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Vem aí calor intenso: subida forte da temperatura chega neste dia e há zonas onde sobe até 8 graus

10 June 2026 at 13:31

Portugal continental vai entrar numa fase de calor mais intenso nos próximos dias, com uma subida acentuada das temperaturas máximas e valores elevados em várias regiões. A mudança deverá começar a sentir-se já esta quinta-feira, 11 de junho, antes de o calor ganhar maior expressão na sexta-feira.

De acordo com a Meteored, o episódio deverá prolongar-se entre esta quarta-feira, 10 de junho, e sábado, dia 13, embora não reúna, para já, os critérios necessários para ser classificado como onda de calor. A duração prevista será um dos fatores que impede essa classificação.

Massa de ar quente chega à Península Ibérica

A alteração do estado do tempo será influenciada por um anticiclone centrado a nordeste do arquipélago dos Açores, com campo de pressão a prolongar-se em crista até França. A esta configuração junta-se a entrada de uma massa de ar quente e seco proveniente do Norte de África, impulsionada para a Península Ibérica por um fluxo predominante de leste.

Esta combinação deverá favorecer tempo estável, céu geralmente pouco nublado e uma subida generalizada das temperaturas máximas em Portugal continental. Apesar do ambiente seco e quente, a Meteored aponta para a possibilidade de trovoadas a partir do fim de semana, associadas à presença de ar frio em altitude.

Quinta-feira traz a subida mais evidente

As temperaturas começam a subir já esta quarta-feira, com máximas entre 25 e 35 graus em vários pontos do território. Em alguns locais da faixa costeira, os valores deverão ser ligeiramente mais baixos. No entanto, a subida mais acentuada deverá ocorrer na quinta-feira, dia 11 de junho. A região Norte e o litoral Centro estarão entre as zonas onde a intensificação do calor será mais notória.

Segundo os mapas de referência da Meteored, as principais capitais distritais do Norte poderão registar aumentos entre 3 e 8 graus face ao dia anterior. No Porto, a temperatura máxima deverá chegar aos 32 graus, uma subida de 8 graus. Braga deverá atingir também os 32 graus, com um aumento previsto de 5 graus.

Em Vila Real, a máxima deverá situar-se nos 31 graus, mais 3 graus do que no dia anterior. Em Bragança, são esperados 29 graus, uma subida de 4 graus. Já Viana do Castelo deverá chegar aos 24 graus, também com um aumento de 4 graus.

Aviso amarelo por tempo quente

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) emitiu aviso amarelo de tempo quente para 15 distritos de Portugal continental na quinta-feira, dia 11. Nesse dia, ficam de fora Vila Real, Viseu e Bragança. Já na sexta-feira, 12 de junho, o aviso deverá abranger todos os 18 distritos do continente.

O aviso amarelo representa uma situação de risco para determinadas atividades dependentes das condições meteorológicas. Com temperaturas elevadas, a atenção deve ser maior junto de crianças, idosos, pessoas com doenças crónicas e trabalhadores expostos ao calor.

Sexta-feira deverá ser o dia mais quente

A Meteored aponta sexta-feira, 12 de junho, como o dia mais quente deste episódio, tanto pela intensidade como pela extensão geográfica do calor. As temperaturas máximas deverão variar entre 35 e 40 graus em grande parte de Portugal continental, sobretudo no interior.

As noites também deverão ficar mais quentes. Em algumas zonas, as temperaturas mínimas poderão aproximar-se ou ultrapassar os 20 graus, dando origem às chamadas noites tropicais. Este cenário deverá ser mais provável a partir de sexta-feira e poderá prolongar-se até à noite de sábado para domingo em alguns pontos do país.

Sábado ainda com calor elevado

No sábado, 13 de junho, as temperaturas máximas deverão manter-se geralmente muito elevadas, entre 30 e 38 graus. Ainda assim, haverá exceções. O Algarve, alguns locais da faixa costeira ocidental e zonas montanhosas das regiões Norte e Centro deverão apresentar valores mais contidos.

A partir do fim de semana, a presença de ar frio em níveis altos da atmosfera poderá aumentar a instabilidade e favorecer a ocorrência de trovoadas em algumas regiões.

Cuidados a ter nos dias mais quentes

Com a subida das temperaturas, torna-se importante adotar cuidados simples para reduzir o impacto do calor. A hidratação regular, a redução da exposição solar nas horas de maior calor e a preferência por locais frescos são medidas recomendadas em episódios de temperatura elevada. Também deve ser evitada a prática de esforço físico intenso durante as horas centrais do dia, sobretudo em zonas interiores, onde o calor deverá ser mais acentuado.

Nos próximos dias, o país deverá sentir uma mudança clara no estado do tempo. A subida forte da temperatura chega já na quinta-feira e, em algumas cidades do Norte, os termómetros poderão subir até 8 graus em apenas 24 horas.

Leia também: El Niño está de volta: IPMA esclarece o que pode mudar no tempo em Portugal

El Niño está de volta: IPMA esclarece o que pode mudar no tempo em Portugal

10 June 2026 at 10:40

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera alerta para uma elevada probabilidade de ocorrência de um episódio de El Niño entre junho e agosto. Apesar de este fenómeno ocorrer no Oceano Pacífico, pode influenciar padrões climáticos em várias regiões do planeta, embora em Portugal os efeitos previstos sejam indiretos e pouco significativos.

Segundo o IPMA, a informação atualizada sobre a temperatura da superfície do oceano no Pacífico equatorial indica que o sistema ainda se encontra numa fase neutral. No entanto, as previsões apontam para uma mudança nas próximas semanas.

De acordo com os modelos de previsão sazonal, a passagem da fase neutral para a fase de El Niño poderá ocorrer entre junho e julho de 2026, com uma probabilidade superior a 80%. O fenómeno poderá manter-se até ao final do ano.

El Niño pode ser moderado a forte

A previsão mais recente indica que o próximo episódio de El Niño poderá atingir intensidade moderada a forte. Esta classificação depende da evolução da temperatura da superfície do mar no Pacífico tropical.

O El Niño é a fase quente de um ciclo natural conhecido como Oscilação Sul do El Niño, ou ENSO. O fenómeno ocorre quando as águas superficiais do Pacífico central e oriental ficam mais quentes do que o normal durante um determinado período.

Para ser classificado como El Niño, esse aquecimento tem de atingir e manter-se pelo menos 0,5 graus Celsius acima da média de longo prazo. Esta alteração interfere com padrões atmosféricos e pode ter impacto no clima em várias partes do mundo.

Em termos globais, o El Niño tende a contribuir para o aumento da temperatura média do planeta. Em algumas regiões, está associado a secas prolongadas; noutras, pode favorecer chuvas intensas e inundações.

E em Portugal?

Apesar da influência global do fenómeno, o IPMA esclarece que os efeitos do El Niño em Portugal são indiretos e pouco significativos quando comparados com regiões como a América do Sul, a Austrália ou zonas do Pacífico.

A ligação ao clima português não é direta. Segundo o instituto, alguns estudos apontam para uma influência através da Oscilação do Atlântico Norte, conhecida como NAO, que pode condicionar a precipitação e a temperatura do ar na Península Ibérica.

Essa possível influência tende a ser mais relevante durante o inverno do Hemisfério Norte. Ainda assim, o impacto em Portugal é bastante menos evidente do que noutras áreas do planeta, onde o El Niño altera de forma mais marcada os padrões de chuva e temperatura.

Por isso, a previsão de um novo episódio de El Niño não significa, por si só, que Portugal vá enfrentar automaticamente seca extrema, ondas de calor mais intensas ou chuva fora do normal. O efeito depende de vários fatores atmosféricos e regionais.

Fenómeno ocorre longe, mas tem alcance global

Embora se forme no Pacífico tropical, o El Niño pode alterar a circulação atmosférica à escala global. Esse efeito em cadeia ajuda a explicar por que razão um fenómeno distante pode influenciar o clima em diferentes continentes.

Na América do Sul, por exemplo, pode favorecer episódios de chuva intensa em algumas zonas. Na Austrália e noutras regiões, pode estar associado a maior risco de seca e temperaturas elevadas.

Em Portugal, porém, essa influência chega de forma mais diluída. O clima nacional continua a depender de fatores mais próximos, como a circulação atmosférica no Atlântico, a posição dos centros de altas e baixas pressões e a evolução da Oscilação do Atlântico Norte.

É por isso que o IPMA sublinha que a influência do El Niño no território português não deve ser comparada com a observada em regiões diretamente afetadas pelo fenómeno.

La Niña é a fase oposta

O ciclo ENSO tem também uma fase fria, conhecida como La Niña. Esta ocorre quando a temperatura da superfície do mar no Pacífico tropical desce pelo menos 0,5 graus Celsius abaixo da média de longo prazo.

Tal como o El Niño, a La Niña pode influenciar padrões climáticos globais, mas com efeitos diferentes consoante as regiões. Ambas as fases fazem parte de uma oscilação natural do sistema oceano-atmosfera.

O episódio mais recente de El Niño ocorreu entre 2023 e 2024 e contribuiu para temperaturas globais recorde. O ano de 2024 foi considerado o mais quente desde que há registos.

Ainda assim, cada episódio tem características próprias. A intensidade, duração e época do ano em que se desenvolve podem alterar a forma como afeta diferentes regiões.

IPMA mantém acompanhamento

O IPMA atualiza mensalmente a informação sobre a evolução do índice ENSO e das temperaturas no Pacífico equatorial. Estes dados permitem acompanhar a probabilidade de formação e persistência de episódios de El Niño ou La Niña.

Para Portugal, a principal mensagem é de prudência. O fenómeno deve ser acompanhado, mas não há indicação de efeitos diretos e relevantes no território nacional neste momento.

A eventual influência poderá fazer-se sentir sobretudo de forma indireta, através de padrões atmosféricos mais amplos, em especial durante o inverno.

No entanto, o comportamento do clima depende sempre da conjugação de vários fatores. Por isso, as previsões sazonais devem ser lidas como tendências e não como certezas absolutas para o tempo que se fará em Portugal.

O que os portugueses devem saber

Para os portugueses, o El Niño deve ser entendido como um fenómeno climático global com impacto variável consoante as regiões. Não é um evento que se forme perto da costa nacional, nem tem uma ligação imediata ao tempo do dia a dia no país.

Ainda assim, por poder influenciar a temperatura média global e os padrões de circulação atmosférica, continua a ser acompanhado por serviços meteorológicos em todo o mundo.

Em Portugal, segundo o IPMA, os efeitos esperados são indiretos e nada significativos quando comparados com outras zonas do planeta. A evolução será monitorizada ao longo dos próximos meses.

A confirmar-se, este novo episódio de El Niño poderá marcar a segunda metade de 2026 no contexto climático global, mas sem que isso signifique, para já, alterações diretas relevantes no clima português.

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