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Lisboa e Algarve recebem encontros dedicados ao International Baccalaureate

12 June 2026 at 11:54

O International Baccalaureate (IB) vai promover, em junho, dois encontros em Portugal dedicados à educação internacional, ao reconhecimento académico e à preparação dos alunos para o ensino superior e para o futuro profissional.

As iniciativas incluem o Dia da Universidade do IB – Lisboa, marcado para quarta-feira, 17 de junho, e o Dia do IB no Algarve, que se realiza na sexta-feira, 19 de junho, no Nobel Algarve British International School Almancil, reunindo representantes de universidades, escolas, diretores e coordenadores académicos.

Segundo o IB, a organização é “um líder global em educação internacional, com quatro programas para alunos dos 3 aos 19 anos”, procurando oferecer aos estudantes ferramentas para desenvolverem pensamento crítico, capacidade de resolução de problemas e competências para um mundo em rápida mudança.

Fundado em 1968, o International Baccalaureate está atualmente presente em mais de 163 países, com mais de 6.230 escolas e mais de dois milhões de alunos. Em Portugal, o IB está ativo desde 1986 e conta com programas disponibilizados em 18 escolas independentes.

Encontros em Lisboa e no Algarve reforçam debate educativo

O Dia da Universidade do IB – Lisboa dirige-se a representantes de universidades em Portugal e pretende promover o diálogo sobre o acesso ao ensino superior, o reconhecimento do Diploma do IB e os desafios enfrentados pelos alunos na transição da escola para a universidade.

De acordo com a organização, o evento reúne “universidades, escolas do IB e parceiros internacionais numa tarde de diálogo e reflexão sobre o acesso à educação superior, o reconhecimento do Diploma do IB e os desafios que os alunos enfrentam ao fazerem a transição da escola para a universidade”.

O programa inclui um painel com representantes de universidades, que irão partilhar perspetivas sobre admissões, reconhecimento académico e o valor do perfil da comunidade de aprendizagem do IB.

Dois dias depois, o Dia do IB no Algarve reunirá diretores e coordenadores académicos de escolas públicas e privadas de Portugal, num encontro dedicado à colaboração, ao intercâmbio de experiências e à partilha de boas práticas.

Após uma primeira edição realizada em Lisboa, em 2022, o Dia do IB volta a Portugal com sessões interativas lideradas por escolas autorizadas e candidatas do IB, momentos de networking com a equipa da organização e contacto com a comunidade educativa nacional.

Programas preparam alunos para universidade e mundo profissional

O IB afirma que os seus programas procuram formar jovens resilientes e equilibrados, com conhecimento, competências e sentido de propósito para contribuir para um mundo melhor.

A organização sublinha que o seu currículo é deliberadamente flexível, permitindo que alunos, professores e escolas adaptem a aprendizagem à cultura, ao contexto, às necessidades e aos interesses de cada comunidade educativa.

Os programas disponibilizados pelo IB abrangem diferentes faixas etárias: o Programa da Escola Primária, dos 3 aos 12 anos; o Programa dos Anos Intermédios, dos 11 aos 16; o Programa do Diploma, dos 16 aos 19; e o Programa de formação profissional, também dos 16 aos 19 anos.

O Programa do Diploma é apresentado como uma qualificação rigorosa e reconhecida internacionalmente, preparando os alunos para a universidade através de disciplinas académicas e componentes centrais como Teoria do Conhecimento, Criatividade, Atividade, Serviço e Monografia.

Segundo o IB, as competências necessárias para o sucesso no ensino superior ou na carreira profissional vão hoje além do conteúdo académico tradicional.

A organização defende que os seus graduados estão preparados para compreender melhor as complexidades do mundo, com competências, empatia e mentalidade adequadas a um contexto em rápida transformação.

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Portimão reforça oferta de certificação internacional de inglês no Algarve

12 June 2026 at 10:53

O British Council anunciou a abertura de um novo centro de exames IELTS em Portimão, reforçando no Algarve a oferta de certificação internacional de inglês para fins académicos e profissionais.

A partir deste mês de junho, os candidatos passam a poder realizar o exame em sessões regulares no CLCC – Centro de Línguas, Cultura e Comunicação, situado na Rua D. Maria Luísa, 122, junto à estação de comboios de Portimão.

Segundo o British Council, a abertura do novo centro vem reforçar a presença do “teste internacional de inglês mais reconhecido para mobilidade académica e profissional na região do Algarve”.

As primeiras datas já confirmadas para a realização do exame são 26 de junho, 11 de julho, 23 de outubro e 20 de novembro de 2026.

Exame passa a estar disponível em sessões regulares no Algarve

Com esta abertura, o British Council prossegue a expansão da sua rede de centros IELTS em Portugal, que já conta com sessões regulares no Porto, Coimbra, Lisboa, Almancil e Funchal, aproximando o exame dos candidatos em diferentes regiões do país.

O IELTS, sigla de International English Language Testing System, é aceite por mais de 12 mil instituições em mais de 140 países, incluindo universidades, entidades de imigração e empresas internacionais.

De acordo com o comunicado, o exame desempenha, em Portugal, “um papel essencial para estudantes e profissionais que pretendem integrar programas académicos lecionados em inglês ou candidatar-se a oportunidades internacionais”.

Desenvolvido por especialistas em avaliação linguística, o IELTS avalia a compreensão escrita, a expressão escrita, a compreensão oral e a expressão oral, refletindo a forma como cada candidato utiliza o inglês para estudar, trabalhar e viver num ambiente de língua inglesa.

A certificação assume também uma importância crescente no contexto dos programas de mobilidade académica, como o Erasmus+, em especial após o anúncio oficial de que o Reino Unido vai aderir ao programa a partir de 1 de janeiro de 2027. O IELTS é reconhecido por todas as universidades britânicas como comprovativo de proficiência em inglês.

Parceria com o CLCC reforça acessibilidade à certificação

A abertura do novo centro em Portimão resulta da parceria entre o British Council e o CLCC – Centro de Línguas, Cultura e Comunicação. A colaboração permite alargar a oferta do exame no Algarve, assegurando aos candidatos um espaço preparado para acolher exames de elevada exigência, numa localização central e de fácil acesso.

Para Tim Perry, diretor dos Exames no British Council Portugal, “a abertura do novo centro IELTS em Portimão representa mais um passo no compromisso do British Council em tornar esta certificação internacional mais acessível em diferentes regiões do país. Através da parceria com o CLCC, conseguimos disponibilizar sessões regulares no Algarve, uma região também marcada pelo turismo em que tantas pessoas necessitam de uma certificação em inglês, permitindo que estudantes e profissionais possam realizar o exame num espaço de elevada qualidade”.

As inscrições para o IELTS são realizadas exclusivamente online no website do British Council, onde os candidatos podem consultar todas as datas disponíveis, modalidades e informações práticas.

O British Council é a organização internacional do Reino Unido para a cultura e a educação, trabalhando nas áreas das artes e cultura, educação e língua inglesa. A entidade está presente em mais de 100 países e trabalha com pessoas de mais de 200 países e territórios.

O CLCC – Centro de Línguas, Cultura e Comunicação é uma instituição de ensino privada fundada em 1991, em Portimão. A entidade é certificada pela DGERT, reconhecida pelo Ministério da Educação e mantém protocolos e parcerias com várias instituições.

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A reforma antes das reformas

12 June 2026 at 00:06

Há uma semana, neste mesmo espaço, escrevi sobre o nó português: a demografia que se contrai, a tecnologia que rompe, o Estado que se mantém quando devia transformar-se, e a soberania que se dissolve enquanto insistimos em não olhar. Faltou dizer que há uma reforma que vem antes de todas as que ali nomeei. É a do ensino. E é discutida com a mesma pequenez de sempre: manuais, plataformas, calendários de exames, a aritmética do costume. Discutimos a mobília enquanto a casa muda de função.

A escola que temos foi pensada para um mundo em que saber era ter acesso. Fazia sentido quando a informação era escassa e cara. Esse mundo acabou. A inteligência artificial torna o acesso à informação instantâneo e quase gratuito, e continuar a premiar quem decora é treinar pessoas para uma corrida que já perderam à partida.

Isto não é uma abstracção pedagógica, é economia real, e é já. O mercado de trabalho está a ser reconfigurado agora, não daqui a dez anos. Profissões inteiras mudam ou desaparecem, e impõe-se uma lógica simples: tudo o que a máquina faz bem e barato perde valor, e tudo o que só o humano faz ganha-o. Preparar os mais novos não é ensiná-los a perseguir a última “skill” da moda, que estará obsoleta antes de eles se formarem, é formar as faculdades que sobrevivem a qualquer reconfiguração. A inteligência artificial não é a ameaça, é a alavanca. Mas a alavanca precisa de quem a saiba mover, e não de quem se deixe substituir por ela.

A resposta começa por uma estrutura antiga, o Trivium: gramática, lógica e retórica. Usar a língua com precisão, raciocinar sem se enganar, exprimir-se com clareza. Mas não basta reorganizar horários. É preciso reinventar as próprias disciplinas de base. A filosofia e a história, para situar o homem no tempo e no pensamento. A matemática, a física e a química, para raciocinar sobre o real e não apenas opinar sobre ele. O desporto, porque o corpo e a disciplina também formam a pessoa. A música e a arte, porque a sensibilidade e a forma não são um luxo, são parte do que nos distingue da máquina. Nenhuma destas matérias é ornamento de currículo. São a arquitectura do pensamento.

E há uma incidência que tem de começar cedo, e que hoje tratamos como acessório: a cidadania, a educação cívica e a defesa nacional. A escola não forma apenas trabalhadores, forma cidadãos. O sentido do bem comum, o conhecimento das instituições, a ideia de que um país se defende e não se herda por inércia, é isto que molda o tipo de gente que queremos ser. Uma democracia que não ensina os seus a compreendê-la e a protegê-la está a preparar a própria erosão.

No fundo, é uma questão civilizacional. Já Aristóteles, na Política, advertia que há uma educação que se deve dar aos jovens não por ser útil ou necessária, mas por ser nobre e própria de um homem livre. Não é por acaso que lhes chamamos artes liberais: são as artes de quem é senhor de si. Andamos a formar especialistas competentes e dependentes, peças afinadas para uma função que a máquina aprende depressa a executar melhor. Falta o ser humano completo, o que pensa para além da sua especialidade, se adapta e se governa. O Trivium e as artes liberais são a espinha dessa tradição, que vem da Grécia e de Roma e fez do Ocidente o que ele é. Abandoná-la para correr atrás da máquina não é modernizar, é esquecer quem somos.

Há ainda o número. Se as crianças serão cada vez menos, cada uma vale mais, e nenhuma se pode desperdiçar. Mas o mesmo raciocínio estende-se ao outro extremo da vida. Se vivemos e trabalhamos mais anos, a educação deixa de ser uma idade e passa a ser uma condição permanente. Já temos universidades seniores e reconversão profissional, mas de forma tímida e tardia. Teremos de reconverter muito mais gente do que o sistema hoje imagina. A escola, dos seis aos setenta anos.

Dirão que tudo isto é um regresso ao passado. É exactamente o contrário. O clássico tornou-se estratégico precisamente porque forma autonomia. Um país que não ensina a julgar entrega o discernimento a quem programa a máquina, e uma nação que delega o seu juízo deixa de ser soberana muito antes de o saber. A isto chamo soberania intelectual, e talvez seja a condição de todas as outras de que falei há uma semana.

Não precisamos de uma escola que ensine a competir com a máquina em memória e em velocidade. Essa corrida está perdida e não valia a pena ganhá-la. Precisamos de uma escola, dos primeiros anos aos últimos, que ensine a pensar melhor do que a máquina pensa por nós. O resto é mobília.

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