal. “Nunca esqueceu as suas raízes e, mesmo quando escreve para o mundo, continua a escrever a partir daqui deste nosso Sul de luz”, afirmou.

Telmo Pinto acrescentou que a escritora “leva-nos daqui para o mundo, mas também traz o mundo até nós”, considerando-a um exemplo para as novas gerações pela “profundidade, o pensamento crítico, a integridade”.

Durante a cerimónia, o presidente da Câmara anunciou que Lídia Jorge será patrona e figura cimeira da candidatura de Loulé a Capital Portuguesa da Cultura em 2028.

Num dia em que a ministra participou também num fórum em Tavira sobre cultura digital e novas tecnologias, Lídia Jorge defendeu que, perante o avanço da Inteligência Artificial, “a Literatura e a Poética representam, nos meios da Linguagem, o último porto seguro de resistência à robotização do pensamento, à artificialidade, à despersonalização e à homogeneização”.

Para a autora, a tecnologia não deve alarmar os criadores. “Nenhuma máquina poderá rivalizar com a capacidade criativa que nós, os seres humanos, detemos, a capacidade de juntar o que nunca foi reunido antes, e a esse compositum novo, que se forma em cada um de nós se chama criação”, afirmou.

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Faro recebe Festival de Folclore Infantil no Passeio da Doca

O XXXI Festival de Folclore Infantil realiza-se no dia 12 de junho, às 20:00, no Passeio da Doca, em Faro, reunindo vários grupos e ranchos infantis num espetáculo dedicado às tradições populares e à cultura algarvia.

Promovida pelo Departamento de Desenvolvimento Social e Educação da Câmara Municipal de Faro, a iniciativa contará com a participação de grupos da cidade e do concelho, num programa que integra danças, marchas e temas do repertório tradicional.

Segundo o Município de Faro, o festival é dedicado à “valorização das tradições populares e da cultura identitária do Algarve”, dando palco a crianças e jovens em contexto de aprendizagem e partilha cultural.

Crianças e jovens dão vida ao repertório tradicional

Entre os participantes estão o Grupo Folclórico Infantil Casa de Santa Isabel, o Grupo Folclórico Infantil Nossa Senhora do Carmo, o Grupo Folclórico Infantil O Relógio, o Rancho Folclórico Infantil da Escola EB1/JI do Carmo.

O festival conta também com a prarticipação do Rancho Folclórico Infantil da Escola Básica de Estoi, Rancho Folclórico Infantil da Escola Básica da Ria Formosa, Rancho Folclórico Infantil da Escola Básica de S. Luís, Rancho Folclórico Infantil da Escola Básica do Bom João e do Grupo Folclórico Infantil de Faro.

O programa inclui atuações com danças e marchas tradicionais, como “Tia Anica”, “Alma Algarvia”, “Corridinho”, “Cabo de São Vicente”, “As Saias” e “Ó Nosso Algarve”, entre outras expressões do património musical e coreográfico regional.

De acordo com a autarquia, estas manifestações continuam a ser transmitidas às novas gerações através da participação ativa dos mais novos.

Município reforça aposta na preservação do folclore infantil

Com esta iniciativa, o Município de Faro afirma reforçar a aposta na preservação e divulgação do folclore infantil, promovendo o contacto das crianças com as tradições locais.

A autarquia sublinha ainda o envolvimento da comunidade em manifestações culturais de raiz popular, valorizando o papel das escolas, grupos e ranchos infantis na continuidade do património cultural algarvio.

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Fundação Três Culturas celebra Dia de Portugal com viagem pela cultura portuguesa

O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas é assinalado pela Fundação Três Culturas do Mediterrâneo com um novo encontro INTREPIDA, concebido como uma viagem pela cultura e pela língua portuguesas a partir de Sevilha, em Espanha.

A iniciativa é orientada por Paula Pires Feliciano, professora e historiadora portuguesa residente em Sevilha, e dirige-se a adultos hispanofalantes interessados em aprofundar o conhecimento sobre Portugal e a língua portuguesa.

Segundo a organização, o encontro começa no Algarve, com cidades como Tavira, e prossegue por locais emblemáticos repletos de história, como Coimbra e Porto, até chegar ao Alentejo.

Algarve marca início do itinerário cultural

O ciclo propõe um percurso pela geografia cultural portuguesa, com quatro sessões durante o mês de junho e uma duração total de seis horas de formação. Cada sessão terá 90 minutos.

Os temas da viagem são “Algarve: o legado do sul”, “Alentejo: a serenidade do interior”, “Lisboa e Coimbra: tradição e modernidade” e “Porto e Douro: a alma do norte”.

Além da dimensão cultural, o encontro inclui uma vertente prática da língua portuguesa, através de diálogos, vocabulário e conteúdos úteis, permitindo aos participantes aplicar os conhecimentos em futuras viagens e em contextos profissionais ligados a Portugal.

Projeto aproxima Andaluzia da língua portuguesa

A iniciativa tem despertado, de acordo com a Fundação Três Culturas, um interesse significativo, refletindo o crescente empenho da sociedade andaluza em reforçar a comunicação com Portugal através da aprendizagem da sua língua.

Todos os conteúdos foram concebidos por Paula Pires Feliciano, com base na sua experiência e no seu profundo conhecimento da língua e da cultura portuguesas.

O projeto INTREPIDA pro integra o Programa Interreg Espanha–Portugal (POCTEP) e conta com financiamento da União Europeia.

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José Faria renova com o Farense após garantir manutenção na II Liga

O treinador José Faria renovou contrato com o Farense por mais uma temporada, depois de ter garantido a permanência do clube algarvio na II Liga de futebol, ao eliminar o Belenenses no play-off, anunciaram hoje os algarvios.

“José Faria continua ao leme na próxima época. A sua dedicação, empenho e compromisso com o clube reforçam a nossa confiança no projeto e nos objetivos que temos pela frente”, revelou a SAD do emblema de Faro nas redes sociais.

Técnico chegou ao Farense em fevereiro

O técnico de 40 anos, que iniciou a temporada 2025/26 no Estrela da Amadora, na I Liga, chegou ao Farense em fevereiro, quando os algarvios ocupavam o 17.º e penúltimo lugar, e somou cinco vitórias, quatro empates e cinco derrotas, em 14 jogos.

Depois de, na última jornada, ter sido derrotado no terreno do vizinho Portimonense – que com esse triunfo ultrapassou o rival, concluiu em 15.º e garantiu a permanência –, o Farense foi obrigado a disputar o play-off com o Belenenses.

A formação de Faro acabou por superar o terceiro classificado da fase de subida da Liga 3, com vitória por 1-0 na primeira mão, em casa, e empate sem golos no Restelo.

O Farense, nos campeonatos profissionais desde 2018, vai cumprir a segunda época consecutiva na II Liga.

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Ontem, como professor, ganhei 10-0 à Inteligência Artificial | Por Paulo Freitas do Amaral

Ontem revi dezenas de ex-alunos meus num sarau de ginástica. Após muitas emoções e, já em casa, com alguma frieza, revi rostos, momentos e ensinamentos e percebi que o tempo também nos pode dar felicidade, por permanecermos no coração e na memória de quem partilhou conhecimento e sentimento numa sala de aula connosco.

Foi aí que o meu pensamento, antes de adormecer no sofá, me levou para mais longe… As palavras de um comentador “elétrico”, aos berros na televisão, ecoavam, dizendo que a profissão de professor iria ser dizimada pela Inteligência Artificial.

Pensei para comigo: será que este comentador diria o mesmo se tivesse ensinado o António, que agora ama a disciplina de História porque viveu as minhas aulas sobre a cultura egípcia como se tivesse sido o melhor amigo de Ramsés III? Será que este comentador tem noção de que o Manel descobriu o seu jeito para fazer os outros rir, por se sentir à vontade comigo, quando contou uma piada provocadora na sala e fez o resto da turma rir? Será que o comentador da televisão tem noção de que a Matilde disse à mãe, no dia em que me despedi da sua turma, que queria ser professora de Português quando crescesse, tal e qual como o professor Paulo era?

A Inteligência Artificial, por mais que pense sozinha, aja sozinha e até possa dar aulas, nunca ouvirá um agradecimento de um aluno por o ter mandado para a rua numa aula por ter feito uma asneira, como a Rita me disse ontem durante o sarau… E já passaram quatro anos desde que fui professor dela, em Évora.

Por mais que a Inteligência Artificial se ligue a um robô e resulte num maravilhoso humanoide, ao rever a Catarina, jamais lhe perguntará, como lhe perguntei ontem, se as razões das lágrimas que deitou no seu 5.º ano já desapareceram. Jamais conhecerá o olhar cúmplice ou o abraço sentido que ontem troquei com o Dinis, por saber das dificuldades que passou com os seus colegas… e que ele sabe que eu sei.

A exigência de um professor no futuro não pode ser a mesma que pautou o ensino quando éramos crianças. Nisso dou razão aos “profetas da desgraça” que vaticinam o desaparecimento da profissão de professor. Aos professores mais insensíveis para com os alunos, a sua hora chegará.

A profissão de professor no futuro, utilizando o recurso expressivo da comparação e recorrendo ao exemplo de uma profissão que, segundo o comentador “elétrico” da televisão, jamais desaparecerá, terá de ser como a de um canalizador: analisa (ensina), descobre o problema (cativa os alunos para gostarem da sua disciplina) e repara (encaminha os alunos para serem bons profissionais).

Os discursos monocórdicos da exigência do passado terão de ser reformulados. A alegria de ensinar e a construção de bons seres humanos não passam por uma máquina, por mais que ela se assemelhe ao ser humano.

Aquilo que faz correr um aluno para um abraço de reencontro a um professor é muito mais do que um algoritmo disfarçado de “olhar humano”.

Os avisos da Anthropic para os professores servirão apenas para aqueles que acham que uma nota reflete toda a exigência do mundo, que a alegria é sinónimo de irresponsabilidade e que uma cara mal-disposta representa autoridade.

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Portimão junta empreendedores e empresas para pensar o futuro

A StartUP Portimão promove, no dia 19 de junho, entre as 09:00 e as 13:00, na Casa Manuel Teixeira Gomes, o Future Business Summit – O Futuro das Empresas e da Liderança, uma iniciativa dedicada aos desafios da transformação empresarial.

O encontro vai reunir empreendedores da comunidade StartUP Portimão e do Portimão Cowork Space, que irão partilhar experiências, soluções e perspetivas sobre temas como aceleração digital, liderança, inteligência artificial, cibersegurança, comunicação e inovação.

Segundo o Município de Portimão, a iniciativa pretende juntar empreendedores, empresários, gestores e profissionais de diferentes áreas, criando um espaço de reflexão, aprendizagem e partilha.

Promovido pela incubadora de empresas do Município, o Future Business Summit procura aproximar o conhecimento e a capacidade de inovação existentes no ecossistema empreendedor local das empresas e organizações da região.

Digitalização e inteligência artificial em debate

De acordo com a autarquia, o evento pretende ir além de uma conferência sobre tendências, assumindo-se como uma oportunidade para reforçar a ligação entre o tecido empresarial e a comunidade empreendedora, promovendo a transferência de conhecimento, a inovação e a competitividade empresarial.

Ao longo da manhã, o encontro vai promover dois painéis centrais. O primeiro, dedicado à Aceleração Digital nas Empresas, contará com os contributos de Nádia Veloso, da 3HR Solutions, Carla Martins, da BLiSS Image & Life Consulting, e Raquel Melo, da Inboundware.

Neste painel serão abordadas experiências e perspetivas sobre liderança e alta performance, comunicação com propósito, valorização do talento e construção de marcas diferenciadoras num contexto empresarial cada vez mais exigente e digital.

O segundo painel, intitulado O Fator Humano na Era da Inteligência Artificial, reunirá Luís Silva, da Tecnologias Imaginadas, João Amado e Sara Cartucho, da JFA Training, e Tiago Fernandes, da Thinkerdots.

A sessão irá abordar temas como literacia digital, cibersegurança, utilização prática da inteligência artificial nas empresas e o seu impacto nos processos de inovação, tomada de decisão e desenvolvimento de produtos e serviços.

Workshops aproximam empresas e empreendedores

A componente prática do Future Business Summit será assegurada através de workshops temáticos dinamizados pelos empreendedores da comunidade StartUP Portimão e Portimão Cowork Space.

As sessões permitirão aos participantes aprofundar conhecimentos e experimentar metodologias e ferramentas aplicáveis ao contexto profissional, em áreas como gestão de pessoas, estratégia de imagem e comunicação, construção de marcas diferenciadoras, inteligência artificial em contexto empresarial e cibersegurança.

Segundo a organização, os workshops pretendem proporcionar momentos de “aprendizagem, experimentação e contacto direto com quem diariamente desenvolve soluções e projetos inovadores no mercado”.

Ao reunir empreendedores, empresários, gestores e profissionais de diferentes setores, o Future Business Summit reforça a missão da StartUP Portimão enquanto plataforma de dinamização do empreendedorismo, inovação e transferência de conhecimento.

A autarquia sublinha que a iniciativa promove “a criação de redes de colaboração” e contribui para o fortalecimento do ecossistema empresarial do concelho e da região.

A participação é gratuita, mediante inscrição prévia, estando sujeita à lotação disponível. O programa detalhado e o formulário de inscrição encontram-se disponíveis em: https://forms.office.com/e/YjGzHQJsiv.

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Investigadores apresentam em Faro soluções para reduzir desperdício alimentar

Mais de 120 investigadores, estudantes, técnicos e empresários de Portugal, Espanha, Brasil e México participaram no XIII Simpósio Ibérico de Maturação e Pós-Colheita (POST26), que decorreu entre 1 e 3 de junho na Universidade do Algarve, em Faro.

O encontro científico reuniu especialistas da Península Ibérica na área da conservação, qualidade e valorização de frutas e hortícolas, numa altura em que a redução das perdas alimentares e a sustentabilidade das cadeias agroalimentares ganham cada vez maior relevância.

Ao longo de três dias, foram apresentadas mais de 100 comunicações científicas, centradas em temas como tecnologias inteligentes de monitorização da qualidade, embalagens sustentáveis, revestimentos comestíveis, controlo biológico de doenças pós-colheita, valorização de resíduos agroalimentares e soluções de economia circular.

Tecnologias procuram prolongar vida útil dos alimentos

Um dos temas centrais do simpósio foi o combate ao desperdício alimentar. Durante a sessão dedicada à minimização das perdas, a investigadora Ana Cristina Santos, da Universidade de Évora, destacou que cerca de 32,2% dos alimentos produzidos no mundo são perdidos ou desperdiçados, valor que pode atingir os 50% no caso das frutas e hortícolas.

Em Portugal, estima-se que sejam desperdiçadas cerca de 1,9 milhões de toneladas de alimentos por ano. Perante este cenário, investigadores de vários países apresentaram soluções inovadoras capazes de prolongar a vida útil dos produtos, reduzir desperdícios e aumentar a eficiência das cadeias de abastecimento.

Entre as tecnologias apresentadas estiveram sistemas inteligentes de avaliação da qualidade baseados em imagem hiperespectral, sensores não destrutivos para monitorização das plantas, embalagens ativas com absorvedores de etileno, revestimentos comestíveis antifúngicos e novas estratégias de armazenamento para frutas e hortícolas.

O investigador José Blasco, do Centro de Agroingeniería do IVIA, em Valência, Espanha, apresentou o contributo da inteligência artificial e dos modelos inteligentes para a avaliação da qualidade pós-colheita. Já Vítor Alves, do Instituto Superior de Agronomia, abordou os avanços em embalagens sustentáveis e bioplásticos, destacando o seu papel na redução das perdas alimentares e do impacto ambiental.

Economia circular e jovens investigadores em destaque

A economia circular esteve também em evidência, com a apresentação de trabalhos que demonstram como resíduos e subprodutos agroalimentares podem ser transformados em soluções de elevado valor acrescentado.

Entre os exemplos apresentados estiveram a utilização de águas residuais da indústria da alcachofra para aumentar a conservação do tomate, o aproveitamento de resíduos de abacate e amêndoa para desenvolver revestimentos antifúngicos e a valorização de bananas não comercializáveis para produção de farinha rica em fibra prebiótica destinada à indústria alimentar.

A formação da próxima geração de investigadores foi outro dos pontos fortes do encontro. Pela primeira vez na história do simpósio, foram atribuídas Bolsas de Excelência pela Associação Portuguesa de Horticultura e pela Sociedade Portuguesa de Biologia de Plantas, destinadas a reconhecer o mérito científico de jovens investigadores na área da pós-colheita.

Para a Comissão Organizadora, o elevado número de participantes e a qualidade científica das apresentações demonstram a importância crescente da investigação em pós-colheita para enfrentar desafios globais como a segurança alimentar, as alterações climáticas, a escassez de recursos e a sustentabilidade dos sistemas alimentares.

O POST26 foi organizado pela Associação Portuguesa de Horticultura, Universidade do Algarve, Sociedad Española de Ciencias Hortícolas, Sociedade Portuguesa de Biologia das Plantas e Sociedad Española de Biología de Plantas.

Segundo a organização, esta edição reforçou o papel do Simpósio Ibérico de Maturação e Pós-Colheita como “um dos principais fóruns científicos da Península Ibérica dedicados à inovação, sustentabilidade e valorização da produção hortofrutícola”.

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Luís Tinoco e Luísa Costa Gomes levam Camões ao palco do Cineteatro Louletano

A ópera “Relicário Perpétuo”, com música de Luís Tinoco e libreto de Luísa Costa Gomes, chega ao Algarve no dia 13 de junho, às 20:00, no Cineteatro Louletano, depois da estreia em Lisboa.

A produção, coproduzida pelo Teatro Nacional de São Carlos e pelo comissariado para as Comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões, integra a programação que assinala os 500 anos do poeta.

Com encenação de Nuno Carinhas e direção musical de Joana Carneiro, a obra propõe uma leitura contemporânea de Camões, cruzando património, criação artística e reflexão sobre o lugar do poeta na identidade cultural portuguesa.

Segundo a organização, “Relicário Perpétuo” é “uma tragicomédia onde o poeta disputa o seu lugar no cânone, perdido numa corte oriental caótica”, num enredo em que “um rei, um vizir e o espectro de Camões” se movem num reino dominado pela obsessão de colecionar.

Loulé recebe versão de concerto da ópera

A estreia está marcada para 10 de junho, data simbólica em que se celebra Portugal, Camões e as Comunidades Portuguesas, seguindo-se nova récita em Lisboa no dia 11. A apresentação no Algarve acontece a 13 de junho, no Cineteatro Louletano, em versão de concerto.

Entre a tradição e a contemporaneidade, a produção afirma-se, de acordo com o comunicado, como “um gesto de continuidade de um nome que permanece central na identidade cultural portuguesa”.

A obra parte de uma questão em torno da memória, do valor e da preservação: o que guardar, o que rejeitar e quem tem autoridade para decidir. A partir desta interrogação, a ópera reúne diferentes imagens de Camões, do autor dos sonetos e da epopeia ao dramaturgo menos celebrado, às cartas e às sátiras.

No libreto, o poeta surge numa geografia fantasiosa de corte oriental, onde um príncipe acumula objetos de forma indiscriminada, incapaz de lhes atribuir valor. É nesse cenário que Camões procura afirmar o seu lugar no cânone, numa obra que combina humor, crítica e dimensão trágica.

Elenco junta seis cantores e Orquestra Sinfónica Portuguesa

O libreto conta com seis cantores e um faquir mudo, distribuindo vozes masculinas e femininas por diferentes personagens. Para além de Camões, surgem figuras como Gerardo, príncipe de sangue da Índia, Hipócrita, o vizir do Rei Salomão, e o próprio Salomão.

As personagens femininas incluem Bárbara, a Escrava, Catarina, a Santa de Roca, Joana, a Boba, e Dona Isabel, Cortesã. A partitura será interpretada pela Orquestra Sinfónica Portuguesa.

A ficha artística inclui Luís Tinoco na música, Luísa Costa Gomes no libreto, Joana Carneiro na direção musical, Nuno Carinhas na encenação e figurinos, Pedro Tudela na cenografia, Luís Porto na realização de vídeo e Rui Monteiro no desenho de luz.

Entre os solistas estão André Baleiro, André Henriques, Rodrigo Carreto, Camila Mandillo, Andrea Conangla, Mariana Fabião e João Lourenço Delgado.

No Cine-Teatro Louletano, os bilhetes têm o preço de 15 euros, estando previstos descontos e entradas gratuitas para públicos específicos, incluindo pessoas com deficiência e acompanhantes, crianças até aos 12 anos e portadores do cartão sénior da Câmara Municipal de Loulé, mediante levantamento de ingresso na bilheteira física.

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Albufeira recebe 450 jovens atletas no Dia Nacional do Minibasquete

Cerca de 450 atletas de Minibasquete, dos escalões Sub-8, Sub-10 e Sub-12, femininos e masculinos, vão participar esta quarta-feira, 10 de junho, nas celebrações do Dia Nacional do Minibasquete, em Albufeira.

A iniciativa contará com representantes de 10 clubes algarvios e cerca de 70 elementos de staff técnico, distribuídos por quatro espaços desportivos: Pavilhão da Escola Básica e Secundária Vale Pedras, Pavilhão da Escola Secundária de Albufeira, Pavilhão da Escola Básica Dr. Francisco Cabrita e Pavilhão Desportivo de Albufeira.

Segundo a Associação de Basquetebol do Algarve, os participantes vão fazer a “festa do Dia Nacional do Minibasquete”, numa jornada dedicada à formação e à promoção da modalidade junto de crianças entre os 6 e os 12 anos.

Evento junta formação, clubes e comunidade

As atividades têm início às 09:00 e decorrem até às 17:00, estando a cerimónia de encerramento marcada para o Pavilhão Desportivo de Albufeira, entre as 17:30 e as 18:15.

De acordo com a organização, no final, todos os participantes vão reunir-se no Pavilhão Desportivo de Albufeira para a cerimónia de encerramento deste “ENORME evento de formação”.

A organização está a cargo da Associação de Basquetebol do Algarve, com o apoio do Município de Albufeira, através de ALBUFEIRA’26, do IPDJ Algarve, do Agrupamento de Escolas de Albufeira, do Clube Basquete de Albufeira e do Imortal Basket Club.

A entrada é livre.

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Encontro com Autores leva Pedro Jubilot à Biblioteca Municipal de Tavira esta sexta-feira

A Biblioteca Municipal de Tavira – Álvaro de Campos recebe, esta sexta-feira, 12 de junho, às 18:00, mais uma sessão do Encontro com Autores, desta vez com a participação de Pedro Jubilot.

O autor estará à conversa sobre a plaqueta “Ilhas | Manhattan”, editada pela insula, em 2026, obra que funciona como apresentação do livro “Ilhas | New York”, com lançamento previsto para setembro do mesmo ano.

Segundo a organização, “Ilhas | Manhattan” é “uma amostra da travessia sentimental e cultural por NYC”, numa proposta que “convoca escritores, músicos, artistas e fantasmas” e conduz o leitor “numa deriva literária íntima pelas margens da cidade que nunca dorme”.

Autor vive em Tavira e integra coletivo literário Espúria

Pedro Jubilot vive em Tavira e publicou o livro “Veneza de Tédios”, editado pela Espúria, em 2024. Antes disso, editou “Postais da Costa Sul”, em 2013, “Telegramas do Mediterrâneo”, em 2016, e “Cartas da Mancha”, em 2018, todos pela CanalSonora.

É membro da Casa Álvaro de Campos, em Tavira, e integra o coletivo literário Espúria.

Em 2001, Pedro Jubilot venceu o concurso “MicroContos de Natal”, do jornal Público, com “Visita”. Em 2020, recebeu o prémio “Calceteiros de Letras”, atribuído pelo Ginásio Clube de Faro, pela sua ação e dedicação à divulgação da palavra e da poesia.

A sessão decorre na Biblioteca Municipal Álvaro de Campos, em Tavira, e integra a programação regular dedicada ao encontro entre autores, leitores e comunidade.

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Industrial Farense vence concurso do NERA com projeto sobre alfarroba

O projeto algarvio “Viagem ao Coração da Alfarroba”, da Industrial Farense, Lda., foi distinguido como vencedor da categoria “Turismo & Alfarroba e Amêndoa” na final do Concurso de Projetos e Atividades Inovadores – INOVA ALGARVE + DIVERSIFICAR, promovido pelo NERA.

Além da distinção, o projeto recebeu um prémio monetário de 2.500 euros, atribuído durante a conferência dedicada à fileira da alfarroba e da amêndoa.

Apresentada por Carlos Moura, a iniciativa destacou-se pela criação de uma experiência de turismo industrial dedicada a uma das fileiras agroalimentares mais emblemáticas do Algarve.

Segundo o NERA, o projeto “Viagem ao Coração da Alfarroba” propõe visitas guiadas às unidades de produção, permitindo aos visitantes conhecer o percurso da alfarroba, desde a transformação até aos vários produtos dela derivados.

Turismo industrial valoriza recurso endógeno do Algarve

A iniciativa pretende valorizar a alfarroba enquanto recurso endógeno, promover produtores e empresas locais e contribuir para a diversificação da oferta turística regional.

O ciclo de conferências INOVA ALGARVE + DIVERSIFICAR prossegue no dia 18 de junho, com uma sessão dedicada à fileira do medronho, dando continuidade ao trabalho de valorização das fileiras estratégicas e dos recursos endógenos da região.

Após o interregno de verão, a iniciativa regressará com novas conferências centradas nas Plantas e Flores, Economia do Mar, Recursos Geológicos e Citrinos.

A participação é gratuita, mediante inscrição prévia, estando o programa completo e o calendário das próximas sessões disponíveis no site do projeto INOVA ALGARVE.

A iniciativa é organizada pelo NERA, em parceria com a Algarve Evolution, Associação KIPT, CCDR Algarve, Região de Turismo do Algarve, Tertúlia Algarvia e Universidade do Algarve, no âmbito do Projeto INOVA ALGARVE 3.0, cofinanciado pelo Programa Regional Algarve 2030 | Portugal 2030.

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Marchas, arraiais e manjericos marcam Santos Populares de Quarteira

Quarteira prepara-se para receber os Santos Populares, um dos eventos mais emblemáticos da cidade, que este ano terá uma novidade no desfile das marchas populares.

Além das datas habituais de 12, 23 e 28 de junho, a iniciativa contará com uma noite extra, marcada para 19 de junho, no Passeio das Dunas. O desfile começa às 21:00 e terá entrada livre, sendo recomendada a chegada antecipada devido à habitual forte afluência de público.

Em representação das principais ruas da cidade, vão desfilar sete marchas: Onda Jovem, Florinhas de Quarteira, Gago Coutinho, Rua do Outeiro, Poeta Pardal, Rua da Cabine e Rua Vasco da Gama.

Segundo o Município de Loulé, o desfile destaca-se pelo “forte bairrismo”, pela criatividade na elaboração dos trajes e coreografias e pela “profunda ligação à tradição piscatória local”.

Arraiais levam música e gastronomia às ruas

Nas noites de Santo António, São João e São Pedro, bem como na noite de 19 de junho, o Passeio das Dunas volta a vestir-se com os tradicionais arcos e balões para receber centenas de marchantes, que dão corpo a meses de ensaios e dedicação.

A animação estende-se também a outros pontos da cidade, com arraiais que juntam música, baile e gastronomia típica da quadra, incluindo sardinha assada e caldo verde.

Depois das festas já realizadas no Largo dos Rosas e na Rua Vasco da Gama, os arraiais prosseguem na Rua da Gaivota, no dia 9, na Rua da Fonte, nos dias 12 e 13, na Rua da Cabine, nos dias 19 e 20, e na Rua da Madrugada, nos dias 26 e 27. Os arraiais decorrem entre as 19:30 e as 00:00.

No Largo Autárquico realiza-se ainda o habitual evento solidário de venda de manjericos. Nos dias 12, 23 e 26 de junho, entre as 9:30 e as 13:00, será possível adquirir este símbolo dos Santos Populares, também conhecido como “erva dos namorados”.

O valor angariado reverte a favor de instituições de solidariedade social da freguesia.

Para a autarquia, os Santos Populares de Quarteira assumem, além do forte cariz identitário, o papel de “principal cartaz turístico da região nos dias que antecedem o início da época alta no Algarve”.

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Redução de verbas municipais deixa futuro do Imortal Basket em aberto

O Imortal Basket Clube alertou para o risco de não conseguir manter o projeto de basquetebol profissional na próxima época, apontando como causa a redução do apoio financeiro municipal. A Câmara de Albufeira justifica a medida com a aplicação de critérios de equidade na distribuição das verbas públicas.

Num comunicado divulgado nas redes sociais, a direção do clube de Albufeira afirmou que a continuidade da atividade profissional está comprometida, apesar dos resultados alcançados nas últimas épocas pelas equipas masculina e feminina.

De acordo com o Imortal, o projeto competitivo foi desenvolvido com o contributo de parceiros privados, sobretudo ligados ao setor turístico, mas continuou a depender de uma “considerável dependência do financiamento” municipal.

Clube anuncia eleições perante incerteza financeira

Face ao atual contexto, o clube anunciou a realização de eleições em 17 de junho, uma vez que o mandato da atual direção termina e os seus responsáveis não pretendem recandidatar-se nas condições existentes.

Ainda assim, a direção manifestou confiança na possibilidade de surgir uma nova liderança capaz de apresentar um modelo sustentável que assegure a continuidade do clube e a participação nos campeonatos nacionais de basquetebol.

Câmara defende critérios de equidade nos apoios

Em resposta, a Câmara Municipal de Albufeira esclareceu, também em comunicado, que a redução do apoio financeiro visa garantir “justiça e equidade” na distribuição de verbas públicas destinadas ao movimento associativo desportivo local.

Segundo a autarquia, o apoio global previsto para o Imortal em 2025 ascende a cerca de 600 mil euros, montante que, argumenta, é equivalente ao valor total atribuído aos restantes clubes do concelho para atividades de formação.

O município acrescentou que, nos termos do Decreto-Lei n.º 273/2009, não lhe compete financiar equipas profissionais, devendo os apoios públicos destinar-se à formação e ao desenvolvimento da prática desportiva.

A Câmara especificou que as verbas atribuídas incluem despesas relacionadas com transportes, limpeza e apoio aos escalões de formação, defendendo a uniformização dos critérios de financiamento e a não discriminação entre clubes.

Segundo o Imortal Basket Clube, está em causa a continuidade de um projeto que se afirmou no panorama nacional da modalidade e que tem sido apontado como uma das principais referências desportivas do concelho de Albufeira.

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PJ detém homem suspeito de matar colega a tiro em Silves

Um homem de 39 anos, suspeito de ter matado a tiro um colega de trabalho numa obra em Silves, no Algarve, em maio, foi detido pela Polícia Judiciária (PJ), anunciou hoje aquela força policial.

Em comunicado, a PJ adianta que a vítima e o suspeito trabalhavam juntos no setor da construção civil desde o início do ano, tendo surgido, ao longo dos últimos meses, desentendimentos frequentes entre ambos.

Segundo a mesma nota, as divergências estariam relacionadas com “o consumo excessivo de álcool e com uma dívida supostamente não paga por parte do falecido”.

De acordo com a polícia, os factos ocorreram na tarde de 25 de maio, quando o suspeito se deslocou à obra onde se encontrava a vítima, levando consigo uma arma de fogo pertencente a um familiar, que tinha previamente escondido numa garagem.

Homem terá disparado contra a zona lateral esquerda do crânio da vítima

Após uma breve troca de palavras, o homem terá disparado um tiro contra a zona lateral esquerda do crânio da vítima, provocando-lhe a morte imediata, indica a PJ.

A polícia acrescenta que as diligências de investigação permitiram recolher “prova robusta” da autoria do homicídio, culminando na localização e detenção do suspeito, bem como na apreensão da arma de fogo utilizada e dos respetivos cartuchos.

O detido, indiciado por homicídio qualificado e detenção de arma proibida, vai ser presente a primeiro interrogatório judicial para aplicação das medidas de coação.

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Investigadores da UAlg estudam ratinho espinhoso africano resistente a tumores

Uma equipa de investigadores do Algarve Biomedical Center Research Institute (ABC-Ri), da Universidade do Algarve (UAlg), e do Instituto de Investigação Biomédica Sols-Morreale (IIBM-CSIC-UAM) publicou na revista Scientific Reports um estudo sobre o ratinho espinhoso africano, conhecido cientificamente como Acomys.

A espécie é conhecida pela elevada capacidade de regeneração tecidular e pela resistência ao desenvolvimento de tumores, características que estão agora a abrir novas perspetivas de investigação sobre mecanismos biológicos associados à prevenção do cancro e à medicina regenerativa.

Ao contrário da maioria dos mamíferos, que cicatrizam após uma lesão, este roedor consegue regenerar pele, músculo e até recuperar ligações funcionais na medula espinhal, tornando-se um modelo de grande interesse para o estudo da regeneração dos tecidos.

Durante décadas, o cancro foi descrito como “uma ferida que nunca cicatriza”, uma vez que tanto a reparação dos tecidos como o desenvolvimento tumoral envolvem uma intensa multiplicação de células. Esta semelhança levou os investigadores a questionar se organismos com maior capacidade de regeneração poderiam ter também maior propensão para desenvolver cancro.

Ratinho espinhoso resistiu à formação de tumores

Os resultados do estudo apontam, no entanto, em sentido contrário. A equipa comparou a resposta do ratinho espinhoso africano com a de ratinhos de laboratório convencionais, da espécie Mus musculus, depois de ambos serem submetidos a um modelo experimental de indução de tumores na pele.

Enquanto os ratinhos convencionais desenvolveram vários tumores, os ratinhos espinhosos não desenvolveram nenhum.

Para compreender esta diferença, os investigadores analisaram, ao longo de 28 dias, a atividade dos genes das duas espécies. Os dados mostram que o ratinho espinhoso desencadeia uma resposta biológica distinta quando exposto a fatores capazes de provocar cancro.

Este animal ativa mais rapidamente genes que ajudam a impedir o desenvolvimento do processo cancerígeno e apresenta uma resposta imunitária mais eficaz, envolvendo células capazes de eliminar células potencialmente cancerígenas. Quando o dano é controlado, a atividade destes genes regressa rapidamente aos níveis normais.

Outro dos aspetos observados foi o aumento da morte celular programada nas zonas lesionadas, mecanismo que permite eliminar células com alterações genéticas antes de estas se transformarem em células cancerígenas.

Investigação pode ajudar a identificar novos alvos terapêuticos

Para Wolfgang Link, investigador do CSIC e autor correspondente do estudo, os resultados mostram que regeneração e resistência ao cancro podem estar ligadas.

“Estes resultados indicam que a capacidade regenerativa e a resistência ao cancro não são incompatíveis, podendo antes estar relacionadas”, explica o investigador.

“O ratinho espinhoso desenvolveu mecanismos altamente eficazes para controlar a proliferação celular, ativando tanto o sistema imunitário como vias supressoras de tumores”, acrescenta.

O estudo posiciona os mecanismos de regeneração tecidular como uma possível chave para a prevenção do cancro. Compreender como o ratinho espinhoso africano consegue controlar a multiplicação celular poderá contribuir para identificar novos alvos terapêuticos e apoiar o desenvolvimento de estratégias inovadoras para a prevenção e tratamento do cancro humano.

A investigação poderá ainda abrir caminho a novos avanços na medicina regenerativa, ao permitir compreender melhor como alguns organismos conseguem reparar tecidos sem desencadear processos tumorais.

A equipa responsável pelo estudo e pela publicação do artigo é composta por Marta Vitorino, Gonçalo G. Pinheiro, Inês Grenho, Inês M. Araújo, Bibiana Ferreira, Wolfgang Link e Gustavo Tiscornia, investigadores da Universidade do Algarve.

Artigo disponível em: Resistance to tumorigenesis in the african spiny mouse (Acomys) correlates with upregulation of multiple tumor suppressor genes

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Apoio de 13.000 € da Fundação Galp vai requalificar ginásio dos Inter-Vivos em Martim Longo

A Inter-Vivos – Associação de Jovens do Nordeste Algarvio recebeu um apoio de 13 mil euros através do Programa Fundação Galp Solidária 2.0, destinado à requalificação do ginásio da associação, em Martim Longo, no concelho de Alcoutim.

O financiamento foi atribuído ao projeto “Requalificação do Ginásio Inter-Vivos – Promoção da Saúde e Igualdade no Interior” e permitirá modernizar aquela que é considerada a única infraestrutura de fitness existente na freguesia.

A entrega simbólica do apoio decorreu no passado sábado, durante o evento “Inter-Vivos em Festa”, que reuniu centenas de pessoas na sede da associação. A cerimónia contou com a presença da diretora executiva da Fundação Galp, Sandra Aparício, e do presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, Paulo Paulino.

Segundo a associação, o apoio representa um reconhecimento do trabalho desenvolvido pelos Inter-Vivos em prol da comunidade e permitirá substituir equipamentos degradados, adquirir novo material de treino e melhorar as condições de utilização do espaço.

Ginásio assume papel essencial no interior do concelho

Para André Martins, presidente da direção dos Inter-Vivos, este apoio representa “muito mais do que a renovação de equipamentos”.

“É um investimento na saúde, no bem-estar e na qualidade de vida da nossa comunidade. Numa freguesia do interior, onde as oportunidades de acesso a infraestruturas desportivas são limitadas, esta requalificação permitirá continuar a oferecer um serviço essencial à população e melhores condições aos nossos atletas”, afirma.

O ginásio dos Inter-Vivos é atualmente o único equipamento deste género em Martim Longo, sendo que as alternativas mais próximas se encontram a várias dezenas de quilómetros. Esta realidade dificulta o acesso regular da população à prática de atividade física.

Além dos utilizadores particulares, o espaço é também utilizado pelos atletas da associação, desempenhando um papel importante na preparação física das equipas de futsal e na promoção de hábitos de vida saudáveis junto dos jovens.

A associação estima que a requalificação permita aumentar o número de utilizadores, melhorar as condições de segurança e conforto e contribuir para combater o sedentarismo, o isolamento e as desigualdades de acesso a serviços essenciais no interior do país.

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Faro hasteia Bandeiras Azuis e reforça acessibilidade nas praias do concelho

O Município de Faro assinalou esta terça-feira o hastear oficial das Bandeiras Azuis nas praias de Faro, Ilha da Barreta, também conhecida como Ilha Deserta, Ilha do Farol e Ilha da Culatra.

A distinção volta a reconhecer a qualidade ambiental, a segurança e os serviços disponibilizados nestas zonas balneares do concelho, numa época em que a autarquia reforça também medidas de acessibilidade, sustentabilidade e valorização dos espaços costeiros.

Para além da Bandeira Azul, foram igualmente hasteadas as distinções Qualidade de Ouro e Praia Zero Poluição, reconhecimentos que, segundo o Município de Faro, reforçam o seu compromisso com a “preservação ambiental, a gestão sustentável do território e a promoção de um turismo responsável”.

Praia de Faro reforça condições de acessibilidade

A acessibilidade voltou a merecer destaque nesta época balnear. Na Praia de Faro, junto ao Parque de Campismo, foi hasteada a bandeira “Praia Acessível”, que certifica as condições existentes para garantir o usufruto da praia por todas as pessoas, independentemente das suas capacidades físicas.

Além das habituais cadeiras anfíbias, rampas e tapete de acesso ao mar, foi instalada uma nova pérgula e um deck de apoio, equipamentos que procuram proporcionar maior conforto e melhores condições de utilização aos visitantes com mobilidade reduzida ou outras limitações.

No âmbito da valorização dos espaços balneares, foram ainda colocadas três poltronas produzidas com materiais reutilizados, integrando o código de conduta para a utilização responsável da praia. Foi também instalado um sistema de limpeza dos pés que permite remover a areia sem desperdício de água.

A autarquia realizou ainda intervenções de manutenção e melhoria das infraestruturas existentes, com o objetivo de contribuir para uma experiência mais confortável para residentes e visitantes.

De acordo com o Município, a qualidade e a segurança das praias continuam a ser prioridades. Durante a época balnear, é assegurada a limpeza diária das instalações sanitárias, incluindo equipamentos adaptados para pessoas com mobilidade reduzida.

São também realizadas colheitas e análises regulares à qualidade da água e da areia, garantindo condições adequadas para uma utilização segura dos espaços balneares. As praias dispõem ainda de vigilância permanente por nadadores-salvadores e de equipamentos de segurança.

Município promove ações de educação ambiental dirigidas à comunidade escolar

No âmbito do Programa Bandeira Azul, o Município de Faro promove várias ações de educação ambiental dirigidas à comunidade escolar, aos utilizadores das praias e à população em geral. Estas iniciativas decorrem nas escolas, no Polo Ambiental e nos espaços balneares do concelho.

Segundo a autarquia, estas ações procuram sensibilizar para a importância da conservação dos recursos naturais e “incentivar a participação ativa de todos na proteção do ambiente”.

Com estas distinções e investimentos, o Município de Faro afirma que reafirma o compromisso com a “qualidade ambiental, a inclusão, a segurança e a valorização sustentável do seu património natural”, consolidando o concelho como destino de excelência para residentes e visitantes.

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O coração que se defende batendo | Por Isabel Duarte

O coração bate. Bate antes do primeiro choro e só cessa quando o corpo cessa. No adulto, repete o gesto cerca de cem mil vezes por dia, sem férias nem domingos. Recebe sangue oxigenado, nutrientes em abundância, vasos sanguíneos por toda a parte. À luz da biologia que se aprende na escola, deveria ser um terreno fértil para o cancro: rico, irrigado, vivo. E, no entanto, é uma das raríssimas excepções.

Os tumores primários do coração são tão pouco frequentes que ocupam um parágrafo apenas nos manuais de patologia. Durante décadas, várias hipóteses tentaram explicar esta resistência. Dizia-se que as células do coração já não se dividem, que o tecido cardíaco é demasiado muscular para acomodar um tumor, que a circulação rápida não permite às metástases fixarem-se. Nenhuma destas explicações era inteiramente convincente. O coração permanecia um enigma anatómico, vizinho dos pulmões, do fígado, do estômago (todos eles vulneráveis), mas aquele protegido por uma razão que ninguém sabia justificar.

Crédito: pexels

Em Abril de 2026, uma equipa italiana do International Centre for Genetic Engineering and Biotechnology de Trieste, liderada por Giulio Ciucci e Serena Zacchigna, publicou na revista Science uma explicação tão simples que parece literatura: O que defende o coração do cancro é o próprio bater do coração.

A intuição partiu de uma observação clínica. Em doentes com insuficiência cardíaca grave, quando se implanta um dispositivo que assume a função de bombear o sangue, o coração descansa, e as suas células voltam a multiplicar-se, coisa que normalmente não fazem no adulto. Os cardiomiócitos regeneram-se a uma taxa de apenas cerca de 1% ao ano. Aliviada a pressão, retomam o hábito esquecido de se dividirem.

E se essa mesma pressão impedisse também as células cancerosas de proliferar?

Para testar esta hipótese, foi necessário fazer algo inverosímil: Construir um coração vivo que não batesse. Os investigadores transplantaram um segundo coração de ratinho para o pescoço de outro ratinho, ligado à sua circulação. O órgão recebia sangue, oxigénio e nutrientes, mas não bombeava, não suportava pressão, e como tal não batia. Em seguida, injectaram células cancerosas humanas em ambos os corações: O nativo, que continuava o seu normal batimento, e o transplantado, condenado a um repouso forçado. Os resultados foram claros. No coração imóvel, o tumor multiplicou-se sem restrição. No coração que batia, o tumor ocupou apenas cerca de 20% do tecido. O restante tecido cardíaco resistiu ao desenvolvimento tumoral.

Mais do que observar e medir esta resistência à progressão tumoral, os cientistas precisaram de a compreender. Identificaram uma proteína, a Nesprin-2 [https://www.uniprot.org/uniprotkb/Q8WXH0/entry], situada entre a membrana da célula e o seu núcleo, que age como um mensageiro mecânico: traduz a pressão física da contracção em sinais que chegam ao ADN e silenciam os genes da proliferação. A célula “sente” que está a ser comprimida e “decide” não se dividir. O cancro, que é (de uma forma simplificada) uma divisão descontroloda das células, encontra ali uma parede sem porta. Não é um gene que o detém. É o processo rítmico que o impede.

E é esta constatação que me parece mais notável, e que justifica esta crónica: A natureza do mecanismo. Estamos habituados a pensar que o corpo se defende com biomoléculas: anticorpos, enzimas, hormonas, células “assassinas”. Quase toda a medicina moderna se construiu sobre moléculas que se ligam a outras moléculas. Aqui, pela primeira vez com tanta clareza, descobre-se que o corpo se defende também com movimento. Que a fisicalidade do bater, o ritmo, a compressão que se repete, é em si uma forma de imunidade. A vida, ao mover-se, protege-se.

O grupo de Trieste trabalha agora com um grupo de engenheiros, num dispositivo para vestir no combate ao melanoma (um agressivo tipo de cancro da pele) que comprime os tecidos na cadência aproximada de um batimento cardíaco. Os primeiros resultados, dizem, são encorajadores. Imaginar a medicina futura como um exercício de aplicar pressões certas, em sítios certos, no instante certo, é hoje menos absurdo do que era ontem.

Mas há algo aqui que vai muito além da prática clínica. Aprendemos, desde Hipócrates, a pensar a doença como um excesso ou uma falta (de bílis, de açúcar, de células, de oxigénio). Raramente a pensamos como uma falha de ritmo. E todavia o coração, que é por definição rítmico, sugere-nos agora que a saúde pode ser, em parte, uma questão de cadência. De insistência. De voltar sempre ao mesmo gesto.

O coração não bate para sobreviver. Bate porque é essa a sua maneira de existir. E ao fazê-lo, sem saber, sem propósito, sem destino, defende-se daquilo que nem imaginava ter de combater.

Referências:

Ciucci, G. et al. Mechanical load inhibits cancer growth in mouse and human hearts. Science 392, eads9412 (2026). doi:10.1126/science.ads9412.

Fieldhouse, R. How your heartbeat could keep cancer at bay. Nature News (23 Abril 2026). doi:10.1038/d41586-026-01296-z.

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