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Cidade na serra catarinense registra menor temperatura do ano: -6,7°C

A cidade de Bom Jardim da Serra registrou, na manhã desta quarta-feira (17), a menor temperatura do ano. Às 7h, os termômetros na serra catarinense mostraram -6,7°C.

As paisagens da cidade amanheceram cobertas de geada.

O novo recorde de temperatura foi medido nas Estações Inmet e Epagri/Ciram.

Veja vídeo:

O frio intenso e a geada são causados por uma massa de ar polar que avança pela região Sul. Essa frente fria deve se manter forte até final de semana.

Além de Bom Jardim, outras 13 cidades de Santa Catarina registraram temperaturas negativas nesta manhã.

Veja cidades que registraram temperaturas negativas nesta manhã:

  • Bom Jardim da Serra: -6,7°C
  • Urupema: -5,1°C
  • Urubici: -3,6°C
  • São Joaquim: -2,4°C
  • Ponte Alta do Norte: -2,2°C
  • Ibiam: -1,7°C
  • Bom Retiro: -1,6°C
  • Rio Rufino: -1,6°C
  • Bocaina do Sul: -1,6°C
  • São José do Cerrito: -1,5°C
  • Canoinhas: -1,1°C
  • Brunópolis: -0,7°C
  • Fraiburgo: -0,5°C
  • Caçador: -0,4°C

Previsão do tempo para os próximos dias

Uma intensa massa de ar polar avança pelo Brasil e deve provocar queda nas temperaturas nos estados do Sul do país. Com isso, a última semana do outono de 2026 deve ser marcada por frio intenso, geadas e temperaturas abaixo de 0°C.

Na quinta-feira (18), o amanhecer será gelado, mesmo que o risco de temperaturas negativas seja menor do que nos dias anteriores, já que o centro da massa de ar frio estará sobre o oceano.

O frio deve ser sentido com ainda mais força entre sábado (20) e domingo (21). O novo fenômeno pode trazer uma geada generalizada aos estados do Sul.

Entre os dias 19 e 20, ainda há previsão de chuva para região Sul.

*Sob supervisão de AR.

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Vídeo mostra homem perseguindo e espancando mulher em estação do Metrô

Imagens das câmeras de monitoramento do Metrô de São Paulo registraram o momento em que uma mulher, de 24 anos, foi brutalmente agredida por um homem na estação Parada Inglesa, na Zona Norte da capital paulista.

O ataque aconteceu na noite de segunda-feira (15) e deixou a vítima com fraturas no maxilar, no nariz, no joelho e três dentes quebrados.

Os vídeos, a que a CNN Brasil teve acesso, mostram duas amigas caminhando pela plataforma da Linha 1-Azul quando passam a ser observadas por um homem.

Em seguida, ele se aproxima e passa a perseguir as mulheres. Pouco depois, uma delas consegue se afastar, enquanto a outra, identificada como Larissa Ramos Raudenberg, é alcançada e violentamente atacada.

Ela desmaia na sequência e é socorrida por outros passageiros. Imagens mostram a mulher no chão da plataforma, enquanto outros passageiros se mobilizam para prestar socorro.

Segundo a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo), o agressor foi detido por seguranças do metrô enquanto a vítima recebia os primeiros atendimentos.

Imagens de monitoramento do Metrô mostram o momento em que Larissa é levada do local de cadeiras de rodas.

O suspeito, morador em situação de rua segundo a Polícia, foi identificado, detido e liberado.

O caso foi registrado como lesão corporal e vias de fato no 73° Distrito Policial (Jaçanã).

De acordo com o boletim de ocorrência, Larissa relatou que o agressor era um desconhecido e que não houve qualquer discussão ou contato prévio entre eles.

A jovem afirmou que foi surpreendida pelo homem na plataforma e passou a ser agredida sem motivo aparente.

A vítima foi socorrida e levada ao Conjunto Hospitalar do Mandaqui, onde recebeu atendimento médico. A Polícia Civil solicitou exame de corpo de delito ao Instituto Médico Legal (IML).

Um atestado médico anexado ao caso aponta que Larissa foi considerada temporariamente incapaz para o trabalho e recebeu afastamento de 13 dias. O documento cita os traumatismos decorrentes da agressão.

Ela sofreu fraturas no maxilar, no nariz e no joelho esquerdo, além da quebra de três dentes. Ela recebeu alta hospitalar e segue se recuperando em casa.

Segundo a Polícia, Larissa afirmou que descarta a hipótese de tentativa de roubo. Os celulares que carregava caíram no chão durante a agressão, mas não foram levados pelo suspeito.

A Polícia Civil apura as circunstâncias do ataque e analisa as imagens de monitoramento que registraram toda a sequência de agressões.

Em nota, o Metrô lamentou o caso. “O Metrô lamenta o ocorrido, reforça que seus funcionários atuaram prontamente para garantir o atendimento à vítima e a segurança dos demais passageiros e está à disposição das autoridades para colaborar com a investigação.”

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Primeira peste na humanidade ocorreu há 5500 anos e dizimou povoado

Há cerca de 5.500 anos, grupos de caçadores-coletores habitavam a região do Lago Baikal, na Sibéria, sustentando-se graças a abundantes recursos naturais, incluindo presas como alces, veados, cervos, peixes, focas e roedores chamados marmotas. Essas pessoas foram vítimas do primeiro surto de peste conhecido, especialmente crianças e adolescentes.

Pesquisadores afirmaram que o DNA antigo obtido de corpos sepultados em quatro sítios funerários da região revelou a presença das cepas mais antigas conhecidas da Yersinia pestis, a bactéria da peste. Essas mortes pré-históricas prenunciaram o imenso sofrimento que esse patógeno infligiu à humanidade ao longo dos milênios.

Os pesquisadores afirmaram que o surto foi particularmente mortal para os jovens, a julgar pelos locais de sepultamento, e atribuíram isso a características genéticas nessas cepas que não estão mais presentes na versão atual do patógeno. Eles também disseram que a descoberta reforça a evidência de que as marmotas eram a espécie hospedeira original da bactéria e que a peste surgiu na Ásia central ou nordeste antes de se espalhar pela Eurásia.

“As descobertas mudam fundamentalmente a forma como pensamos sobre as origens e o impacto inicial de um dos patógenos mais importantes para a humanidade“, disse o geneticista evolucionista Eske Willerslev, da Universidade de Copenhague e da Universidade de Cambridge, autor principal do estudo publicado na quarta-feira na revista Nature .

O segundo caso mais antigo conhecido de peste data de entre 5.300 e 5.000 anos atrás, na Letônia, a aproximadamente 5.000 km de distância.

“Foi somente com o desenvolvimento de métodos para estudar o DNA antigo que descobrimos que ele existe há muito mais tempo do que sabemos pelos registros históricos. É uma doença zoonótica, um patógeno mantido principalmente em roedores, e não em humanos, mas que repetidamente se transmitiu para humanos com efeitos devastadores”, disse Ruairidh Macleod, geneticista evolucionista da Universidade de Oxford e principal autor do estudo.

Esses efeitos incluíram duas epidemias que mataram uma grande porcentagem da população da Europa: a Peste de Justiniano, no século VI, e a Peste Negra, no século XIV, quando a peste era transmitida às pessoas por meio de picadas de pulgas infectadas carregadas por ratos.

Durante muito tempo, supôs-se que surtos significativos de peste só ocorreram depois que a humanidade começou a praticar a agricultura e estabeleceu assentamentos com alta densidade populacional. Havia também a ideia de que as primeiras cepas poderiam ter sido mais brandas. A descoberta de que a peste matou caçadores-coletores pré-históricos que vagavam por uma paisagem florestal remota em grupos que talvez chegassem às dezenas contradisse essas noções.

No Lago Baikal, a bactéria Yersinia pestis foi detectada em 18 dos 46 corpos examinados, uma taxa superior à encontrada em algumas valas comuns da Idade Média afetadas pela peste. Macleod afirmou que encontrar evidências de um surto letal de peste em larga escala entre esses caçadores-coletores foi uma “completa surpresa”.

Uma fase de transição

Os pesquisadores recuperaram múltiplos genomas de Yersinia pestis preservados nos dentes de vítimas da peste enterradas. Essas cepas eram muito próximas da raiz ancestral de uma bactéria que havia divergido de seu predecessor evolutivo talvez apenas dois séculos antes.

“O patógeno parece representar um estágio de transição na evolução da peste – já capaz de causar doenças graves, mas ainda sem possuir o conjunto completo de adaptações observadas em cepas pandêmicas posteriores”, disse Willerslev.

As cepas antigas não possuíam um gene necessário para a transmissão eficiente por pulgas e para os inchaços dolorosos desencadeados pela disseminação da infecção dos locais das picadas de pulga para os gânglios linfáticos mais próximos, como ocorreu nas epidemias posteriores.

Mas eles possuíam uma variante genética ausente em cepas posteriores da peste, que pode causar complicações inflamatórias graves, às quais as crianças são especialmente suscetíveis. Muitos dos enterrados eram crianças, às vezes irmãos.

“Essa suscetibilidade é maior em crianças de 8 a 12 anos e representa um padrão de mortalidade completamente diferente do que observamos em outros sítios de caçadores-coletores do Baikal, onde a peste não é detectada”, disse Macleod.

“Juntamente com a presença de outros genes que tornam as infecções por peste graves, fica claro que essas cepas pré-históricas da peste eram igualmente capazes de serem mortais, embora de uma maneira diferente”, disse Macleod.

Esses caçadores-coletores entraram em contato próximo com marmotas, e os pesquisadores afirmaram que parece que os roedores alimentaram o surto. Em outros sítios arqueológicos, pingentes feitos com dentes frontais de marmotas foram encontrados em sepulturas. As marmotas também teriam sido uma fonte de alimento.

“Algumas pessoas podem ter entrado em contato com uma marmota infectada, provavelmente ao manuseá-la ou ao comer carne de marmota mal cozida”, disse Macleod.

Após o patógeno ter passado de marmotas para humanos, os pesquisadores acreditam que ele se espalhou por meio da transmissão de pessoa para pessoa, por exemplo, através da tosse.

“As infecções por peste são disseminadas entre os indivíduos, com muitos parentes próximos aparentemente tendo morrido de peste ao mesmo tempo”, disse Macleod.

“Esse surto devastou as comunidades de caçadores-coletores da época. É evidente que pelo menos algumas pessoas sobreviveram para enterrar os mortos, e elas claramente sabiam quem era quem, com irmãos jovens enterrados juntos em sepulturas compartilhadas”, disse Macleod.

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Dois homens morrem após tiroteio contra polícia em Osasco

Dois homens, de 31 e 42 anos, morreram após uma troca de tiros com policiais, nesta terça-feira (16), na Avenida Osvaldo Costa, na Vila Menck, em Osasco. 

Agentes, da força a tática do 14º batalhão, realizavam patrulhamento, quando suspeitaram de veículo dos homens.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, policiais militares realizavam patrulhamento na avenida, quando suspeitaram de um veículo – com os dois suspeitos.

Na abordagem, os agentes viram um dos homens com uma arma de fogo. Em seguida houve a troca de tiros que atingiu os dois civis no carro.

Os suspeitos foram socorridos e encaminhados para os Hospitais Antônio Giglio e Osmar Mesquita, mas não resistiram. Os agentes não ficaram feridos. 

A ocorrência foi registrada na 10º DP da polícia.

*Sob supervisão de AR.

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PRF vai usar drones para fiscalizar motoristas durante o São João na Bahia

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) vai utilizar drones pela primeira vez durante a Operação São João na Bahia, que acontece entre os dias 19 e 25 de junho. A tecnologia será empregada para reforçar a fiscalização nas estradas federais mais movimentadas do estado durante os festejos juninos.

A ação integra o planejamento especial da PRF para o período, marcado pelo aumento no fluxo de veículos em direção às cidades do interior.

Os drones serão usados principalmente em trechos da BR-324, principal ligação entre Salvador e diversas regiões da Bahia. Com imagens transmitidas em tempo real, os policiais poderão identificar infrações e acionar equipes em solo para realizar abordagens.

Veja vídeo:

Entre as irregularidades que estarão no foco da fiscalização estão ultrapassagens proibidas, uso do celular ao volante, falta do cinto de segurança, circulação pelo acostamento e motociclistas sem capacete.

A expectativa da PRF é de aumento expressivo do movimento nas BRs 324, 101, 116 e 242 durante o período junino. Somente na BR-324, a média diária registrada em junho do ano passado foi de quase 49 mil veículos.

Além das ações de trânsito, a operação contará ainda com reforço no combate à criminalidade, incluindo fiscalização contra tráfico de drogas, transporte ilegal de armas, contrabando e outros crimes nas rodovias federais.

Segundo a PRF, o objetivo é reduzir o número de acidentes graves e aumentar a segurança dos motoristas durante uma das épocas de maior deslocamento nas estradas baianas.

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Tarcísio pede desculpas à população por roubos de celulares em SP

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), pediu desculpas à população pelos casos de roubo de celulares no estado e afirmou que o poder público falha quando não consegue garantir a segurança dos cidadãos.

A declaração foi dada nesta quarta-feira (17), durante anúncio de medidas voltadas ao combate à receptação de aparelhos celulares.

“A gente pede desculpas ao cidadão que passa por isso, que tem um celular roubado, que tem a dor, o trauma de um assalto. Muitas vezes à mão armada. É uma coisa que deixa um trauma. O Estado tem que garantir a segurança. E quando não garante, está falhando”, disse o governador.

Tarcísio afirmou que o governo continuará atuando para reduzir esse tipo de crime e disse que os roubos de celulares impactam a sensação de segurança da população.

“Enquanto tiver o cidadão sendo roubado, tendo um celular subtraído, nós não vamos descansar porque a gente sabe que é o crime que aborrece, a gente sabe que é o crime que derruba a sensação de segurança e o cidadão tem direito de ficar em paz”, afirmou.

O governador também defendeu mudanças na legislação para endurecer o tratamento dado a criminosos reincidentes.

“Prendemos ladrões de celular dezenas de vezes e eles são soltos em audiências de custódia. Se não olharmos a habitualidade e a reincidência, não vamos vencer essa guerra. A legislação precisa mudar para que o reincidente fique na cadeia. O destinatário do nosso esforço tem que ser o cidadão”, declarou.

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Polícia investiga denuncia de estupro coletivo de adolescente de 17 anos 

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) instaurou procedimento para apurar uma ocorrência de estupro ocorrida no último sábado (13), no bairro Arvoredo, em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte.

Uma jovem de 17 anos teria sido vítima de um estupro coletivo cometido por outros jovens também menores de idade.

Segundo a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), a jovem relatou que teria convidado um grupo de amigos para um churrasco com bebida alcoólica na casa da mãe, que não estaria na residência. Chegaram na casa, por volta das 18h, quatro meninos, duas amigas da vítima e o namorado de uma delas que levou um amigo. Todos menores de idade.

A adolescente relatou que por volta das 23h, as amigas, o namorado de uma delas e o amigo dele foram embora ficando na casa apenas ela e os quatro amigos, sendo um deles apontado pela vitima como um amigo de infância.

A partir desse momento, ela afirmou que não se recorda de mais nada e que teria perdido a consciência, acreditando que eles tenham drogado a bebida dela. Ela teria acordado um tempo depois, sem roupas e teria visto três dos adolescentes a abusando. O amigo de infância não estava presente neste momento mas teria confessado a ela por mensagem que participou do ato e se arrependeu e que teria saído do quarto antes que ela acordasse.

Quando recobrou a consciência, ela teria dito que chamaria a Polícia e os adolescentes teriam pedido desculpas para a jovem. Ela foi encaminhada para à maternidade de Contagem, onde recebeu atendimento.

Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais “devido à natureza sigilosa da investigação, outras informações serão repassadas em momento oportuno.”

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Enterrado sob a Antártida, um cofre guarda os segredos do clima da Terra

Sob o vasto planalto branco da Antártida, escondido nas profundezas da neve, jaz um arquivo inestimável da memória climática do mundo.

O cofre não é feito de aço ou concreto. Não há sistemas de segurança nem congeladores zumbindo. Em vez disso, o santuário foi escavado diretamente na neve antártica perto da Estação de Pesquisa Concordia, um posto avançado franco-italiano remoto a mais de 1.000 quilômetros (620 milhas) da costa mais próxima.

Dentro da caverna congelada, cientistas armazenam cilindros de gelo ancestral extraídos de algumas das geleiras de montanha mais ameaçadas do mundo. Nesse gelo, encontram-se registros da história climática passada — desde erupções vulcânicas e fumaça de incêndios florestais até poluição industrial e mudanças nas condições atmosféricas que remontam a séculos, às vezes milênios.

O projeto, liderado pela Ice Memory Foundation, tem como objetivo preservar partes dessas geleiras antes que o aumento das temperaturas as apague.

Amostras de núcleos de gelo são preservadas em um cofre na Antártica, perto da Estação de Pesquisa Concordia, um dos postos avançados de pesquisa mais isolados do continente • Instituto Polar Francês/IPEV

“É um local único. É uma ideia única. É realmente inédito em muitos aspectos”, disse Thomas Stocker, presidente da fundação e professor de física climática e ambiental na Universidade de Berna, na Suíça, à CNN.

“Não podemos salvar a geleira inteira, mas podemos salvar as informações ambientais e climáticas armazenadas nessas geleiras.”

Essa informação está preservada em bolhas de ar microscópicas aprisionadas dentro do gelo. “Essas bolhas estão cheias de ar atmosférico da época em que foram formadas — talvez cem anos, mil anos, um milhão de anos atrás”, disse ele.

Os cientistas podem analisar essas bolhas para reconstruir as concentrações históricas de dióxido de carbono, metano e outros gases de efeito estufa. Stocker afirmou que os registros de núcleos de gelo revelaram que os níveis atuais de dióxido de carbono são de 30% a 35% maiores do que em qualquer outro momento nos últimos 800.000 anos. Mas os registros que contêm outras informações importantes estão desaparecendo.

“Vivo na Suíça, então observamos há muitas décadas que as geleiras estão recuando em um ritmo acelerado”, disse ele. “Os registros climáticos locais, como os das geleiras alpinas, do Himalaia ou dos Andes, estão desaparecendo a uma velocidade alarmantemente crescente.”

Globalmente, milhares de geleiras desapareceram nas últimas décadas e, até meados do século, até 4.000 geleiras poderão desaparecer a cada ano se os humanos continuarem a impulsionar as mudanças climáticas, de acordo com um estudo de 2025. Há cerca de uma década, à medida que a dimensão da perda de geleiras se tornou cada vez mais evidente, os cientistas desenvolveram a ideia dos arquivos Ice Memory. Desde então, equipes têm viajado pelo mundo perfurando e transportando amostras frágeis para a Antártida, onde o frio natural do continente pode preservá-las por séculos.

Coletando os núcleos

Coletar e transportar as amostras para a Antártida, mantendo-as congeladas e sem contaminação, é uma tarefa complexa que muitas vezes exige expedições a alguns dos ambientes mais inóspitos da Terra.

Cientistas transportam quase 450 quilos de equipamentos de perfuração para terrenos de grande altitude. No Tadjiquistão, uma campanha recente de perfuração ocorreu a 5.820 metros (19.094 pés) acima do nível do mar.

“Dá para imaginar o quão difíceis devem ter sido as condições de trabalho para os perfuradores e os cientistas que foram para lá”, disse Stocker.

Uma broca cilíndrica equipada com cortadores em forma de anel perfura a geleira, extraindo um núcleo vertical de gelo camada por camada. Quanto mais profundo o núcleo, mais antigo é o histórico climático que ele contém.

Mas antes de qualquer perfuração começar, os cientistas passam meses examinando as geleiras usando radar de penetração no solo para identificar os locais mais estáveis, onde as camadas internas de gelo permanecem intactas.

“Quando fazemos esse levantamento por radar, é basicamente como olhar para uma fotografia de toda a estrutura interna do gelo, desde os seus pés até a interface com a rocha matriz abaixo”, disse à CNN Alison Criscitiello, diretora do Laboratório Canadense de Núcleos de Gelo da Universidade de Alberta, que não está envolvida com a Fundação Memória do Gelo.

Uma rede internacional de cientistas e instituições passou décadas coletando, armazenando e estudando núcleos de gelo de geleiras e calotas polares ao redor do mundo.

“Existem lugares no planeta com registros climáticos cruciais que estão sendo perdidos todos os dias”, disse ela. “A cada dia que passa em que ocorre derretimento nesses locais, mais tempo é perdido desse registro climático.”

Organizações como o Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo da Universidade do Colorado em Boulder, nos EUA, o British Antarctic Survey, o Instituto Alfred Wegener na Alemanha e o Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica (CNRS) mantêm vastos arquivos de amostras congeladas extraídas da Antártica, Groenlândia e geleiras de montanha. Colaborações internacionais como o Projeto Europeu de Perfuração de Gelo na Antártica (EPICA) e o Beyond EPICA utilizaram esses núcleos para reconstruir a história climática da Terra, remontando a centenas de milhares de anos.

Mas, embora a maioria das pesquisas com núcleos de gelo tenha se concentrado em compreender as mudanças climáticas do passado, a Ice Memory Foundation acrescenta uma nova dimensão: preservar um arquivo de geleiras ameaçadas antes que elas desapareçam.

Caverna de gelo

Os cientistas escolheram a área próxima à Estação de Pesquisa Concordia precisamente porque as temperaturas ali permanecem baixas o suficiente para que os núcleos de gelo sejam preservados naturalmente, sem a necessidade de sistemas complexos de refrigeração.

Situada no alto do planalto antártico, a mais de 3.000 metros (9.800 pés) acima do nível do mar, a Concordia é uma das estações de pesquisa mais frias e isoladas da Terra. Durante o inverno antártico, as temperaturas podem cair abaixo de -80 graus Celsius (-112 graus Fahrenheit), e a estação fica isolada do mundo exterior por meses a fio.

“Este é realmente um lugar seguro. Tornamos ainda mais seguro escavando uma caverna a 10 metros (33 pés) abaixo da superfície”, disse Stocker. “Nessa caverna, nesse local, temos uma temperatura constante de -52 graus Celsius (-61,6 graus Fahrenheit). A caverna é protegida por uma camada de neve; é essencialmente um cofre, mas feito de neve compactada.”

Durante a construção, uma trincheira foi escavada e um balão inflável foi colocado dentro dela para manter o espaço para a abóbada enquanto os cientistas compactavam a neve ao redor. Assim que a estrutura foi fixada, o balão foi removido, deixando para trás uma caverna em forma de túnel com 60 metros (197 pés) de comprimento e 5 metros (16 pés) de largura.

Dentro do cofre, os núcleos de gelo cilíndricos são armazenados em recipientes brancos isolados, empilhados em longas fileiras, cada um cuidadosamente etiquetado.

A fundação tem como objetivo preservar amostras de gelo de 20 geleiras ao redor do mundo. Dez delas já foram perfuradas, incluindo amostras dos Alpes, dos Andes e das montanhas do Pamir, no Tadjiquistão.

“Os núcleos de gelo contêm informações climáticas globais, então há certas coisas que cada núcleo de gelo na Terra contém”, disse Criscitiello. “Mas os núcleos de gelo também contêm uma enorme riqueza de informações climáticas muito locais.”

Essas informações incluem dados sobre incêndios florestais, contaminação ambiental, sistemas de monções e abastecimento regional de água. “São registros climáticos que não existirão mais”, disse Criscitiello.

Gerações futuras

Stocker afirmou que as geleiras da Suíça já perderam cerca de 35% do seu volume, e as projeções sugerem que até 90% das geleiras de baixa altitude podem desaparecer até o final do século, em um cenário de altas emissões.

O valor dos núcleos de gelo arquivados hoje continuará a crescer, à medida que as gerações futuras expandirem os limites da tecnologia atual, disse Stocker.

“Hoje podemos medir coisas que jamais imaginaríamos há 50 anos”, disse ele. “Por isso, acreditamos que, daqui a cerca de 50 ou 100 anos, as próximas gerações de cientistas serão capazes de extrair informações totalmente novas desses núcleos de gelo que preservamos para eles hoje.”

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