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Público do CCB sobe 12% para 854 mil em 2025 sem aumento de subvenção pública

12 June 2026 at 17:59
CCB

O Centro Cultural de Belém encerrou 2025 com um balanço positivo. Por um lado mais público e por outro maior eficiência financeira. Num ano classificado como exigente para o setor, a instituição serviu 854.012 pessoas, um crescimento de 12% face a 2024, mantendo inalterado o valor da subvenção pública. O custo por visitante caiu de 13,79 euros para 12,29 euros, um indicador que, segundo a Fundação, traduz uma melhoria clara de eficiência e maior impacto cultural e social sem acréscimo de financiamento público.

Em paralelo, a Fundação Centro Cultural de Belém registou um resultado operacional positivo de 1,09 milhão de euros. Este desempenho reforça a capacidade da instituição para concretizar os investimentos estratégicos e patrimoniais previstos para os próximos anos. A evolução positiva estendeu-se a outros indicadores: aumentaram as disponibilidades, cresceram as receitas de arrendamento e de aluguer de espaços culturais, e registou-se uma evolução favorável de outros rendimentos.

As contas de 2025, auditadas pela BDO & Associados, mereceram uma opinião sem reservas nem ênfases, o que reflete a solidez da gestão financeira da Fundação. O ano ficou também marcado pelo maior investimento dos últimos cinco anos, num total de 1,72 milhões de euros. Esse montante permitiu avançar com projetos de modernização de infraestruturas e equipamentos, incluindo a instalação de painéis fotovoltaicos, a requalificação técnica de espaços de espetáculo e o início da substituição de elevadores.

Para a administração do CCB, os resultados confirmam a capacidade da instituição para alargar o acesso à cultura, chegar a mais públicos e gerar maior impacto, mantendo uma gestão rigorosa e sustentável. As contas de 2025 servem agora de base ao Plano Estratégico RE-VISITAR 2026-2030, orientado para reforçar a sustentabilidade económica, patrimonial, ambiental e cultural do Centro. Entre as prioridades estão a valorização dos Módulos IV e V, o investimento financiado pelo PRR, a modernização dos ativos técnicos e a redução estrutural dos custos energéticos.

Com vista a consolidar novas fontes de receita, será criado um Gabinete de Desenvolvimento Estratégico. A nova estrutura terá como missão identificar oportunidades, dinamizar parcerias, captar apoios, valorizar ativos e desenvolver novos modelos de relação com empresas, públicos e entidades culturais.

Com este desempenho, o CCB considera demonstrada a capacidade de maximizar o impacto do financiamento público. A instituição entra em 2026 com condições reforçadas para prosseguir a sua missão de serviço público, colocando a cultura, os cidadãos e o acesso ao conhecimento no centro da atividade.

O Espanto está de volta sob o signo do desejo

12 June 2026 at 17:08

O Espanto nasceu com uma ambição rara: retirar a filosofia dos espaços estritamente académicos e devolvê-la à cidade, ao encontro público, à experiência comunitária e à vida concreta.” Ambicioso? Será. Mas cumpre-se o desígnio de não soçobrar. Nem tal seria opção. Aliás, se dúvidas houvesse, a 1ª edição, dedicada ao “Medo”, tudo terá dissipado, para que a segunda edição do Espanto – Festival Internacional de Filosofia, de 13 e 28 de junho, em Cascais, se realize sob o signo do “Desejo”.

E porquê Cascais? Porque foi aqui que tudo começou há cinco séculos. No antigo Convento de Nossa Senhora da Piedade, uma das primeiras escolas de filosofia do país e lar de uma ordem de monges contemplativos. E se a alquimia não está nos planos, outros voos há para o Espanto. “Projeto criado para levar a Filosofia e a prática do pensamento a todos, independentemente da sua classe social, género, religião, etnia ou qualquer outra categorização feita pelo ser humano”. Palavras de Catarina Barosa, fundadora e curadora do Festival. Que ambiciona colocar Cascais no mapa como Concelho da Filosofia, com o reconhecimento da UNESCO, tal como acontece em Óbidos com a Literatura.

Pensar em conjunto
O arranque do Espanto, a 13 e 14 de junho, faz-se com Voluntariado Filosófico em bairros sociais do concelho, em simultâneo com workshops de filosofia para crianças. Nesta edição, o filósofo homenageado é Viriato Soromenho-Marques, professor catedrático na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Que estará presente, também, no jantar oficial de abertura In Vino Veritas, no Centro Cultural de Cascais (Conversas da Gandarinha), a 25 de junho, que vai sentar à mesa todos os filósofos, curadores, pensadores e parceiros do festival.

E são muitos os pensadores que marcam presença no Espanto, como Didier Eribon, escritor e filósofo francês, Richard Shusterman, professor da Florida Atlantic University e fundador do Centro para Corpo, Mente e Cultura, ou Gilles Lipovetsky, filósofo francês e ensaísta. Sebastian Sunday Grève, filósofo e professor assistente na Universidade de Pequim, marca novamente presença no Festival, assim como Samantha Rose Hill, escritora, investigadora e tradutora norte-americana. Sem esquecer Maria Luísa Ribeiro Ferreira, filósofa e professora universitária, Onésimo Teotónio Almeida, escritor e filósofo português radicado nos Estados Unidos e o escritor Gonçalo M. Tavares, entre muitos outros.

Vamos filosofar?
De 25 a 28 de junho, terá lugar o ESPANTO OFF – encontros à margem das atividades programadas. Em que consiste? O público poderá marcar (gratuitamente) um encontro com os filósofos que aderirem a esta iniciativa. Têm a duração de uma hora e contam com a participação de três pessoas em simultâneo. Os interessados devem inscrever-se antecipadamente no site do Festival e indicar um tópico ou pergunta a abordar.

Para 26 de junho está marcada uma Caminhada Filosófica pelos pontos de interesse do concelho de Cascais, a que se seguirão Lições de Filosofia (Curators and Philosophers Lectures) no Centro Cultural de Cascais, com sessões interativas conduzidas pelos curadores e filósofos convidados. A Noite dos Desejos, na Sala da Cisterna, na Cidadela de Cascais, encerra o dia com um debate filosófico, a atuação da artista Dela Marmy e um ‘Chá das Onze’. No dia 27, na Casa das Histórias Paula Rego, será apresentada a peça “Hamlet”, encenada por Marco Medeiros, com base na tradução da obra de William Shakespeare, feita por D. Luís I. No jardim, haverá leituras e escritas, e iniciativas para famílias e crianças, porque de pequeno se começa a filosofar.

Os bilhetes estão à venda online e nos locais dos eventos (15€ a 95€). Consulte o programa completo em espanto.pt.

Luís Quintais vence Grande Prémio de Literatura DST com obra poética “Nocturama”

11 June 2026 at 19:58

O poeta Luis Quintais venceu a edição deste ano do Grande Prémio de Literatura DST, no valor de 15 mil euros, pela obra “Nocturama”, anunciou hoje a empresa que atribui o galardão.

Em comunicado, a DST indicou que o prémio “reconhece uma obra que confirma a singularidade do percurso literário de Luís Quintais”, que classifica como “uma das vozes mais consistentes da poesia portuguesa contemporânea”.

O júri, presidido por José Manuel Mendes, da Associação Portuguesa de Escritores, composto também por Cândido de Oliveira Martins e Carlos Mendes de Sousa, destacou “uma notável construção de linguagem, uma poética que enlaça pensamento e emoção, tanto nos registos biográficos como na análise da realidade social, e uma escrita em que o sentido de medida se torna não raro apelativo”.

“Notações de luz e sombra enquanto evidência de energia criativa e um engenho aprimorados”, descreve o júri, destacando que a obra de Luís Quintais, “de livro em livro, se tem afirmado por uma singularidade admirável”.

Para o poeta e ensaísta, é “muito gratificante” receber o Grande Prémio de Literatura DST, sobretudo por celebrar aquele que considera ser um dos seus “livros mais significativos num percurso que faz trinta anos em 2026”, data em que o prémio lhe é atribuído.

José Teixeira, presidente do DSTgroup, salienta que “o Grande Prémio de Literatura DST continua a afirmar a literatura como um lugar de pensamento, de inquietação e de construção de sentido”.

Quanto à obra de Luís Quintais, José Teixeira considera que “confirma a força da palavra poética enquanto instrumento de lucidez, de resistência e de revelação”.

“Há livros que iluminam e eliminam o vazio existencial e restauram o propósito e o significado da vida. Há livros que nos provam que a poesia pode salvar a economia. ‘Nocturama’ é um desses livros”, acrescentou

A cerimónia de entrega do prémio realizar-se-á no dia 27 de junho, no Theatro Circo, em Braga.

No mesmo dia, Luís Quintais participará numa conversa aberta ao público no MUZEU – Pensamento e Arte Contemporânea dst, proporcionando um momento de encontro entre o autor, os leitores e o universo literário que sustenta a obra vencedora.

Segundo o grupo DST, a edição deste ano, dedicada à poesia, “reafirma a relevância de um prémio que, ao longo de mais de três décadas, tem distinguido algumas das mais importantes vozes da literatura portuguesa contemporânea”.

Alternando, anualmente, entre poesia e prosa, o Grande Prémio de Literatura dst conta no seu historial com autores como Luísa Costa Gomes, José Viale Moutinho, Teolinda Gersão, João de Melo, Lídia Jorge, João Luís Barreto Guimarães e Fernando Guimarães.

No ano passado, a obra vencedora foi “Visitar Amigos e Outros Contos”, de Luísa Costa Gomes.

Muitas questões se levantam neste “Atlas Lusitano”

9 June 2026 at 15:20

“Atlas Lusitano” esgrime perguntas, mais do que oferece respostas. É esse o papel da Arte. Até aqui nada de novo. O que Frederico Ferreira aka FRED pretende nesta exposição individual no Centro Cultural Camões, no Luxemburgo, é suscitar questões. Como esta: “Entre passado e porvir, entre o aço e o rosto, estas obras perguntam: Que Europa estamos a construir — e que lugar nela cabe ao corpo português?”

A Europa nasceu no Mediterrâneo e é uma invenção grega. Como todos os mitos, a verdade perde-se no caos da História. Para uns, a Europa é filha de Agenor, rei de Tiro. Na “Ilíada”, Homero apresenta-a como filha de Fénix. Zeus avistou-a a colher flores junto ao mar. Poderíamos prosseguir na senda do mito e recordar essa ave púrpura das Arábias que é a fénix, que todos os 500 anos voava para o Egito para se imolar e renascer dos escombros e das cinzas.

Escolhemos olhar para este “Atlas Lusitano” enquanto reflexão sobre o “lugar ambíguo de Portugal num continente que se redesenha diante dos nossos olhos – uma Europa feita de fronteiras móveis, de pertenças negociadas, de narrativas em disputa”, como realça o curador da exposição, D. André de Quiroga. “Apresentar esta exposição no Luxemburgo, onde reside uma das maiores comunidades portuguesas da diáspora, significa devolver-lhes um espelho — não literal, mas poético e identitário — onde a sua presença se amplifica e ganha densidade histórica”.

Esta exposição é constituída por cinco grupos escultóricos que representam diferentes abordagens plásticas em torno de um tema central, entre elas formas que aludem a máscaras ou elmos medievais em mutação, inspirados nos azulejos tradicionais portugueses. “Aqui, o gesto artístico converte-se em cartografia afetiva: uma geografia construída de
memórias armadas, em que cada escultura é tanto um marco como uma pergunta”, sublinha o curador.

Uma couraça cultural para atravessar o presente

Se para os otimistas, a Europa é o promontório das renascenças, para os menos dados a tal estado de confiança, a Europa é um continente que rima com violência. E é precisamente através de uma linguagem escultórica que “amalgama o imaginário bélico e a delicadeza da cultura material portuguesa — a cortiça moldada, o azulejo fragmentado, a cerâmica ancestral, a verticalidade da arquitetura gótica, a espiritualidade quase monástica”, que se constrói um corpo de obras que “não pretendem representar o mundo de forma mimética, mas antes instaurar interrogações”, lê-se na folha de sala.

As criações de Frederico Ferreira aka FRED são, no fundo, dispositivos simbólicos que “desestabilizam o olhar e convidam à meditação crítica: objetos que se situam na fronteira entre artefacto e alegoria, entre relíquia e provocação.” Mas também numa cartografia afetiva, i.e., numa geografia “construída de memórias armadas, em que cada escultura é
tanto um marco como uma pergunta.”

A exposição individual “Atlas Lusitano“, de Frederico Ferreira, comissariada por D. André de Quiroga, pode ser vista até 25 de setembro, no Centro Cultural Camões, no Luxemburgo.
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