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Soja avança em Chicago com clima nos EUA e expectativa pelo USDA

10 June 2026 at 21:05

Os contratos futuros da soja encerraram a sessão desta quarta-feira (10) em alta na Bolsa de Chicago. O vencimento julho teve avanço de 0,83% e fechou cotado a US$ 11,23 por bushel, sustentado por fatores climáticos nos Estados Unidos e pela expectativa em torno do relatório mensal de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), que será divulgado nesta quinta-feira (11).

De acordo com a Agrinvest, o complexo soja registrou um dia positivo em Chicago, com destaque para os ganhos da soja em grão e do óleo de soja. Além do suporte vindo do mercado de energia, impulsionado pela valorização do petróleo, as cotações também encontraram respaldo em fundamentos próprios.

Entre eles está o excesso de chuvas em áreas produtoras do Meio-Oeste norte-americano, que mantém a atenção dos investidores sobre o desenvolvimento da safra. O mercado também acompanha de perto o relatório do USDA, embora a expectativa seja de poucas alterações nos números atuais.

Analistas projetam apenas ajustes pontuais, com possível redução dos estoques de passagem da soja nos Estados Unidos. O órgão também pode revisar as estimativas de exportações e de esmagamento, fatores que contribuem para dar sustentação aos preços no curto prazo.

Milho

Os contratos futuros do milho encerraram a sessão com leve queda na Bolsa de Chicago. O contrato com vencimento em julho fechou cotado a US$ 4,19 por bushel, recuo de 0,12% em relação ao fechamento anterior.

Segundo análise da Granar, o mercado apresentou oscilações moderadas ao longo do dia. A recuperação observada nas primeiras horas de negociação, impulsionada por operações de hedge de fundos de investimento, perdeu força perto do meio-dia após a retomada das liquidações de contratos realizadas por esses participantes.

O milho continua pressionado pelas condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento inicial da safra 2026/27 nos Estados Unidos. O cenário de clima adequado em grande parte das principais regiões produtoras reforça as expectativas de uma boa produção e limita avanços mais consistentes nas cotações.

A exceção está na região central das Grandes Planícies, onde áreas do Nebraska ainda enfrentam déficit hídrico. A necessidade de chuvas mais volumosas no estado mantém a atenção do mercado, mas, por enquanto, o quadro geral segue favorável para o desenvolvimento das lavouras norte-americanas.

Trigo

Os contratos futuros do trigo fecharam em alta nesta Bolsa de Chicago. O vencimento para julho avançou 0,38%, encerrando o dia cotado a US$ 5,87 por bushel.

Segundo a Agrinvest, o mercado segue atento às condições das lavouras norte-americanas, que permanecem entre as piores registradas desde 2006. O cenário mantém as preocupações com a oferta de trigo nos Estados Unidos e dá sustentação às cotações internacionais.

Na Europa, os contratos negociados na Euronext também avançaram pela segunda sessão consecutiva. O movimento representa uma recuperação técnica após os preços atingirem os menores níveis em cerca de três meses e meio, acompanhando a melhora observada no mercado de Chicago.

A Granar destacou que os ganhos foram impulsionados por operações de hedge realizadas por fundos de investimento, ainda que de forma moderada, após as fortes perdas acumuladas pelos contratos futuros nas últimas duas semanas.

Além disso, os preços receberam suporte da revisão para baixo da estimativa da safra de trigo de inverno norte-americana, divulgada pelo USDA no início da semana, fator que reforçou as preocupações em relação à disponibilidade do cereal.

Clima e degradação redesenham o lucro no agro e impulsionam integração

Vendas antecipadas de milho em MT estão lentas por incertezas com clima

10 June 2026 at 16:06

A comercialização antecipada da safra 2026/27 de milho de Mato Grosso alcançou 4,77% da produção estimada, cerca de metade ​do ritmo normalmente apurado nesta época para a colheita futura, diante ​de incertezas relacionadas à formação do fenômeno climático El Niño, afirmou nesta quarta-feira a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato).

A média histórica da comercialização antecipada nesta época, para a safra do maior produtor brasileiro que será colhida em meados do próximo ano, é de 9,1%, enquanto no mesmo período do ano passado os produtores já tinham fixado negócios para 5,6% do total, apontou a Famato, citando dados de seu instituto de pesquisa, o Imea. No comparativo mensal, houve um avanço ⁠de 2,08 pontos percentuais no indicador.

A cautela para ​os negócios antecipados, uma forma de produtores travarem parte dos custos, está relacionada “principalmente” a dúvidas em torno ​do comportamento climático no segundo semestre deste ano, disse a Famato, destacando que a eventual ocorrência de um “super” El ⁠Niño pode alterar o regime de chuvas em importantes regiões ⁠produtoras e impactar o desenvolvimento das safras.

“A previsão de um El Niño mais intenso neste ​ano ‌pode impactar a soja e, consequentemente, afetar a janela do milho na próxima safra”, disse a analista de mercado do ⁠Imea, Milena Bezerra.

No caso de um atraso de chuvas para o início do plantio de soja em Mato Grosso, a partir de meados de setembro, e mesmo de precipitações insuficientes, isso poderia comprometer o calendário ideal para o milho, semeado após a colheita ‌de ⁠soja.

Para se prevenir contra a ‌escassez de chuvas, alguns produtores estão demonstrando interesse na adoção de sementes de soja de ciclo mais longo, capazes de resistir mais a períodos de falta de precipitações. Mas isso teria um efeito negativo para o milho, cuja janela de desenvolvimento ⁠ficaria mais curta, afirmou o CEO da produtora de sementes Boa ⁠Safra, Marino Colpo, à Reuters.

As incertezas para o milho estão limitando um avanço mais acelerado da comercialização antecipada, mesmo com os preços apresentando relativa estabilidade, ‌conforme dados do Imea.

No mês de maio, a saca de 60 kg do milho para a safra futura foi negociada, em média, a R$45,39, praticamente estável em relação a abril.

Safra atual

Já as vendas antecipadas de milho pelos produtores de Mato Grosso atingiram 47,32% da produção estimada para 2025/26 até o final de maio, quando a colheita da safra ‌atual ainda era incipiente, informou nesta quarta-feira o relatório da Famato.

Na comparação mensal, houve um avanço de 1,48 ponto percentual, ainda mantendo o ritmo mais acelerado na comparação com o mesmo período do ano passado (46,30%), mas ainda abaixo da ⁠média histórica (53,09%).

“O desempenho reflete o avanço da colheita e a maior disponibilidade do cereal no mercado. Esses dois fatores têm levado os produtores a intensificar as vendas e, ao mesmo tempo, o aumento da oferta tem pressionado as cotações do milho no ​Estado”, apontou o relatório.

“Mato Grosso caminha para mais uma grande safra de milho, o que amplia a disponibilidade do produto tanto ​para o mercado interno quanto para as exportações.”

A safra de milho de Mato Grosso em 2025/26 está estimada em 53,35 milhões de toneladas, 3,76% abaixo do recorde registrado no ciclo passado, informou o Imea no início do mês. Até a última sexta-feira, produtores tinham colhido mais de 5% da área.

 

 

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